Dora está morando em Ribeirão Preto, na casa dos avós. Por isso nem teve audiência hoje, já que tenho que entrar com ação na cidade onde a menor reside. O que aconteceu hoje foi fazer juíza, advogadas e eu aqui perdermos tempo e energia. Por essas e outras que o sistema judiciário fica atravancado.
Até então Dora e seu genitor estavam com paradeiro desconhecido. Por isso distribuímos uma ação livremente, no Fórum João Mendes, em São Paulo, porque até 4 de fevereiro, quando o genitor de Dora entrou com ação pedindo a minha Destituição do Poder Familiar, constava que seu endereço era na rua Diana, em Perdizes. Aliás, essa ação já foi extinta, um juiz de bom senso julgou descabido um pedido desses! Deixar Dora sem mãe de Direito!
Mas não vou precisar dar entrada com ação nenhuma em Ribeirão Preto, pois a outra parte se prontificou a entrar com pedido de Regularização de Visita. O juiz de Ribeirão Preto leu a papelada, nunca me viu, nem minha filha, mas determinou suspensão de visitas até dia 09 de maio, quando terá audiência em Ribeirão Preto. Até lá as visitas estarão suspensas e tenho que apresentar perícia psquiátrica. Mesmo assim, pode ser que eu nem consiga ver ou falar com Dora no dia 09 de maio, daqui 31 dias! E fomos inesparada e permanentemente separadas desde 10 de fevereiro! Não vejo minha filha desde 10 de fevereiro. Hoje é dia 8 de abril e estou proibida de vê-la até 09 de maio!
É ísso... mais nada há dizer porque tudo o que digo ou escrevo pode se virar contra mim (será mania de perseguição? cada dia que passa acho que tem mais gente me seguindo, hoje vi 27). A única constante nessa vida é a mudança.
Histórias reais do meu cotidiano, das pessoas ao meu redor, longe de mim e comigo sempre.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Tão Sem Sentido
Foi marcada uma audiêcia de conciliação para sexta-feira, 8 de abril, às 14hs, no Fórum João Mendes, em São Paulo. Nessa audiência espero, ao menos, ter uma data para ver, falar, abraçar minha filha. Dia 10 completará 2 meses que ela se foi e tudo aqui ficou vazio e sem sentido, não fosse a Miranda eu já teria sucumbido. Músicas de amor me lembram Dora, a falta dela me faz sentir sua presença o tempo todo. Estou tão demasiadamente triste que minha tristeza está se transformando em misto de raiva e revolta. O que é melhor, a raiva move, a tristeza prostra. Não consigo me mover, estou arrasada física, mental, emocional e financeiramente. Mas a raiva pode me levar adiante, o desejo de justiça, pois não é justo Dora passar o que está passando.
Estava numa conversa virtual com a Flavia Vieira, umas das minhas melhores amigas, que está na França. Para que tudo isso mesmo se o mundo vai acabar em 2012? Ou será que o planeta vai suportar essa raça tão destrutiva que é a humana? Não que acabe totalmente, mas a forma como conhecemos hoje tem que mudar. O homem, em sua prepotência e arrogância ilimitadas, acha que pode fazer tudo e passar impune? Acha que pode escavar as profundezas da Terra no fundo do mar e que isso não vai afetar o outro lado do mundo? O terremoto no Japão foi um sinal dessa movimentação, teoria minha, de botequim, mas a Terra não é um organismo vivo? Não há uma conexão entre todos os seres? Então mexer aqui movimenta lá.
Por que um ex-casal briga tanto para ter a guarda da filha se há tantas crianças esperando em orfanatos para serem guardadas? E por que um casal ( M. e L.), junto há 15 anos, casado há 10, advogados, estabilizados, está há 5 anos na fila de espera para adotar uma criança? Mesmo não exigindo sexo, raça ou idade? Porque essa raça, a humana, é muito complicada. A civilização cresceu junto com a burocracia. Eu não imagino o que acontece depois da morte, o que sei é que somos enterrados ou cremados e que a vida passa muito rápido. Podemos escolher viver em paz ou em guerra, resignar-se ou rebelar-se, desistir ou lutar. Eu havia desistido de lutar, meu oponente é forte demais para mim. Por isso fugi, para não ver a infância da minha filha decidida em tribunais. Porque não tinha (e não tenho) forças para um inimigo tão movido pelo ódio, tão erraticamente humano, em seu pior exemplar. E de nada adiantou. Estou longe - e bota longe nisso - de ser perfeita. Impulsiva, quero resolver tudo imediatamente. Impaciente, não soube esperar os trâmites judiciais. Mais do que eu, Dorinha está pagando caro por isso.
Sou uma descrente. Ver minha vida e da minha filha decididas por juízes que não nos conhecem me fazem acreditar cada vez menos. Estou muito cansada, não sei se suporto continuar essa guerra. Minhas forças estão se esvaindo, nada disso faz sentido.
Se o mundo está chegando ao fim por que perdem tempo lendo isso aqui? Eu sou só uma pessoa medíocre - que está na média - que fez tudo errado. Aprendam a tocar aquele instrumento preferido que nunca aprenderam por falta de tempo. Escutem sua banda ou sinfonia preferidas no último volume até o vizinho reclamar. Larguem seus relacionamentos fracassados e vivam um grande amor. Deixem seus empregos repugnantes e façam o que deve ser feito. Se, ao contrário, estão no lugar certo, com a pessoa certa e no emprego certo, mostrem ao mundo que existe esperança e felicidade. Só não repitam os mesmos erros que a humanidade repete desde que o mundo é mundo. Os erros da intolerância e insensatez.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
O Medo de Perdê-la
Não teve encontro com minha filha, como eu já imaginava. O bom de lidar com uma pessoa má é que você sempre espera o pior, então, não há decepção! E acabo de receber uma nova mensagem do guardião da minha filha: se posso ir ao encontro na segunda ou terça. Sim, posso, posso tudo, só não posso ficar nessa angústia desgraçada! O mal de lidar com uma pessoa má é que sempre fará de tudo para desestabilizar você. A ideia é me deixar ansiosa o final de semana todo, na segunda marcar para terça e na terça desmarcar. Caso aconteça o contrário, estarei no lucro.
De novo meu amigo Angel. Como ele mesmo disse, minha história é tão "fudidamente triste" que chega a ser engraçado. E numa mensagem lembrou nossas descidas na Serra do Mar, ao som de Pixies, na época da faculdade, "se não morremos na estrada é porque ainda temos muito o que viver e, se sobrevivemos até aqui é porque ainda temos muito o que fazer". Mas desde ontem fiquei muito nostálgica, pensei nas escolhas erradas que fiz na vida - foram muitas - que me fizeram estar aqui onde estou, na frente desse computador, tentando contá-las.
Quando fiquei grávida de Dora decidi tê-la, mesmo sem jamais ter planejado ser mãe e nem ter me imaginado nesse papel - escolha certa. O genitor dela entrou em desespero, chorou, queria que eu abortasse, disse que era muito novo, não tinha emprego, não estava preparado... mas eu, um mês antes de completar de 31 anos, num emprego estável, ganhando bem... me senti preparadíssima e com uma vontade enorme de ser mãe. Quando a placenta descolou aos 37 dias de gravidez e a médica, Dra Rosa Maria Neme, me disse que um acontecimento assim antes dos 3 meses seria aborto espontâneo na certa e que para levar essa gestação adiante teria de fazer repouso absoluto, tive mais certeza ainda. Senti que esperava um ser muito especial, que faria muita diferença não só na minha vida, mas no mundo! Tinha mais, Rosinha, como eu carinhosamente chamava essa mulher que me apoiou muito, disse que eu poderia perder o bebê até o sexto mês e que, se nascesse antes dos 7 meses, poderia ter lesões irreversíveis. Tudo ia contra, mas eu estava muito a favor. Queria e amava esse bebê!
Foi quando me dei conta do quanto era amada. Meus amigos se revezavam nos cuidados comigo, já que eu não podia nem ficar em pé, era deitada mesmo, com as pernas para cima. Antes eu trabalhava 10 horas por dia, nadava 4 vezes por semana, tinha vida social hiperativa, competia nos finais de semana quando não viajava a trabalho. Parei tudo. Aprendi a bordar. Por sorte gostava muito de ler e ver filmes. Sou filha única, o que já elimina cunhados e sobrinhos. Meus pais moravam no Guarujá, meu pai já não estava bem, nem dirigia mais. Mas quem tem amigos, tem realmente tudo! Eles não me deixavam sentir só. Meu colega Ali Hassan sempre dava uma passada em casa, levava almoço, ia me pondo a par dos acontecimentos do trabalho - na comunicação do Sebrae-SP. O ator André Corrêa, meu amigo de adolescência, por sorte tinha voltado a morar em São Paulo, estava numa peça do Abujamra, e nas suas folgas de quarta-feira ia me presentear com seu brilho e mimos. O casal Gabriela e Angel (de novo) presença constante até o parto. Flavia Vieira se desdobrava nas terças e quintas para ficar comigo, até partir para os Estados Unidos quando eu já estava tranquila, no sétimo mês. A protetora dos animais Claudia Pentiocinas ia me divertir com suas histórias bizarras. Entre o salvamento de um cão perdido na estrada e outro, dava um jeito de passar em casa para me alegrar. E o amigo e jornalista Fábio Diegues? Dividiu momentos incríveis comigo, é padrinho da Dora. Tudo bem, ela nunca foi batizada, mas tem um padrinho maravilhoso.
O genitor estava ocupado nos ensaios do Antunes Filho e em reuniões para a produção de um curta. Como eu tinha que fazer repouso absoluto, nada de sexo. E foi quando eu percebi a distância entre nós. Sempre me achei mais inteligente, charmosa e divertida do que gostosa. Que bater papo é mais interessante do que fazer sexo comigo. Tenho pra mim que quando a paixão passa, se não existir um mínimo de amizade e compatibilidade de assuntos, tudo acaba. Acreditava mesmo que tinha mais em comum com o genitor. Mas ele foi ficando cada vez mais ausente, distante... tanto que no sexto mês, quando Rosa Neme ficou admirada com minha disposição em repousar e acreditou que a gravidez seguiria firme e forte, tive muitas dúvidas se deveria me juntar com o figura, decidi que deveríamos sim morar juntos - escolha errada.
Para se ter uma ideia, quem ajudou na mudança foi Flavia - sempre me ajuda em mudanças - e seu irmão Pedro, meu amigo e que foi também namorado. Eles encaixotaram tudo, depois desencaixotaram, arrumaram a casa e ainda preparam o jantar. Inesquecível macorranada! O genitor chegou na hora do jantar, com tudo pronto...
Não fiquei preparando nada de quarto, roupas, não comprava nada até o sexto mês, coisa mais sombria montar o quarto para um bebê que poderia não nascer. Se perguntavam para quando seria o parto, respondia que, se nascesse, poderia ser de novembro a fevereiro. O André Corrêa, que não entendia muito dessas coisas de gestação, repetia isso para os amigos e as pessoas ficavam em choque com tamanha frieza, o que eu considerava hipocrisia. Era só a constatação do fato! Eu estava preparada para o pior. Talvez esse seja meu trunfo: estar sempre preparada para o pior.
Celebrar a Vida
O nascimento de Dora não poderia ter sido melhor. Em 9 de fevereiro de 2002, um sábado de Carnaval, eu dava a luz para uma menina linda, forte, de 3kg640gr, 47 centímetros, na maternidade Pro Mater, em São Paulo. Parecia uma festa, foi um acontecimento. Em certo momento havia 17 pessoas no quarto, era uma fauna de jornalistas e atores e familiares, todos muito falantes e de vozes poderosas, muito barulho. E aquela bebezinha ali, quietinha, atenta. Uma enfermeira entrou e pôs metade para fora, pois eu precisava descansar. Não! Por favor, eu já descansei demais! Quero festa, quero gente! Quero mostrar o quanto fui forte, o quanto me cuidei, o quanto desejei essa linda menina Dora! Só eu sei o quanto tive medo de perdê-la, em cada um dos 18 sangramentos em que tive que ir ao hospital saber se estava tudo bem, em cada pontada de dor, em cada lágrima, em cada sorriso... só eu sei!
Esse medo fez parte de mim durante nove meses, paradoxalmente com a minha certeza de que ela nasceria perfeita! É tão "fudidamente triste" ter passado por tudo isso e sistematicamente vê-la arrancada de mim por oficiais de Justiça, policiais militares... não, esse é outro capítulo dessa história. Eu só queria celebrar a vida! Eu só queria amamentar, abraçar, beijar, ver a vida nela! Que realmente faz diferença no mundo, com suas tiradas engraçadas, com seu humor sagaz, com seu talento nato para a dança, com sua inteligência brilhante, alma solidária, amiga fiel, filha amorosa, criança feliz... era só o que eu desejava e desejo para Dora. Que seja feliz e que faça escolhas mais acertadas que sua mãezinha.
PS: Aos inúmeros amigos não citados, meus agradecimentos eternos, vocês fizeram parte desse milagre que foi o nascimento da Dora.
De novo meu amigo Angel. Como ele mesmo disse, minha história é tão "fudidamente triste" que chega a ser engraçado. E numa mensagem lembrou nossas descidas na Serra do Mar, ao som de Pixies, na época da faculdade, "se não morremos na estrada é porque ainda temos muito o que viver e, se sobrevivemos até aqui é porque ainda temos muito o que fazer". Mas desde ontem fiquei muito nostálgica, pensei nas escolhas erradas que fiz na vida - foram muitas - que me fizeram estar aqui onde estou, na frente desse computador, tentando contá-las.
Quando fiquei grávida de Dora decidi tê-la, mesmo sem jamais ter planejado ser mãe e nem ter me imaginado nesse papel - escolha certa. O genitor dela entrou em desespero, chorou, queria que eu abortasse, disse que era muito novo, não tinha emprego, não estava preparado... mas eu, um mês antes de completar de 31 anos, num emprego estável, ganhando bem... me senti preparadíssima e com uma vontade enorme de ser mãe. Quando a placenta descolou aos 37 dias de gravidez e a médica, Dra Rosa Maria Neme, me disse que um acontecimento assim antes dos 3 meses seria aborto espontâneo na certa e que para levar essa gestação adiante teria de fazer repouso absoluto, tive mais certeza ainda. Senti que esperava um ser muito especial, que faria muita diferença não só na minha vida, mas no mundo! Tinha mais, Rosinha, como eu carinhosamente chamava essa mulher que me apoiou muito, disse que eu poderia perder o bebê até o sexto mês e que, se nascesse antes dos 7 meses, poderia ter lesões irreversíveis. Tudo ia contra, mas eu estava muito a favor. Queria e amava esse bebê!
Foi quando me dei conta do quanto era amada. Meus amigos se revezavam nos cuidados comigo, já que eu não podia nem ficar em pé, era deitada mesmo, com as pernas para cima. Antes eu trabalhava 10 horas por dia, nadava 4 vezes por semana, tinha vida social hiperativa, competia nos finais de semana quando não viajava a trabalho. Parei tudo. Aprendi a bordar. Por sorte gostava muito de ler e ver filmes. Sou filha única, o que já elimina cunhados e sobrinhos. Meus pais moravam no Guarujá, meu pai já não estava bem, nem dirigia mais. Mas quem tem amigos, tem realmente tudo! Eles não me deixavam sentir só. Meu colega Ali Hassan sempre dava uma passada em casa, levava almoço, ia me pondo a par dos acontecimentos do trabalho - na comunicação do Sebrae-SP. O ator André Corrêa, meu amigo de adolescência, por sorte tinha voltado a morar em São Paulo, estava numa peça do Abujamra, e nas suas folgas de quarta-feira ia me presentear com seu brilho e mimos. O casal Gabriela e Angel (de novo) presença constante até o parto. Flavia Vieira se desdobrava nas terças e quintas para ficar comigo, até partir para os Estados Unidos quando eu já estava tranquila, no sétimo mês. A protetora dos animais Claudia Pentiocinas ia me divertir com suas histórias bizarras. Entre o salvamento de um cão perdido na estrada e outro, dava um jeito de passar em casa para me alegrar. E o amigo e jornalista Fábio Diegues? Dividiu momentos incríveis comigo, é padrinho da Dora. Tudo bem, ela nunca foi batizada, mas tem um padrinho maravilhoso.
O genitor estava ocupado nos ensaios do Antunes Filho e em reuniões para a produção de um curta. Como eu tinha que fazer repouso absoluto, nada de sexo. E foi quando eu percebi a distância entre nós. Sempre me achei mais inteligente, charmosa e divertida do que gostosa. Que bater papo é mais interessante do que fazer sexo comigo. Tenho pra mim que quando a paixão passa, se não existir um mínimo de amizade e compatibilidade de assuntos, tudo acaba. Acreditava mesmo que tinha mais em comum com o genitor. Mas ele foi ficando cada vez mais ausente, distante... tanto que no sexto mês, quando Rosa Neme ficou admirada com minha disposição em repousar e acreditou que a gravidez seguiria firme e forte, tive muitas dúvidas se deveria me juntar com o figura, decidi que deveríamos sim morar juntos - escolha errada.
Para se ter uma ideia, quem ajudou na mudança foi Flavia - sempre me ajuda em mudanças - e seu irmão Pedro, meu amigo e que foi também namorado. Eles encaixotaram tudo, depois desencaixotaram, arrumaram a casa e ainda preparam o jantar. Inesquecível macorranada! O genitor chegou na hora do jantar, com tudo pronto...
Não fiquei preparando nada de quarto, roupas, não comprava nada até o sexto mês, coisa mais sombria montar o quarto para um bebê que poderia não nascer. Se perguntavam para quando seria o parto, respondia que, se nascesse, poderia ser de novembro a fevereiro. O André Corrêa, que não entendia muito dessas coisas de gestação, repetia isso para os amigos e as pessoas ficavam em choque com tamanha frieza, o que eu considerava hipocrisia. Era só a constatação do fato! Eu estava preparada para o pior. Talvez esse seja meu trunfo: estar sempre preparada para o pior.
Celebrar a Vida
O nascimento de Dora não poderia ter sido melhor. Em 9 de fevereiro de 2002, um sábado de Carnaval, eu dava a luz para uma menina linda, forte, de 3kg640gr, 47 centímetros, na maternidade Pro Mater, em São Paulo. Parecia uma festa, foi um acontecimento. Em certo momento havia 17 pessoas no quarto, era uma fauna de jornalistas e atores e familiares, todos muito falantes e de vozes poderosas, muito barulho. E aquela bebezinha ali, quietinha, atenta. Uma enfermeira entrou e pôs metade para fora, pois eu precisava descansar. Não! Por favor, eu já descansei demais! Quero festa, quero gente! Quero mostrar o quanto fui forte, o quanto me cuidei, o quanto desejei essa linda menina Dora! Só eu sei o quanto tive medo de perdê-la, em cada um dos 18 sangramentos em que tive que ir ao hospital saber se estava tudo bem, em cada pontada de dor, em cada lágrima, em cada sorriso... só eu sei!
Esse medo fez parte de mim durante nove meses, paradoxalmente com a minha certeza de que ela nasceria perfeita! É tão "fudidamente triste" ter passado por tudo isso e sistematicamente vê-la arrancada de mim por oficiais de Justiça, policiais militares... não, esse é outro capítulo dessa história. Eu só queria celebrar a vida! Eu só queria amamentar, abraçar, beijar, ver a vida nela! Que realmente faz diferença no mundo, com suas tiradas engraçadas, com seu humor sagaz, com seu talento nato para a dança, com sua inteligência brilhante, alma solidária, amiga fiel, filha amorosa, criança feliz... era só o que eu desejava e desejo para Dora. Que seja feliz e que faça escolhas mais acertadas que sua mãezinha.
PS: Aos inúmeros amigos não citados, meus agradecimentos eternos, vocês fizeram parte desse milagre que foi o nascimento da Dora.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Buraco da Saudade
Há duas semanas o guardião da Dora me mandou uma mensagem sobre nos encontrarmos no Fórum João Mendes, em São Paulo. Eu, ele e Dora. Perguntei porquê um lugar tão cinzento e a resposta seca foi: para você não fugir pela terceira vez. Ok, concordei, eu preciso ver a Dora e levar para ela, no mínimo, o cachorrão de pelúcia que ela costumava dormir abraçada. Também o livro que dei no seu aniversário e que ela leu metade no mesmo dia... a outra metade está aqui comigo. O encontro ficou marcado para quarta-feira, ontem. Depois remarcado para hoje e, se eu preferisse, em Santos. Claro que preferi, além de ser melhor para mim será melhor para Dora, que verá a praia, nem que seja do alto da Serra, que vai respirar o vento do litoral e sentir-se em casa. O lugar do encontro? Fórum de Santos! A hora o zeloso guardião ficou de passar depois. Sugeri que o encontro fosse em casa, onde é a casa de Dora, onde estão suas coisas, onde ela se sentirá a vontade e poderá escolher o que levar consigo. A resposta não veio. Ah, tudo isso por email, claro, já que não atende minhas ligações. E telefonema, se não for gravado, não é prova jurídica. Estou ainda aqui esperando, com a tela aberta para ver se chega alguma mensagem.
Mesmo assim já separei alguns objetos para levar para minha amada Dora: o tal cachorrão e o livro, um porta-retrato (com ou sem hífen? Ainda não dominei a reforma ortográfica) com uma linda foto da Miranda, sua tiara preferida e uma blusa azul que tem uns 3 anos e já virou motivo de piada entre nós, porque ela usa o tempo todo e está com ela em muitas fotos. Quando eu tinha que preparar mochila com roupa para levar em casa de alguma amiga, colocava esse blusa porque sabia que não tinha erro, na dúvida, a blusa azul. Sei que Dora terá todas essas lembranças. Espero que fique feliz, confortada...além disso, falei com minha amiga Claudia, mãe de sua melhor amiga Raquel, que irá ou iria, levá-la também. O abraço da melhor amiga não tem preço!
Modus Operandi
Muita gente acha que sou pessimista, devo ter pensamento positivo e tal, mas conheço o modus operandi da outra parte. Me dá esperança e tira. Diz que vai fazer e não faz. Diz que não vai fazer e faz. Então pode-se esperar tudo, tudo mesmo de uma criatura assim. O que surpreende alguns para mim é casual, é só mais do mesmo. Creio que sou realista. Ontem a assistente da minha advogada foi ao Fórum da Barra Funda onde corre o processo por subtração de incapaz - subtraí a minha filha, a incapaz, duas vezes! Reincidente. Mas o promotor desse processo, que já deu até entrevista sobre o caso para a Rede Globo, está propenso ao perdão judicial, porque deve ser uma pessoa coerente e o sistema judiciário está atravancado de processos muito mais graves e urgentes.
Esse mesmo promotor, Alfonso Presti, trocou vários emails comigo - fato inédito, promotor trocando email com réu - sempre mostrando preocupação com o bem estar da Dora e propondo acordo, para ele o ideal era Dora continuar comigo em Santos e passar finais de semana alternados com o pai, todos os feriados prolongados e metade de férias e, em 2012, eu me comprometeria a mudar para São Paulo, uma exigência da outra parte. Sim, aceitei, melhor que isso não poderia ser. Era o que eu queria desde o começo, quando entrei com ação de manutenção de guarda com regularização de visita, pois nunca planejei afastar Dora do pai, ao contrário. Por pior que ele seja para mim é o pai dela e se ele for ruim com ela, cabe a ela perceber isso.
Não há nenhum mandado de nada contra mim no processo criminal. O perdão judicial, por Lei, seria dado automaticamente na entrega da incapaz - Dora - ao Fórum. Para evitar que eu tivesse esse perdão automático, o zeloso guardião fez a busca e apreensão daquela forma insensível, violentando a própria filha, costurando um acordo, mas agindo de má-fé o tempo todo. Mesmo assim, como ela passou por corpo delito e está ótima, bem cuidada, sã e salva, o promotor continua seguindo a linha do perdão. Mas como ser perdoada assim por ter afastado a filha do pai por 4 anos e 5 meses? Isso é Justiça? Então, o estrategista, ao mesmo tempo que entrou com a tal ação para Destituição do Poder Familiar, no dia 4 de fevereiro, conseguiu com um juiz a autorização para ser assistente de acusação. Sua intenção? Ajudar o promotor na minha punição, me levar a julgamento, continuar o litígio infinitamente!
De Dante para Dora
Quando recebi a mensagem da advogada sobre os novos acontecimentos repassei para os amigos que estão acompanhando tudo de muito perto. Recebi uma resposta do Angel Luíz Rodriguez que é a mais pura constatação dos fatos. É um jogo de xadrez, cada peça deve ser movimentada pensando nas próximas jogadas. Confesso que não sou boa em xadrez, o que sei aprendi com Dora, que por sua vez aprendeu com seu genial amigo Dante, de Paraty. Esse menino, filho de bailarina com músico, na época com 6 anos, dava banho nos mais velhos em suas jogadas. A dica de Dante para Dora: começa errando para conhecer a estratégia do adversário. Que saudade do Dante!
Angel disse mais, que dei azar de topar com um cara excepcionalmente mau e que tudo isso vai muito além da Dora, é jogo para a vida toda! E muitos xadrezistas não conseguiram terminar suas partidas e enlouqueceram pensando nessas partidas intermináveis.
Não sou xadrezista, não sou obcecada, não quero que isso dure a brevidade da minha vida, não quero que Dora acabe com sua infância precocemente. Tenho a urgência de quem tem fome, tenho a dor do buraco da saudade, tenho a penumbra do quarto vazio e não sei jogar. Se isso é a luta do bem contra o mal pelo pouco que sei o bem sempre vence no final. E quando será o fim disso?
Mesmo assim já separei alguns objetos para levar para minha amada Dora: o tal cachorrão e o livro, um porta-retrato (com ou sem hífen? Ainda não dominei a reforma ortográfica) com uma linda foto da Miranda, sua tiara preferida e uma blusa azul que tem uns 3 anos e já virou motivo de piada entre nós, porque ela usa o tempo todo e está com ela em muitas fotos. Quando eu tinha que preparar mochila com roupa para levar em casa de alguma amiga, colocava esse blusa porque sabia que não tinha erro, na dúvida, a blusa azul. Sei que Dora terá todas essas lembranças. Espero que fique feliz, confortada...além disso, falei com minha amiga Claudia, mãe de sua melhor amiga Raquel, que irá ou iria, levá-la também. O abraço da melhor amiga não tem preço!
Modus Operandi
Muita gente acha que sou pessimista, devo ter pensamento positivo e tal, mas conheço o modus operandi da outra parte. Me dá esperança e tira. Diz que vai fazer e não faz. Diz que não vai fazer e faz. Então pode-se esperar tudo, tudo mesmo de uma criatura assim. O que surpreende alguns para mim é casual, é só mais do mesmo. Creio que sou realista. Ontem a assistente da minha advogada foi ao Fórum da Barra Funda onde corre o processo por subtração de incapaz - subtraí a minha filha, a incapaz, duas vezes! Reincidente. Mas o promotor desse processo, que já deu até entrevista sobre o caso para a Rede Globo, está propenso ao perdão judicial, porque deve ser uma pessoa coerente e o sistema judiciário está atravancado de processos muito mais graves e urgentes.
Esse mesmo promotor, Alfonso Presti, trocou vários emails comigo - fato inédito, promotor trocando email com réu - sempre mostrando preocupação com o bem estar da Dora e propondo acordo, para ele o ideal era Dora continuar comigo em Santos e passar finais de semana alternados com o pai, todos os feriados prolongados e metade de férias e, em 2012, eu me comprometeria a mudar para São Paulo, uma exigência da outra parte. Sim, aceitei, melhor que isso não poderia ser. Era o que eu queria desde o começo, quando entrei com ação de manutenção de guarda com regularização de visita, pois nunca planejei afastar Dora do pai, ao contrário. Por pior que ele seja para mim é o pai dela e se ele for ruim com ela, cabe a ela perceber isso.
Não há nenhum mandado de nada contra mim no processo criminal. O perdão judicial, por Lei, seria dado automaticamente na entrega da incapaz - Dora - ao Fórum. Para evitar que eu tivesse esse perdão automático, o zeloso guardião fez a busca e apreensão daquela forma insensível, violentando a própria filha, costurando um acordo, mas agindo de má-fé o tempo todo. Mesmo assim, como ela passou por corpo delito e está ótima, bem cuidada, sã e salva, o promotor continua seguindo a linha do perdão. Mas como ser perdoada assim por ter afastado a filha do pai por 4 anos e 5 meses? Isso é Justiça? Então, o estrategista, ao mesmo tempo que entrou com a tal ação para Destituição do Poder Familiar, no dia 4 de fevereiro, conseguiu com um juiz a autorização para ser assistente de acusação. Sua intenção? Ajudar o promotor na minha punição, me levar a julgamento, continuar o litígio infinitamente!
De Dante para Dora
Quando recebi a mensagem da advogada sobre os novos acontecimentos repassei para os amigos que estão acompanhando tudo de muito perto. Recebi uma resposta do Angel Luíz Rodriguez que é a mais pura constatação dos fatos. É um jogo de xadrez, cada peça deve ser movimentada pensando nas próximas jogadas. Confesso que não sou boa em xadrez, o que sei aprendi com Dora, que por sua vez aprendeu com seu genial amigo Dante, de Paraty. Esse menino, filho de bailarina com músico, na época com 6 anos, dava banho nos mais velhos em suas jogadas. A dica de Dante para Dora: começa errando para conhecer a estratégia do adversário. Que saudade do Dante!
Angel disse mais, que dei azar de topar com um cara excepcionalmente mau e que tudo isso vai muito além da Dora, é jogo para a vida toda! E muitos xadrezistas não conseguiram terminar suas partidas e enlouqueceram pensando nessas partidas intermináveis.
Não sou xadrezista, não sou obcecada, não quero que isso dure a brevidade da minha vida, não quero que Dora acabe com sua infância precocemente. Tenho a urgência de quem tem fome, tenho a dor do buraco da saudade, tenho a penumbra do quarto vazio e não sei jogar. Se isso é a luta do bem contra o mal pelo pouco que sei o bem sempre vence no final. E quando será o fim disso?
segunda-feira, 28 de março de 2011
Dora tem Mãe
Já reduzi até a dose de cafeína para tentar dormir mais... ma sem dar boa noite para Dorinha e sem ouvir o "bom dia, mamãe" todas as manhãs, meus dias e noites se tornam compridos e tristes. Essa disputa de guarda há muito se tornou uma disputa de poder: quem mente mais, quem tem sangue frio, mais dinheiro, mais paciência. Perdi em tudo: não minto, não sou fria e calculista, estou na pior crise financeira desde Bolsa de 29. E ainda não consegui manter a virtude da paciência. Treinei muito durante o repouso absoluto feito na gestação da Dora, durante o período de amamentação e ainda hoje, mais de 2 anos amamentando Miranda. Mas com a morosidade da Justiça, ainda mais quando se trata da vida da minha filha, é impossível manter a mente calma e o coração tranquilo.
Dora foi levada no dia 10 de fevereiro, por oficial de Justiça, com Rede Globo filmando ela ser retirada pelo pai e seu advogado,da escola. Ela me ligou 2 dias depois e desligou chorando. Seu guardião, o irrelevante ator Jonas Golfeto, não atende minhas ligações, não deixa Dora ligar, nem usar msn. Ainda me manda emails me chamando de autoritária, que mantinha minha filha em cativeiro, esconderijos e que ela sofreu ao saber o mal que fiz a ela. E que ela não pede para me ver.
Ora, ele pegou a filha e mudou de endereço, não me passa qualquer informação, não atende telefone, quem está escodendo quem? Mas ele esta dentro da Lei, me escreveu que jamais esconderia a Dora ilegalmente de mim. Só legalmente, como está fazendo. Depois da apreensão da minha filha fiquei sabendo que o fascínora entrou com outra ação contra mim. No mesmo Fórum João Mendes, no centro de São Paulo, desta vez na 10 Vara, o outro processo, encerrado após 6 anos, estava na 6 Vara. Como não fui citada por oficial de Justiça para saber do que se tratava, fui até lá pessoalmente. Primeiro o pessoal do cartório não quis me mostrar, já quase aos prantos entendi um sinal do funcionário que seria melhor para mim nem ficar sabendo. Fui falar com a promotora: "sente-se, sei do que se trata,ele pede Destituição do Poder Familiar". Chorei muito, compulsivamente. "Ele quer que eu deixe de ser mãe da Dora?". "Sim, inclusive tirando seu nome da certidão de nascimento dela". Meu chão sumiu, essa criatura é tão cruel que quer tirar o direito da Dora ter mãe!
Foi tudo maquiavélica e estrategicamente pensado: levá-la sem nenhuma lembrança para apagar de vez todas as memórias da vida dela até aqui. Nem um livro, uma foto, um brinquedo, o pijama preferido... não, esse cara é muito cruel, nunca pensou na filha, há mais de 6 anos só alimenta ódio mortal. Que morda a própria língua!
Dora foi levada no dia 10 de fevereiro, por oficial de Justiça, com Rede Globo filmando ela ser retirada pelo pai e seu advogado,da escola. Ela me ligou 2 dias depois e desligou chorando. Seu guardião, o irrelevante ator Jonas Golfeto, não atende minhas ligações, não deixa Dora ligar, nem usar msn. Ainda me manda emails me chamando de autoritária, que mantinha minha filha em cativeiro, esconderijos e que ela sofreu ao saber o mal que fiz a ela. E que ela não pede para me ver.
Ora, ele pegou a filha e mudou de endereço, não me passa qualquer informação, não atende telefone, quem está escodendo quem? Mas ele esta dentro da Lei, me escreveu que jamais esconderia a Dora ilegalmente de mim. Só legalmente, como está fazendo. Depois da apreensão da minha filha fiquei sabendo que o fascínora entrou com outra ação contra mim. No mesmo Fórum João Mendes, no centro de São Paulo, desta vez na 10 Vara, o outro processo, encerrado após 6 anos, estava na 6 Vara. Como não fui citada por oficial de Justiça para saber do que se tratava, fui até lá pessoalmente. Primeiro o pessoal do cartório não quis me mostrar, já quase aos prantos entendi um sinal do funcionário que seria melhor para mim nem ficar sabendo. Fui falar com a promotora: "sente-se, sei do que se trata,ele pede Destituição do Poder Familiar". Chorei muito, compulsivamente. "Ele quer que eu deixe de ser mãe da Dora?". "Sim, inclusive tirando seu nome da certidão de nascimento dela". Meu chão sumiu, essa criatura é tão cruel que quer tirar o direito da Dora ter mãe!
Foi tudo maquiavélica e estrategicamente pensado: levá-la sem nenhuma lembrança para apagar de vez todas as memórias da vida dela até aqui. Nem um livro, uma foto, um brinquedo, o pijama preferido... não, esse cara é muito cruel, nunca pensou na filha, há mais de 6 anos só alimenta ódio mortal. Que morda a própria língua!
quinta-feira, 24 de março de 2011
Dívidas Judiciais
Já sei o endereço e o telefone onde estaria Dora. Mas já averiguei e amigos também... ela não está lá. Pista falsa. No começo pensei que essa história de disputa de guarda daria um bom drama, hoje penso que está mais para filme policial. Dora no meio disso tudo, penso no futuro.
O mais irônico é que, judicialmente, tudo começou com meu pedido de guarda com regularização de visita, já que eu nunca quis que Dora deixasse de ver o pai e, entrando já com pedido de visitas para ele, tudo seria mais rápido. Foram tantos erros jurídicos, péssimos advogados da minha parte (Muruy de Oliveira e Jussara Aguiar, que perderam prazo para entrar com agravo e ainda me orientaram irresponsalvemente a ver minha filha em visitário público), bons advogados da parte dele e o processo terminou com guarda definitiva para o pai e eu tendo que lutar por direito de visita. Fiz tudo errado. Falta de paciência, imediatismo, mea culpa, mea culpa. Me desesperei por Dora. Hoje continuo desesperada, mas não temo mais por sua integridade física, já a mental...
Pior que ontem saiu no Diário Oficial que eu tenho 15 dias para pagar 16.800 para os advogados da outra parte, já que ele "ganhou" a disputa. Ele está com o troféu! Se eu não pagar em 15 dias, sobe mais 10%, se não pagar, penhora de bens... ainda bem que não tenho muitos bens, quase bem nenhum... fala sério, pagar pra quem me ferrou, pagar para quem escreveu um monte de mentiras num processo de 7 volumes!!! Cada um com cerca de 250 páginas! É muita humilhação...
Comédia de erros, tragédia de erros, falsos testemunhos, advogados que parecem ter sido pagos para não me defender.. não fosse estar aqui bem acordada e viva, pensaria que estou vivendo um pesadelo, um filme de terror. Mas não, a outra parte que tem lá sua vida na dramaturgia, o ator atua, interpreta, acredita no que inventa! Eu tenho que me recolher e esperar...não tenho agido como a repórter que fui um dia.
E Dora está lá, cada vez mais adaptada, porque criança se adapta rápido. Está lá, sem saber quando verá a mãe, a irmã, os amigos...vai saber o que o guardião tem falado para ela...bom, já passei pela fase da negação, revolta e agora estou na aceitação. Tenho outra filha para criar sozinha, a Miranda, ao menos, não tem pai para atrapalhar... talvez dê mais certo, sejamos mais felizes, sem pendengas judiciais. Ou não.
O mais irônico é que, judicialmente, tudo começou com meu pedido de guarda com regularização de visita, já que eu nunca quis que Dora deixasse de ver o pai e, entrando já com pedido de visitas para ele, tudo seria mais rápido. Foram tantos erros jurídicos, péssimos advogados da minha parte (Muruy de Oliveira e Jussara Aguiar, que perderam prazo para entrar com agravo e ainda me orientaram irresponsalvemente a ver minha filha em visitário público), bons advogados da parte dele e o processo terminou com guarda definitiva para o pai e eu tendo que lutar por direito de visita. Fiz tudo errado. Falta de paciência, imediatismo, mea culpa, mea culpa. Me desesperei por Dora. Hoje continuo desesperada, mas não temo mais por sua integridade física, já a mental...
Pior que ontem saiu no Diário Oficial que eu tenho 15 dias para pagar 16.800 para os advogados da outra parte, já que ele "ganhou" a disputa. Ele está com o troféu! Se eu não pagar em 15 dias, sobe mais 10%, se não pagar, penhora de bens... ainda bem que não tenho muitos bens, quase bem nenhum... fala sério, pagar pra quem me ferrou, pagar para quem escreveu um monte de mentiras num processo de 7 volumes!!! Cada um com cerca de 250 páginas! É muita humilhação...
Comédia de erros, tragédia de erros, falsos testemunhos, advogados que parecem ter sido pagos para não me defender.. não fosse estar aqui bem acordada e viva, pensaria que estou vivendo um pesadelo, um filme de terror. Mas não, a outra parte que tem lá sua vida na dramaturgia, o ator atua, interpreta, acredita no que inventa! Eu tenho que me recolher e esperar...não tenho agido como a repórter que fui um dia.
E Dora está lá, cada vez mais adaptada, porque criança se adapta rápido. Está lá, sem saber quando verá a mãe, a irmã, os amigos...vai saber o que o guardião tem falado para ela...bom, já passei pela fase da negação, revolta e agora estou na aceitação. Tenho outra filha para criar sozinha, a Miranda, ao menos, não tem pai para atrapalhar... talvez dê mais certo, sejamos mais felizes, sem pendengas judiciais. Ou não.
quarta-feira, 23 de março de 2011
O Pior Inimigo
Me conforta pensar que não sou mais uma procurada pelo crime de subtração de incapaz. Na verdade nem sei se eu cheguei realmente a ser procurada, mas por conta desse processo criminal passei por alguns momentos de intensa adrenalina. Minha habilitação para dirigir, das antigas, venceu em junho passado, mesma época em que estacionei no lugar errado e tive meu carro guinchado, daí dei entrada no Poupatempo para fazer nova habilitação e aproveitei para tirar nova identidade, já que estava com uma de quando tinha 10 anos. Dei entrada para o RG, mas a habilitação, por ser das antigas, deveria ser renovada no Guarujá. Fiquei até irritada com a burocracia, como se fosse uma cidadã comum, não uma foragida. Me conformei, como todo cidadão comum.
Quando fui buscar o RG, alguns dias depois, o atendente fez um ligação, verificou o computador e me perguntou: "Você está sabendo de algum processo?" "Não", então pediu que eu o seguisse. Segui, ele entrou numa sala e eu, mais que depressa, vazei, dei área, fugi! Lá fora minha amiga Maria Paula me esperava no carro dela. "Caramba, Dri, pensei nisso, que poderia dar algum problema, vamos embora".
Ainda fiquei feliz que a habilitação seria renovada no Guarujá e lá eu teria documentação correta. Fiz tudo o que tinha que fazer, os exames, pagamentos, filas... só que no dia de buscar preferi pedir para minha mãe ir, com os devidos documentos. A pobrezinha me ligou assustada, dizendo que o atendente fez uma cara séria e disse que apenas eu poderia ir lá resolver isso, que eu estava "portariada". Achei que minha mãe estava imaginando coisas e pedi para uma amiga, Damiana, ir. Dami foi e disse a mesma coisa, que o "o cara fez uma cara sinistra". Perguntei para contatos da políca, amigos, ninguém soube me dizer o que seria a tal portaria... me senti acuada, sem documentos, cerco se fechando... fiquei sem carteira de motorista e identidade antiga.
Desde que Dora se foi fiquei perdida, numa dimensão entre Fórum e tristeza. Salve momentos de pura alegria e amor, graça recebida da Miranda, eu seria um poço de tristeza, arrependimento e dor. Dor física e mental, muita dor. Eu tento fazer parar esse círculo vicioso, mas é difícil, quase impossível. Estou presa nessa dimensão. Nas tentativas de perdão, compreensão e racionalidade, o que recebo são negativas, desejos de vingança, subterfúgios. Cada dia mais cansada de tudo isso. É um aprendizado diário sobre "vingança". Tudo pode ser feito por vingança e cansa ter que estar preparada para tudo. Me resta ainda resolver questões práticas, da vida que continua. E assim tentar romper o ciclo.
Daí fui no Departamento de Trânsito do Guarujá, ainda com algumas ressalvas de Claudia Pentiocinas, minha amiga e advogada. "Espera mais uns 15 dias para o seu nome sair do sistema". Na pior das hipóteses teria de me explicar, que não há mais subtração, pois a incapaz não está comigo. Fui até a casa da Ximena, buscar a papelada deixada por Damiana, a última a tentar pegar a habilitação. Me acalmei e segui para o Detran. Mostrei a papelada para o atendente. Ele realmente fez uma cara de problemas e disse: "Só na portaria, espera ali e depois entra naquela sala". Muito sinistro, meu coração disparou e minhas pernas tremeram, eu cruzava e descruzava as pernas para disfarçar, pois elas balançavam sozinhas. Insisti com o rapaz: "Mas o que é essa portaria? Demora?" "Cada caso é um caso, você tem que conversar com a Célia, deve ser multa excessiva, carteira presa". Isso? Seria só isso? Ainda lembro que pedi pra Xangô (que agora sei que é o orixá da Jutiça) me ajudar a ser clara na hora de explicar a história - cá entre nós, cada vez mais dantesca.
Entrei, mesmo com dois homens na sala, estava nervosa e não podia me atrasar para buscar Miranda na creche. Célia me atendeu gentilmente, "Você precisa escrever uma carta de próprio punho para o delegado de trânsito pedindo para dar baixa em duas multas, de 1998 e 2001, que ainda constam. Por isso não te liberaram a carteira". Era isso, tão pouco e somente isso! Quem deve, teme mesmo! A cara "sinistra, preocupada, de problemas" do atendente é porque realmente é um problema ter carteira presa por multas excessivas ou não pagas. Mas para mim foi maravilhoso. Tudo é questão do referencial. Estava preparada para muito pior. E tive medo porque devia. Não quero mais isso pra mim Meus erros me trouxeram onde estou, não vejo agora como acerto nada que fiz. Por fim espero continuar rompendo o ciclo e resolvendo todas as pendências, sem nada temer.
Quando fui buscar o RG, alguns dias depois, o atendente fez um ligação, verificou o computador e me perguntou: "Você está sabendo de algum processo?" "Não", então pediu que eu o seguisse. Segui, ele entrou numa sala e eu, mais que depressa, vazei, dei área, fugi! Lá fora minha amiga Maria Paula me esperava no carro dela. "Caramba, Dri, pensei nisso, que poderia dar algum problema, vamos embora".
Ainda fiquei feliz que a habilitação seria renovada no Guarujá e lá eu teria documentação correta. Fiz tudo o que tinha que fazer, os exames, pagamentos, filas... só que no dia de buscar preferi pedir para minha mãe ir, com os devidos documentos. A pobrezinha me ligou assustada, dizendo que o atendente fez uma cara séria e disse que apenas eu poderia ir lá resolver isso, que eu estava "portariada". Achei que minha mãe estava imaginando coisas e pedi para uma amiga, Damiana, ir. Dami foi e disse a mesma coisa, que o "o cara fez uma cara sinistra". Perguntei para contatos da políca, amigos, ninguém soube me dizer o que seria a tal portaria... me senti acuada, sem documentos, cerco se fechando... fiquei sem carteira de motorista e identidade antiga.
Desde que Dora se foi fiquei perdida, numa dimensão entre Fórum e tristeza. Salve momentos de pura alegria e amor, graça recebida da Miranda, eu seria um poço de tristeza, arrependimento e dor. Dor física e mental, muita dor. Eu tento fazer parar esse círculo vicioso, mas é difícil, quase impossível. Estou presa nessa dimensão. Nas tentativas de perdão, compreensão e racionalidade, o que recebo são negativas, desejos de vingança, subterfúgios. Cada dia mais cansada de tudo isso. É um aprendizado diário sobre "vingança". Tudo pode ser feito por vingança e cansa ter que estar preparada para tudo. Me resta ainda resolver questões práticas, da vida que continua. E assim tentar romper o ciclo.
Daí fui no Departamento de Trânsito do Guarujá, ainda com algumas ressalvas de Claudia Pentiocinas, minha amiga e advogada. "Espera mais uns 15 dias para o seu nome sair do sistema". Na pior das hipóteses teria de me explicar, que não há mais subtração, pois a incapaz não está comigo. Fui até a casa da Ximena, buscar a papelada deixada por Damiana, a última a tentar pegar a habilitação. Me acalmei e segui para o Detran. Mostrei a papelada para o atendente. Ele realmente fez uma cara de problemas e disse: "Só na portaria, espera ali e depois entra naquela sala". Muito sinistro, meu coração disparou e minhas pernas tremeram, eu cruzava e descruzava as pernas para disfarçar, pois elas balançavam sozinhas. Insisti com o rapaz: "Mas o que é essa portaria? Demora?" "Cada caso é um caso, você tem que conversar com a Célia, deve ser multa excessiva, carteira presa". Isso? Seria só isso? Ainda lembro que pedi pra Xangô (que agora sei que é o orixá da Jutiça) me ajudar a ser clara na hora de explicar a história - cá entre nós, cada vez mais dantesca.
Entrei, mesmo com dois homens na sala, estava nervosa e não podia me atrasar para buscar Miranda na creche. Célia me atendeu gentilmente, "Você precisa escrever uma carta de próprio punho para o delegado de trânsito pedindo para dar baixa em duas multas, de 1998 e 2001, que ainda constam. Por isso não te liberaram a carteira". Era isso, tão pouco e somente isso! Quem deve, teme mesmo! A cara "sinistra, preocupada, de problemas" do atendente é porque realmente é um problema ter carteira presa por multas excessivas ou não pagas. Mas para mim foi maravilhoso. Tudo é questão do referencial. Estava preparada para muito pior. E tive medo porque devia. Não quero mais isso pra mim Meus erros me trouxeram onde estou, não vejo agora como acerto nada que fiz. Por fim espero continuar rompendo o ciclo e resolvendo todas as pendências, sem nada temer.
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