segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Pela Última Vez

    Prometi para mim mesma que não escreveria mais nesse blog sobre processo, ação ou família Golfeto, até porque não quero mais viver isso, não quero mais isso na minha vida, que é muito, mas muito maior do que essa disputa de guarda insana.
    Nesta semana estou particularmente mais cansada, porque fui a trabalho para Uberaba e voltei e fiz bate e volta para Ribeirão Preto e fechei um jornal em tempo recorde no meio disso tudo. Liguei, como sempre fazia (não farei mais) para a casa da ilustre família, eram 7h20, talvez por ser tão cedo, José Hércules Golfeto (o psiquiatra, avô da Dora), me atendeu.  Disse entre outras que Dora sente minha falta, não me esqueceu, mas que eu tenho que ter paciência, que Jonas foi mais inteligente! Que Dora precisa conviver com a mãe e com a irmã e blá, blá, blá. Daí perguntei porquê não me deixam nem falar com ela ao telefone e ele disse para eu parar de escrever “aquelas coisas horríveis”. 
    Ora, se pararem de fazer coisas horríveis, paro de escrevê-las. Adoraria fazer um post sobre o dia em que levaram Dora para Santos, permitindo que ela visse a irmã, a mãe, os amigos, seus brinquedos, sua casa. Adoraria postar que nos encontramos, que fui buscá-la e me receberam.  Mas quando fui até a casa desta família, chamaram os guardinhas e ainda fizeram BO contra mim. E tem mais: o avô, tão bonzinho e que deseja paz e harmonia entre as partes também fez um BO contra mim! Esse monstro fez um BO dizendo que liguei para seu consultório e disse para sua secretária que iria matá-lo e botar fogo na casa deles!!! Pobre coitada dessa secretária, submeter-se a isso para manter o emprego... mas a declaração nem é dela, é do avô mentiroso. Como disse, foi daí que começou tudo. Jonas Golfeto tem bem a quem puxar. Tomara que Dorinha escape disso, nunca se torne uma mentirosa, dissimulada. Não,  ela estará livre disso, ela é esperta e sabe o que é verdadeiro ou falso.
     E me impressiona muito como esse singelo blog incomoda tanto! No próprio processo estão vários posts, os que mais me denunciam, nem tive a curiosidade de relê-los (ainda) porque agora estou dentro de um ônibus, nesse meu calvário de viagens sem fim onde acaba em nada. Agora, além dos meus queridos leitores, também vão ler o blog juízes, promotores, advogados... que bom! Quando isso aqui virar livro, a divulgação já estará feita.  Estão no processo os seguintes textos: Heroína, A Subversiva, Thiaguera, Meu Lamento, Seis Meses Sem Mãe e Eu Queria Ser Kim Deal.  Eu até imagino o porquê de alguns desses textos estarem lá. Heroína fala do meu desprezo por uma certa ONG machista. Seis Meses Sem Mãe conto como foram esses meses e em Meu Lamento... o título já diz tudo. Em A Subversiva me sinto até lisonjeada por tal acusação, já que são os subversivos que conseguem mudar alguma coisa nesse sistema. Thiaguera só pode ser para mostrar que tive um amigo alcoólatra, que morreu precocemente por causa do vício. Sim, tenho amigos alcoólatras e viciados. Inclusive tenho um amigo-irmão, que já foi meu namorado, que está numa clínica. Não me envergonha isso.  São pessoas doentes e que precisam de tratamento. Mil vezes essas pessoas, do que um careta cruel, sádico, venenoso e mentiroso. Tenho também muitos amigos atletas, profissionais de sucesso nas mais diversas áreas. Enfim, meus amigos escolho por caráter e empatia, não por cor, credo, tipo físico. Se alguns de grandes amigos, tornaram-se dependentes por fraqueza física e até por isso façam coisas que prejudicam seu caráter, não deixarei de ser amiga. Abandonar um amigo quando mais precisa é não ser amigo, é não ter caráter.  
    Agora, realmente, colocar no processo Eu Queria Ser Kim Deal só pode ser piada! Nem falo de Dora, de ação, de nada. Escrevo sobre  minha paixão por rock, Pixies e sua genial baixista. Falo da minha adolescência em Santos... será que ter uma alma rock é crime? Eu também adoro Mozart sabia? Amo Cartola, samba do bom e muita MPB. Ou será que Jonas teve um vislumbre de generosidade e resolveu mostrar aos juízes, promotores e afins como escrevo bem e como sou sensível? Não sei, pode-se esperar qualquer coisa vinda do lado de lá. 
    Confesso que estou um pouco arrependida do meu último post, em que falo do juiz do processo, mas agora já foi e foi bastante lido. E sobre o que escrevi, não inventei nada, saiu no jornal Folha de Ribeirão. Minha opinião sobre a lentidão é minha opinião mesmo, não vou mudá-la. Então é isso, não escrevo mais sobre esse processo. Mas há outro, o criminal. Ah, e sobre esse ainda vou escrever. De resto, não quero mais ir até Ribeirão Preto, cada vez que vou pra lá, sabendo que minha filha está lá e não posso vê-la, me dá uma dor tão grande que mal consigo respirar... e vou chorando o caminho inteiro. E volto chorando... e minha cabeça dói, já que acabo com o líquido do meu cérebro. Chega de tudo isso, chega.  Essa prova eu não nado mais, vou mudar de estilo.   

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O Verme me Derrotou

   O juiz que julga meu processo, Ricardo Braga Monte Serrat, da 1ª Vara de Família de Ribeirão Preto, demorou 66 dias para decidir sobre uma liminar pedida por mim. Para quem não sabe, liminar é aquele pedido urgente, para resolver com urgência urgentíssima, no mesmo dia. E esse juiz demorou tanto tempo para decidir extinguir minha ação. Nessa ação eu mostrava que Jonas Golfeto, a outra parte, mentia. Provava como Dora estava bem comigo. Ricardo Monte Serrat extinguiu a ação. Como se não existisse...
   Continuo ligando diariamente naquela casa, em Ribeirão Preto, se atendem, desligam na minha cara, depois não atendem mais... são mais de 8 meses sem saber da minha filha! Com aval da Justiça, que é lenta, mas talvez, pelo calor daquela terra infernal que é Ribeirão Preto, fique mais lenta ainda. É sabido que o calor excessivo deixa as pessoas com raciocínio lento. Dia desses os termômetros marcavam 40° C naquele vale. Já morei lá, nunca suportei mais de 15 dias naquele clima. Conheci pessoas ótimas e continuo conhecendo nas vezes que vou lá dar tiro n`água.
  Nada do que eu peço o juiz aceita. Tudo que a outra parte diz, sem provas, é aceito. Não sei, mas acho que ou há um certo bairrismo nessa história ou esse juiz não tem mesmo competência para esse caso. Ah, mas ele também negou meu pedido de incompetência de juízo. Falei com um amigo juiz dia desses, achou tudo muito esquisito. Eu sou a ré no processo. A ação deve correr no domicílio da ré. O advogado da outra parte escreveu que moro em local incerto e não sabido, dando meu endereço, onde sou intimada, na mesma ação!!!! O juiz não leu isso. Se leu, não assimilou... vai ver é o calor excessivo da cidade, o juiz lê, mas não entende...
  Aliás, esse juiz já é famoso por sentenças duvidosas. Em dezembro de 2009,  liberou 3 estudantes de medicina que espancaram um trabalhador negro, de 55 anos, porque o crime não foi de racismo (que é inafiançável). Os "bons meninos" Emílio Pechulo Ederson, Felipe Giron Trevizani e Abrahão Afiune Jr, estudantes de medicina daquela cidade, pagaram fiança de pouco mais de 5 mil e foram liberados. A vítima, Geraldo Garcia, revoltou-se na época, pois o juiz Ricardo Monte Serrat aceitou a injúria qualificada apresentada pelos advogados dos réus. Mesmo batendo e chamando Garcia de "negro". Para o juiz Ricardo Monte Serrat, não foi racismo.
  Só pesquisando muito sobre esse homem da "Lei" consigo entender porque nada anda naquela terra. Três advogados diferentes de Ribeirão Preto me falaram a mesma coisa desse juiz: "ele é em cima do muro, só vai pelo promotor, não gosta de decidir". Ora, porque ele não procurou outra profissão? Já que parece mesmo que não decide nada. Ficou 66 dias sentado numa ação para extingui-la...

  O Vazio

   Há muito tempo eu sentia uma saudade e um vazio que nunca entendi. Desde criança tinha um sentimento de falta, de perda... no dia 9 de fevereiro de 2002 entendi que eu sentia falta de Dora. Depois que ela nasceu entendi que era ela que faltava em minha vida. Depois da gravidez de risco, com todo o medo de perder meu bebê, depois de todos os cuidados que tive e de tantos amigos cuidando de mim... nascia Dora. Tão perfeita, tão saudável...
   Aguentei 9 meses a presença de Jonas Golfeto em minha casa: ausente, distante, não me ajudava em nada, nem financeira ou emocionalmente e, como a maioria das mulheres modernas, independentes e descoladas, pedi que ele se retirasse de meu apartamento. Sem crise, de boa. Deixei até a chave da casa com ele, para que entrasse para ver a filha, quando bem entendesse.
   Mas sempre, sempre que ele levava Dora sentia uma dor no peito, um vazio, uma saudade, eu sempre tive a sensação que ele a tiraria de mim. Nunca segui minha intuição... e porque, com a lógica, entendia que isso era impossível, o cara tinha quase 30 anos, era sustentado pelo pai, não tinha horário para nada, mal via a filha. O que eu não imaginava é que haveria uma comoção familiar para tirar Dora de mim. Tanto que ela está lá em Ribeirão Preto, morando com o avô psiquiatra monstro José Hércules Golfeto e a avó megera, Ed Melo Golfeto. Não sei quem mais mora na casa, não sei se a tia e o marido da tia de Dora também moram lá. Não sei se o pai de Dora mora lá.
   E por que não sei? Porque ninguém foi fazer perícia lá. É lá que a menor mora, é lá que devem fazer perícia. Mas não, a família Golfeto está acima do bem e do mal. Que bom que Dora faz parte dessa família, assim também fará parte dessa minoria privilegiada que está acima do bem e do mal.
   Jonas Golfeto, no dia da audiência de conciliação, fez que não com o dedinho quando falei em perícia psicológica. Não, ele não precisa fazer perícia... queria mesmo é que ele passasse por um detector de mentiras... se bem que psicopatas enganam até detectores...
   Minha intuição dizia para não namorar aquele moleque. Minha intuição dizia que ele tiraria Dora de mim. E agora minha intuição me diz que eu perdi Dora. Porque quanto mais tempo lá, mais adaptada estará, mais subsídios terão para mantê-la lá e com todo o empenho do avô psiquiatra e da avó psicóloga, vai ser fácil convencê-la de que a mãe não liga, a mãe não procura, a mãe não quer mais saber dela.
   Por que fui criar uma filha tão educada e obediente? Por que fui ensinar Dora respeitar e amar ao próximo? Fiz tudo errado! Criei uma menina que aceita tudo, conformada, manipulável...
  Errei muito, mas não vou errar mais. Ainda bem que tive uma segunda chance, chamada Miranda. Essa vai brigar pelo que deseja, essa não será uma vaquinha de presépio, essa fará muita diferença no mundo, sim. Miranda não vai levar desaforo pra casa. Mas vai amar e respeitar o próximo, até o momento que esse próximo não a respeite.

Juiz inútil

  Antes dessa porrada na cara, vinda desse juiz incompetente, tive outra lástima. No dia 13 de outubro, na quinta depois do feriado, estava marcada uma audiência de conciliação entre minha mãe e Jonas Melo Golfeto. Na segunda-feira, dia 10, me liga um profissional do cartório (uma dessas pessoas legais que conheço naquela cidade infernal) para avisar que o juiz cancelou a audiência porque Jonas apresentou passagens de avião para outro Estado. Ora, num lugar sério, ele que perdesse essa viagem! Eu já tinha comprado as passagens para minha mãe e a advogada. Eu posso perder e ele não! Ô seu juiz, o senhor não está sendo nada justo! Pior, no sábado Jonas estava "trabalhando" em São Paulo! Comprou passagens só para não ter audiência.
  No fim acho que não perdemos nada nessa tal de audiência de conciliação. Essa inutilidade consiste em uma tentativa de acordo entre pessoas que não se suportam e brigam há anos. Daí entra um juiz de paz, que não decide nada. Faz-se um acordo amigável, como a conversa diária por skype. Se a pessoa que detém o poder (no caso Jonas, que tem poder absoluto sobre Dora), resolver voltar atrás, tudo bem. Não era ordem judicial, era acordo amigável... no dia da audiência Jonas ainda disse "dou minha palavra"... chorei por dentro: além de não ter palavra, o cara mente até no currículo... é uma farsa!
  Minha mãezinha, de 76 anos, iria só passar raiva indo até lá, vendo aquela cara inexpressiva, que poderia até permitir que a avó falasse com a neta ao telefone, na frente do juiz de paz (aquele que não serve para nada) e depois, voltaria atrás, já que é sem palavra.
  Só sei que estou com dores no peito há dias, falta de ar e insônia. Não dá mais para sustentar o insustentável. Queria só poder ligar para Dora, ouvir dela que está tudo bem. Ok, Golfetos, vocês venceram! Jonas não conseguiu minha destituição do poder familiar legal, mas conseguiu de fato. Na escola Albert Sabin ouço que só o pai tem acesso à Dora. Na casa, desligam na minha cara. Vou até lá, chamam a polícia.
  Para que mesmo que fiquei 7 meses e meio de repouso absoluto? Para ter uma filha arrancada de mim sistematicamente? Para que mesmo que me esforcei para criar e educar uma criança adorável? Para ser levada como se eu não existisse e ser criada pelos mesmos avós que criaram a pessoa mais sem caráter que já conheci?
   Como disse um ator, querido amigo meu, "Jonas não tem brilho algum, é totalmente apagado. Nunca entendi como você, que tem luz própria, se interessou por aquilo". Nem eu! Na verdade, sei. Ele me enganou fingindo ser o que não era! O cara até acordava 7h30 da manhã para ir  nadar comigo! Só depois fiquei sabendo que não acordava antes das 14h...
   Esse amigo ainda deu uma divagada do porquê uma pessoa tão sem amor, sem afeto, sem carisma, fazer o que faz. "Querida, a única forma dele ofuscar seu brilho é tirando Dora de você". Pode ser isso... e ele conseguiu, um verme rastejante acabou comigo, devo ser menos que um verme...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Jonas Golfeto: A Farsa

  No dia 26 de setembro, o ator Jonas Golfeto, pai e carrasco de Dora, minha filha, procurou o contato jurídico do google e blogger para fazer denúncia de violência e acusações. Será que é por causa do meu blog? Será que ele considera minha opinião violenta? Não teria sido violento chamar a Rede Globo para transmitir em rede nacional a busca e apreensão da filha que não via  há  4 anos e meio? Não é violento levá-la sem se despedir da irmãzinha, sem levar nenhuma foto, roupa, brinquedo favorito, nada?
  Será que a causa é chamar a avó Ed Melo Golfeto de avó megera? Não seria megera a avó que deixa uma bebê de 3 meses chorando até perder o ar porque "uma criança precisa aprender a lidar com frustrações"? Não é avó megera uma mulher que não deixa a neta falar com a mãe e que desliga o telefone na cara dessa mãe aflita? Não chega a ser ainda mais cruel sendo essa mulher uma psicóloga que sabe fazer uma pessoa assim como eu chorar?
  Será que é porque eu chamo o avô José Hércules Golfeto, psiquiatra infantil de monstro? Não é uma monstruosidade escrever mais de 100 emails para a mãe da neta, chamando-a de doente e indicando tratamento, sendo que esse médico jamais consultou essa mãe? Esse mesmo médico mentiu por mais de 2 meses dizendo não saber o paradeiro da neta que estava em sua casa. Isso não é crueldade com uma mãe desesperada? Esse mesmo avô monstro escreveu (tenho tudo) que seria extremamente traumático para Dora arrancá-la da mãe, da irmã, de sua vida... ele não só corroborou com isso, como me proíbe de falar com Dora. Isso não é monstruoso?
  E o que dizer de Jonas Golfeto, então. É uma farsa. Infelizmente consegue enganar quem não é de seu meio, engana jornalistas, juízes e promotores, me enganou por pouco mais de 1 ano, quando sua caixa de canastrice não tinha mais máscaras para usar. Mas esse ator, que nem atua mais, não consegue enganar sua própria área. Diretores não conseguem mais dirigi-lo. Um amigo meu, grande ator, disse que no meio ele é conhecido como "chato". Sim, é isso que ele é, um tédio...
  Jonas Golfeto mente até em seu currículo, dizendo-se formado pela USP, em Letras. Qualquer um consegue desmascarar essa farsa. No mesmo dia em que ele tenta o contato jurídico do google ou blogger, me liga uma psicóloga, mediadora de conflitos, lá de Ribeirão Preto, porque ele a procurou, sugerindo que eu fosse até lá, para encontrá-lo e mediar esse conflito. Ora, ele quer que eu viaje 6 horas e meia, fique discutindo da onde veio o ovo, olhando para aquela cara inexpressiva, volte mais 6 horas e meia... para quê? Desculpe, mas quem tem tempo de sobra, quem não tem o que fazer, não sou eu. Ele veio com a mesma ladainha em março, fui, liguei, marquei... e ele? Só para gozar mais no seu sadismo.
  O responsável pelo estudo de Dora é o avô monstro José Hércules Golfeto, o próprio me escreveu sobre isso, pedindo os documentos da antiga escola de Dora, já que o inútil do filho não é capaz de vir até Santos buscar. Ora, nessa escola, Liceu Albert Sabin, estou "proibida" de saber de Dora. Não posso ir em reuniões, "só quem tem acesso" é o pai, segundo a coordenadora Antonieta Borges, que me dizia mecanicamente "entendo, bem, entendo", sem ouvir o que eu tinha a dizer. Tem algum documento dizendo que não posso saber do rendimento de minha filha? Não, não tem. Mas tem a palavra do farsante Jonas Golfeto, que como eu disse, engana quem não é da sua área. Para alguma coisa serviu o pouco estudo dele nas artes cênicas. Só assim ele consegue alguma plateia... pobre espírito ator-mentado.
  Então, ele finge tentar uma mediação para mostrar ao juiz que eu não quero resolver conflito. Ora, quem vive me processando por tudo? Quem fez BO de ameaça de morte contra mim? Quem tentou me destituir como mãe, tirando até meu sobrenome de Dora? Ele não quer conflito? Não mesmo? Alguém acredita nisso?
  E não entendo tanto incomodo com um simples blog. Tem pouco mais de 30 mil leituras. Ele já me detonou no Fantástico, duas vezes no Profissão Repórter, milhões de pessoas viram! Acontece que 3 dos meus textos lidos por qualquer um dos conhecidos dele será muito mais eficiente do que aquelas matérias superficiais do Profissão Repórter, feitas por focas que não sabem para quem passar a bola e não conseguem tomar uma decisão sem ligar para a chefia. Vista por milhões, mas assimilada por poucos. Já esquecidas nos 15 minutos de fama de cada um.
   Será que agora além de lutar pela guarda da minha filha também terei de lutar pelo meu direito de expressão? Realmente creio que chegamos ao fim dos tempos, isso só pode ser o apocalipse! Mais que luta de guarda, isso me parece uma luta de egos, se for assim, minha causa é ganha. Estou para conhecer alguém tão egoísta e egocêntrico como Jonas Melo Golfeto, a razão de todo meu desafeto.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Time dos Macacos

   Está muito difícil escrever. É sempre mais do mesmo quando escrevo sobre esse processo insano e sobre o sistema judiciário, que com a ajuda da outra parte, há quase 8 meses impede Dora de ver mãe, irmã e amigos. O vazio aumenta, o buraco no peito dói, lateja, é como se eu tivesse uma faca enfiada e perfurando mais e mais a cada dia... saber que tem gente em situação muito pior não alivia, ao contrário, dói mais...
   Num dos meus esconderijos favoritos, a sala de cinema, me refugiei dia desses. Fui assistir Planeta dos Macacos, a Origem. Antes queria dizer que o clássico de 1968 é um marco da minha infância, vi inúmeras vezes na Sessão da Tarde. A cena final, quando o astronauta vivido por Charlton Heston encontra destroços da estátua da Liberdade, é antológica. Só então percebemos (ou só então eu percebi) que é a Terra no futuro e não outro planeta. Muitos outros filmes vieram depois, todos baseados no livro La Planète Des Singes,de Pierre Boulle.
   Fui lá, despretensiosamente, para ver filmão, daqueles que é só para relaxar e esquecer de tudo. Como estava enganada... para começar o cientista vivido por James Franco (um ator que sempre me impressiona) tem um pai com Mal de Alzheimer. Perder o pai aos poucos, ver o pai deixar de fazer tudo o que fazia não é novidade para mim. Como o cientista eu faria qualquer coisa para te meu pai de volta. Até usar uma droga ainda em estudo. Chorei em todas as cenas em que aparecia o pai com Alzheimer. Nas tentativas de tocar piano, na tentativa de dirigir o carro... mas ao contrário do personagem, não fiz nada para salvar meu pai. Demorei muito para perceber que sua ida era sem volta. Depois vejo uma chimpanzé doce e amigável, usada como cobaia, enlouquecer furiosamente. Ela só estava  protegendo o seu bebê, que nasceu no laboratório sem ninguém saber. Me identifiquei também. Uma mãe, seja de que espécie for, tem o instinto de proteger sua cria de qualquer jeito...
   O mesmo cientista fica com o bebê órfão, cuida de César como seu filho, escondido, clandestinamente. Depois vê César ser levado pela Justiça, para uma jaula. Ele tem que lutar contra um sistema moroso para ter César de volta. Mais lágrimas, muitas lágrimas. E quando finalmente consegue, por meio de suborno, libertar César, o animal não quer mais ir... o instinto do símio o faz ficar junto dos seus, para protegê-los. O macaco não suporta ver os humanos subjugando, maltratando e matando seus iguais.

A César o que é de César

 O filme nos faz torcer para os macacos o tempo todo. Mostra como a raça humana, por ter inteligência superior, não respeita nada que esteja sob seus domínios, mesmo que respire, viva e sinta. Talvez seja pelo meu estado de espírito, mas quando ia se formando a liderança de César, também me vinham lágrimas. Primeiro porque o verdadeiro líder não consegue a liderança por força bruta. É sempre por seu carisma e inteligência. Se conseguir de outra forma, sofrerá golpe de seus seguidores, isso é certo e é fato histórico. O chimpanzé César usa sua inteligência, ampliada descomunalmente por um vírus estudado para a cura do Alzheimer, para fortalecer o time dos macacos.
  Esse longa não é para distrair, é para pensar. A única cena que me arrancou um sorriso, também foi uma crítica. Um orangotango se comunica com César por sinais, esse fica impressionado e pergunta: "Você também estava num laboratório?" "Não, eu era macaco de circo"...
  Quando César consegue a confiança do Gorila, o mais temido do cativeiro, sinto uma satisfação quase juvenil. E quando todos se rebelam e ganham as ruas, se o cinema estivesse cheio de crianças, eu gritaria e aplaudiria com elas.
   Durante todo o tempo eu pensava em como a raça humana é desprezível... mas, quando o filme termina, eu sem graça de sair da sala, porque os olhos inchados podem parecer ridículos para quem não sabe o meu contexto, tenho outra opinião. Se essa mensagem conseguir tocar alguns corações, ainda pode haver alguma esperança.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um Sequestro Dentro da Lei

  Escrevi esse post na última sexta, dia 16, era o tal texto escrito na descida da Serra, antes de chorar aos cântaros e escrever o outro, que acabei publicando. Nem iria postá-lo mais, como já fiz com tantos outros textos. Mas escrevi sobre Elaine César, ainda não tinha notícia da decisão sobre a guarda de Théo voltar para a mãe (de onde nunca deveria ter saído). Quando começava a declinar na expectativa desse caso se resolver, quando começava a ficar descrente de tudo, essa notícia. Ainda acho que não deveríamos comemorar pela "Justiça" ter sido feita, afinal isso nunca nem deveria ter acontecido. Deveríamos usar esse caso como prova cabal do erro desse sistema falido, que considera culpado qualquer pai e mãe até que se prove o contrário. Esse caso é emblemático! 


  Mais de 7 meses se passaram desde que Dora foi levada da escola, onde estava devidamente matriculada, apenas de uniforme e a mochila com o material (que já deve ter sido jogado fora), levada por advogado, oficial de Justiça e acompanhada pela Rede Globo, filmando toda essa busca e apreensão e o reencontro (nada emocionado) com o pai que não via há mais de 4 anos! Sim, foi o pai que chamou a Globo para gravar tudo. Isso está bem claro na matéria que foi ao ar, mesmo com a edição tendenciosa. A ideia genial, daquele que detém a guarda, era levá-la de forma a nunca mais deixá-la ver a mãe. Tanto que antes já havia entrado com uma ação pedindo a destituição do meu poder familiar, exigindo, inclusive, que meu nome fosse tirado da certidão de nascimento de Dora, e que o Mendes também fosse retirado do nome dela. Isso, legalmente, ele não conseguiu, mas de todas as maneiras tenta e consegue impedir que nos comuniquemos, sempre amparado por Lei.  
  Uma das várias pessoas que me escrevem após ler esse blog e que agradeço muito, assim sei que faço chegar minha verdade em alguns corações e mentes, fez uma consideração simples, mas incrivelmente sábia. Disse que após rever a matéria veiculada no Profissão Repórter, achou tudo muito bizarro, que foi um sequestro dentro da Lei. A criança de 9 anos foi levada no colo, em sinal evidente que não iria pelas próprias pernas, as câmeras da Rede Globo registrando tudo. Essa leitora ainda analisou a reação das jornalistas responsáveis pela matéria de roteiro pronto. “Gabriela Lian ficou constrangida, pois sabia que aquilo, apesar de legal, não era justo, e Eliane Scardovelli ficou claramente comovida, percebendo que a história não era exatamente como o sistema judiciário contava”. Nada disso importa. A Justiça, induzida a erro ou não, afastou Dora da mãe, da irmã e de todo o seu convívio social. 
  Um promotor que jamais viu (e nem parece muito disposto a ver) minha cara, aceitou todas as acusações da outra parte e me chamou de mãe nociva. Será que esse promotor viu a matéria na TV? Se ele tivesse visto, uma das mentiras do “pai” de Dora, despencaria em sua frente. Na ação está que Dora não tem cama para dormir. O cinegrafista filmou o quarto de Dora e Miranda, com todos os brinquedos, móveis e objetos pessoais de Dora. Os brinquedos que ela tem desde que nasceu estão comigo, em nossa casa. Não é de hoje que o ator (será ainda ator?) Jonas Golfeto mente. 
  Por seis meses, em 2005, buscou falsos testemunhos, até que encontrou alguém – que mesmo me conhecendo e sabendo a verdade – sensibilizou-se diante de sua encenação e foi testemunhar contra a mãe que, supostamente, teria enlouquecido. As testemunhas foram o porteiro do prédio em que eu morei até 2003 (isso mesmo, 2003) e uma senhora costureira, vizinha, de quase 80 anos! Nem ele mesmo lembra quem foi a falsa testemunha convencida a depor. Eram pessoas simples, Arnaldo e dona Judith, de pouco estudo, Jonas Golfeto mal os cumprimentava, por isso não lembrava. Falei com ele sobre isso no dia 2 de agosto, quando teve a audiência que não deu em nada. A resposta? “Alguém falou, tá lá”. Irônico, sarcástico, pedante. Na falta de plateia para seu talento duvidoso, busca juízes, advogados e promotores para participar de seu showzinho ridículo. Assim foram as únicas duas audiências que tive com esse ser nefasto (isso não pode ser humano). 
  Então, essa leitora, tão rapidamente, apenas lendo o que escrevi e vendo as imagens da TV, teve um entendimento muito maior do que todo o sistema judiciário junto e multiplicado. E não é porque ela é mãe de uma menina da idade da Dora. Existem vários tipos de mães e pais. A questão não é de gênero, é de humanidade. É preciso ter compaixão e dignidade. Se a pessoa for desprovida dessas qualidades perde sua condição humana. Dora foi sequestrada dentro da Lei. Está em cárcere privado dentro da Lei. Seu “pai” e também seus “avós” cometem alienação parental dentro da Lei. Assim funciona o sistema e isso precisa ser mudado. 

Sobre compaixão e dignidade 

  Para os que ainda não conhecem ou não leram sobre o calvário de Elaine César, exposto com muita dignidade e compaixão no blog Câncer, Gravidez e Alienação Parental, depois de quase um ano acreditando que a Justiça seria feita, cai na realidade. Seu processo, ainda no início (quase um ano!), teve troca de juízes! Ou seja, um novo juiz, cai de pára-quedas num doloroso processo em que um ex rancoroso e magoado (da mesma falange de Jonas Golfeto), faz falsas acusações contra a mãe de seu filho. Agora esse novo juiz irá estudar toda a ação, ler (será que alguém lê alguma coisa?), passar vistas para outra parte, esperar vistas da promotoria... e mais alguns anos perdidos na infância de um menino inocente... cadê a compaixão com essa criança? Cadê a dignidade desses pais mentirosos?
  E qual não foi minha surpresa quando leio uma mensagem de Jonas Golfeto no meu facebook? Diz que procurou um “órgão” ou coisa parecida para mediação de conflitos, em Ribeirão Preto, para nos encontrarmos lá. Primeiro isso foi uma invasão, pois Jonas Golfeto não é meu amigo nem no facebook. Segundo, ele me fez perder mais de um mês (ganhando tempo com a Justiça) sobre um “órgão” semelhante em São Paulo. Liguei, marquei, escrevi. Ele nunca podia estar em nenhum horário. Em um dos emails (email meu ele tem, desde que Dora morava comigo), diz que era por causa das “várias demandas em relação à nossa filha”. Nunca deu em nada, porque ele já havia levado Dora para Ribeirão Preto, apenas queria me fazer perder mais do meu precioso tempo. Agora sugere, de novo, um lugar de medição de conflito. 
  Ora, quer que eu viaje 6 horas até Ribeirão Preto para me reunir com ele e uma psicóloga, sem nenhum valor jurídico para resolver conflito? Vou até lá passar uma hora discutindo a origem do mundo e nada de ver Dora? Isso é para juiz ver... acontece que tenho os emails da outra tentativa, em que eu sempre cedia e ele “não tinha tempo”. Ora, Jonas Golfeto, poupe-me de suas artimanhas primárias. Se quisesse mesmo resolver conflito, teria, no mínimo, “permitido” minhas conversas por skype com Dora, deixaria a filha falar com a mãe ao telefone, não entraria com pedido de destituição de poder familiar, não faria BO de ameaça de morte. Essa piada não tem a mínima graça, só mostra todas as suas atitudes incoerentes! Na frente do juiz assina acordo e depois não cumpre! 
  Porque a outra parte sempre sempre sabe usar as tais brechas judiciais. Como era um acordo amigável e não uma ordem judicial, apenas gozou mais de seu prazer sádico, dando e tirando a mãe de Dora. Se quisesse resolver conflito não “exigiria” visitário público para a filha e a mãe se encontrarem.
  O pobre só quer ter plateia, nem que tenha que pagar por isso... só posso ter compaixão por esse ser sem a menor dignidade.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Engavetamento Monstro no Meu Coração Aflito

  Era para ter descido a Serra ontem, depois das 23h, mas com o mega engavetamento da Imigrantes, com número ainda impreciso de carros envolvidos, estimado em 300, achei mais prudente ficar em São Paulo. Liguei para meu querido amigo Gustavo Liedtke e dormi em sua casa. Ele sempre me recebe quando tenho que ficar em São Paulo, o que é certeza de ótima conversa e música.
  Peguei o ônibus hoje pela manhã, às 11h30, no terminal rodoviário Jabaquara e duas horas depois ainda não havia descido a Serra. O dia começou com más notícias. Mais algumas tentativas vãs de resolver qualquer coisa rápido. E parada dentro daquele ônibus, pensava o porquê de estar perdendo os mais produtivos anos da minha vida em ações burocráticas e sistemáticas, nas mãos de promotores e juízes que nunca viram a minha cara... não faz sentido, nada faz sentido.
  O trânsito flui uns 2km e então vejo caminhões destruídos, ônibus com frente acabada, carros reduzidos pela metade, marcas de pneus em todas as direções. Dava pra imaginar a cena de todos eles se espatifando. O trajeto lento aumentava a minha angústia. Pensei por instantes que poderia ser eu naquele acidente horrível e não pude deixar de chorar e chorar muito. Mesmo que eu não veja mais Dora até ela crescer e conseguir me encontrar, mesmo que essa dor seja forte de matar, tenho que estar aqui por Miranda. Por isso chorei mais e mais e muito mais.
  Peguei o "note" e escrevi um texto, que não é esse. Enquanto escrevia, meu coração acalmava, escrevi por mais de uma hora, enquanto começava a fazer graça com um garotinho muito esperto, com a mãe, nos bancos ao lado do meu. Ela, uma negra linda, bem africana, alta, magra, de tranças, cochilava. O menino, de uns 3 ou 4 anos, brincava de esconder  na mãe, ria, piscava os olhos vivos para mim, cheios de energia, sorriso largo e cabeça redondinha raspada. Me distraí por muito tempo com esse menino. Uma moça vendendo cocadas entrou no ônibus. Após 2 horas e meia queria comer alguma coisa. Perguntei para a mãe da criança, que despertava com os olhos cansados, se poderia dar uma para seu filho. "Não, obrigada, ele acabou de fazer quimioterapia e não pode comer doce". Entendi a cabeça raspada. O cansaço da mãe. E de onde vinha tanta alegria naquele menino? Então, de novo, meu coração apertou, o que me prende a garganta e dá vontade de chorar. E chorei olhando pela janela, com vergonha de mim mesma, para que ninguém visse as minhas lágrimas.
  Ele olhava pela janela a vista linda da Baixada Santista, quando finalmente começa a descida da Serra. Seus olhos brilhavam, mau conseguia controlar sua euforia ao ver os carros pequenininhos lá embaixo e depois... o mar! Como é lindo poder ver o mar... nem que seja para chorar.

Sobreviventes

  O trânsito prosseguiu até a entrada de Santos. Mas estar no nível do mar, passar pela estátua do Peixe na entrada da cidade, me deixava menos tensa. Tenho muitos horários a cumprir. Tenho Miranda para buscar na creche. Estava conversando com o motorista (sei que é proibido, mas estava tudo parado), já na frente da Portuguesa Santista, no Canal 1. Ele me contou que nunca pensou que veria um engavetamento maior do que o de 1977. "Prazer, Adriana! Que história é essa?". Então, direto da fonte, o senhor me conta que era motorista de caminhão e estava na Serra quando esse acidente horrível aconteceu, envolvendo 140 veículos. Era o maior da história até então e esse motorista estava lá. Ontem não. Mas era sua rota, ele sobe e e desce a Imigrantes todos os dias, facilmente poderia estar.
    Por tudo que vi hoje na estrada, imagino que o cenário de ontem tenha sido de guerra. Uma vítima fatal, apesar de trágico, é quase a menor porcentagem na proporção do acidente. Foram mais de 400 sobreviventes! E hoje, no meio da minha crise de desespero pela demora, pela injustiça, de pensar em querer morrer... conheço mais dois sobreviventes: um menino e um senhor. Quantos mais estariam naquele ônibus? Eu também quero sobreviver...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Me Amputaram os Braços

  Não deve haver nada mais frustrante do que ser um juiz conciliador numa Vara de Família, porque conciliação e acordo são coisas que não existem nesse mundo. No dia 2 de agosto, há 1 mês, houve uma audiência de conciliação (piada) entre Adriana Mendes e Jonas Golfeto, para tentar definir as visitas de Adriana para Dora, a filha que não vê há quase 7 meses.
  O juiz está lá, ouve, deixa falar, interage, mas não decide nada. Então, após 2h40 minutos, um promotor convence a outra parte a permitir que a filha de 9 anos fale com a mãe por skype durante uma hora, todos os dias, das 19h às 20h. É assinado um acordo entre as partes e seus advogados.
  No dia seguinte o pai já não cumpre o acordo. A mãe fica muito mal, chora, perde a produção no trabalho, dorme mal, chora mais ainda. Dizem para ela ir numa delegacia fazer BO, ela não quer que sua vida se resuma a delegacias, fóruns, audiências e todas essas coisas chatas e burocráticas, sem criatividade.
  No dia após o dia seguinte Dora aparece! Rosto molhado de lágrimas, olhos inchados, pergunta por Miranda, sua irmãzinha de 2 anos e meio, que não vê há 6 meses, que não imagina o quanto já está falando e sente sua falta. Chora, pergunta dos amigos, me mostra seus livros, seu quarto parece um quarto de hóspedes, nada tem de quarto de princesa, como é o seu em minha casa. Pergunto se foi ao dentista, olha assustada para o pai, que não sai do seu lado nem por um segundo, monitorando cada olhar. Não deixa Dora colocar fone de ouvido porque quer ouvir tudo o que eu falo. Tenho que escrever. O pai manda dizer que vai ao dentista na semana seguinte. Penso por que tem tanda disposição para entrar com ações contra mim, ir à delegacias fazer BOs contra mim, mas não é capaz de levar a filha ao dentista. Sinto raiva, muita raiva, pois nunca fui negligente com Dora e esse carrasco que se proclama pai, não foi capaz de levá-la ao dentista no período de seis meses! Claro, sabia que estava muito bem cuidada comigo. Como é rídiculo e bizarro tudo isso.
  Não consigo falar com Dora direito, ele monitora tudo, quando faço perguntas e digo para ela dizer com quem quer morar, ele diz que vai desligar, Dora chora. Sinto mais angústia, me sinto algemada, mais que isso, amputada, incapacitada. Desespero, dor, raiva, muita raiva. Quero minha filha, não quero aquele ser repugnante do lado, com olhar psicótico acompanhando nossos pensamentos. Que vida é essa?
  Depois disso, nunca mais nos falamos, ele proibiu. Não está contra lei, já que não foi ordem judicial, foi apenas um acodro amigável (como se houvesse amizade). Falei com o juiz conciliador, que me recomendou acreditar na Justiça Divina, que essa não falha... ah, mas só pode ser piada. Estão todos atuando numa grande comédia de erros! E Dora? Eu só quero saber de Dora. Nem sei com quem ela fica. Se com avós, empregada, tias... lá, nessa casa, deve ser feita perícia psicossocial. É  lá que Dora está e vive, é lá que não permitem que ela tenha qualquer contato com a vida que teve. É lá que Dora está sendo diariamente massacrada, aniquilada, estão matando Dora, tudo que ela viveu. É com essas pessoas que Dora está.
  Fui até essa casa, precisava ver de perto tudo isso. Apertei a campainha. Chamaram os guardinhas do bairro. Essas pessoas querem afastar definitivamente Dora de sua mãe Adriana e de sua irmã Miranda. Essas pessoas: Jonas Golfeto, Ed Melo Golfeto, José Hércules Golfeto e Raquel Golfeto. Sim, essa família está com Dora, dentro da Lei, há 7 meses, sem deixá-la falar com mãe, irmã, amigos, família. São torturadores, avô psiquiatra, avó psicóloga, tia piscóloga, todos fazendo experimento na cabeça da minha filha. O pai carrasco de Dora, o único sem formação superior na família, está sempre cheio de informações sobre psicoses, sempre tentando me tirar de louca, ele e toda a família. E essa obcessão coletiva leva Dora junto da loucura. E a Justiça permite, porque é lenta demais, pessoas morrem durante o processo, crianças crescem. Tudo demora demais e eu não posso abraçar minha filha. Eu não posso ver  minha filha. A Justiça impede a mãe de ver a filha por 7 meses. Pior, afasta a mãe da filha, tira a mãe da flha, deixa uma criança órfã de mãe viva. Não acredito na Justiça dos homens, nem na Divina.