Queria muito me desculpar pelas pessoas que eu possa ter magoado. Peço que me perdoem. Muitas vezes magoamos e nem percebemos. Não sei que tipo de mágoa e rancor tão profundos deixei no pai de Dora, Jonas Golfeto. Namoramos 6 meses, engravidei, nunca planejei ser mãe, não achava que caberia em minha vida de jornalista, que trabalhava 12 horas por dia, além de nadar 4 vezes por semana e competir como Master. Mas estava com 30 anos e acreditei que ter um filho seria a oportunidade de criar alguém para fazer um mundo mais justo e com mais amor. Jonas pediu que eu abortasse, viu até clínica, não se conformou que eu quisesse ter o filho. Será essa a grande mágoa?
Descolou minha placenta, fiz repouso absoluto, muitos amigos cuidaram de mim (que bom ter tantos amigos em tantos lugares). Jonas foi morar comigo quando estava de 6 meses e com a certeza de que Dora nasceria. Já não sabia se queria ficar com ele, que já demonstrava ser muito egoísta e falhava em pequenas mentiras. Suportei até Dora ter 9 meses, então nos separamos. Nunca pedi pensão, pois se fosse fazê-lo teria que intimar os avós, já que Jonas era sustentado pelos pais. Só cobrava a presença dele, como pai de Dora.
Fiquei com Dora, cuidei sozinha, com amor, muito amor. Fui demitida, mudei de cidade, parei de nadar, cuidava absolutamente sozinha de Dora, sem babás, sem tias, sem pai. Tive depressão, o avô de Dora, o psiquiatra infantil José Hércules Golfeto * , mandava um psicotrópico de última geração - Lexapro - pelo filho, quando ia ver Dora. Esse antidepressivo era novo, caro e difícil de achar. Num final de semana Jonas não foi ver Dora e não levou os remédios. Nem precisa ser psiquiatra para saber que isso não pode. Parei de tomar os remédios de repente, fiquei sem, surtei... e fui internada e a única coisa que pedi foi para que Jonas ficasse com Dora enquanto fui internada. Será essa a mágoa? Ter pedido para ficar com a filha? Não ter morrido de uma vez?
Isso aconteceu em dezembro de 2004. Em janeiro de 2005, o ator/mentado, já sumiu com Dora e tentou pegar a guarda de forma insólita. Fui para Ribeirão Preto, tive audiência e recuperei a guarda... daí começou a saga dele em procurar falsos testemunhos e acabar com minha vida. Há 7 anos estou numa luta inglória com um ser perverso! Esse é meu calvário!
E penso em tanta energia gasta, em quantas coisas boas eu poderia estar fazendo, realizando, como eu poderia estar produzindo, construindo, concluindo.... mas não, passo dias e noites com o coração apertado, doendo, sofrendo, me indignando com a (in)Justiça e comportamento sem ética desses avós de Dora.
Hoje completa um ano que Dora foi levada. Um ano! E eu, que nunca fui de guardar rancor, sou um poço de tristeza e mágoa. Quanto arrependimento! Como deixei uma pessoa acabar com minha vida? Nada nunca me causou tanta dor, nem a morte da minha melhor amiga *, que ainda me encontra em sonhos. Com a morte a gente tem que se conformar. Com a separação forçada de um filho, não. Isso mata e mata a cada dia. Eu sei que erro e erro muito. E tem dias que só dá vontade de chorar... para tentar colocar essa mágoa para fora.
Mudanças
Estou em Ribeirão Preto - SP. Ontem foi aniversário de Dora e lhe enviei flores. Pedi na floricultura que entregassem em mãos. Isso não foi feito porque disseram que Dora não estava. Mas o pessoal da floricultura ligou hoje e falou com a avó Ed Melo Golfeto. Disse que sim, entregaram. Até o pessoal da floricultura ficou indignado com a situação. Liguei para falar com Dora, desligaram.Deixei recado que estou na cidade e aqui ficarei até o final do mês, vou encontrar Dora nem que seja passeando no shopping...
Eles podem pedir ordem de restrição? Tudo bem, estou restrita com 500 km de distância. Aqui as pessoas vão poder me conhecer, vão olhar nos meus olhos e acreditar em mim. Sem falsa modéstia, porque nunca fui modesta mesmo, tenho uma credibilidade incrível. As pessoas acreditam em mim, simplesmente porque falo a verdade e minhas atitudes são condizentes com meus atos.
Agora "só" estou escrevendo o livro sobre o jogador Djalma Santos. Posso escrever de qualquer lugar e, quando tiver de ir até Uberaba completar as entrevistas, Ribeirão Preto fica mais perto. Tenho amigos nesta cidade, posso ir em casas variadas para não incomodar ninguém, até ter minha residência aqui. Sim, mudarei para Ribeirão Preto. Algumas pessoas tinham me aconselhado isso, mas achei que Dora deveria voltar para Santos, lá era a vida dela, tudo dela era lá... um ano depois, sem contato nenhum com família, amigos, cidade... não é mais.
Aqui também poderei mostrar quem são as pessoas "maravilhosas" que estão com Dora. E sei que minha simpatia atrairá mais simpatizantes para essa causa. E com o meu currículo, contatos e experiência, logo estarei em alguma mídia importante desta cidade. Já morei 1 ano e meio nesta cidade, no final dos anos 80, adolescente. Esse clima quente e seco nunca me agradou, mas as pessoas sempre me agradaram muito. Mas sei que logo farei amizade com os pais de amigos de Dora, na escola, no balé. Família Golfeto, me aguarde!
* Insisto em dizer que o avô de Dora é psiquiatra infantil porque me causa imensa indignação a total falta de ética deste homem. Ainda bem que se aposentou da USP, nem quero imaginar o que ensinou para seus pobres alunos.
* Ana Paula Rodrigues Assumpção foi-se prematuramente, aos 18 anos, no dia 29/04/90, deixando uma saudade imensa em tanta gente que a amava. E deixando comigo muitas das melhores lembranças da minha adolescência. Continuo amiga de sua família, o irmão Fernando, os pais Eduardo e Ana, todas as tias e primos. E de Val, a cunhada que não teve a oportunidade de conhecer essa garota fantástica...
Histórias reais do meu cotidiano, das pessoas ao meu redor, longe de mim e comigo sempre.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Feliz Aniversário Dorinha
Hoje Dora completa 10 anos! Como passou rápido. Lembro cada momento do dia que ela nasceu. Nascimento do primeiro filho é muito marcante. Passamos para um estágio novo da vida, do amor incondicional e absoluto. Até Dora nascer eu tinha uma vaga ideia do que era o amor. Depois dela só amei com intensidade, inteira, com vontade. Depois que Dora nasceu passei a questionar mais atitudes, desejos, ideais, fez mais sentido tanta coisa e tantas outras perderam o sentido.
No primeiro aniversário de Dora fiz uma festa em São Paulo, onde morávamos. O pai dela, Jonas Golfeto, chegou atrasado, pois na noite anterior havia sido a festa de formatura de sua irmã, Raquel Golfeto. Ligou no meio da festa, pedindo para eu ir buscá-lo ou algum amigo meu... claro que ninguém deixou a festa para isso. Jonas chegou, já nem tinha filme na máquina fotográfica (eu tinha uma Pentax S10, digital era para poucos em 2003). Na semana seguinte houve outra festa no Guarujá, na casa da minha prima Kátia. Ninguém da família Golfeto foi, todos foram convidados.
Posso relembrar e enumerar todos os aniversários de Dora. Menos esse. Os 10 anos de Dora não terão mãe, nem irmã, nem seus melhores amigos. Com certeza ela terá uma bela festa, em que ninguém que fez parte da sua vida será convidado. Dora está numa nova casa, nova escola, novos amigos, novo quarto, novos brinquedos... tudo novo na sua vida, para que esqueça o que teve comigo... como um avô psiquiatra infantil permite isso?
Há um ano choro todos os dias. Não o dia inteiro, mas todos os dias. Às vezes mais, outras menos, no banho, no quarto, no carro, viajando, lendo...há 364 dias levaram Dora e nunca mais nos vimos. Já fui na casa dos avós, mas chamaram os guardinhas do bairro, ligo todos os dias, mas desligam. A Justiça? O juiz Ricardo Braga Monte Serrat nem é mais o juiz do processo, estamos sem juiz! Mesmo assim depois de 7 meses da contestação da outra parte, é esse mesmo juiz que pede para minha advogada contestar a contestação. Sarcasticamente falou para minha advogada que ele demora porque em Ribeirão Preto é muito quente, por isso não pensa direito. Repetiu minhas palavras, do que escrevi nesse blog... culpa minha então? Devemos concordar com todo o sistema corrupto, moroso, arraigado em valores e Leis ultrapassadas? Devo aceitar o inaceitável? Devo achar normal que quem acusa primeiro (sem provas) tome a guarda? Agora de ¨vingancinha¨, o juiz não vai deixar Dora ver a mãe? No meu entender, um juiz de Vara de Família deveria se preocupar com o bem estar da menor! Mas ego e vaidade não combinam com Justiça!
Tenho que ficar calada e parar de escrever? Acho absurdo que um promotor que nunca tenha visto a minha cara e de minha filha me proíba de vê-la, graças às mentiras escritas por Danilo Murari, um dos advogados de Jonas Golfeto. Eu queria muito mesmo ser diferente. Saber calar diante de injustiças, saber ficar fria diante de provocações ridículas, mas não posso deixar minha essência, eu já morro a cada dia, mais rápido do que morreria naturalmente. Ainda na escola eu brigava com quem tratasse mal meus amigos de óculos ou gordos. Na natação também. Aliás, quem tratasse mal qualquer um! Eu não sou apenas capaz de morrer por minhas filhas. Sou capaz de morrer por qualquer um que precise de ajuda, pois não saberia viver como uma omissa.
Só espero que você Dorinha, não mude sua essência. Continue generosa, inteligente, meiga e feliz. Que continue gostando de tudo e todos que gostava e que não se deixe influenciar pelos seus atuais tutores (quem mesmo cuida de Dora? Não sei). Queria te dizer, Dorinha, que todos os seus amigos estão bem, mas não posso afirmar isso, pois não sei de muitos de seus amigos. Há 6 meses, ninguém liga mais para saber de Dora, acabei me afastando de pais que fiz amizade por conta de Dora. Não faz sentido ir na casa da melhor amiga de Dora, sem Dora, sem notícias de Dora. Já tem criança demais sofrendo... não é seu psiquiatra infantil avô de Dora?
Eu não sei quanto tempo vou suportar viver assim...
No primeiro aniversário de Dora fiz uma festa em São Paulo, onde morávamos. O pai dela, Jonas Golfeto, chegou atrasado, pois na noite anterior havia sido a festa de formatura de sua irmã, Raquel Golfeto. Ligou no meio da festa, pedindo para eu ir buscá-lo ou algum amigo meu... claro que ninguém deixou a festa para isso. Jonas chegou, já nem tinha filme na máquina fotográfica (eu tinha uma Pentax S10, digital era para poucos em 2003). Na semana seguinte houve outra festa no Guarujá, na casa da minha prima Kátia. Ninguém da família Golfeto foi, todos foram convidados.
Posso relembrar e enumerar todos os aniversários de Dora. Menos esse. Os 10 anos de Dora não terão mãe, nem irmã, nem seus melhores amigos. Com certeza ela terá uma bela festa, em que ninguém que fez parte da sua vida será convidado. Dora está numa nova casa, nova escola, novos amigos, novo quarto, novos brinquedos... tudo novo na sua vida, para que esqueça o que teve comigo... como um avô psiquiatra infantil permite isso?
Há um ano choro todos os dias. Não o dia inteiro, mas todos os dias. Às vezes mais, outras menos, no banho, no quarto, no carro, viajando, lendo...há 364 dias levaram Dora e nunca mais nos vimos. Já fui na casa dos avós, mas chamaram os guardinhas do bairro, ligo todos os dias, mas desligam. A Justiça? O juiz Ricardo Braga Monte Serrat nem é mais o juiz do processo, estamos sem juiz! Mesmo assim depois de 7 meses da contestação da outra parte, é esse mesmo juiz que pede para minha advogada contestar a contestação. Sarcasticamente falou para minha advogada que ele demora porque em Ribeirão Preto é muito quente, por isso não pensa direito. Repetiu minhas palavras, do que escrevi nesse blog... culpa minha então? Devemos concordar com todo o sistema corrupto, moroso, arraigado em valores e Leis ultrapassadas? Devo aceitar o inaceitável? Devo achar normal que quem acusa primeiro (sem provas) tome a guarda? Agora de ¨vingancinha¨, o juiz não vai deixar Dora ver a mãe? No meu entender, um juiz de Vara de Família deveria se preocupar com o bem estar da menor! Mas ego e vaidade não combinam com Justiça!
Tenho que ficar calada e parar de escrever? Acho absurdo que um promotor que nunca tenha visto a minha cara e de minha filha me proíba de vê-la, graças às mentiras escritas por Danilo Murari, um dos advogados de Jonas Golfeto. Eu queria muito mesmo ser diferente. Saber calar diante de injustiças, saber ficar fria diante de provocações ridículas, mas não posso deixar minha essência, eu já morro a cada dia, mais rápido do que morreria naturalmente. Ainda na escola eu brigava com quem tratasse mal meus amigos de óculos ou gordos. Na natação também. Aliás, quem tratasse mal qualquer um! Eu não sou apenas capaz de morrer por minhas filhas. Sou capaz de morrer por qualquer um que precise de ajuda, pois não saberia viver como uma omissa.
Só espero que você Dorinha, não mude sua essência. Continue generosa, inteligente, meiga e feliz. Que continue gostando de tudo e todos que gostava e que não se deixe influenciar pelos seus atuais tutores (quem mesmo cuida de Dora? Não sei). Queria te dizer, Dorinha, que todos os seus amigos estão bem, mas não posso afirmar isso, pois não sei de muitos de seus amigos. Há 6 meses, ninguém liga mais para saber de Dora, acabei me afastando de pais que fiz amizade por conta de Dora. Não faz sentido ir na casa da melhor amiga de Dora, sem Dora, sem notícias de Dora. Já tem criança demais sofrendo... não é seu psiquiatra infantil avô de Dora?
Eu não sei quanto tempo vou suportar viver assim...
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
A Vida Sem Dora
Não tivesse o tempo tanta importância, eu não sofreria desta forma mórbida. Chega perto uma data de nascimento e morte. Dia 9 de fevereiro completa 10 anos que nasceu Dora. Dia 10 um ano que foi arrancada de forma brutal da minha vida. E tudo que era seu continua aqui, no mesmo lugar. Como o quarto do filho que morreu. Não há mais sua voz, sua música, nem sua brilhante presença. Dora está viva, mas dela só restam lembranças e um passado distante.
Para Miranda, que irá completar 3 anos no próximo dia 16, a irmã é como um fantasma. Por diversas vezes me vejo comparando atitudes, aptidões e preferências entre as duas. Miranda já não fala mais para eu “parar de ficar triste porque a Doinha vai voltar”. Agora quando eu digo que vamos viajar para determinado lugar, mas esperaremos a Dorinha voltar, determina: “Não vamos esperar, não, mamãe. A Doinha tá demorando muito”. Essa é a sabedoria inata do ser humano, que na maioria das vezes mingua após a infância.
Miranda me mostra que preciso continuar vivendo mesmo sem Dora, porque, se continuar assim, acabarei não vendo nenhuma das duas crescer. E é tão doloroso viver oficialmente afastada da filha, por vontade da família dela, com autorização judicial para nos separar indeterminadamente... tão triste não poder ir até a escola Albert Sabin de Ribeirão Preto ou em alguma apresentação do Ballet Carla Petroni, porque Jonas Golfeto, o pai, ou os avós, José Hércules Golfeto e Ed, podem chamar a polícia (como os avós já fizeram).
Não posso imaginar Dora tanto tempo sem me ver e ainda ter que presenciar a polícia me levando, como uma criminosa. E os novos amiguinhos vendo tudo isso. Não, iria desmoronar de novo sua vida. Sua nova vida, que está prestes a completar um ano! Será que irão comemorar os 10 anos de Dora ou 1 ano da nossa separação? Da aparição de Jonas Golfeto em rede nacional, pela TV Globo? Os nefastos tem muito a comemorar.
E há um ano todas as pessoas que faziam parte da vida de Dora foram brutalmente assassinadas. Como se um grande Tsunami tivesse banido a Baixada Santista e todo o litoral paulista e fluminense. Como se não houvesse tecnologia capaz de conectá-la aos amigos bloqueados de sua vida.
Que o magistrado não entenda isso, já que são tantos processos e ações e burocracia e casos até piores, até vá lá. Que juiz e promotor tirem uma da minha cara, dizendo que essa ação só vai acabar em Brasília e que minha filha completará 18 anos antes, suporto. Mas como os avós, psiquiatra e psicóloga, não são capazes de entender a monstruosidade que estão fazendo com tantas vidas? E até com suas próprias vidas. Não acredito que alguém possa ser feliz agindo desta forma. Matando todas as pessoas que existiram para Dora. Matando Dora para todos os seus amigos!
Enquanto isso vivo de lembranças de tempos livres, das viagens que fiz com Dora, parando em praias lindas, remando até ilhas, dormindo em barcos na noite de lua cheia. De seu desejo precoce em ser bióloga marinha. Em que praia agora ela alimenta essa vontade? De quando dançava pela casa e pela rua, vivendo eternamente um musical. Eu só queria poder me despedir da minha filha e poder abraçá-la mais uma vez.
Pedi para minha advogada que fizesse uma liminar para que eu pudesse abraçar minha filha no dia 9 de fevereiro, quando ela completa 10 anos. A reposta é que pedido para judiciário tem limite. Pedir para abraçar minha filha, após um ano, no dia do seu aniversário, é passar dos limites...
Para Miranda, que irá completar 3 anos no próximo dia 16, a irmã é como um fantasma. Por diversas vezes me vejo comparando atitudes, aptidões e preferências entre as duas. Miranda já não fala mais para eu “parar de ficar triste porque a Doinha vai voltar”. Agora quando eu digo que vamos viajar para determinado lugar, mas esperaremos a Dorinha voltar, determina: “Não vamos esperar, não, mamãe. A Doinha tá demorando muito”. Essa é a sabedoria inata do ser humano, que na maioria das vezes mingua após a infância.
Miranda me mostra que preciso continuar vivendo mesmo sem Dora, porque, se continuar assim, acabarei não vendo nenhuma das duas crescer. E é tão doloroso viver oficialmente afastada da filha, por vontade da família dela, com autorização judicial para nos separar indeterminadamente... tão triste não poder ir até a escola Albert Sabin de Ribeirão Preto ou em alguma apresentação do Ballet Carla Petroni, porque Jonas Golfeto, o pai, ou os avós, José Hércules Golfeto e Ed, podem chamar a polícia (como os avós já fizeram).
Não posso imaginar Dora tanto tempo sem me ver e ainda ter que presenciar a polícia me levando, como uma criminosa. E os novos amiguinhos vendo tudo isso. Não, iria desmoronar de novo sua vida. Sua nova vida, que está prestes a completar um ano! Será que irão comemorar os 10 anos de Dora ou 1 ano da nossa separação? Da aparição de Jonas Golfeto em rede nacional, pela TV Globo? Os nefastos tem muito a comemorar.
E há um ano todas as pessoas que faziam parte da vida de Dora foram brutalmente assassinadas. Como se um grande Tsunami tivesse banido a Baixada Santista e todo o litoral paulista e fluminense. Como se não houvesse tecnologia capaz de conectá-la aos amigos bloqueados de sua vida.
Que o magistrado não entenda isso, já que são tantos processos e ações e burocracia e casos até piores, até vá lá. Que juiz e promotor tirem uma da minha cara, dizendo que essa ação só vai acabar em Brasília e que minha filha completará 18 anos antes, suporto. Mas como os avós, psiquiatra e psicóloga, não são capazes de entender a monstruosidade que estão fazendo com tantas vidas? E até com suas próprias vidas. Não acredito que alguém possa ser feliz agindo desta forma. Matando todas as pessoas que existiram para Dora. Matando Dora para todos os seus amigos!
Enquanto isso vivo de lembranças de tempos livres, das viagens que fiz com Dora, parando em praias lindas, remando até ilhas, dormindo em barcos na noite de lua cheia. De seu desejo precoce em ser bióloga marinha. Em que praia agora ela alimenta essa vontade? De quando dançava pela casa e pela rua, vivendo eternamente um musical. Eu só queria poder me despedir da minha filha e poder abraçá-la mais uma vez.
Pedi para minha advogada que fizesse uma liminar para que eu pudesse abraçar minha filha no dia 9 de fevereiro, quando ela completa 10 anos. A reposta é que pedido para judiciário tem limite. Pedir para abraçar minha filha, após um ano, no dia do seu aniversário, é passar dos limites...
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
A Luta e a Morte de Elaine César
Elaine César, 42 anos, pessoa que talvez não tivesse conhecido não fosse nossas histórias parecidas. A de Elaine é ainda mais dolorosa e injusta. Fotógrafa, documentarista, trabalhava na renomada e aplaudida trupe do controverso (como todas as pessoas geniais) Zé Celso. Grávida do segundo marido, vê sua vida mudar quando oficiais de Justiça invadem sua casa e apreendem seu material de trabalho: computadores, DVDs, material de pesquisa. Tudo seria levado para investigar a acusação de abuso sexual que seu ex marido e pai de seu primeiro filho, fez. A guarda também foi "transferida" para o pai. O menino foi levado da cidade de São Paulo para Brasília e Elaine proibida de vê-lo, não fosse sob monitoramento.
Até aí várias semelhanças. Só que Elaine já estava grávida de seu segundo filho. E descobre que tem câncer linfático. Então sobreviveu ao calvário de perícias, ações, audiências, idas e vindas de avião (até onde seu corpo aguentou), de 15 em 15 dias, para ter alguns momentos com seu filho.
Não lembro se foi ela que me procurou primeiro ou o contrário. Mas li dois posts de seu blog Gravidez, Câncer e Alienção Parental e acreditei em todas as palavras. Era uma profissional de sucesso, com sólida carreira num meio disputado, árduo, tortuoso. Era linda, inteligente, com milhões de amigos. Escrevia com alma, com sentimento, com amor. Só podia ser tudo verdade mesmo. Com ela aconteceu igual. Não precisei provar nada, acreditava em todas as minhas palavras. Quando viu a matéria no Profissão Repórter, então, como conhecedora das artes cênicas - casada inclusive com um ator - reconheceu a canastrice e impáfia da outra parte.
Então passamos a trocar emails de desabafo, alguns muito engraçados até e também ideias de trabalho. Ela estava numa produção acelerada, escrevia compulsivamente, ideias brilhantes que ainda não poderiam ser executadas.
Confessou que quando me procurou foi pensando em fazer um documentário sobre o meu caso e de Dora, mas depois percebeu que tudo isso era muito maior. Eu mesma me encarreguei de levantar várias injustiças parecidas, de filhos arrancados das mães por ex vingativos e por negligência judicial. Passamos a nos escrever com mais frequência. Só quem passa por isso, ser separada de um fiho pela Justiça e injustamente, sabe o tamanho dessa dor, dessa raiva.
E num desses dias que a gente acorda só querendo escrever uma carta de despedida, porque parece impossível vencer a dor da saudade e lutar contra um sistema inteiro, escrevi um texto deprimente e postei. Para minha sorte Elaine César e Cassandra Melo (atriz, uma de suas melhores amigas) foram das primeiras a ler. Elaine entra online: "tira isso agora e me liga já!". Obedeci como a criança que fez "arte". Chorava tanto que não conseguia ligar... como posso ser tão covarde?
Cassandra me ligou e foi assim que tive contato com essa outra alma fantástica. Uma rede de apoio surgiu quando eu estava rompendo ao meio. E Elaine, do alto da sua gravidez de risco, vítima de uma acusação hedionda e na batalha contra uma doença cruel, me confortou. Quanta luz!
Sempre dizia para ela como achava incrível que uma única pessoa péssima era capaz de causar um estrago que 500 boas não eram capazes de consertar. Foi isso que fizeram os pais de nossos filhos. E combinamos que nossas crias seriam amigos, porque só uma criança que passa por isso pode entender a outra.
O filho de Elaine voltou para ela, logo depois que o caçula nasceu, muito saudável, por sinal. A Justiça percebeu o crime que estava fazendo, separando o filho da mãe, que estava com uma doença fatal. Será que ter enfrentado tudo isso junto não minou suas forças?
O brilho dela era intenso. Não exagero em dizer que foi uma perda para a raça humana, porque, além de tudo, essa mulher era uma multiplicadora de opinião. Sua forma sensata de encarar o insustentável é a evolução da espécie. Ainda bem que deixou registrada sua história, que não parou de escrever. Seus filhos sempre saberão quem foi essa mãe maravilhosa, que nunca desistiu de lutar. Assim como fazem os heróis de verdade.
O brilho dela era intenso. Não exagero em dizer que foi uma perda para a raça humana, porque, além de tudo, essa mulher era uma multiplicadora de opinião. Sua forma sensata de encarar o insustentável é a evolução da espécie. Ainda bem que deixou registrada sua história, que não parou de escrever. Seus filhos sempre saberão quem foi essa mãe maravilhosa, que nunca desistiu de lutar. Assim como fazem os heróis de verdade.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Carta Aberta ao Médico Psiquiatra Infantil José Hércules Golfeto
Além da especialização na infância, esse médico é também avô de minha filha Dora, de 10 anos. Há um ano e meio Dora mora em sua casa e ele não permite que nos falemos ao telefone
Senhor José Hércules Golfeto, como não entendo suas respostas, nas poucas vezes que falou comigo ao telefone e não o desligou na minha cara, venho por meio dessa suplicar que responda também publicamente, para que mais pessoas tentem entender tamanha contradição. Gostaria também que mais pessoas soubessem, principalmente àquelas que confiam seus filhos aos seus cuidados psiquiátricos, o que o senhor admite dentro de sua própria casa. Pior, o que faz com sua própria neta, uma criança, de 9 anos.
É fato que Dora Mendes Golfeto, minha filha tão amada, foi levada com busca e apreensão de menor, no dia 10 de fevereiro de 2011. Está tudo devidamente documentado pela equipe do Profissão Repórter, da Rede Globo. Outro fato é que tenho vários emails do senhor dizendo que jamais fariam busca e apreensão. Afinal, seria extremamente traumático para Dora ser arrancada da mãe, diz ainda que deveria voltar a ter contato com a família paterna aos poucos.
Pois Dora foi levada. E diretamente para sua casa, em Ribeirão Preto. Outro fato é que até então Jonas Golfeto, seu filho e pai de Dora, morava em São Paulo, no bairro de Perdizes, na rua Diana. Até abril de 2011 fiquei sem saber onde Dora estava morando e o senhor, que até então atendia minhas ligações em seu consultório, dizia também não saber. "Jonas não me conta nada, sabe como é meu relacionamento com Jonas, só meias palavras". A verdade é que Dora já morava em sua casa. Já estudava no Colégio Albert Sabin, já bailava...
A partir do momento que descubro tal fato o senhor me proíbe de falar com ela. Ligo diariamente, várias vezes por dia. Não atendem, quando atendem, desligam. Quando o senhor, desprevenidamente atende, diz que não manda nada, quem manda é Jonas, ele tem a guarda, ele decide. O fato é que Dora mora em sua casa. O senhor pode sim chamá-la e dizer para que atenda sua mãe. Mais que isso, pode liberar Dora para que fale com a mãe, com a irmã e com todos os amigos de quem foi brutalmente afastada.
Diga-me, doutor psiquitara José Hércules Golfeto, me responda e a todos os pais que se preocupam com a saúde mental de seus filhos: o senhor concorda em afastar uma criança de 9 anos de sua mãe? Proibi-la de ter contato com qualquer pessoa que tenha feito parte desses seus primeiros 9 anos de vida?
Dora é uma "criatura fantástica", em suas próprias palavras, em email que me endereçou. Ora, se é tão educada, meiga, disciplinada, inteligente, carinhosa, atenta... quem a criou mesmo? Fui eu. Por mais que eu tenha errado, criei uma "criatura fantástica". E estou criando outra. Por mais que vocês tentem fazer Dora esquecer, ela tem uma irmã. Dora é irmã de Miranda e vocês estão separando duas irmãs.
De novo, o senhor, como psiquiatra infantil, acha saudável afastar assim duas irmãs? Dora foi levada uma semana antes de Miranda completar 2 anos! Ela nem sabe que Miranda canta, dança, conta histórias. Ela não tem nem uma foto da irmã, pois deixei fotos, roupas, livros com minha amiga Paola Miorim, em Ribeirão Preto e não permitiram que Dora tivesse acesso às suas coisas. Jonas negou-se a falar por telefone com Paola, que só queria encontrá-lo para entregar fotos, livros para Dora.
O que o senhor acha que pensariam todos os pais que confiaram ao senhor a saúde mental dos seus filhos ao saber o que faz em sua própria casa, com sua própria neta? O senhor não aprendeu errando na educação equivocada do filho Jonas Golfeto? O senhor vai continuar errando até quando? Até quando usará pessoas para experiências psicanalíticas e psiquiátricas?
O senhor não se envergonha de usar seu título de doutor para repetir que eu preciso de tratamento sem nunca ter me consultado? Isso é ético? Tenho também suas mensagens me indicando tratamento...
E mais: não é muito triste ter mais de 70 anos e ser conivente com o afastamento de uma criança incrível de sua vida? No próximo dia 9 de fevereiro Dora completará 10 anos. Imagino que irão fazer uma festa de rainha para ela. Será que Dora estará realmente feliz em ter apenas convidados que conhece há um ano? Onde estarão suas amiguinhas do jardim de infância, sua mãe, seus primos, sua irmã, sua vó Laura? Ou a comemoração vai acontecer no dia 10 de fevereiro, quando completa um ano que Dora foi arrancada da escola em Rede Nacional? Com certeza o senhor deve ter muito o que comemorar!
Ah, sim, o avô Abel já morreu, logo após o Natal. Mas é fato que eu e minha mãe, de 76 anos, ligamos em horários diferentes para tentar falar com Dora, no dia 25 de dezembro, mas o senhor não deixou. Mais uma vez disse que só Jonas poderia autorizar.
O senhor não se envergonha de afirmar que seu filho que manda? Ora, o senhor sempre o amparou, não só financeiramente, mas em seus delírios também. Até aí é seu filho, tudo bem. Mas Dora... ela tem mãe! O senhor nega a maternidade de Dora, é conivente com o crime de alienação parental. E tem a sorte do apoio da Justiça, sempre tão lenta. Dora irá crescer sem mãe e sem irmã. O senhor matou o passado de Dora.
O que pensarão seus alunos e colegas do curso de medicina da USP de Ribeirão Preto? Será que concordam com sua total submissão às ordens de seu filho Jonas Golfeto? Não seria a hora de mostrar um pouco de autoridade, pelo bem de Dora? Ou o senhor é submisso ou concorda com tudo isso. Qualquer uma das duas respostas é ruim, mas a última é pior, considerando a profissão escolhida para exercer.
Seria ótimo ter uma resposta, não só como mãe de Dora, mas como uma cidadã que começa a duvidar da ética de muitas profissões. Se tiver um pouco de dignidade, responda doutor José Hércules Golfeto, responda por esse blog mesmo. Muitas pessoas aguardam uma resposta. Se não responder, o seu silêncio será a resposta afirmativa sobre a crueldade que o senhor sabe que está fazendo. O senhor assume que está traumatizando extremamente sua neta Dora Mendes Golfeto? Como um psiquiatra infantil pode fazer isso?
Em tempo, a quem interessar possa o endereço do consultório deste psiquiatra infantil é:
Rua Marquez de Valença, 33, Alto da Boa Vista, Ribeirão Preto, cep: 14025 -010, tel (16) 3911 5917.
Senhor José Hércules Golfeto, como não entendo suas respostas, nas poucas vezes que falou comigo ao telefone e não o desligou na minha cara, venho por meio dessa suplicar que responda também publicamente, para que mais pessoas tentem entender tamanha contradição. Gostaria também que mais pessoas soubessem, principalmente àquelas que confiam seus filhos aos seus cuidados psiquiátricos, o que o senhor admite dentro de sua própria casa. Pior, o que faz com sua própria neta, uma criança, de 9 anos.
É fato que Dora Mendes Golfeto, minha filha tão amada, foi levada com busca e apreensão de menor, no dia 10 de fevereiro de 2011. Está tudo devidamente documentado pela equipe do Profissão Repórter, da Rede Globo. Outro fato é que tenho vários emails do senhor dizendo que jamais fariam busca e apreensão. Afinal, seria extremamente traumático para Dora ser arrancada da mãe, diz ainda que deveria voltar a ter contato com a família paterna aos poucos.
Pois Dora foi levada. E diretamente para sua casa, em Ribeirão Preto. Outro fato é que até então Jonas Golfeto, seu filho e pai de Dora, morava em São Paulo, no bairro de Perdizes, na rua Diana. Até abril de 2011 fiquei sem saber onde Dora estava morando e o senhor, que até então atendia minhas ligações em seu consultório, dizia também não saber. "Jonas não me conta nada, sabe como é meu relacionamento com Jonas, só meias palavras". A verdade é que Dora já morava em sua casa. Já estudava no Colégio Albert Sabin, já bailava...
A partir do momento que descubro tal fato o senhor me proíbe de falar com ela. Ligo diariamente, várias vezes por dia. Não atendem, quando atendem, desligam. Quando o senhor, desprevenidamente atende, diz que não manda nada, quem manda é Jonas, ele tem a guarda, ele decide. O fato é que Dora mora em sua casa. O senhor pode sim chamá-la e dizer para que atenda sua mãe. Mais que isso, pode liberar Dora para que fale com a mãe, com a irmã e com todos os amigos de quem foi brutalmente afastada.
Diga-me, doutor psiquitara José Hércules Golfeto, me responda e a todos os pais que se preocupam com a saúde mental de seus filhos: o senhor concorda em afastar uma criança de 9 anos de sua mãe? Proibi-la de ter contato com qualquer pessoa que tenha feito parte desses seus primeiros 9 anos de vida?
Dora é uma "criatura fantástica", em suas próprias palavras, em email que me endereçou. Ora, se é tão educada, meiga, disciplinada, inteligente, carinhosa, atenta... quem a criou mesmo? Fui eu. Por mais que eu tenha errado, criei uma "criatura fantástica". E estou criando outra. Por mais que vocês tentem fazer Dora esquecer, ela tem uma irmã. Dora é irmã de Miranda e vocês estão separando duas irmãs.
De novo, o senhor, como psiquiatra infantil, acha saudável afastar assim duas irmãs? Dora foi levada uma semana antes de Miranda completar 2 anos! Ela nem sabe que Miranda canta, dança, conta histórias. Ela não tem nem uma foto da irmã, pois deixei fotos, roupas, livros com minha amiga Paola Miorim, em Ribeirão Preto e não permitiram que Dora tivesse acesso às suas coisas. Jonas negou-se a falar por telefone com Paola, que só queria encontrá-lo para entregar fotos, livros para Dora.
O que o senhor acha que pensariam todos os pais que confiaram ao senhor a saúde mental dos seus filhos ao saber o que faz em sua própria casa, com sua própria neta? O senhor não aprendeu errando na educação equivocada do filho Jonas Golfeto? O senhor vai continuar errando até quando? Até quando usará pessoas para experiências psicanalíticas e psiquiátricas?
O senhor não se envergonha de usar seu título de doutor para repetir que eu preciso de tratamento sem nunca ter me consultado? Isso é ético? Tenho também suas mensagens me indicando tratamento...
E mais: não é muito triste ter mais de 70 anos e ser conivente com o afastamento de uma criança incrível de sua vida? No próximo dia 9 de fevereiro Dora completará 10 anos. Imagino que irão fazer uma festa de rainha para ela. Será que Dora estará realmente feliz em ter apenas convidados que conhece há um ano? Onde estarão suas amiguinhas do jardim de infância, sua mãe, seus primos, sua irmã, sua vó Laura? Ou a comemoração vai acontecer no dia 10 de fevereiro, quando completa um ano que Dora foi arrancada da escola em Rede Nacional? Com certeza o senhor deve ter muito o que comemorar!
Ah, sim, o avô Abel já morreu, logo após o Natal. Mas é fato que eu e minha mãe, de 76 anos, ligamos em horários diferentes para tentar falar com Dora, no dia 25 de dezembro, mas o senhor não deixou. Mais uma vez disse que só Jonas poderia autorizar.
O senhor não se envergonha de afirmar que seu filho que manda? Ora, o senhor sempre o amparou, não só financeiramente, mas em seus delírios também. Até aí é seu filho, tudo bem. Mas Dora... ela tem mãe! O senhor nega a maternidade de Dora, é conivente com o crime de alienação parental. E tem a sorte do apoio da Justiça, sempre tão lenta. Dora irá crescer sem mãe e sem irmã. O senhor matou o passado de Dora.
O que pensarão seus alunos e colegas do curso de medicina da USP de Ribeirão Preto? Será que concordam com sua total submissão às ordens de seu filho Jonas Golfeto? Não seria a hora de mostrar um pouco de autoridade, pelo bem de Dora? Ou o senhor é submisso ou concorda com tudo isso. Qualquer uma das duas respostas é ruim, mas a última é pior, considerando a profissão escolhida para exercer.
Seria ótimo ter uma resposta, não só como mãe de Dora, mas como uma cidadã que começa a duvidar da ética de muitas profissões. Se tiver um pouco de dignidade, responda doutor José Hércules Golfeto, responda por esse blog mesmo. Muitas pessoas aguardam uma resposta. Se não responder, o seu silêncio será a resposta afirmativa sobre a crueldade que o senhor sabe que está fazendo. O senhor assume que está traumatizando extremamente sua neta Dora Mendes Golfeto? Como um psiquiatra infantil pode fazer isso?
Em tempo, a quem interessar possa o endereço do consultório deste psiquiatra infantil é:
Rua Marquez de Valença, 33, Alto da Boa Vista, Ribeirão Preto, cep: 14025 -010, tel (16) 3911 5917.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Respeito e Liberdade
Para quem não sabe, Spirit é um longa de animação infantil. É a história de um corcel selvagem, nascido na América do Norte. Do ponto de vista de Spirit acompanhamos a colonização feita pelos ingleses, suas formas de dominar índios e animais. Sentimos a liberdade de viver nas montanhas e correr velozmente entre companheiros de espécie, o respeito com os diferentes e a harmonia com a natureza. Os colonizadores prendem Spirit, que vê seus semelhantes conformados, obedientes. Mas Spirit não se entrega. Prefere perder a vida que a liberdade. Por ser tão corajoso e independente é preso e torturado, tiram-lhe a comida e a água.
Esse filme vi pela primeira vez em 2005, com Dorinha, que chorou em algumas cenas, mas ficou tão feliz no final que pedia para ver e rever, desejo comum entre as crianças. E agora passo pela mesma experiência com Miranda. Ela ama Spirit em especial e os animais em geral. E de novo me vejo numa situação parecida com a de Spirit. Me tiraram a liberdade de falar com minha própria filha! E a verdade é que a outra parte quer me ver presa. Acho mesmo que o ator Jonas Golfeto não está satisfeito em me separar de minha filha por tanto tempo. Seu objetivo é acabar totalmente com minha liberdade, é me ver presa. Ele não quer nem que eu escreva o que penso e sinto nesse blog! Por que será que a independência e a liberdade incomodam tanto pessoas medíocres e limitadas?
Só sei que o sistema judiciário colabora com quem não tem pressa. No próximo dia 10 completará um ano que não vejo, nem falo com minha filha Dora. Com total consentimento judicial. Mas alienação parental não é crime? Não parece ser em Ribeirão Preto, onde todos sabem que não me deixam falar com minha filha há quase um ano... e nada acontece! E o que dizer dos avós? José Hércules Golfeto e Ed Melo Golfeto, tão eficientes em alienar. Ela psicóloga, ele psiquiatra infantil. Ambos criaram um alienado e agora alienam minha filha.
Numa das inúmeras vezes que liguei na residência dos avós, onde minha filha mora, acho que deixaram o telefone fora do gancho, talvez de propósito, então pude ouvir um diálogo esclarecedor. A avó, que tem como hobby preferido fazer compras em shopping center (era seu passeio favorito quando ia para São Paulo "visitar" a neta), chama Dora para ver uma coleção de sapatos novos! Dora fica extasiada. Escuto seus gritos de felicidade falando das cores e modelos de sapatos. Ela escolhe um e avó fala: "Mas este está tão velhinho!". Nenhum sapato pode ter mais de 10 meses e está velhinho... quais futilidades estarão incutindo na cabeça da minha filha? Dora faz uma combinação e o avô diz que parece uma escola de samba. Dora pede para ir na piscina, falam para ligar para tia Raquel Golfeto. Ela pega o telefone. Escuto sua voz, meu coração vai na boca. Dora diz que está mudo. "Deve ser a mamãe tentando ligar". O avô responde. "Mas ela liga e desliga, não fala nada". Dupla de alienadores mentirosos! Percebam que o pai não está na cena. Podia até estar na casa, provavelmente dormindo ou mergulhado no computador.
E assim sigo de longe imaginando o que estão fazendo com minha filha. Talvez a transformem numa consumista, mimada e alienada. A pessoa é parte sua genética, mas é muito o ambiente em que é criada. Dora chegou lá uma criatura fantástica, como escreveu o próprio avô num email direcionado a mim. E agora? Como estará Dora?
Espero que ela lembre de Spirit e não desista nunca de ser livre. No filme, o corcel se deixa dominar por Lakota, o índio que tornou-se seu parceiro na fuga dos colonizadores. Spirit deixa-se dominar por respeito e amizade. Assim como Lakota o deixa ir quando bem queira, porque assim agem as pessoas livres. Não há como se impor respeito, ele vem com a admiração. A imposição traz o medo. E o medo é o sentimento que prosta.
Só sei que a outra parte, Jonas Golfeto, é muito boa em vingança. Sabe que sou completamente livre e independente. E que me tirar isso é a maior vingança.
Esse filme vi pela primeira vez em 2005, com Dorinha, que chorou em algumas cenas, mas ficou tão feliz no final que pedia para ver e rever, desejo comum entre as crianças. E agora passo pela mesma experiência com Miranda. Ela ama Spirit em especial e os animais em geral. E de novo me vejo numa situação parecida com a de Spirit. Me tiraram a liberdade de falar com minha própria filha! E a verdade é que a outra parte quer me ver presa. Acho mesmo que o ator Jonas Golfeto não está satisfeito em me separar de minha filha por tanto tempo. Seu objetivo é acabar totalmente com minha liberdade, é me ver presa. Ele não quer nem que eu escreva o que penso e sinto nesse blog! Por que será que a independência e a liberdade incomodam tanto pessoas medíocres e limitadas?
Só sei que o sistema judiciário colabora com quem não tem pressa. No próximo dia 10 completará um ano que não vejo, nem falo com minha filha Dora. Com total consentimento judicial. Mas alienação parental não é crime? Não parece ser em Ribeirão Preto, onde todos sabem que não me deixam falar com minha filha há quase um ano... e nada acontece! E o que dizer dos avós? José Hércules Golfeto e Ed Melo Golfeto, tão eficientes em alienar. Ela psicóloga, ele psiquiatra infantil. Ambos criaram um alienado e agora alienam minha filha.
Numa das inúmeras vezes que liguei na residência dos avós, onde minha filha mora, acho que deixaram o telefone fora do gancho, talvez de propósito, então pude ouvir um diálogo esclarecedor. A avó, que tem como hobby preferido fazer compras em shopping center (era seu passeio favorito quando ia para São Paulo "visitar" a neta), chama Dora para ver uma coleção de sapatos novos! Dora fica extasiada. Escuto seus gritos de felicidade falando das cores e modelos de sapatos. Ela escolhe um e avó fala: "Mas este está tão velhinho!". Nenhum sapato pode ter mais de 10 meses e está velhinho... quais futilidades estarão incutindo na cabeça da minha filha? Dora faz uma combinação e o avô diz que parece uma escola de samba. Dora pede para ir na piscina, falam para ligar para tia Raquel Golfeto. Ela pega o telefone. Escuto sua voz, meu coração vai na boca. Dora diz que está mudo. "Deve ser a mamãe tentando ligar". O avô responde. "Mas ela liga e desliga, não fala nada". Dupla de alienadores mentirosos! Percebam que o pai não está na cena. Podia até estar na casa, provavelmente dormindo ou mergulhado no computador.
E assim sigo de longe imaginando o que estão fazendo com minha filha. Talvez a transformem numa consumista, mimada e alienada. A pessoa é parte sua genética, mas é muito o ambiente em que é criada. Dora chegou lá uma criatura fantástica, como escreveu o próprio avô num email direcionado a mim. E agora? Como estará Dora?
Espero que ela lembre de Spirit e não desista nunca de ser livre. No filme, o corcel se deixa dominar por Lakota, o índio que tornou-se seu parceiro na fuga dos colonizadores. Spirit deixa-se dominar por respeito e amizade. Assim como Lakota o deixa ir quando bem queira, porque assim agem as pessoas livres. Não há como se impor respeito, ele vem com a admiração. A imposição traz o medo. E o medo é o sentimento que prosta.
Só sei que a outra parte, Jonas Golfeto, é muito boa em vingança. Sabe que sou completamente livre e independente. E que me tirar isso é a maior vingança.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
A Morte do Meu Pai
Foi como uma despedida o dia 25 de dezembro. Quando vi meu pai ainda com um resto de vida, na clínica de repouso onde estava internado há uns 6 meses. Sua pele e seus ossos pesavam pouco mais de 30 kg, seus olhos já não pareciam enxergar. A degeneração provocada pelo Mal de Alzheimer é tão fatal, que a morte parece ser a melhor e a única solução. Por enquanto não tem cura, nem salvação. Chorei ao ver meu pai assim na cama, no dia de Natal. Mas chorei muito mais, por mais de 5 dias e noites quando sua pena de morte foi decretada com o diagnóstico de Alzheimer, em 2006, já em estágio avançado.
Ele ainda tinha alguma noção e algumas lembranças cristalizadas. Às vezes ficava pensativo e me dizia em tom e expressão de indignado:"Quer dizer que vou morrer de Alzheimer?". Sim pai, se você não tiver a sorte de uma intercorrência no caminho, respondia sabendo que depois ele não lembraria. Um dia ainda chegou a dizer que jamais esqueceria de mim. Mas eu não fiz questão de estimular sua memória, já que estava ocupada demais em um processo insano de guarda.
Uma das coisas que a doença do meu pai me ensinou (pois com tudo se aprende) é que não devemos nunca idealizar o futuro ou planejar a velhice. Que a única coisa que importa e existe é o presente, por mais duro que ele possa parecer. É o que temos de fato. Ficar chorando e lamentando o trágico destino ou partir para outro presente (que sempre existe, nem que seja em um universo paralelo) daí é uma escolha. Aprendi também que existem dois tipos de sofrimento: o inevitável e o provocado. No primeiro incluem-se doenças desenvolvidas e de propensão genética, como o Alzheimer. O segundo sofrimento é o que é imposto, como o da ação na Vara de Família. Dora nem precisava, mas já sabe o que é sofrimento causado pelo outro. Quando ela duvidar tenho um email do pai dela, de agosto de 2005. Eu imploro perdão pelo não sei o que fiz. Escrevo linhas e linhas de mea culpa (sem ter culpa de nada). A resposta do pai amoroso? "O processo em vara de família será longo e doloroso para nós três". Seco, duro, ríspido... e daí que vai colocar a filha para sofrer durante toda a infância? Ele sofrendo? Duvido. Ainda não entendo o motivo, mas a razão é me fazer sofrer. Apenas e tão somente isso, mesquinho assim mesmo. Vingança pura.
Enfim, se foi o homem que mais me amou (talvez o único)
E na manhã do dia 27 de dezembro, o sofrimento do meu pai cessou. Eu estava tão preparada para sua morte, que não sofri, já estava desapegada da presença dele, que há algum tempo era só física... e nem parecia mais o grande Abel Correia Mendes. Meu pai mesmo comecei a perder há mais de 10 anos.
E então fui ao IML, até a funerária, no cemitério... todas essas funções fúnebres de forma tranquila, em companhia do meu primo Oswaldo Gonçalves Junior (impressionante como algumas pessoas estão presentes em momentos decisivos das nossas vidas). Ser filha única tem dessas coisas, sempre soube, caso a vida seguisse o rumo esperado, que caberia a mim somente enterrar meus pais. Pensei que seria mais tarde, ainda mais meu pai, que sempre projetou ser um velhinho aventureiro, cheio de energia, disposição e vontade de continuar desbravando o mundo. Na sua última década de vida manteve-se a mercê de outras vontades, sem ser dono de sua própria vida ou destino.
E no enterro, com parentes e alguns amigos que nem sabiam o estado crítico em que ele se encontrava, vi seu semblante sereno, deitado no caixão com flores. Miranda pensou que o vovô estivesse dormindo. Nunca entendi o amor incondicional de Miranda pelo avô, já que ele nunca nem a pegou no colo, já muito debilitado quando ela nasceu. Miranda mal ouviu sua voz, viu o avô andando com dificuldade, depois numa cadeira de rodas, mas como amava esse avô! Quando viu seu caixão indo terra abaixo começou a chorar, pois queria ver o vovô. Daí a levei para ver a cova. "É aí que o vovô vai ficar?". Sim, o corpo do vovô Abel vai ficar aí agora. "Tá bom" e parou de chorar. Tão simples o entendimento infantil. Em nenhum momento mencionei a palavra morte.
E uma das amigas dos meus pais, não lembro bem quem, me perguntou: "Não deixaram a Dora vir nem no enterro do avô?". Respondi que não deixaram nem falar com a mãe por telefone no dia de Natal, porque deixariam viajar para o enterro do avô? Duvido até que a deixassem vir para o enterro da mãe. Aliás, isso só seria possível com ordem judicial, o que, com carta precatória, mais o recesso do judiciário (que só volta dia 9 de janeiro), mais as vistas do promotor, do juiz, o argumento da outra parte (para não permitir)... enfim, com sorte, Dora poderia estar aqui na missa de um ano da morte do avô. E, provavelmente, ficará sabendo da morte dele agora, se a família que lê avidamente esse blog, resolver contar, ou no dia que eu, finalmente, encontrar minha filha. Ou por oficial de Justiça.
Sabe o que mais dói? A omissão do sistema judiciário. No Fórum de Ribeirão Preto estão todos carecas de saber que a família de Jonas Melo Golfeto não permite sequer contato telefônico com minha filha. Essa sordidez passou dos limites, no próximo mês completa um ano que minha filha foi levada, com busca e apreensão de menor, devidamente filmada pela equipe de foquinhas do Profissão Repórter. Que nome pode-se dar a isso que não seja Alienação Parental? Isso não é crime? Então o sistema judiciário corrobora com um crime. Quem vai pagar por esse crime? Por que uma família que ama tanto a Dora lhe impõe esse sofrimento? Fazê-la feliz com coleções de sapatos e roupas novas é fácil. Felicidade efêmera e superficial. Difícil é ter nobreza de espírito. Difícil é ensinar ética, moral, generosidade e confiança. E no fim, como já havia postado no Desencanto de Natal, os protagonistas desta história estarão todos mortos em 100 anos. Por que tudo isso mesmo?
Como já dizia Borges (o escritor argentino): "Não existe perdão, não existe vingança. O esquecimento é único perdão e a única vingança". Então, se eu tiver os 20% a 40% de chances de desenvolver Alzheimer (dura estatística para os filhos e parentes diretos), será uma forma de esquecimento. Porque algumas marcas são tão fortes e profundas, que não há como perdoar, muito menos esquecer.
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