quarta-feira, 23 de março de 2011

41 Dias

  Esse é o tempo em que Dora está afastada. Ainda não sei onde ou como está. Hoje falei pelo telefone com o nonno dela, liguei no consultório do avô psiquiatra, entre outras, me disse que Dora está ótima, que eu ensinei direitinho e ela é muito discreta, que a viu numa festa preparada pelo pai, estiveram, entre outras, a ex-madrasta e ex-babá. A festa foi na casa da atual namorada dele, Cris. Ops, Cristina Ávila, a bailarina? "Não sei se é Ávila, mas é a Cris, uma magrinha". Estão morando lá? "Não sei, não posso te falar nada, não quero brigar com o Jonas". Minha dedução é que ele voltou com a namorada (estavam separados há pouco mais de um ano) ou são amigos e ele pediu pra ficar lá com a Dora até encontrar um apê. O que preciso agora é descobrir o endereço dessa pessoa! Ela é bailarina, mas fiz uma busca e não há espetáculo em cartaz. Perguntei sobre a escola, o avô disse que não sabe onde Dora está estudando. "Como se é o senhor quem paga?" Disse que não é ele e não sabe mesmo...
  Então a situação é essa, após 41 dias: 2 telefonemas de Dora para mamãe na primeira semana, sendo que no segundo e último ela disse que o pai não deixava ela falar onde estava, daí desligaram e nunca mais; 2 emails de Dora, curtos, depois um mais longo, com novo login, que nem sei se é ela mesmo. Nada no msn. Sem paradeiro, sem nome da escola. Não saber o endereço dificulta o pedido de ação, vamos ter que enviar para Ribeirão Preto, endereço dos avós. Mais tempo sem ver Dora. Mais tempo para o guardião produzir provas de como a filha está adaptada ao novo ambiente, ao novo lar, nova escola. Fotos de festas e amigos, passeios, diversão...
  A dor da falta vai fazendo parte de mim. Parou de latejar o dia todo, é crônica.

terça-feira, 15 de março de 2011

Meu Tsunami Interior

  Fisicamente sinto apertos no coração, vazio no estômago e nós na garganta. Emocionalmente é difícil de explicar, é como ter perdido uma filha viva, embora eu saiba que cedo ou tarde tudo se resolverá. Mas é esse "ou tarde" que mais que me angustia, me aniquila. Há 36 dias não vejo Dora, não nos falamos, não sei como e onde ela está. Sei que deve estar com o guardião, que em sua vingança perfeitamente programada, mudou de endereço, não deixa Dora se comunicar com ninguém, não levou nenhuma lembrança do que ela tem. Tudo dela está aqui, ela está comigo o tempo todo...
  Paralelamente, em via oposta, tenho outra filha, a sapeca e carinhosa Miranda, de 2 anos e 1 mês, que pergunta onde está "Doinha", que beija fotos da Dorinha, pega as bonecas da Dorinha e há 3 dias está com febre noturna. Ela não sabe o que se passa, mas já duvida que a irmã tenha mesmo ido passear, que passeio mais demorado é esse?
  Junte-se a isso "preciso/necessito" ter um emprego na Baixada Santista, não só por uma questão financeira, mas para o processo da reversão de guarda. Afinal a outra parte, em uma de suas exigências, dizia ser capaz de compartilhar a guarda caso eu mudasse em até 45 dias para São Paulo, bom, isso foi em janeiro, o prazo já expirou... e quem fica mais de 30 dias sem comunicação é  porque não está muito propenso a compartilhar nada.
  Outra necessidade é achar alguém para dividir a casa comigo, afinal o que era grande ficou maior ainda sem Dora para ocupar os espaços. Sobra amor e espaço. E mesmo me sentindo assim metade partida tenho que ir periodicamente ao Fórum, tenho que ir atrás de provas que desmintam calúnias e difamações, como por exemplo, provar que mesmo com um grave descolamento de placenta na gravidez de Dora, levei a gestação até o final, contrariando todas as expectativas. Mesmo fazendo repouso absoluto, abdicando de tudo para ver minha barriga crescer sã e salva e ter minha bebê mamando saudável no tempo certo, a outra parte teve a covardia de colocar no processo que "não me cuidei na gravidez" e que ele atrasou a produção de um curta porque dispensava muitos cuidados comigo e com a recém-nascida, que ele fazia tudo...
  Ora, os que estiveram lá, e foram muitos, sabem como eu ficava deitada para não sangrar e que até o sexto mês de gestação morava sozinha, com amigos se revezando nos cuidados comigo: Ali Hassan, Fábio Diegues, Flavia Vieira, André Corrêa, Claudia Pentiocinas, Keila Gonçalves, Mirela Tavares, Maria Paula Alves... são apenas alguns nomes que me ocorrem agora, pessoas que me levavam almoço, filmes, livros, conversas, apoio... o genitor estava ocupado com ensaios e produção de curta, ok, nunca cobrei isso dele. Mas mentir descaradamente, transformar a verdade dessa forma é um ultraje, é assombrosamente doentio!

Perigo Nuclear

  O mundo preocupado com acidentes nucleares e eu aqui, presunçosamente colocando acima de todas as coisas o meu sofrimento e o suposto sofrimento de Dora - espero que seja apenas uma suposição e ela esteja superando tudo isso com diversão e sabedoria. Sim, catástofres naturais acontecem e parece que tem acontecido com mais frequencia. Mas veja a ironia: o Japão é o País mais preparado para suportar catástofres naturais e por ter um dos maiores sistemas de energia nuclear do planeta, aumentou a catástofre. Não bastassem terremotos e tsunamis, a população agora tem que conviver com o medo de contaminação por radiação em consequencia das explosões dos reatores nucleares.
  Nunca estive no Japão, por isso fica ainda mais difícil imaginar um País preparado para a desgraça constante, para situações extremas, de guerra. Dessa trágica lição podemos tirar muito proveito. O terremoto aconteceu, vem a Tsunami. O que se  pode fazer é correr para o alto e esperar a Terra tremer e a onda devastar. Sobreviver. Reconstruir. E fugir para longe das usinas. Fugir também é sobreviver. O desastre só não será maior porque o governo japonês não enganou a população. A merda foi feita, agora fujam daí. No acidente de Chernobyl, em 1986, na antiga União Soviética e onde hoje é a Ucrânia, o estrago foi muito maior por falta de informação, pela falta da verdade.
  A verdade é o único caminho, sempre.
  Esse acidente faz repensar as prioridades do mundo. Os governantes precisam ter atitude e rápido. As populações precisam cobrar, com urgência, novas medidas. Todos precisam rever prioridades. Para que gastar tanto com energia nuclear se a energia solar é constante, mais barata e mais segura? Não sou phd em Física, mas pelo pouco que sei e do muito que li a respeito, energia solar é uma opção sábia em todos os aspectos. Mas se fosse assim tão fácil... muita arrogância querer salvar o mundo com soluções tão simples. O homem não é insignificante diante da natureza, não pode salvar o mundo, que já passou por tantas e continua aqui, mas pode, sim destruir a vida no planeta. Então porque sofro ao pensar que minha vida está sendo destruída? Porque esse tempo perdido não volta, porque o trauma feito não desfaz, mas como no Japão, é ir para o alto, esperar o tremor passar, reconstruir e seguir com a verdade, sempre.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Apenas uma mãe

  Estive ontem no Fórum João Mendes, no cento de São Paulo. Dei uma olhada no processo de 7 volumes. Vi quem foram as 4 testemunhas presentes na audiência que deu a guarda definitiva de Dora ao pai. Uma era Luciana Viacava, ex-madrasta da Dora, entre outras, disse que eu ligava e dizia impropérios para ela, bom, se for considerado impropério dizer que ela estava sendo submissa ao namorado que mudou de mala, cuia e filha para a casa dela e, de quebra, a envolveu num processo pesado e doloroso, sim, disse vários impropérios. A outra foi a pobre babá, Maria das Dores, que ao levar e buscar Dora no visitário público para minha supervisionada visita, ouviu entre outras que ela nem deveria estar ali. Em outra ocasião, quando ela por 3 dias evitou que eu falasse ao telefone com Dora, enquanto minha filha estava devidamente  protegida da mãe em Ribeirão Preto na casa dos avós, eu apelei ao dizer que era espírita (a babá é ou era, testemunha de Jeová), só para provocar uma pequena guerra santa. E para dizer que se ela era tão temente a Deus, deveria temer muito, porque mentir para a mãe sobre o paradeiro da filha era um pecado ao olhos do Senhor. Então, essas duas testemunhas, não me surpreenderam...
  Mas ao ver o nome do Arnaldo, que era porteiro do apartamento que eu morava na Vila Mariana, fiquei bem abalada. Esse homem chegou a me dizer que nunca entendeu como uma "garota" simpática como eu morou com alguém que nem cumprimentava o porteiro. Eu dava vinhos que ganhava para ele, presentes de Natal, ele brincava com Dora, enfim, era um clima de camaradagem, porque eu sempre tratei igual o porteiro do prédio e o síndico, o porteio da empresa e o presidente.  Pois esse mesmo porteiro foi em uma audiência e em juízo disse que eu agredia minha filha, tinha o vício de beber e certa vez empurrei o carrinho de Dora ladeira abaixo (detalhe que não há ladeira na rua em que morávamos). Que juiz não daria a guarda ao pai com uma declaração dessas? Por fim, outro golpe, a doce velhinha baiana, a vizinha dona Edith, que tomava cafezinho comigo, que deu um lindo vestido amarelo para Dora, que eu guardo (ou guardava) até hoje, disse que eu tinha vício de beber e que disse que iria morar no Chile. Detalhe,  mudei daquele endereço em outubro de 2003. Fui para o Chile em julho de 2005, a partir daí começou essa história inventada de fuga para o Chile. Quem disse para essa amarga velhinha que eu fugiria? Aquele que não se deve nominar, aquele que mente sobre si mesmo em seu  próprio currículo, aquele que me odeia acima de todas as coisas, inclusive acima da filha.
  Enfim, é tudo tão pesado, fico tão mal de ir em Fórum, de falar juridiquês... devo 16 mil para os advogados da outra parte, devo 2 mil para o psiquiatra forense e, principalmente, ainda tenho que pagar minhas advogadas. Fora o desgaste em anos de entraves judiciais. Para que mesmo? Para ver Dora crescer no meio disso tudo? E se eu conseguir a reversão de guarda? Será que a outra parte não irá requerer a guarda? Afinal ele sempre foi irrelevante: numa família de catedráticos não tem curso superior, resolveu ser ator e nunca teve lá muito sucesso, de repente viu na busca da filha uma causa nobre, uma forma de aparecer na Rede Globo, de ser uma grande vítima, de ter a atenção que nunca lhe foi dispensada, seja por amigos, pela família, mídia, namoradas. E isso se prolongará até Dora ter 18 anos. Quando talvez ela já nem seja mai a Dora que conheço hoje, quando talvez os traumas tirem sua felicidade inerente, quando as idas e vindas para lá e para cá, com o pai, depois com a mãe, depois com o pai de novo, tirem a segurança, autoconfiança e determinação dela.
  Será que vale tudo isso? Tem muita gente sofrendo nessa história. Vai ver estão usando a tática de "o que os olhos não veem o coração não sente" com a Dora. E afastando-a da vida e amigos que teve, ela não sentirá dor, afinal, a avó e tia são psicólogas, o avô é psquiatra infantil, devem saber o que fazer com a cabeça das pessoas... ou não. O Juiz decidiu, quem sou eu para ir contra? Ele ouviu testemunhas, eu agi tresloucadamente...eu sou só a mãe. Não seria melhor acatar a sentença e parar com isso? Vou esperar para ver a Dora, há um mês e um dia não nos vemos ou falamos, não sei como ela está, mas a falta de contato é um bom indicador, se não deixam ninguém falar com ela, é porque ela irá reclamar, chorar...o que os ouvidos não ouvem o coração não sente. Eu só posso sentir muito. E deixar que o guardião a guarde bem guardada.

sábado, 5 de março de 2011

A Primeira Sentença


A situação é a seguinte: o processo iniciado por mim, em fevereiro de 2005, foi dado como encerrado em fevereiro de 2011, dando a guarda definitiva de Dora para o seu genitor de fato, pois já era de direito desde abril de 2007, quando em uma audiência que eu não participei, pois levei Dora em uma visita em setembro de 2006 e não a devolvi. Mas a sentença é válida.

Foi concedida liminar para que a criança ficasse na guarda da autora, a qual foi derrubada em face do agravo de instrumento interposto pelo requerido, ficando portanto, a criança, na posse do mesmo. Foram realizados estudo social a fls. 249/255, laudo psicológico a fls. 476/478 e perícia psiquiátrica a fls. 778/805. Após inúmeros incidentes incluindo-se a fuga pela mãe junto com sua filha foi realizada hoje audiência de instrução e julgamento em que a autora e sua patrona se ausentaram. Foram ouvidas 4 testemunhas. É o relatório. Manifesto-me. A ação deve ser julgada improcedente. Não obstante as perícias não tenham sido totalmente desfavoráveis à autora, a sua fuga em poder da filha em total afronta à Justiça e ao bem estar da infante revelam o seu descaso e sua falta de interesse com o que é melhor para a mesma. Ademais as testemunhas ouvidas nesta data afirmaram que a autora arrumou um namorado no Chile informando que iria residir naquele país sendo também afirmado que o pai é quem dispensava carinho à criança. Nesse passo, entendendo que a autora revelou incapacidade para manter a criança consigo e sequer sendo confiável no que diz respeito à visitas opino pela total improcedência desta ação. Nada mais.

  E é isso, agora é correr atrás de desfazer um segmento de erros processuais, feitos por humanos falíveis, com uma criança no meio, indo e vindo, ao sabor de sentenças.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Cartões de Amor e Vela Marrom

  Hoje estava mexendo nas coisas da Dora (tem muito dela em tudo aqui) e achei um cartão do dia 9 de maio de 2010. "Mamãe, você é a razão da minha vida, você me dá amor, carinho, paz, esperança e aconchego. Você é legal e por isso você é 1000. Eu te amo muito. Você a a flor da minha vida. Mom Adriana, You Are Beautiful. Happy Mothers's Day, may 9/2010".

  Será que se a minha advogada mostrar esse cartão para o juiz ele deixa ao menos eu encontrar a minha filha? Ouvir a voz dela? Será que vou poder trazer Dora para respirar ares santistas? Ver os amigos? Dormir em sua cama? Abraçar sua irmãzinha que começa a ficar doente? Será que vou poder trazer Dora para suas coisas, para que ela ao menos possa escolher o que levar em sua nova morada, a torre do guardião?

  Pode ter me faltado paciência, sofro o dobro agora e talvez tenha sofrido no período de 4 anos e 5 meses que cometi a subração de incapaz, mesmo a incapaz sendo minha amada filha. Se eu tivesse aguentado mais uns 6 meses encontrá-la apenas de 15 em 15 dias, sem falar ao telefone nesse intervalo, se eu suportasse vê-la emagrecendo, ficando de olhos fundos e tomando tantos remédios que foi necessário 3 horas de soro na veia, por desidratação, se eu tivesse aguentado. Mas o guardião tinha a guarda provisória e eu, mesmo com potencialidade de reverter isso, como afirma a sentença, não pude esperar mais os trâmites legais, que durariam alguns meses. Tratava-se de uma criança de 4 anos, com urgências urgentíssimas! O guardião havia se separado da madrasta da minha filha, uma atriz de teatro infantil, do Doutores da Alegria, por quem Dora nutria muito afeto. Nessa mulher, que eu nem conhecia, havia o alívio de saber como Dora estava. Sem ela eu não saberia mais nada. E isso é o que ocorre hoje!

  Me faltou paciência e sabedoria, mas estava sobrando amor, e me perturbava o medo constante de que algo muito grave aconteceria com minha filha. Trabalhei mais minha paciência, hoje me falta tanto, é tanta a falta de Dora...

Para Todos os Santos

  Muita gente tem se solidarizado comigo, muita gente me vê sem Dora e eu não posso falar o que aconteceu que me ponho a chorar. Daí surgem os chamados mais diversos, conselhos religiosos, dicas, orações, mandingas, mantras, enfim, todas as vibrações positivas vindas para ajudar numa causa difícil e doída são aceitas com coração aberto e mente nem tão tranquila. Minha ajudante de limpeza, evangélica, orou por mim, me ensinou a aceitar Jesus e levou meu nome em sua igreja, disse que muita gente lá está orando por mim e minha filha e quando ela voltar me fez prometer ir fazer meu testemunho. Prometi e vou cumprir.

  Uma outra amiga, da Umbanda Universalista, me levou ao centro por ela frequentado, mais duas amigas. Sobre a cerimônia não há muito o que dizer, é preciso estar lá para sentir os cheiros, ouvir os batuques, olhar as pessos vestidas de branco e com lindos colares, cantando para os Orixás, esperando os guias para aconselhar os que ali estão. Após uma consulta com o guia, cada um recebe o que precisa. Eu saí com uma rosa branca, galhos de arruda e três velas marrons, mais as recomendações do que fazer com isso. A amiga levada por mim, toda loirinha de olhos azuis, saiu com  uma rosa branca e um galho de arruda. E minha outra amiga, toda zen, levou apenas uma oração. Caramba, meu problema não é nada fácil mesmo. Três velas marrons!

  Esqueci as tais velas marrons no carro da loirinha de olhos azuis, daí a zen foi numa loja e me trouxe as velas. "Olha, quando eu pedi a mulher fez uma cara e me ofereceu galho de arruda!" Daí fiquei mais curiosa ainda sobre o significado dessas velas e fui fazer uma busca rápida na internet: vela marrom é oferecida a Xangô para proteger os injustiçados e castigar os mentirosos e caluniadores, ou seja, o meu guia entendeu direitinho toda a história. Será que o juiz também entenderá?

Sobre a Sentença

  Por uma dessas tecladas erradas apaguei tudo o que estava escrevendo e postei mais do que eu queria sobre a sentença, datada de abril de 2007. Sou julgada incapaz de manter a filha junto comigo, assim como fazer visitas. Mas desde 6 de setembro de 2006 até 10 de fevereiro de 2011 mantive Dora junto a mim, e ela é maior prova de que sou capaz de mantê-la comigo.

  Um ponto bastante questionável da sentença é sobre o rol de testemunhas, não sei quem são as quatro pessoas, obviamente não estava lá, porém logo saberei, pois essas falsas testemunhas ajudaram a prejudicar uma decisão judicial. Afinal, a tal história inventada sobre fuga para o Chile parece ter sido de fundamental importância para definir a sentença. Baseadas em que essas pessoas, que ainda desconheço, ludibriaram a Justiça ao afirmar falsamente, em pleno juízo, que eu "arrumei um namorado no Chile e informei que iria residir lá"? Nunca expressei tal desejo para ninguém, nem para os amigos mais íntimos, porque essa ideia nunca existiu! Mas a outra parte, que nesse momento é o guardião da Dora, perdeu muito tempo indo atrás de falsos testemunhos...até que convenceu alguém.

  Hoje pela manhã o avô da Dora me retornou um ligação. Eu queria saber da Dora. Ele disse que ela está bem, indo para a escola e balé, que não sente falta de nada e suas únicas queixas foram sobre as mordidas da irmã e porque tinha que ficar tomando conta dela! Sobre as mordidas pode até ser, embora Miranada preferisse puxar os cabelos de Dora, mas tomar conta... enfim, para completar, o nonno disse que Dora é uma menina linda: "Ela inteligente, tranquila, bem educada,  parabéns, você a educou muito bem", como o avô. José Hércules Golfeto, é psquiatra infantil, catedrático da USP Ribeirão Preto, acho que é uma boa testemunha, ele mesmo admite como cuidei bem de Dora, portanto, sou capaz! A maior prova de que sou capaz de manter minha filha comigo é a própria Dora.

terça-feira, 1 de março de 2011

Dora está Guardada

   Dora está guardada. Ela mora na casa do guardião, mas não sei onde ele mora. Cumpre com perfeição o seu papel, de guardá-la... Dora está guardada e junto com ela o guardião quer guardar suas lembranças, seus amigos, seus sonhos, seus desejos, suas expressões. Tão triste o mundo de Dora ter sido desconstruído. Onde ela está não sei onde, nem como, só sei que está guardada e nem seus melhores amigos podem encontrá-la. Dora não pode se comunicar. Liberdade de expressão para Dora, que insistam em deixar Dora falar, escrever, se expressar! Que todos as vibrações cósmicas conspirem para Dora ser atendida em suas urgências!

  Menos poesia, mais fatos

  Nesse final de semana uma amiga minha, Ana Bruni, mãe de Manuela, amiga de Dora desde os 2 anos de idade, pediu um contato da minha filha, já que o guardião não permite que ela fale comigo, pautado em decisões judiciais, que deixe as meninas conversarem! Manuela, 8 anos, seu irmão João, 4, e a mamãe Ana, viriam para Santos, mas Dora não estava. João e Manuela não quiseram vir, porque não teria Dora, não teria graça (não que eu não tenha  nenhuma graça e que a Miranda, irmã de 2 anos de Dora, não seja a mais engraçadinha, que me tira da tristeza e saudades profundas, mas Dora realmente sempre torna tudo mais engraçado). O comentário de Manuela, que foi poupada dos detalhes processuais, foi o mais certeiro: "Que coisa, a Dora vai ver o pai bem no final de semana que vou ficar com ela". Infelizmente não pude dar a Manuela nenhuma certeza de quando encontrará Dora novamente.

  Mas Ana, que sempre acha que o bom senso deve prevalecer, resolveu ligar para o número de celular em que, por duas vezes em 18 dias, o guardião permitiu que Dora ligasse brevemente para sua mãe. Para surpresa de todos, o número que sempre acabava em caixa postal quando buscado por prefixos 13 da Baixada Santista, resolveu dar sinal de vida. Ana, com toda sua delicadeza e voz doce, apresentou-se gentilmente como mãe de Manuela, uma grande amiga de Dora, que gostaria muito de conversar com ela. A resposta seca foi: "não é possível no momento". "Então, por favor, você poderia dar o recado que a Manu ligou e está com saudades dela e, se possível, pedir para Dora retornar, o telefone de minha casa é esse que apareceu em seu visor". A voz seca ficou como de um robô, ainda segundo impressões de Ana: "quando houver ocasião".

  Será que o papel de guardião está sendo bem  interpretado? Não há Lei que obrigue um guardião a deixar que uma criança de 9 anos comunique-se pela internet ou telefone, mas será que há alguma Lei que proíba um guardião de privar a criança de ter contato com todas as pessoas do seu convívio social? Guardar é privar? Dora não tem direito de ter contato com seus amigos? Por isso peço aos amigos de Dora que não concordam com essa privação de direitos humanos, liguem para o mesmo número celular: 11 82528133, chamem por Dora, se ela atender, digam que sua mãe a ama e vai trazê-la de volta, mesmo que demore um pouco e alguns dias já é muito. Se o guardião responder com a tal voz de robô, deixem o recado. Dora precisa de uma mensagem externa, vinda de fora, da vida que ela vivia.

  Esse número de telefone está num site, como contato do guardião,  por isso creio que não estou transgredindo nenhuma Lei.