sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Time dos Macacos

   Está muito difícil escrever. É sempre mais do mesmo quando escrevo sobre esse processo insano e sobre o sistema judiciário, que com a ajuda da outra parte, há quase 8 meses impede Dora de ver mãe, irmã e amigos. O vazio aumenta, o buraco no peito dói, lateja, é como se eu tivesse uma faca enfiada e perfurando mais e mais a cada dia... saber que tem gente em situação muito pior não alivia, ao contrário, dói mais...
   Num dos meus esconderijos favoritos, a sala de cinema, me refugiei dia desses. Fui assistir Planeta dos Macacos, a Origem. Antes queria dizer que o clássico de 1968 é um marco da minha infância, vi inúmeras vezes na Sessão da Tarde. A cena final, quando o astronauta vivido por Charlton Heston encontra destroços da estátua da Liberdade, é antológica. Só então percebemos (ou só então eu percebi) que é a Terra no futuro e não outro planeta. Muitos outros filmes vieram depois, todos baseados no livro La Planète Des Singes,de Pierre Boulle.
   Fui lá, despretensiosamente, para ver filmão, daqueles que é só para relaxar e esquecer de tudo. Como estava enganada... para começar o cientista vivido por James Franco (um ator que sempre me impressiona) tem um pai com Mal de Alzheimer. Perder o pai aos poucos, ver o pai deixar de fazer tudo o que fazia não é novidade para mim. Como o cientista eu faria qualquer coisa para te meu pai de volta. Até usar uma droga ainda em estudo. Chorei em todas as cenas em que aparecia o pai com Alzheimer. Nas tentativas de tocar piano, na tentativa de dirigir o carro... mas ao contrário do personagem, não fiz nada para salvar meu pai. Demorei muito para perceber que sua ida era sem volta. Depois vejo uma chimpanzé doce e amigável, usada como cobaia, enlouquecer furiosamente. Ela só estava  protegendo o seu bebê, que nasceu no laboratório sem ninguém saber. Me identifiquei também. Uma mãe, seja de que espécie for, tem o instinto de proteger sua cria de qualquer jeito...
   O mesmo cientista fica com o bebê órfão, cuida de César como seu filho, escondido, clandestinamente. Depois vê César ser levado pela Justiça, para uma jaula. Ele tem que lutar contra um sistema moroso para ter César de volta. Mais lágrimas, muitas lágrimas. E quando finalmente consegue, por meio de suborno, libertar César, o animal não quer mais ir... o instinto do símio o faz ficar junto dos seus, para protegê-los. O macaco não suporta ver os humanos subjugando, maltratando e matando seus iguais.

A César o que é de César

 O filme nos faz torcer para os macacos o tempo todo. Mostra como a raça humana, por ter inteligência superior, não respeita nada que esteja sob seus domínios, mesmo que respire, viva e sinta. Talvez seja pelo meu estado de espírito, mas quando ia se formando a liderança de César, também me vinham lágrimas. Primeiro porque o verdadeiro líder não consegue a liderança por força bruta. É sempre por seu carisma e inteligência. Se conseguir de outra forma, sofrerá golpe de seus seguidores, isso é certo e é fato histórico. O chimpanzé César usa sua inteligência, ampliada descomunalmente por um vírus estudado para a cura do Alzheimer, para fortalecer o time dos macacos.
  Esse longa não é para distrair, é para pensar. A única cena que me arrancou um sorriso, também foi uma crítica. Um orangotango se comunica com César por sinais, esse fica impressionado e pergunta: "Você também estava num laboratório?" "Não, eu era macaco de circo"...
  Quando César consegue a confiança do Gorila, o mais temido do cativeiro, sinto uma satisfação quase juvenil. E quando todos se rebelam e ganham as ruas, se o cinema estivesse cheio de crianças, eu gritaria e aplaudiria com elas.
   Durante todo o tempo eu pensava em como a raça humana é desprezível... mas, quando o filme termina, eu sem graça de sair da sala, porque os olhos inchados podem parecer ridículos para quem não sabe o meu contexto, tenho outra opinião. Se essa mensagem conseguir tocar alguns corações, ainda pode haver alguma esperança.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um Sequestro Dentro da Lei

  Escrevi esse post na última sexta, dia 16, era o tal texto escrito na descida da Serra, antes de chorar aos cântaros e escrever o outro, que acabei publicando. Nem iria postá-lo mais, como já fiz com tantos outros textos. Mas escrevi sobre Elaine César, ainda não tinha notícia da decisão sobre a guarda de Théo voltar para a mãe (de onde nunca deveria ter saído). Quando começava a declinar na expectativa desse caso se resolver, quando começava a ficar descrente de tudo, essa notícia. Ainda acho que não deveríamos comemorar pela "Justiça" ter sido feita, afinal isso nunca nem deveria ter acontecido. Deveríamos usar esse caso como prova cabal do erro desse sistema falido, que considera culpado qualquer pai e mãe até que se prove o contrário. Esse caso é emblemático! 


  Mais de 7 meses se passaram desde que Dora foi levada da escola, onde estava devidamente matriculada, apenas de uniforme e a mochila com o material (que já deve ter sido jogado fora), levada por advogado, oficial de Justiça e acompanhada pela Rede Globo, filmando toda essa busca e apreensão e o reencontro (nada emocionado) com o pai que não via há mais de 4 anos! Sim, foi o pai que chamou a Globo para gravar tudo. Isso está bem claro na matéria que foi ao ar, mesmo com a edição tendenciosa. A ideia genial, daquele que detém a guarda, era levá-la de forma a nunca mais deixá-la ver a mãe. Tanto que antes já havia entrado com uma ação pedindo a destituição do meu poder familiar, exigindo, inclusive, que meu nome fosse tirado da certidão de nascimento de Dora, e que o Mendes também fosse retirado do nome dela. Isso, legalmente, ele não conseguiu, mas de todas as maneiras tenta e consegue impedir que nos comuniquemos, sempre amparado por Lei.  
  Uma das várias pessoas que me escrevem após ler esse blog e que agradeço muito, assim sei que faço chegar minha verdade em alguns corações e mentes, fez uma consideração simples, mas incrivelmente sábia. Disse que após rever a matéria veiculada no Profissão Repórter, achou tudo muito bizarro, que foi um sequestro dentro da Lei. A criança de 9 anos foi levada no colo, em sinal evidente que não iria pelas próprias pernas, as câmeras da Rede Globo registrando tudo. Essa leitora ainda analisou a reação das jornalistas responsáveis pela matéria de roteiro pronto. “Gabriela Lian ficou constrangida, pois sabia que aquilo, apesar de legal, não era justo, e Eliane Scardovelli ficou claramente comovida, percebendo que a história não era exatamente como o sistema judiciário contava”. Nada disso importa. A Justiça, induzida a erro ou não, afastou Dora da mãe, da irmã e de todo o seu convívio social. 
  Um promotor que jamais viu (e nem parece muito disposto a ver) minha cara, aceitou todas as acusações da outra parte e me chamou de mãe nociva. Será que esse promotor viu a matéria na TV? Se ele tivesse visto, uma das mentiras do “pai” de Dora, despencaria em sua frente. Na ação está que Dora não tem cama para dormir. O cinegrafista filmou o quarto de Dora e Miranda, com todos os brinquedos, móveis e objetos pessoais de Dora. Os brinquedos que ela tem desde que nasceu estão comigo, em nossa casa. Não é de hoje que o ator (será ainda ator?) Jonas Golfeto mente. 
  Por seis meses, em 2005, buscou falsos testemunhos, até que encontrou alguém – que mesmo me conhecendo e sabendo a verdade – sensibilizou-se diante de sua encenação e foi testemunhar contra a mãe que, supostamente, teria enlouquecido. As testemunhas foram o porteiro do prédio em que eu morei até 2003 (isso mesmo, 2003) e uma senhora costureira, vizinha, de quase 80 anos! Nem ele mesmo lembra quem foi a falsa testemunha convencida a depor. Eram pessoas simples, Arnaldo e dona Judith, de pouco estudo, Jonas Golfeto mal os cumprimentava, por isso não lembrava. Falei com ele sobre isso no dia 2 de agosto, quando teve a audiência que não deu em nada. A resposta? “Alguém falou, tá lá”. Irônico, sarcástico, pedante. Na falta de plateia para seu talento duvidoso, busca juízes, advogados e promotores para participar de seu showzinho ridículo. Assim foram as únicas duas audiências que tive com esse ser nefasto (isso não pode ser humano). 
  Então, essa leitora, tão rapidamente, apenas lendo o que escrevi e vendo as imagens da TV, teve um entendimento muito maior do que todo o sistema judiciário junto e multiplicado. E não é porque ela é mãe de uma menina da idade da Dora. Existem vários tipos de mães e pais. A questão não é de gênero, é de humanidade. É preciso ter compaixão e dignidade. Se a pessoa for desprovida dessas qualidades perde sua condição humana. Dora foi sequestrada dentro da Lei. Está em cárcere privado dentro da Lei. Seu “pai” e também seus “avós” cometem alienação parental dentro da Lei. Assim funciona o sistema e isso precisa ser mudado. 

Sobre compaixão e dignidade 

  Para os que ainda não conhecem ou não leram sobre o calvário de Elaine César, exposto com muita dignidade e compaixão no blog Câncer, Gravidez e Alienação Parental, depois de quase um ano acreditando que a Justiça seria feita, cai na realidade. Seu processo, ainda no início (quase um ano!), teve troca de juízes! Ou seja, um novo juiz, cai de pára-quedas num doloroso processo em que um ex rancoroso e magoado (da mesma falange de Jonas Golfeto), faz falsas acusações contra a mãe de seu filho. Agora esse novo juiz irá estudar toda a ação, ler (será que alguém lê alguma coisa?), passar vistas para outra parte, esperar vistas da promotoria... e mais alguns anos perdidos na infância de um menino inocente... cadê a compaixão com essa criança? Cadê a dignidade desses pais mentirosos?
  E qual não foi minha surpresa quando leio uma mensagem de Jonas Golfeto no meu facebook? Diz que procurou um “órgão” ou coisa parecida para mediação de conflitos, em Ribeirão Preto, para nos encontrarmos lá. Primeiro isso foi uma invasão, pois Jonas Golfeto não é meu amigo nem no facebook. Segundo, ele me fez perder mais de um mês (ganhando tempo com a Justiça) sobre um “órgão” semelhante em São Paulo. Liguei, marquei, escrevi. Ele nunca podia estar em nenhum horário. Em um dos emails (email meu ele tem, desde que Dora morava comigo), diz que era por causa das “várias demandas em relação à nossa filha”. Nunca deu em nada, porque ele já havia levado Dora para Ribeirão Preto, apenas queria me fazer perder mais do meu precioso tempo. Agora sugere, de novo, um lugar de medição de conflito. 
  Ora, quer que eu viaje 6 horas até Ribeirão Preto para me reunir com ele e uma psicóloga, sem nenhum valor jurídico para resolver conflito? Vou até lá passar uma hora discutindo a origem do mundo e nada de ver Dora? Isso é para juiz ver... acontece que tenho os emails da outra tentativa, em que eu sempre cedia e ele “não tinha tempo”. Ora, Jonas Golfeto, poupe-me de suas artimanhas primárias. Se quisesse mesmo resolver conflito, teria, no mínimo, “permitido” minhas conversas por skype com Dora, deixaria a filha falar com a mãe ao telefone, não entraria com pedido de destituição de poder familiar, não faria BO de ameaça de morte. Essa piada não tem a mínima graça, só mostra todas as suas atitudes incoerentes! Na frente do juiz assina acordo e depois não cumpre! 
  Porque a outra parte sempre sempre sabe usar as tais brechas judiciais. Como era um acordo amigável e não uma ordem judicial, apenas gozou mais de seu prazer sádico, dando e tirando a mãe de Dora. Se quisesse resolver conflito não “exigiria” visitário público para a filha e a mãe se encontrarem.
  O pobre só quer ter plateia, nem que tenha que pagar por isso... só posso ter compaixão por esse ser sem a menor dignidade.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Engavetamento Monstro no Meu Coração Aflito

  Era para ter descido a Serra ontem, depois das 23h, mas com o mega engavetamento da Imigrantes, com número ainda impreciso de carros envolvidos, estimado em 300, achei mais prudente ficar em São Paulo. Liguei para meu querido amigo Gustavo Liedtke e dormi em sua casa. Ele sempre me recebe quando tenho que ficar em São Paulo, o que é certeza de ótima conversa e música.
  Peguei o ônibus hoje pela manhã, às 11h30, no terminal rodoviário Jabaquara e duas horas depois ainda não havia descido a Serra. O dia começou com más notícias. Mais algumas tentativas vãs de resolver qualquer coisa rápido. E parada dentro daquele ônibus, pensava o porquê de estar perdendo os mais produtivos anos da minha vida em ações burocráticas e sistemáticas, nas mãos de promotores e juízes que nunca viram a minha cara... não faz sentido, nada faz sentido.
  O trânsito flui uns 2km e então vejo caminhões destruídos, ônibus com frente acabada, carros reduzidos pela metade, marcas de pneus em todas as direções. Dava pra imaginar a cena de todos eles se espatifando. O trajeto lento aumentava a minha angústia. Pensei por instantes que poderia ser eu naquele acidente horrível e não pude deixar de chorar e chorar muito. Mesmo que eu não veja mais Dora até ela crescer e conseguir me encontrar, mesmo que essa dor seja forte de matar, tenho que estar aqui por Miranda. Por isso chorei mais e mais e muito mais.
  Peguei o "note" e escrevi um texto, que não é esse. Enquanto escrevia, meu coração acalmava, escrevi por mais de uma hora, enquanto começava a fazer graça com um garotinho muito esperto, com a mãe, nos bancos ao lado do meu. Ela, uma negra linda, bem africana, alta, magra, de tranças, cochilava. O menino, de uns 3 ou 4 anos, brincava de esconder  na mãe, ria, piscava os olhos vivos para mim, cheios de energia, sorriso largo e cabeça redondinha raspada. Me distraí por muito tempo com esse menino. Uma moça vendendo cocadas entrou no ônibus. Após 2 horas e meia queria comer alguma coisa. Perguntei para a mãe da criança, que despertava com os olhos cansados, se poderia dar uma para seu filho. "Não, obrigada, ele acabou de fazer quimioterapia e não pode comer doce". Entendi a cabeça raspada. O cansaço da mãe. E de onde vinha tanta alegria naquele menino? Então, de novo, meu coração apertou, o que me prende a garganta e dá vontade de chorar. E chorei olhando pela janela, com vergonha de mim mesma, para que ninguém visse as minhas lágrimas.
  Ele olhava pela janela a vista linda da Baixada Santista, quando finalmente começa a descida da Serra. Seus olhos brilhavam, mau conseguia controlar sua euforia ao ver os carros pequenininhos lá embaixo e depois... o mar! Como é lindo poder ver o mar... nem que seja para chorar.

Sobreviventes

  O trânsito prosseguiu até a entrada de Santos. Mas estar no nível do mar, passar pela estátua do Peixe na entrada da cidade, me deixava menos tensa. Tenho muitos horários a cumprir. Tenho Miranda para buscar na creche. Estava conversando com o motorista (sei que é proibido, mas estava tudo parado), já na frente da Portuguesa Santista, no Canal 1. Ele me contou que nunca pensou que veria um engavetamento maior do que o de 1977. "Prazer, Adriana! Que história é essa?". Então, direto da fonte, o senhor me conta que era motorista de caminhão e estava na Serra quando esse acidente horrível aconteceu, envolvendo 140 veículos. Era o maior da história até então e esse motorista estava lá. Ontem não. Mas era sua rota, ele sobe e e desce a Imigrantes todos os dias, facilmente poderia estar.
    Por tudo que vi hoje na estrada, imagino que o cenário de ontem tenha sido de guerra. Uma vítima fatal, apesar de trágico, é quase a menor porcentagem na proporção do acidente. Foram mais de 400 sobreviventes! E hoje, no meio da minha crise de desespero pela demora, pela injustiça, de pensar em querer morrer... conheço mais dois sobreviventes: um menino e um senhor. Quantos mais estariam naquele ônibus? Eu também quero sobreviver...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Me Amputaram os Braços

  Não deve haver nada mais frustrante do que ser um juiz conciliador numa Vara de Família, porque conciliação e acordo são coisas que não existem nesse mundo. No dia 2 de agosto, há 1 mês, houve uma audiência de conciliação (piada) entre Adriana Mendes e Jonas Golfeto, para tentar definir as visitas de Adriana para Dora, a filha que não vê há quase 7 meses.
  O juiz está lá, ouve, deixa falar, interage, mas não decide nada. Então, após 2h40 minutos, um promotor convence a outra parte a permitir que a filha de 9 anos fale com a mãe por skype durante uma hora, todos os dias, das 19h às 20h. É assinado um acordo entre as partes e seus advogados.
  No dia seguinte o pai já não cumpre o acordo. A mãe fica muito mal, chora, perde a produção no trabalho, dorme mal, chora mais ainda. Dizem para ela ir numa delegacia fazer BO, ela não quer que sua vida se resuma a delegacias, fóruns, audiências e todas essas coisas chatas e burocráticas, sem criatividade.
  No dia após o dia seguinte Dora aparece! Rosto molhado de lágrimas, olhos inchados, pergunta por Miranda, sua irmãzinha de 2 anos e meio, que não vê há 6 meses, que não imagina o quanto já está falando e sente sua falta. Chora, pergunta dos amigos, me mostra seus livros, seu quarto parece um quarto de hóspedes, nada tem de quarto de princesa, como é o seu em minha casa. Pergunto se foi ao dentista, olha assustada para o pai, que não sai do seu lado nem por um segundo, monitorando cada olhar. Não deixa Dora colocar fone de ouvido porque quer ouvir tudo o que eu falo. Tenho que escrever. O pai manda dizer que vai ao dentista na semana seguinte. Penso por que tem tanda disposição para entrar com ações contra mim, ir à delegacias fazer BOs contra mim, mas não é capaz de levar a filha ao dentista. Sinto raiva, muita raiva, pois nunca fui negligente com Dora e esse carrasco que se proclama pai, não foi capaz de levá-la ao dentista no período de seis meses! Claro, sabia que estava muito bem cuidada comigo. Como é rídiculo e bizarro tudo isso.
  Não consigo falar com Dora direito, ele monitora tudo, quando faço perguntas e digo para ela dizer com quem quer morar, ele diz que vai desligar, Dora chora. Sinto mais angústia, me sinto algemada, mais que isso, amputada, incapacitada. Desespero, dor, raiva, muita raiva. Quero minha filha, não quero aquele ser repugnante do lado, com olhar psicótico acompanhando nossos pensamentos. Que vida é essa?
  Depois disso, nunca mais nos falamos, ele proibiu. Não está contra lei, já que não foi ordem judicial, foi apenas um acodro amigável (como se houvesse amizade). Falei com o juiz conciliador, que me recomendou acreditar na Justiça Divina, que essa não falha... ah, mas só pode ser piada. Estão todos atuando numa grande comédia de erros! E Dora? Eu só quero saber de Dora. Nem sei com quem ela fica. Se com avós, empregada, tias... lá, nessa casa, deve ser feita perícia psicossocial. É  lá que Dora está e vive, é lá que não permitem que ela tenha qualquer contato com a vida que teve. É lá que Dora está sendo diariamente massacrada, aniquilada, estão matando Dora, tudo que ela viveu. É com essas pessoas que Dora está.
  Fui até essa casa, precisava ver de perto tudo isso. Apertei a campainha. Chamaram os guardinhas do bairro. Essas pessoas querem afastar definitivamente Dora de sua mãe Adriana e de sua irmã Miranda. Essas pessoas: Jonas Golfeto, Ed Melo Golfeto, José Hércules Golfeto e Raquel Golfeto. Sim, essa família está com Dora, dentro da Lei, há 7 meses, sem deixá-la falar com mãe, irmã, amigos, família. São torturadores, avô psiquiatra, avó psicóloga, tia piscóloga, todos fazendo experimento na cabeça da minha filha. O pai carrasco de Dora, o único sem formação superior na família, está sempre cheio de informações sobre psicoses, sempre tentando me tirar de louca, ele e toda a família. E essa obcessão coletiva leva Dora junto da loucura. E a Justiça permite, porque é lenta demais, pessoas morrem durante o processo, crianças crescem. Tudo demora demais e eu não posso abraçar minha filha. Eu não posso ver  minha filha. A Justiça impede a mãe de ver a filha por 7 meses. Pior, afasta a mãe da filha, tira a mãe da flha, deixa uma criança órfã de mãe viva. Não acredito na Justiça dos homens, nem na Divina.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Seis Meses Sem Mãe

  Há exatos seis meses, a menina Dora, que acabara de completar 9 anos um dia antes, foi arrancada da mãe. Pior que isso, já que não pôde nem dar um abraço de despedida na mamãe ou um beijo na irmãzinha, foi tirada da sala de aula, na escola Ateneu Santista, em Santos, onde aprendia compenatradamente, como excelente aluna que é.
  Sem entender o que acontecia, a precoce criança seguia obediente junto ao oficial de Justiça, advogado do pai  e funcionário da escola ao encontro do pai, que após 4 anos e 5 meses sem vê-la, efetiva sua busca e apreensão, com imagens gravadas exclusivamente pela Rede Globo, para o programa Profissão Repórter, a pedido do próprio pai, o ator Jonas Golfeto.
  Dora ainda pede, diante das câmeras, com microfone devidamente acoplado ao corpo do pai, para falar com a mãe. "Hoje não", é a resposta. E essa criança segue diretamente para o Fórum João Mendes, em São Paulo, para passar por corpo de delito, provando que sua amada mãezinha não lhe fez nenhum mal. Entendendo cada vez menos, tenta acreditar que é um mal entendido e que sua mãe irá resolver tudo. Antes de cochilar, ainda lembra do que fez pela manhã: foi com sua mãe fazer a matrícula para o segundo ano de ballet, no Municipal de Santos. "Ah, que bom, minha melhor amiga Raquel passou no teste e também vai dançar lá, vamos dançar juntas", é seu último pensamento.
  Mas acorda e é informada que está sendo levada para Ribeirão Preto. Percebe que está, geograficamente, cada vez mais longe de sua mãe. Dois dias depois, o pai permite que fale com a mãe. Não pode dizer onde está. A mãe pergunta, diz que a ama, que irá trazê-la de volta. O coração de Dora se enche de esperança e de uma emoção tão grande, que começa a chorar. Mas seu pai pega o telefone e desliga. Não permite mais que a filha fale com a mãe. Não permite até hoje! Seis meses depois!
  E os dias se passam e Dora vai morar na casa dos avós, que também não vê há mais de 4 anos. Começa em nova escola, nova turma de balé, faz novos amigos. Seu pai não levou nada que era seu, nenhuma roupa, brinquedo, livro ou fotografia. Ela sente muita saudade, muita dor no peito, vontade de chorar. Antes de dormir, sozinha em seu quarto impessoal, lembra da vida que teve, das viagens que fez, dos amigos que nunca mais viu ou sequer conversou pela internet. E pensa tanto em sua mãe Adriana. Essa mãe que sempre fez tudo por ela, que a amou, ensinou e educou. Dora lembra de tantos momentos divertidos com a mãe, dos amigos da mãe, sempre tão legais. E da facilidade com que sua mãe ficava amiga das mães e pais dos seus amigos! Sua mãe Adriana era tão legal que deu até uma irmãzinha "menina" de presente! E Dora não entende porque não pode morar com sua mãe, porque sua mãe é proibida de vê-la. E os dias se passam, as semanas, os meses... e Dora não sabe o que sua mãe está fazendo, como está sua irmã Miranda, seus melhores amigos, suas coisas... ela não sabe porque ainda não viu sua mãe. Será que sua mãe desistiu? Dora resigna-se.
  Quase seis meses depois, ela pode ver e falar com sua  mãe por skype. A emoção é tanta, que já aparece na tela chorando. Dora não consegue conter as lágrimas, as perguntas, as saudades. Mas seu pai está ali do lado, monitorando o tempo todo. O que pode ser dito ou perguntado. Sua mãe, tão ansiosa, quer explicar o que está acontecendo, quer saber tudo o que ela está fazendo, o pai não deixa falar ou perguntar, diz que vai desligar. Mas a mãe, que está numa agência, apresenta os novos amigos do trabalho, mudam de assunto. Dora mostra seus lindos desenhos, os livros que está lendo, começa a falar da escola, do ballet... e o pai de novo não deixa falar.
  Então a mãe diz que no dia seguinte, já que se falarão das 19h às 20h, todos os dias, entrará com Miranda. E no final de semana com sua melhor amiga Raquel. Dora fica radiante! Que bom que ela manteve esperança, que bom que sua mãe manteve a amizade com os seus amigos! Que bom que tudo irá se resolver, seu coração irá parar de doer! Nessa noite, após tantas noites de lágrimas, Dora dormiu com um sorriso no rosto. Com a certeza de que veria a irmãzinha no dia seguinte...
  Mas não há mais conversa no dia seguinte. O pai decide cancelar até "o juiz apreciar as provas gravadas e protocoladas no processo". Talvez para fazer perdurar tudo isso e assim desfrutar um pouco mais do seu sadismo. Ou realmente acredite que uma hora com a mãe, por skype, todos os dias, seria muito nocivo para Dora, seria muita subversão!
  A menina, tão doce, tão meiga, fica desesperada! Chora! Novamente fica órfã de mãe. Será que seu pai não entende, não vê o seu sofrimento? A vida de Dora foi ceifada. Acabaram com toda a vida que Dora teve e a obrigaram a começar uma nova vida, tentando apagar toda e qualquer lembrança do seu passado. E agora está num jogo doente de dá e tira.
  Por favor, tenham compaixão por Dora.


segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Subversiva

   Seria muito cômico, não fosse tão trágico. No processo me acusam de ser subversiva!
   Vejamos o que significa isso: até o século XV, a palavra subversão era relacionada aos reinados. Subversivo era aquele que ia contra os desígnios do Rei. Pessoa que causava transtorno, revolta, ira! Para  pessoas que se consideram reis ou rainhas, o subversivo é o que não segue suas normas ou vão contra suas verdades únicas.
   No uso moderno, o termo refere-se a tentativas de destruir estruturas de autoridade, é um termo mais ligado ao clandestino, alguém que quer acabar com as bases da fé no status quo. Para o filósofo chinês Sun Tzu, que viveu há mais de 2 mil anos e é autor do aclamado "A Arte da Guerra", as ações indiretas, de subversivos, são as que determinam o futuro da guerra. Simbolicamente comecei ler esse livro em 2005, quando minha filha foi arrancada de mim pela  primeira vez e fiquei perdida, sem chão, busquei leitura que me norteasse. Tão sem chão e perdida estava que fui assaltada um par de vezes, numa dessas o livro foi junto na bolsa. Preciso tê-lo de novo!
  Então, sou uma subversiva. Nos anos de chumbo da ditadura no Brasil, os estudantes, os intelectuais, as cabeças pensantes, os que iam contra aos generais, eram chamados de subversivos. Foram presos, torturados, mortos! É isso que fazem com subversivos. Imagino que seu eu fosse jovem nos anos 70, seria uma dessas presas. Porém, estamos em 2011, não vivemos na Ditadura, mas há 7 anos venho sendo torturada e, enquanto não me verem morta, os ditadores da atualidade não me darão paz em vida, só a paz eterna! Quem sabe assim reinará tranquilidade na estrutura familiar tão bem construída? A mãe subversiva  morta.
  Ir contra toda e qualquer forma de autoritarismo é pura subversão. Ir contra ao sistema judiciário falido, que todos sabemos que precisa de uma virada de página geral, é ser subversiva. E que poder tem a subversão! Dia desses num cartório de Fórum, o próprio diretor do cartório, quando eu questionei o que fazer para parar com tanta papelada de processo, respondeu, irônico, porém enfático: "botando fogo em tudo isso aqui!" Fantástica resposta subversiva.
  Se nos tempos modernos a subversão segue paralela com atos clandestinos, nossa, como cometi o crime da subversão! Será que uma mãe subversiva não tem direito à maternidade? Bom, se essa mãe cometeu o erro fatal de ter uma filha com o oposto da subversão, uma pessoa enquadradinha, egoísta, totalmente preocupada com a imagem e com o que os outros estão pensando, sim, ela vai perder esse direito porque o oposto da subversão não suporta novas ideias, não suporta a liberdade. E o oposto vai tentar de todas as formas "legais" enquadrar a subversiva! Já que a tortura foi embora junto com o AI-5, resta tortura  psicológica, alegações falsas, metralhadora midiática. E assim conseguem aniquilar uma subversiva. O enquadrado não consegue suportar a libertária subversiva. Então tenta aprisioná-la de forma torpe, usando a filha para prendê-la. Em visitários públicos, no cárcere infantil. É isso que o enquadrado exige novamente: que eu e minha filha voltemos a nos ver em Visitário Público. Não satisfeito com toda a tortura já cometida, com todo o mal causado, o enquadrado tenta enquadrar, de todas as formas, a mãe subversiva. É a solução moderna de prender pessoas de espírito livre! Pobre Dora, uma menina tão talentosa e sensível, corre o risco de tornar-se aberração. Será aquela que apareceu no Fantástico, no Profissão Repórter, que tem a mãe subversiva e o pai torturador! Não, minha filha, não vou permitir que te apontem na rua. Você será sempre talentosa, popular e sensível. E, se tudo der certo, muito subversiva!
 Porque as minhas ideias já foram plantadas. E numa cabecinha muito especial, diria mesmo genial. Que o mundo seja infestado pela praga da subversão, só assim poderia  mudar alguma coisa nessa realidade tão caótica e ostensiva do século XXI.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Brevidade

   Não pensei que fosse possível sentir mais indignação. Mas quanto mais me afundo em processos, mais vejo como tem advogado sem ética nenhuma. Vão lá, escrevem qualquer coisa, sem prova alguma, com suposições estapafúrdias da outra parte, daí o Juiz lê, acredita, o promotor assina embaixo e assim são destruídas algumas vidas.
   Erros grotescos de tempo e espaço, fáceis de derrubar, porém, ainda não houve juiz para me ouvir. Para poder sanar tudo isso eu precisaria ter um dia de 48 horas. Ou viver no processo. Mas, mesmo com toda a minha lucidez, a outra parte e sua corja vivem me tirando de louca, imagine se eu entro 100% nesse processo? Não teria como escapar da loucura. No fundo ainda acho que os loucos são os outros. Acredito ainda que a outra parte está perdendo o pouco de sanidade que lhe restava. No fim veremos quem ficará louco de pedra e quem vai precisar de muitos remédios para viver.
   Quando isso irá mudar? Não acho que só aconteça comigo, já que conheço algumas pessoas que também sofreram armações, injúrias e difamações. E calúnia! Que é bem pior. Ser acusado de crime ou da possibilidade de cometê-lo é cruel. Porque o que perdura é a dúvida. Eu poderia correr atrás de processar toda essa gente podre. Mas a vida é tão curta e tenho tanto para fazer. Tenho tanto para produzir. Inclusive produzir provas. Tenho tanto amor para dar.
  Não sei quanto tempo irei viver, pode ser que eu morra sem conseguir ver Dora. Presenciamos a brevidade da vida a todo instante. Mesmo assim existem pessoas que agem como se fossem eternas ou imortais. Pode ser que eu sofra um acidente antes de conseguir falar com minha filha. Por isso escrevo para deixar meu legado de informações, que Dora cresça no meio de barbárie e mentiras. Mas quando puder ler tudo o que escrevo para ela, vai entender o que é amor e ética e, principalmente, o que é verdade.
  Querem apagar a vida e a mãe de Dora. A outra parte fala de alienação parental e tão cego por seu ódio mortal, seu desejo insano de vingança, seu alter ego inflamado, não percebe que ele, mais do que qualquer um, com ajuda da família de psicólogos e psiquiatra, aliena Dora da vida que ela teve. Sempre baseado em mentiras apresentadas descaradamente para o sistema judiciário. Mas Dora sempre lembrará da mãe querida, que sempre lhe deu tudo o que precisava: amor, disciplina, carinho, conforto, amizades e segurança. Será que a outra parte e sua família doente acreditam que estão protegendo Dora? Que serão capazes de me apagar da vida dela? Acreditam que impedindo Dora de falar comigo conseguirão tirar-me do coração e da mente dela? Muito triste e perturbador tudo isso. Muito doentio também.