sábado, 13 de setembro de 2014

"Sabe que isso não vai dar em nada"

    Hoje era dia de visita. Minha advogada conversou ontem longamente com o advogado da outra parte, Danilo Murari Finestres. Mesmo já tendo recorrido, entrado com agravo e apelação, provavelmente tendo lido de trás para frente e de frente para trás a sentença, disse que entendeu outra coisa. Que essa visitas deveriam ser monitoradas por psicóloga e só ocorreriam no ano que vem. Enfim, o advogado ajuda o cliente em seus interesses, como deve ser, já que é pago para isso. 
   Minha advogada disse para eu nem ir porque ou não estariam ou não deixariam, teria de chamar polícia e tudo isso. Ela é do tipo que pensa na criança, não na cliente. Sei o quanto minha filha ficaria irada ou envergonhada ou sei lá porque não sei mais nada dela.
   O advogado da outra parte só pensa no vil metal. Tanto que até desistiu de me cobrar judicialmente a dívida que só aumenta e sua maior preocupação no papo com minha advogada foi sobre negociar o que devo para ele. O cara está sendo "legal", disse que nem quer cobrar juros, só os 15 mil, porque eu tinha dividido em 16 parcelas de mil, paguei a primeira, lá nos idos de 2011, quando pensei que minha filha estaria em São Paulo com o pai (afinal Jonas Golfeto morava desde 1994 em São Paulo e sempre odiou Ribeirão Preto, costumava dizer que era uma província com mania de megalópole). Mas mandei um email para ele, me desculpando, porque os outros 15 mil seria o que eu gastaria viajando toda hora para Ribeirão Preto. A verdade é que ninguém vai preso por dívida nesse País, muitas vezes nem por crimes hediondos.
     Enfim, eu, Paola, que havia acordado 5h para fazer seu treino e correu "só" 20km (o total era 30km, mas o calor aqui está muito insuportável), descansou um pouco, tomou um banho e nem almoçou para poder estar comigo lá, às 14h. E lá estávamos nós e Miranda na frente da casa dos avós, José Hércules Golfeto (o tal psiquiatra infantil de metodologia duvidosa) e Ed Melo Golfeto (psicóloga, finalmente aposentada). Não havia sinal de vida, nem carro na garagem. Suponho que Danilo Murari Finestres tenha orientado a família a sair de casa antes do almoço e só voltar à noite.
     Fomos na delegacia fazer um Boletim de Ocorrência. O escrivão disse: "Você veio até aqui para ver sua filha e sumiram?". Sim e coloquei lá que o cara é ator, nome dos avós, data de nascimento do genitor e endereço. Mostrei a ordem judicial. Perguntei se isso é motivo de ordem de prisão. Ele me olhou sorrindo: "sim, mas sabe que isso não vai dar em nada, nesse País você pode matar e se não for pego em flagrante e se entregar em três dias, responde em liberdade". Sim, senhor escrivão, eu sei bem como NÃO funciona o sistema judicial brasileiro.
     O que faço agora? Levo esse BO para encher ainda mais os 10 volumes de processo. Não vai dar em nada. Amanhã eles vão sair de casa antes das 9h e voltar depois das 19h. Agora vai ser assim, a cada 15 dias desaparecem. Como vive com tamanha infelicidade essa família? 
     Tem uma tia avó, a única irmã do avô que é evangélica, ela diz que quando eu aceitar Jesus no meu coração tudo vai mudar. Olha, tia, quem tem que aceitar Jesus é essa família Golfeto. Temo muito que minha filha fique igual a eles. O DNA ela já tem, a convivência também...
      E assim continua a saga sem fim. Sem fim? Acho que já deu pra mim.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Alienação Parental Concluída

   Então eu decido mudar de cidade, mudar a vida e mudar tudo, só porque saiu uma sentença em junho, de que eu poderia pegar minha filha Dora em finais de semanas alternados, sábados das 14h às 19h e domingos das 10h às 16h. Se tudo der certo, se eu não surtar ou coisa parecida, a partir do próximo ano posso então passsar a noite com minha filha. A outra parte, Jonas Golfeto, claro, achou isso uma ofensa. Então seus advogados Danilo Murari e sua mãe Ana Maria Murari, recorreram dessa sentença. O juiz respondeu antes do que eu pudesse imaginar. Daí os ávidos advogados, especialistas em separar mãe e filha, recorreram. O juiz respondeu a meu favor. Mas eles entraram com agravo. Depois apelação. Mesmo assim não houve jeito.
    O juiz, talvez começando a entender que alienação parental existe e que está sendo executada por essa família de advogados e seu cliente, determinou que as visitas fossem feitas, com pessoa indicada por mim, já que a outra parte exige uma psicóloga e não indicou ninguém no tempo determinado. Então, eu aqui em Ribeirão Preto, estive ontem no Fórum com minha amiga Paola Miorim, indicada por mim. Ela assinou o termo de responsabilidade e será a pessoa que acompanhará as tais visitas. A sentença é clara: se o autor (Jonas Golfeto) não indicar alguém no prazo de 15 dias, a pessoa que eu indicar estará valendo. Mais de 70 dias depois, vou ao Fórum com Paola, para assinar o termo de responsabilidade. Ela irá comigo buscar e entregar Dora (assim mesmo que a Justiça trata, como se fosse um objeto).
    Então Giovana, filha de Paola, amiga virtual de Dora (já que o pai não deixa elas se encontrarem porque essa menina adorável de 12 anos é filha de minha amiga, portanto perigosa), manda uma mensagem feliz, pois as duas iriam se encontrar nesse final de semana. Mas Dora reluta, diz que não será possível porque o pai não está sabendo de nada, que não é assim e que ela tem outros planos para o final de semana. Há quase um ano sem ver a mãe, a mãe nem importa tanto. Sei como é, não fazemos mais parte uma da vida da outra. Nem faz falta, nem tanta diferença...
    Não quero colocar crianças nas brigas dos adultos. Não quero falar de termos judiciais com minha filha que não vejo desde dezembro. Mas é a única forma de explicar o que está acontecendo. Minha vontade é mandar a sentença pra minha filha. Mas teria de traduzir o juridiquês, isso só seria possível pessoalmente. E esse encontro parece nunca acontecer.
      Minha advogada, Lucélia Nunes, fala por telefone com Danilo Murari. Ele quer saber quem é Paola, diz que não posso encontrar nesse final de semana (nem com ordem judicial), que talvez no próximo, e exige que Paola busque minha filha e que fiquemos na casa dela, mais que isso, diz que Jonas é quem irá buscar e levar e que nós iremos ficar na casa, sem sair. Caramba! Mas o juiz deixa claro que eu vou para onde eu quiser, só tenho que respeitar os horários, nada mais. Como assim vou obrigar minha amiga a passar os finais de semana com suas filhas, presa em casa?
    Então o "doutor" (só considero doutor quem tem doutorado) Danilo Murari diz que separou-se e agora tem uma namorada que leu meu blog e o questionou sobre esse seu esforço em separar mãe e filha. Que pena que ao dar "um google" em seu nome é no meu blog que vai parar.  Que pena que sua única explicação seja "tenho que defender o interesse do meu cliente, mesmo que isso seja separar por 4 anos mãe e filha e irmãs". Que bom que essa namorada leu meu blog. Tomara que ela pense 1.574 vezes antes de ter um filho com esse homem. Se ele faz isso, não será diferente com seus próprios filhos. Tomara que essa gente não procrie. Ghega de Muraris no mundo!
    Ah, sim, ainda devo 15 mil reais para esse "doutor". É o fim ter de pagar para quem só me ferra, para quem acaba com minha vida e saúde. Tenho muitas dívidas a serem pagas na frente.  Pega uma senha e espera "doutor". Até perguntei para minha advogada se no caso da minha morte a dívida fica para outra parte. Não, a dívida morre comigo. Então, doutor Danilo Murari, torça para que eu tenha uma vida longa e próspera, e pare de ajudar seu cliente na alienação parental, quem sabe assim eu consiga viver e trabalhar em paz e ter 15 mil para te pagar. E que todas as suas atuais e próximas namoradas leiam esse blog e questionem seu caráter. E que nenhuma mulher em sã consciência tenha um filho seu. Ela perderia a guarda do filho no caso de separação, certamente.
    Amanhã é meu dia de visita. Mas sei que não vão deixar. Estarei lá com minha amiga Paola Miorim, que já passou por tantas nessa vida, que nem se importará se tiver que ligar 190 para realizar a visita. Não tive irmãos, mas a vida me presenteou com amigos que são mais que irmãos. Daria a vida por eles porque eles dão a cara, o nome, o tempo,  o currículo por mim.  

   Aluguei um apartamento em Ribeirão Preto, mas se essa visita não acontecer nesse final de semana eu desisto de tudo. Posso escrever de qualquer lugar e vou ser feliz em Paraty, um lugar que é pura inspiração literária.
  Não queria desistir da minha filha, mas gente como Jonas Golfeto, Danilo Murari e sua mãe Ana Maria Murari, tão nefastos e aplicados em separar mãe e filha e irmãs, me fazem desacreditar da humanidade. Uma pessoa nefasta é capaz de fazer um estrago que nem mil pessoas boas conseguem consertar. Cansei de sofrer, de tentar e não conseguir. Tem muita criança órfã louca para ter uma mãe como eu. E meu amor é tão grande que não precisa ser filha biológica. Minha filha vive bem sem mim. Não fazemos mais parte uma da vida da outra. Parabéns advogados do mal, vocês são excelentes, a alienação parental foi concluída.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Os irmãos Leplus

   Um amigo meu, Paulo Ornelas, me chamou para o projeto de um livro: a biografia de Alain Leplus, um francês, ex-jogador de rugby, grande divulgador do esporte no Centro-Oeste e conhecido por várias gerações de rugbiers. O problema era que eu nada sabia sobre esse esporte. Paulo é ex-jogador, tem a revista Rugbier e seus dois filhos também jogam. Teria quem me ensinasse. Assim aceitei mesmo sem saber as regras do jogo, porque gosto de biografias e de atletas. Como disse meu grande amigo e quase irmão Angel, estou me tornando uma biógrafa de atletas.
    Então fui para Cuiabá no final de maio conhecer Alain. Mas antes fico sabendo que outra jornalista escreverá comigo, por sugestão do próprio biografado, já que está na mesma cidade e tem muita amizade com os irmãos Leplus. Alain mora com o irmão Michel, fotógrafo e apaixonado por rugby. Não conhecia a jornalista Flavia Salem e mesmo que tivesse idealizado uma parceira perfeita, não teria tanto sucesso. Quando bati os olhos em Flavia, em sua sala, no jornal Circuito Matogrossense, a empatia foi imediata. Nos identificamos em praticamente todas as coisas, no envolvimento cultural, preocupação social, adrenalina jornalística, nas músicas, nas escritas.
   Para começar a entender um pouco de rugby fiz um intensivo assistindo a final da Liga Europeia na casa dos irmãos Leplus e com Paulo. Sem vergonha de ser uma leiga no assunto perguntava tudo e mais um pouco. Por sorte estava no time francês o ícone Sebastien Shabal. Daí comecei a entender o espírito do jogo. Impossível não comparar ao futebol, que me envolveu por um ano e meio, no projeto da biografia de Djalma Santos. No futebol cavam-se faltas. No rugby os caras jogam sangrando e fazem seus próprios curativos. No começo achei confuso, depois comecei a torcer. Sou torcedora, não consigo apenas assistir.
   Após esse jogo na TV fiquei entrevistando Alain e me apaixonando por sua personalidade meio porra-loca, divertido, que destila ironia e simpatia. Me deixou super a vontade para perguntar qualquer coisa. Depois fui assistir um jogo entre Cuiabá e Campo Grande. Após o jogo houve o famoso terceiro tempo, uma festa entre os times. Entre titulares e reservas, mais de 50 jogadores na casa dos irmãos Arruda (quatro irmãos enormes que jogam no mesmo time). Perguntei para a mãe deles se era sempre assim. "Hoje são só dois times, imagina quando são quatro". Nossa, como é bom esse clima de confraternização entre atletas. Havia algumas jogadoras também, mas o feminino ainda está começando por lá. O treino é forte, exige muito. O patrocínio é pouco, como para a maioria dos atletas brasileiros.
   Os irmãos Leplus foram uma viagem até a França sem sair do Brasil. Seu modo de encarar a vida, a visão política, seus vinhos, seus sucos de uva (produzem o suco Melina, uma delícia, diga-se de passagem) me fizeram ter mais vontade de conhecer a França. Conversar com os dois também foi um exercício e tanto, tamanha discrepância das personalidades. Alain é o relaxado (no bom sentido), sorridente, tirador de sarro e Michel é sério, meio emburrado, pontualíssimo e parece estar sempre apressado. Ambos são muito inteligentes, simples e hospitaleiros. 
    Claro que ao falar da infância emocionaram-se e quase me tiraram lágrimas. Tento muito ser profissional o tempo todo, mas em biografia chega a ser impossível, não há como não me envolver nas histórias, se assim fosse, talvez o trabalho não ficasse bom. Sou uma contadora de histórias e quando a história é boa, quero deixá-la ainda melhor.

   

Os presentes de Cuiabá

    
     Alguns capítulos prontos e voltei para Cuiabá semana passada. Na primeira noite fui ao bistrot Casa do Parque, da Flavia. Um lugar lindo, elegante e direcionado para eventos culturais: exposições, shows, lançamentos de CDs, livros. Era um jantar fechado para jornalistas e Lucinha Araújo, a mesma que me fez chorar lendo as Mães São Felizes. Mas conhecer Lucinha não foi a grande surpresa da noite, pois quando Flavia me convidou, já sabia que a conheceria. Lá também estava o agitador cultural e visagista Celinho, como se fosse um amigo de infância que reencontrei por acaso. Acho que temos muitos irmãos espalhados pelo mundo esperando o reencontro.
   Livro elaborado, fotos escolhidas, novas fotos feitas, entrevistas complementadas, passamos a falar de um novo projeto. Por algum motivo místico e óbvio, sabia que nossa dupla não ficaria "apenas" em um livro.
       No almoço do dia seguinte fomos ao restaurante de um amigo de Flavia, no final, fui apresentada como jornalista de São Paulo e escritora. Então Renato de Paiva Pereira, o proprietário, me deu um livro seu, o primeiro de ficção. Adorei o presente, disse que leria no aeroporto e no avião. O Diabo Vai ao Céu me fez rir alto, são crônicas curtas, cheias de deboche sobre a sociedade moderna, histórias hilárias de um caipira. Quero muito que Renato saiba o quanto gostei de seus escritos. Em um dos textos ele se dirige ao leitor, como "meu único leitor ou leitora". Achei isso genial. Alguém com uma narrativa tão envolvente quanto simples, assim tão desprovido de qualquer vaidade intelectual. Alguém que se diz um caipira da terceira idade, mas que tem um texto absolutamente contemporâneo.
    
    E agora fico assistindo videos de rugby, escolho fotos de Alain nas várias fases da vida, penso em aprender francês. Tento selecionar com Flavia as melhores de tantas histórias de vida, já que o livro não passará muito de 200 páginas de texto, com muitas fotos. Mania que eu tenho de escrever tanto. Se eu perguntasse menos não teria a dor de excluir texto que considero bom e relevante. Queria contar todas as histórias de todas as pessoas que conheço. Mas ainda tenho a sorte (não sei se a palavra é essa) de encontrar figuras tão inusitadas como os irmãos Leplus, com uma vida tão rica.
    Antes e depois de Cuiabá estive em Brasília. Fui com Miranda para o aniversário de Rudá, filho de seus padrinhos Angel e Gab. Mas essa é outra linda e grande história.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Embargos Declaratórios

   Tento, tento muito não escrever mais sobre o processo, mas daí é tanto email, tanta mãe pedindo auxílio que me sinto no dever de elucidar mistérios do judiciário brasileiro. Queria escrever mais sobre todas as coisas porque fico um tempo sem entrar aqui e vejo que tenho mais e mais gente de todos os cantos lendo o que escrevo (certo ou não, concordando ou não). A vida tem me dado muitas surpresas boas e deveria escrever todos os dias sobre isso. Mais do que vaidade intelectual, escrever é um ato meio desesperado, quando não aguento mais guardar comigo tanta informação e sentimento, preciso mesmo escrever.
   Minha advogada, que parece minha irmã mais velha porque briga comigo, me conforta, me ajuda, briga de novo, não quer que eu escreva sobre o processo e sei que está certa, diz que não ganho nada com isso e sei que pode estar certa. Já perdi tanto e não quero que outros também percam. No que puder evitar que ex casais acabem com a infância de seus filhos, evitarei. 
   Na sentença de 32 laudas o juiz me vê como uma pessoa vingativa e a outra parte como traumatizada, o juiz entende o trauma da outra parte, mas não concorda que duas vítimas continuem sofrendo. As vítimas são as irmãs separadas, Dora e Miranda. Isso me confortou muito. O juiz sabe que Miranda existe e é a que menos culpa tem em tudo isso e talvez seja quem mais sofre. O amor que ela tem pela irmã chega a me doer. O que uma perde da outra dói demais em mim. E acreditem, mesmo com a sentença publicada em 26 de junho, ainda não vi minha filha. É que os advogados da outra parte entraram com um recurso chamado Embargos Declaratórios. Traduzindo o "juridiquês", pedem para o juiz explicar melhor, pois não entenderam o sistema de visitas e ainda o chamam de omisso. Ninguém gosta de ser chamado de omisso, muito menos alguém com plenos poderes sobre a vida dos outros.
   Não sei quanto tempo isso ainda vai durar, mas sinto que será pouco tempo. Sinto estar cada vez mais próxima da minha filha, apesar de todo o tempo e distância. Talvez esse meu jeito meio adolescente de ser me aproxime mais dela. Talvez a música, a literatura, nossas bandas preferidas, os amigos em comum. 

    Daí eu tinha escrito isso aí em cima e o juiz, que poderia demorar, no mínimo, 2 meses para responder aos Embargos Declaratórios, respondeu em menos de um. Talvez agora esteja percebendo que "o vingador" está do outro e o trauma também é meu. Mesmo assim a outra parte agora entrou com agravo de liminar, no Ministério Público.
    Sei lá, deve ser muito triste viver uma vida procurando brechas da Justiça, achando que está ganhando quando todos estão perdendo. Deve ser muito vazia e sem amor a vida de pessoas que agem assim. Nem sinto mais raiva, chego a sentir pena. E nem sinto pena das minhas filhas porque continuam sãs, inteligentes e lindas. Tenho pena da pequenez humana, da falta de respeito com a efemeridade da vida. Prometo que escreverei mais vezes e vou buscar inspiração no que há de bom e construtivo. Mas continuo desejando que haja uma reforma judiciária com a máxima urgência nesse País. Continuo desejando um mundo melhor e sem guerra, mesmo sabendo que não sou capaz nem de resolver um conflito pessoal. A guerra dos outros sempre parece menos bélica que a nossa. Nunca é.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A Sentença

    Nem esperava mais ver minha filha neste ano. Não por faltar esperança, mas por estar dentro da roda viva (ou morta) do sistema judiciário brasileiro. Explico: meu processo estava no gabinete do juiz desde 24 de abril para ser julgado, mas havia outros desde janeiro lá, que não foram "apreciados". Junte-se a isso ano de Copa do Mundo. Para quem não sabe em dia de jogo do Brasil os fóruns de todo o País só funcionaram até meio-dia. E juiz só trabalha a partir das 13h. Logo, por seis dias nenhum juiz do Brasil participou de audiências ou julgou qualquer coisa. Não, nenhum deles precisa repor esses dias. Depois tem eleição em outubro e novembro. As coisas também empacam mais ainda no Judiciário.
    Então preparei minha filha de que não nos veríamos neste ano. Ela ainda pediu para eu pedir visita de novo na sala do Fórum de Ribeirão Preto. Mas expliquei que, para isso, seria necessário tirar o processo do gabinete do juiz e depois voltava para o fim da fila. Então minha filha me escreveu:" daí demora mais, né? Sim, filha, daí nem em 2015". E parei de falar de processo porque ela não quer saber disso. Ninguém mais quer. Ninguém mais aguenta. 
    Daí dei sequência em um projeto em que passaria até o final do ano (ou até quando o juiz resolvesse dar uma sentença) no Assentamento Terra Vista, em Arataca- BA. Seria uma experiência incrível para mim e para Miranda morar em um assentamento do MST (Movimento Sem Terra)! E lá também iria escrevendo um outro projeto de livro, o qual detalharei em outro post.
     Mas eis que no dia 26 de junho, em plena Copa do Mundo, contrariando toda a falta de expectativas, tudo mudou. Saiu uma sentença! Nela o juiz decide que poderei ver minha filha em Ribeirão Preto de 15 em 15 dias. Aos sábados das 14h às 19h e aos domingos das 10h às 16h. Sempre assistidas por alguém que a outra parte indique. Sentenciou também que terei de fazer terapia (a louca) com psicólogo e apresentar relatório no final do ano. Se tudo correr bem, a partir de 2015 poderei pegar Dora aos sábados 14h e devolver domingo, 16h.
     Dessa forma estaremos sempre, invariavelmente, na casa da minha amada amiga Paola. Não sei se o juiz sabe que tenho essa amiga de infância lá, se pensa que fico em hotel ou espera que eu mude para Ribeirão Preto. Esperei longos 3 anos e 4 meses para ter essa sentença... me sinto muito derrotada em nunca mais poder trazer Dora para Santos, para ver os amigos... mas é melhor do que uma sala no fórum por 2h30, só na segunda-feira, com psicóloga monitorando.
      Fiquei sem saber o que fazer após essa sentença, essa é a verdade. Perguntei para Dora se soube sobre as visitas. Disse que sim, mas não quis prosseguir, imagino que não saiba muito ou que não tenha achado tão bom assim também. Enfim, aproveitei que já estava preparada para ir para a Bahia e fui para lá com Miranda e o que aconteceu em Arataca (onde fica o Terra Vista) e depois em Brasília, onde passei 4 dias, é assunto aí para mais uns dois posts.

     Como o juiz deu 15 dias para a outra parte dar o nome da pessoa indicada e já passou mais do que isso e nada foi colocado, imaginei que minha indicação, a amiga Paola Miorim, estaria valendo. Já que estava em Brasília, pensei em pegar um vôo de lá para Ribeirão Preto que é mais perto, imaginando que no próximo final de semana eu teria um passeio mais decente com Dora. Sei lá, um parque, ar livre, sol, almoço na casa de Paola, preparado por nós todas: eu, Paola, suas filhas Lívia e Giovana, eu, Miranda, Dora e a pessoa que seu pai indicasse, que com certeza acabaria simpatizando comigo e com minhas amigas. Mas nada de respostas, nem de minha advogada, que ficou doente.
     Resolvi perguntar direto para a fonte. Estava no facebook (meu contato mais frequente com minha filha) e lhe pedi para perguntar para seu pai se teria visita. Rapidamente me respondeu "meu pai disse que não vai ter visita nesse final de semana". Bom, ao mesmo tempo que a resposta definiu meu roteiro de viagem, me deixou numa angústia irritante. A impressão é que o processo é todo dominado pela outra parte. Ele meio que manda em tudo no processo. Deve pagar muito bem a advogada... já eu tenho até pena da minha, que fica até doente e não recebe nada de mim, só uma gratidão tosca. Acabo ficando tão estressada com tudo e quase todos e, como ela é a única pessoa que pode me ajudar, acho que atrapalho cobrando respostas.
     Mas enfim voltei e nada de data da visita, mesmo com sentença. E não sei se mudo para Ribeirão Preto logo de uma vez. E me sinto perdida. Daí fiquei ouvindo muitas músicas e parei nessa http://youtu.be/RQ-6BXsaDD0. Mas não posso me sentir como uma música dos Smiths. 
     Então pensei nos dias lindos que passei em lugares distantes da Bahia. Depois na ensolarada Brasília, com muita gente alternativa e linda e pensei que a vida é muito mais que um processo. Me resta esperar. Vou continuar esperando da forma mais suave possível.. E essa música linda de amor é para minha filha Dora, que amo tanto e que nem toda a distância, tempo, burocracia e gente escrota do mundo será capaz de diminuir ou estancar esse sentimento. Nada melhor do que um ataque de fofura com Fernanda Takai e Samuel Rosa para curar essa dor http://youtu.be/OprMsRlHFBE .

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Mis Hermanos Argentinos

    Meu primeiro contato com argentinos foi aos 16 anos, quando fui para uma competição no Clube San Fernando. Não sabia falar nada de espanhol e fiquei uma semana na casa de atletas. Eram 3 nadadores: Pablo, 16 anos, Florência, 14, Natália, 10. Fui tratada como filha e irmã. Os pais me disseram que poderia abrir a geladeira quando quisesse e comi uma caixa inteira de alfajor (não conhecia essa delícia), depois me deram duas caixas para levar para o Brasil, uma para mim e outra para meus pais. Chorei na despedida de tanta saudade antecipada. Alguns meses depois recebi Florência em casa e também Gabriela, que era recordista sul-americana de 800m nado livre (um luxo e uma das minhas provas preferidas na época) e nada tinha de arrogante por isso, ao contrário, era muito divertida e incentivava outros nadadores sempre.
   Algum tempo depois minha prima e grande amiga Keila, uma "parabólica" de argentinos, namorou Max. Depois conheceu um argentino guitarrista gato e eu acabei namorando Diego, o baterista da banda, que era lindo, inteligente e apaixonado, tinha 21 anos e eu 23. Quando levei Diego para passar um final de semana em Paúba (litoral norte de SP), com amigos brasileiros, alguns falaram: "Pô, namorar argentino?". Depois de algumas horas, Diego já era amigo de todo mundo, muito divertido e cheio de charme. Um tempo depois Keila conheceu Guadalupe Bárcena e Ximena Spina, que se tornaram minhas grandes amigas.
      A primeira vez que fui para Búzios (RJ) fiquei na casa de Marcela Ferioli e ela nem estava em casa.  Fiquei lá com o pessoal da banda Nova Semente, e as filhas de Marcela que estavam com o pai e a boadrasta argentina Gabriela Klet (pessoa linda, de quem me tornei muito amiga). Dois anos depois morei em Paraty e Marcela, seu companheiro Sebastina e suas filhas Raiz e Alice mudaram para lá. Nos tornamos as melhores amigas. Seu caçula Leon foi gerado na mesma semana que Miranda e eles tem cinco dias de diferença! Com Marcela voltei a fazer yoga e fizemos vários programas de grávida juntas.

   Tudo isso para dizer que há quase três décadas convivo com hermanos, conheço sua cultura, seus talentos, suas características, seus defeitos. Admiro como são politizados, independentemente da classe social, como gostam de literatura e música. Assisti todos os jogos da Argentina na Copa do Mundo e vi uma equipe que ia se acertando e melhorando a cada jogo. Não escrevi durante a Copa porque não me envolvi muito, admito que torci para o Chile vencer o Brasil nos penaltys, e que assisti ao jogo com camiseta do Brasil e agasalho do Chile (um pedaço do meu coração mora lá). Sabia que se passasse do Chile e Colômbia, os "canarinhos" tomariam uma lavada da Alemanha. Tudo bem que a minha lavada era de 3x0, mesmo tão realista não esperava a goleada histórica. Mas no final os 7x1 foi pouco. Foi evidente que os alemães se controlaram para não fazer mais gol. Eu torcia mesmo era para Neymar e assim que ele foi lesionado perdi a vontade de ver jogo da Seleção. 
    Desde as oitavas de final eu pedia para ver jogo da Argentina na casa de Ximena e seu companheiro Sebastian Madruga, com os filhos Axé, Leon e Joakin. Mas nunca dava certo a combinação, até que fui lá na semifinal com Miranda (que se considera prima dos meninos e adora dizer que é Argentina). Ximena achava que eu não poderia ir porque só os que viram desde o começo juntos deveriam seguir assim até o final. Já "Sebá" observava que uma brasileira torcendo sinceramente para a Argentina só poderia trazer sorte. E foi assim que assisti o excelente e emocionante jogo Holanda e Argentina. Nos penaltys eu torci em pé e pulei abraçada com meus hermanos.
    Um dia antes da final minha mãe fez uma reunião para comemorar seus 79 anos. Fiquei muito feliz ao ver que vários primos iriam torcer para os hermanos. Assim como minha mãe, que gosta demais de Ximena e Guadalupe. Mas fiquei completamente irritada com outros parentes que só falavam mal dos argentinos como povo, chamando-os de racistas e arrogantes. Gente que não conhece argentino e nunca esteve no País. Gente que se deixa manipular pela mídia que incentiva esse quase ódio contra os argentinos. O que vi nas redes sociais foi um absurdo de torcida contra, de palavras de xenofobia. Chegaram a me mandar morar na Argentina já que gosto tanto deles! E olha que moraria em Buenos Aires fácil...
     Na derrota cheia de garra e luta para a Alemanha, fiquei tão triste que Ximena acabou me consolando: "Jogamos bem, fomos vencedores, nem esperava ir tão longe, é só um jogo". Mas com muita alegria viajei para a Bahia, fiquei no Assentamento Terra Vista, em Arataca, e lá os assentados torceram para a Argentina com fervor. Entendem que essa quase cultura de ódio é uma estratégia do império para que os latino-americanos não sejam unidos. Que nós da América Latina juntos seríamos tão fortes e independentes que nenhum país imperialista seria capaz de nos dominar. Mas essa é história para outro post.

terça-feira, 17 de junho de 2014

O Brilho Efêmero da Vida

   Fiquei muito tempo longe daqui, eu sei. Recebo emails perguntando se está tudo bem, que estão com saudades dos meus textos, querem minhas opiniões sobre o "vai ter Copa, não vai ter Copa" e tantos eventos importantes que acontecem em meu País. Não, não está tudo bem, mas de certa forma, muita coisa mudou para melhor. Surgiram mais pessoas incríveis na minha vida (que detalharei em outro post), voltaram grandes amizades, afastei algumas pessoas que não me faziam bem e perdi outras para sempre - sim, com a morte, mas não falarei de morte, porque o que eu quero é a vida. Muitas mães continuam me procurando para consultoria sobre guarda de filhos. Passei um tempo tão pessimista, que não conseguia responder. Mas coloquei as correspondências em dia.
    O mais curioso é esse exato momento. Estou em Ribeirão Preto, na casa da minha amada amiga Paola Miorim, sozinha, durante o jogo BrasilxMéxico, em plena Copa do Mundo. Não lembro de nenhum jogo de Copa na minha vida em que estivesse sozinha. Pensei que ia me concentrar no jogo, coisa que nunca acontece quando tem galera, mas o jogo está tão ruim, tão truncado, que comecei a ouvir música e bateu vontade de escrever, dar sinal de vida, ter respeito com as milhares de pessoas que acompanham o que escrevo. Estou aqui em Ribeirão Preto porque trouxe os presentes para Dora, que estão se juntando comigo desde o ano passado. Continua tudo na mesma e não vale mais gastar dedos digitando sobre isso, acho que só vale falar do processo quando algo mudar, talvez em 2016, nas Olimpíadas. Miranda está cada dia mais linda, forte e saudável e a deixei em São Carlos, aos cuidados de Adriana Abujanra e suas amadas filhas, Manu e Sofia.
    Sobre a Copa, infelizmente, nunca estive tão desanimada. Adoro esportes e já deixei claro que futebol também faz parte das minhas paixões. Estou vendo os jogos na medida do possível, mas nunca fiquei tão sem torcer, tão alheia. Torci para Portugal porque lembrei muito do meu pai e de sua indecisão nas Copas, mas acabava sempre torcendo mais para o Brasil, porque ia mais longe. 
    Estive em algumas cidades sede, fora do eixo Rio-São Paulo, e o que vi foram estádios inacabados (com estruturas provisórias) e canteiros de obras onde deveriam ser ruas, metrôs e aeroportos prontos. Mas isso não importa, o que importa é que tem jogo, que os turistas estão adorando o Brasil e nós somos mesmo um povo receptivo e simpático. E tomara que nada de ruim ou catastrófico aconteça até o final desse grande evento, que até agora tem tido ótimos jogos. É futebol e queremos ver gol. Só esse que estou vendo agora não sai do zero a zero.
    Sobre o xingamento direcionado a presidente do Brasil na abertura da Copa, não concordei, achei feio e ineficiente. Vaia é universal e o mundo inteiro entenderia, xingamento em português poucos entenderam na hora. Fora que é muito feio mesmo ficar xingando. Deixa pra xingar nas urnas, ora. Daí os governistas ficam culpando a elite branca que estava no estádio. A Copa foi feita para a elite (branca ou não branca) e não para o povo, basta ver os valores dos ingressos. Também já foi exaustivamente divulgado o quanto foi gasto de dinheiro público para essa Copa e até agora não temos legado nenhum, a não ser estádios. Agora me digam, para que um estádio "padrão FIFA" lá em Manaus, onde nem tem time? Numa região que falta até luz elétrica? Deveria ter reclamado antes? Reclamamos antes! O Deputado Romário reclama desde que entrou para a Comissão da Copa.
     No dia de escolher a sede das Olimpíadas 2016 eu não queria que fosse no Rio de Janeiro, mas quando foi escolhida, fiquei intimamente feliz, é minha chance de ver os melhores nadadores do mundo, na minha competição preferida do mundo. E se não correrem, vai ser outra demonstração de atrasos e desvios de verba e descaso.
   Esporte é uma paixão e estou muito feliz em estar entrando em um novo projeto e um novo mundo esportivo para mim, que é o Rugby e, novamente, escrever a história de um grande atleta. Mas isso também é assunto para outro post.
     Conheci novas crianças, todas carentes. Tão cheias de amor que vou passar meu aniversário com elas, daqui três dias. São carentes de família, mas excedem amor. Quanto mais eu dou, mais eu tenho. E em outro post, escreverei sobre elas.

    E a música que não consigo parar de ouvir é Hiding Song, de Rafael Aviz, o menino que conheci no dia em que nasceu. Sonhei com ele, antes de sua mãe ficar grávida. Assim que ele liberar, compartilho para todos vocês. Passaram quase 19 anos de seu nascimento, como foi rápido. O menino que uma vez dei banho quando tinha 4 meses, deixei entrar água no ouvido e, pela primeira vez, aquele anjinho, chorou sem parar. Ninguém sabia o que era. Sua mãe, minha querida Mariana, teve quer ir embora de Paúba até Santos, para levá-lo ao pediatra. Como passou rápido... hoje é um compositor de primeira, que faz músicas que me representam. Sou a fã número 2. A 1 é sempre a mãe!
   A vida passa rápido e todos nós nascemos para brilhar. Todos os dias  vejo pessoas brilhantes. Todos nós temos um talento, nem que seja descobrir o talento dos outros. Por mais que fatos tristes me acompanhem, que fatalidades me aconteçam, não consigo deixar de amar. E ficar feliz com a quantidade de pessoas lindas que cruzam e voltam no meu caminho.