sábado, 25 de agosto de 2012

Dora, Miranda, Harry Potter e Eu

   É como uma viagem fantástica ao passado recente. Me vejo sentada com Miranda, me abraçando nas cenas mais tensas, do mesmo jeito, com o mesmo rosto expressivo, as mesmas tiradas inteligentes e perguntas contundentes, além da mesma imensa sensibilidade de Dora quando víamos ao mesmo Harry Potter e a Pedra Filosofal.  Ambas também o assistiram pela primeira vez aos 3 anos, um pouco precoce eu acho, já que a saga do meu amado Harry começa quando ele completa 11. 
  A primeira vez que vi esse filme foi em 2005, em Boiçucanga, litoral norte de São Paulo, na TV. Antes não havia dado importância nem para o filme, menos ainda para os livros. Mas o mundo criado pela escritora inglesa J.K. Rowling me fascinou de um tanto que fui atrás de informações. Ao saber que a ideia original veio por acaso e foi escrita em guardanapos, em 1990, quando JK, mãe solteira de dois filhos, estava desempregada, achei mais fascinante! Sete anos depois o primeiro livro foi publicado, dando início aos outros seis que contam a história desse pequeno bruxo. 
   Em 2001 foi lançado o primeiro longa, mas eu achei que era filme infantil e, como não tinha filhos, nem dei muita atenção. Ainda bem que tive Dora para me introduzir neste mundo mágico! Fui comprando todos os DVDs e assistindo aos lançamentos no cinema com Dora. Não fui ao cinema para a segunda parte de Relíquias da Morte porque além da tristeza em saber que a história acaba, não teria Dora ao lado para comentar tudo depois...
   Daí há umas três semanas, Miranda viu a capa do DVD e pediu para colocar o filme. Viu inteiro e pediu para ver de novo. E passamos sábados e domingos com Pedra Filosofal e Câmara Secreta, ainda não apresentei os outros, ela ainda está fascinada pelos primeiros. E também vai ficando tudo muito forte e cada vez mais cruel, assim como a vida. Mas, mais que tudo, da eterna luta entre o bem e o mal, Harry Potter fala de amizade, confiança e coragem. E agora vejo um enorme paralelo entre Harry, Dora, Miranda e eu. Até completar 11 anos, a vida do menino era restrita a uma cama embaixo da escada. Fica órfão ainda bebê e foi criado por tios abomináveis, que escondiam dele sua verdadeira história. Ele só começa a descobrir quem é a partir desta idade.
   As pessoas nem sempre são o que parecem ser. Miranda já percebeu que Severo Snape, apesar da aparência sinistra e atitudes duvidosas, faz o bem. Tem um passado de sofrimento e desprezo, envolveu-se com os Comensais da Morte, mas teve a sua redenção. E que o bonzinho, na verdade é o mal encarnado. Assim é na vida, as aparências enganam muito. A parte preferida de Miranda é quando Harry fica em frente ao espelho que mostra o que mais deseja ter ou ser. O que o menino vê é a imagem dos pais...
   Harry descobre que é muito poderoso e admirado e que seus pais não morreram num acidente de carro, mas foram assassinados! Harry sofreu alienação em toda a sua infância! Ainda tentam fazê-lo acreditar que seus amigos o esqueceram, escondendo todas as cartas que lhe eram enviadas. Assim é com Dora, que teve seus amigos bloqueados, para nem poder conversar por msn e pensar que ninguém mais lembra dela.
  Sirius Black*, o Prisioneiro de Azkaban, preso e condenado como um louco, é na verdade um herói! E a cada filme as peças vão se encaixando, cada detalhe, como o ratinho Perebas de Rony que na verdade é o espião do mal, Peter Pettigrew, um fraco que a princípio segue o grupo do bem que forma A Ordem da Fênix, mas que, vulnerável, cede para o mal, e transforma-se num Comensal da Morte. Afinal é muito mais fácil fazer o mal do que o bem e, como os ratos, é o primeiro a abandonar o navio quando este afunda, vendo mais vantagens no lado do mal... e existem muitos ratos por aí.
    Assim como Harry Potter, todos tem o bem e o mal dentro de si, todos são tentados a praticar maldades. É uma escolha pessoal e Harry escolhe ser bom. Como ele, em A Ordem da Fênix, eu também sinto tanta raiva o tempo todo porque estou ligada ao mal e não posso escapar disso, tenho que enfrentá-lo. No Cálice de Fogo até o seu melhor amigo duvida quando seu nome aparece para uma disputa que só pode ter participação de alunos com 17 anos. Ele precisa provar para a escola inteira (a sociedade em que vive) que não está mentindo e participar de uma disputa para a qual pensava não estar preparado. Assim é comigo nessa disputa de guarda insana.
   Os personagens fictícios criados por essa escritora brilhante são como as pessoas da vida real, alguns seguem o lado mais fácil, outros são fiéis aos seus princípios. Há Neville, um garoto que parece inseguro e meio bobo, mas que nas horas decisivas se enche de coragem e glória. E quem nunca conheceu uma Hermione? Que estuda e sabe tanto que chega a parecer arrogante. Que levanta a mão quando o professor faz uma pergunta, parecendo exibicionista. Que tem tanta sede de saber que faz uma magia para poder estar em várias aulas ao mesmo tempo. Altruista, luta pela liberdade dos elfos, líder, idealiza e ajuda a fundar a Armada de Dumbledore, nos mesmos moldes do grupo antecessor, que funda a Ordem da Fênix. Dora era fã de Hermione, sua personagem favorita. Por enquanto o favorito de Miranda é Harry, diz que quer abracá-lo (ela sempre abraça quem ama). Mas Miranda prefere o Homem Aranha à Mulher Maravilha...
   Quando assisti a primeira parte de Relíquias da Morte, com Dora, me surpreendi por ela considerar o melhor de todos os filmes. Achei muito intimista, com os três personagens centrais fugindo o tempo todo, com diálogos mais profundos... ainda não sei de qual eu gosto mais, mas uma menina de 8 anos ( a idade dela na época) preferir este filme, achei muito perturbador... vai ver é mais parecida com a Hermione do que eu imaginava!
  A cada ano a vida dos personagens vai ficando mais difícil e alguns amigos vão morrendo pelo caminho. Assim é a vida, com muitas perdas. E sim, muitos morrem tragicamente jovens.Daria para fazer uma tese sobre a saga de Harry, minha vida e de minhas filhas. Mas a história de Harry, para minha tristeza, já teve fim. Espero que a de Dora e Miranda continue por muito tempo e que o desfecho seja menos trágico, com menos mortos e feridos.
   
* Sirius Black foi interpretado magistralmente por Gary Oldman, um dos meus atores favoritos. Em O Prisioneiro de Azkaban Dora virou fã dele e sua morte foi muito sentida por nós duas. Quando engravidei de Miranda, um dos nomes cogitados, caso fosse menino era Sirius. Ideia de Dora, que queria mesmo Sirius Black. Mas realmente pensei em batizar de Sirius.
 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Há uma luz que nunca se apaga (Smiths)

   No dia 9 de julho recebi uma ligação inesperada. Não, não foi de minha filha Dora, porque essa ligação eu espero há mais de um ano e meio. Foi de um amigo, namorado que tive aos 17 anos e que não via há 24! Sempre fiquei amiga dos meus namorados (com exceção do genitor de Dora, óbvio), mas não consegui manter a amizade com esse garoto. Nosso namoro começou de forma confusa, meio destrambelhada. Íamos juntos para o colégio e eu estava sempre muito triste por causa da minha primeira decepção amorosa e só usava roupas pretas, ouvia basicamente Smiths, Echo, Cure, Joy Division e U2. Esse garoto sempre tentava me alegrar, só ouvia Raul Seixas e Beatles (confesso que passei a amar Beatles por causa dele). Um dia me disse para parar de usar preto, porque parecia que eu estava sempre com a mesma roupa. Reclamava do meu cabelo sempre meio duro e esverdeado. Nos divertíamos muito, mas brigávamos muito também. Ele era extremamente ciumento e hoje entendo que não devia ser fácil me ver sempre rodeada de garotos bonitos, bronzeados e de ombros largos, afinal a natação era (e ainda é) um reduto mais masculino e os nadadores, mesmo feios, são todos lindos! Mas eu gostava dele e só dele. 
    A separação foi definitiva, nem podia encontrá-lo em Santos, pois mesmo separados, havia um clima pesado e ruim. Ele não queria me ouvir e eu tinha tanto pra falar. Acabei mudando de cidade e hoje admito que foi para fugir dele! Nunca mais nos vimos, mesmo com esse mundo digital, mesmo sendo ele conhecido, não procurei mais saber dele. E quando lembrava era sempre com saudade e carinho. Por mais que minhas amigas, meu pai, quase o mundo todo o achasse arrogante, metido e que me fazia sofrer, eu via muito valor nele. Achava um garoto inteligente e divertido, qualidades fundamentais para querer estar com alguém. Além de ter aquela química inexplicável que desperta um tipo de paixão incontrolável. Racionalmente queria evitar, mas quando o via, queria abraçar.
   Quando eu atendi, sem reconhecer o número, ele se identificou e disse em seguida. "Queria que você soubesse que nunca foi insignificante pra mim". As palavras me soaram como um bálsamo! Porque eu pensei que ele me odiasse, porque até  hoje  pensa que quando sofri um acidente de carro, no dia 15 de novembro de 1987, com meu amigo Roberto Capela, era porque o estava traindo! Capela era namorado de Flavia, uma das minhas melhores amigas até hoje, aliás, minha irmã. Jamais trairia uma irmã! Eu quebrei o nariz, fui internada... e ele nunca acreditou em mim... Para alguém tão orgulhoso não deve ter sido fácil passar mais de duas décadas pensando ter sido traído.
  Conversamos por mais de duas horas. Como nascemos no mesmo dia, mês e ano, com 20 minutos de diferença, não estranhei ter tanto assunto e, mesmo com destinos diferentes, termos passado por momentos muito semelhantes, nos mesmos locais. Sabia muito da minha vida, quis saber mais de Dora, quis saber mais de tudo. Acabei chorando. Por contar tudo de novo, por pensar que ele me odiasse e descobrir que ele gosta tanto de mim... disse também que iria casar no fim do mês, pela primeira vez! Não tem filhos, mas é filho e não conseguia imaginar a dor de ser separado assim da mãe. Me contou coisas tão íntimas que só podem ser contadas para alguém em que se confia muito. Uma contradição, eu sei, mas ele também sabe que sei preservar minhas fontes. Quando eu usava termos como "discorra mais sobre isso", ria, dizendo que tinha certeza de me tornaria uma jornalista. "Claro, eu prestei vestibular para jornalismo!", respondi irritadinha. "Não, não por isso, nem porque você escrevia e falava muito bem, mas por essa sua mania de defender os fracos e oprimidos, por querer justiça num mundo tão injusto". É, eu não mudei e não sei se isso é bom ou ruim. Também não sei se é bom escutar das pessoas que me conhecem há mais de duas décadas: "Não acredito que isso está acontecendo com você".
   Por quê? Seria porque eu sempre gostei de dialogar, de resolver tudo na conversa, de apaziguar? Ainda sou assim, mas é difícil querer justiça quando você vê como funciona o sistema judiciário. Por mais que um dia eu veja Dora, o que foram feitos desses mais de 18 meses de nossas vidas? Minha sorte é conhecer tanta gente boa. E não paro de me surpreender com iniciativas fantásticas de cidadãos comuns. Acho que ainda me restou o amor.

http://youtu.be/INgXzChwipY e essa é a música que mais me lembra o período da minha vida nesse relacionamento juvenil, instável e arrebatador.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Sem Perdão


   Quando conheço alguém novo, penso três vezes antes de falar que sou mãe de Dora. Muitas vezes falo que só tenho Miranda. É difícil explicar como uma mãe fica 18 meses sem saber da filha. Pior é explicar a perda da guarda, já que, como bem escrevi aqui, a maioria pensa que "nem puta perde a guarda de filho". Mas quando percebo que o conhecido pode virar amigo, não tem como escapar.
  E foi o que aconteceu com Gustavo Costa, numa daquelas coincidências incríveis que para mim já tornaram-se corriqueiras. Estava eu com Djalma Santos, Valdir Moraes, Norian Segatto, Flavio Prado e Camila Tostes, no café de um flat em São Paulo, na fase final das entrevistas para o livro Djalma Santos: Do Porão ao Palácio de Buckinghan, quando um simpático mineiro, fanático por futebol exclama para Djalma: "Mestre, não o encontro em Uberaba e te vejo aqui!". Então o boleiro participou do papo e trocamos contatos, já que Gustavo mora metade da semana em São Paulo, metada em Uberaba (MG). Na semana seguinte eu e Camila, a fotógrafa, viajaríamos para Uberaba e poderíamos nos encontrar. E foi o que aconteceu. Gustavo foi tipo um assessor de imprensa para nós, passou contatos, nomes, endereços e ainda fomos os três (eu, ele e Camila), mais Djalma e sua esposa Esmeralda, jantar num charmoso restaurante de Uberaba. Para completar, quando falei que nadava e era de Santos, o cara me pergunta se conheço Rodrigo Salles, que nadava no Internacional de Regatas. "Claro! Irmão da minha querida amiga Luca!". A Terra é um planeta pequeno. Gustavo foi casado com Luciana Salles, é pai de seu filho! Na hora ligou para Luca, que ainda falou para eu aproveitar bem dele, pois sabia tudo de futebol. Luca também é uma boleira, uma mulher que, como eu, adora ver e falar de futebol.

   O  mundo é mesmo bem pequeno para quem viaja muito, conhece muitas pessoas e faz muitos amigos. Não demorou muito ele soube de Dora e não consegue entender como tudo aconteceu. Sugeri que lesse o blog, embora esse blog não seja cronológico, seja demasiadamente visceral e profundamente triste... embora eu tente escrever sobre outros temas, mais amplos, mais amenos, menos dolorosos... mas que não fogem da ideia inicial, que é mostrar para Dora o que acontece, quem sou, quem fui, o que faço...

  Não dá para escrever aqui tudo que acontece desde 2004, quando perdi o controle da minha própria vida... por isso comecei ler emails antigos. Infelizmente não tenho todos, porque eu guardava mensagens em que Jonas Golfeto escrevia que eu era "muito mais velha" (5 anos!), eu que quis ter a filha e que cuidasse e sustentasse sozinha. Eu guardava essas mensagens, em que também me chamava de escrota. Mas certa vez, minha querida amiga Flavia Vieira, vinda de uma Universidade de Yoga, nos EUA, disse para apagar essa mágoa, que não valia guardar nada... e eu caí nesse papinho de amor universal...
  Pois o ser nefasto guardou e colocou no processo apenas minhas respostas iradas, tamanha a falta de respeito. Eu escrevia pedindo para ele ficar com Dora, porque eu ficava com ela todos os finais de semana, nunca tinha tempo para mim... Jonas não queria saber de ficar com a filha. Infelizmente, como disse outro amigo Gustavo, o Liedtke, Dora virou um objeto de disputa de poder. Eu nunca quis acreditar nisso, mesmo com os fortes indícios no dia de seu nascimento. Jonas chorava emocionado cada vez que alguém entrava no quarto da maternidade Pro Mater, em São Paulo, para parabenizá-lo, Nesse dia, o avô, o psiquiatra infantil José Hércules Golfeto, disse de forma debochada e cínica: "Quero ver quanto tempo vai demorar para enjoar do brinquedinho". O próprio avô chamou Dora de brinquedinho! Essa frase chocou várias pessoas que estavam presentes. E se algum de vocês presentes lerem esse post, por favor, ratifiquem a informação. Eu cheguei a dizer isso para o Dr Golfeto, mas ele, com sua memória conveniente, disse não lembrar de ter proferido tais palavras.
  Então comecei a ler emails que guardei após ter feito a loucura de ter eliminado minhas provas, pois nunca imaginei que teria minha vida devassada em rede nacional, em jornais... por muito tempo fiquei calada para não expor Dora, mas depois que o próprio pai, guardião legal, em quem a Justiça confia total poder sobre a filha,  chamou Rede Globo para gravar busca e apreensão, nada pode ser mais constrangedor. Dora lembrará para sempre seu momento mais traumático! Jonas Golfeto fez questão de eternizar isso! Talvez tenham sido os seus 15 minutos de fama.
   Muita gente também fala para eu tentar conversar com ele, de boa. Gente, amigos queridos, eu tento, eu tentei por anos! Eu escrevi, eu ligo há quase 18 meses na casa daquela gente, nos consultórios dos avós. Não falam comigo, desligam o telefone todos os dias na minha cara ou deixam na secretária eletrônica. O email abaixo é uma prova do tanto que eu tento e das respostas frias e calculistas de quem não sente nada.
   Tudo isso para dizer que nunca imaginei me envolver com um psicopata, que age friamente e não sente a dor alheia. O psicopata planeja tudo, nem que leve anos para concretizar seu objetivo. Jonas Golfeto está nessa missão há muito tempo e eu, tola e emotiva, sempre tentei emocionar aquele cérebro doente e perverso. O email abaixo foi enviado para Jonas após ele ter revertido a guarda, inventando que eu fugiria para o Chile, porque tinha "um namorado" lá. Ele sumiu com Dora por 15 dias, sumiu nada, levou para Ribeirão Preto, como sempre, pois é incapaz de cuidar dela sozinho. Nem agora que ela já tem 10 anos e é (ou era) muito esperta para a idade. Jonas sumiu com Dora e mudou de endereço em São Paulo, mudou-se para a casa da então namorada Luciana Viacava, uma atriz de teatro infantil. Isso tudo aconteceu em 2005! Nesse email eu peço perdão por tudo que eu nem sabia que tinha feito, eu imploro, eu me humilho, aliás, só tenho me humilhado desde então. A resposta dele é fria, iguala o sofrimento de Dora ao seu, assim como fez no famigerado programa do Profissão Repórter: "Eu sei que você está sofrendo, Dora, mas o papai também sofreu bastante!". Segue a mensagem e espero que você, meu novo amigo Gustavo Costa, consiga entender melhor e por favor, seja solidário, mas não precisa sofrer por mim, já tem gente demais sofrendo nessa história.
 
De: Jonas Golfeto <jonasgolfeto@terra.com.br>
Para: Adriana Mendes <mendes_jornalista@yahoo.com.br>
Enviadas: Sexta-feira, 19 de Agosto de 2005 11:36
Assunto: Re: pensa


Olá,

Não tenho raiva, nem ódio de você. Não estou fazendo nada por vingança. O processo de atribuição de guarda é penoso para nós 3. Vamos nos acalmar e nos entender judicialmente, por favor.

 Jonas


On 8/19/05 5:02 AM, "Adriana Mendes" <mendes_jornalista@yahoo.com.br> 
wrote:

Jonas

Por favor, me diz onde vc está com a Dora, eu preciso saber. Esquece por um instante o ódio que vc sente por mim, a vontade que vc tem que eu morra, todos esses sentimentos negativos que vc alimenta por mim (e que, sinceramente, eu não entendo pq), pensa só numa mãe que teve uma gravidez muuuuuuuuito difícil, que fez de tudo para ter uma filha no nono mês, que segurou a onda, que amamentou bravamente, que ficou sozinha com a filha quando essa tinha 8 meses e cuidou dela desde então e muito bem. Pensa que essa mãe teve problemas pq ficou desamparada, foi demitida e pediu ajuda ao pai da filha e esse disse que sua vida não interessava, mostrou-se ausente, não deu apoio. Pensa que essa mãe teve depressão, que enviou um e-mail ao pai da filha pedindo ajuda e esse pai guardou esse e-mail para usar contra ela depois. Pensa que essa mãe ficou internada e durante a internação a única coisa que a fez persistir foi a lembrança da filha e a vontade de vê-la e ao sair da internação essa mesma mãe foi privada de vê-la, por esse mesmo pai, que se escondeu com a filha.

Esse mesmo pai que disse às amigas dessa mãe que nunca iria querer a guarda da filha, que só queria o bem da mãe. Pensa que essa mãe se recuperou e que entrou num acordo de visitas com esse pai, acordo esse que ela já havia pedido em 28/02, mas que o pai preferiu entrar com outro pedido em 13 de maio, tempo esse que a mãe pedia para o pai ver a filha, mas ele recusava-se, e a filha ficou 3 meses sem ver o pai, pq o pai preferiu assim. Pensa que essa mãe confiou nesse pai e decidiu morar mais perto para facilitar a vida de todos. E pensa que essa mãe foi enganada outra vez. E pensa que tem uma criança no meio disso tudo que ama a mãe e precisa da mãe e que ama o pai também, mas com todas essas ações e com o passar do tempo, essa criança vai entender mais e mais e saber a verdade e ter discernimento e mudar o sentimento tão puro de amor dela. Pensa nesse ódio insensato que vc sente por mim, reflita por algum tempo em tudo o que aconteceu desde que eu engravidei e analisa quem tem motivos para odiar quem.

Vc não consegue se comunicar comigo, há uma barreira intransponível entre nós? Tudo bem, não precisamos nos ver ou falar, mas a Dora não tem nada a ver com esse ódio mortal que vc sente por mim. Eu sei que vc deseja minha morte, mas pensa que com a minha morte, sua filha ficaria órfã e, por mais que vc me odeie, não é legal ter uma filha órfã. Eu não quero minha filha órfã, nem de pai, nem de mãe.

O que passou, passou, vamos fazer diferente.Como já dizia Borges: "Não existe perdão, não existe vingança. O esquecimento é o único perdão e a única vingança". Quer se vingar de mim pelo não sei o que que eu fiz? Esqueça. Essa é a melhor vingança. Vc estará vingado. Não use uma criança para se vingar, isso é muito mesquinho. Não invente histórias para se vingar, isso é muito mau caratismo. Somente esqueça.Só não esqueça de me passar o endereço e telefone da minha filha. Vc não pode fazer o que está fazendo e cansei de ficar levantando provas para levar para juiz. Aliás, vc também deveria estar cansado disso tudo. Não te cansa ficar armando? Enganando? Fugindo? Mentindo?

Por favor, pensa na Dora. Se continuar desse jeito sabe o que pode acontecer? O juiz achar que nenhum dos dois tem capacidade para ficar com a criança. Vc deseja isso para a Dora?





quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Dia que Nunca Chega

   Há mais de um mês, o novo juiz (quarto desde que essa ação teve início em Ribeirão Preto, interior de SP, em março de 2011) sentenciou que o início de minhas visitas a Dora se deem o "quanto antes". Claro que o quanto antes para mim seria  no sábado seguinte, mas para a outra parte, lenta como a Justiça, pode levar aí mais uns 18 meses. Sim, no próximo dia 10 de agosto completará 18  meses que minha filha foi sequestrada dentro da Lei, diante das câmeras da Rede Globo, para o anti jornalismo do Profissão Repórter. Digo completará 18 meses, porque já estou preparada para ficar mais uns anos sem saber de Dora. Se é que ela ainda é Dora.
  Acontece que o pedido, deferido agora por esse novo juiz "tão rapidamente" em um mês, foi feito em agosto do ano passado! Quando eu ainda não havia passado por perícia psicossocial. Só que eu passei por isso em setembro! A psicóloga diz que posso trazer minha filha para visitas em casa. Mas nenhum juiz ainda leu isso! Agora é um retrocesso ver Dora de 15 em 15 dias, por 3 horas e monitorada por Edna Costa, uma psicoterapeuta escolhida a dedo pela outra parte. Mais parcial, impossível! E essa medida só faria sentido assim que ela foi levada, em fevereiro de 2011! Aliás, o promotor de São Paulo, onde Jonas Golfeto, o pai de Dora e autor dessa ação, morava, há mais de 15 anos, já tinha indicado essas visitas há um ano e meio, pois tanto promotor, quanto juiza paulistanos, acharam absurdo tirar a filha da mãe daquela forma e manter Dora longe de todos por um mês! Mas a outra parte preferiu mudar-se para a casa dos pais, em Ribeirão Preto, para fazer perdurar essa situação até o limite da morosidade jurídica. E tem conseguido, com astúcia, coragem e determinação. Quanto orgulho deve ter de si  mesmo! É um gênio do mal!
 Também para minha surpresa, esse juiz manda fazer uma perícia lá na casa da família Golfeto! Um ano e meio depois vão verificar como Dora está. Claro que agora está adaptada, nem que seja a base de remédios psquiátricos, afinal, nada sei daquela que por nove anos foi minha filha. Só sei que ela não parece mais com ela. Foi meu aniversário dia 20 de junho, Dora mandou um email, em que deseja que eu "seja muito feliz com  Miranda, vovó e seus amigos", excluindo-se totalmente de minha vida. Também pergunta se "vovó está melhor agora que meu avô morreu? Lembro que ele era muito doente e dava muito trabalho para ela", mostrando uma maturidade ímpar. Falta de respeito aquela gente dar a notícia da morte do avô para ela. Eu quero dizer quem morreu nesse tempo, quem casou, quem nasceu, quem adoeceu. Não me dão nem esse direito. No email também diz que só tira notas ótimas e tem novas melhores amigas. Diz que tem saudades da amiga Raquel, de mim, de vovó e de Mimi.
 Um dia antes do meu aniversário recebi um grande presente:  a intimação judicial para pagar R$ 26 mil para o advogado da outra parte. Agora é oficial, minha filha foi sequestrada dentro da lei e eu intimada a pagar o resgate! 
  Será que digo para Dora que no feriado de junho seu grande amigo de Paraty, Lucas Chigres, veio para Santos com sua mãe, minha grande amiga Kátia Chigres e que ambos ficaram em casa e ela fez muita falta? Digo que Miranda falou para Lucas que "sua irmã morreu"? Afinal mataram Dora para mim e todos que a conheceram. Pior foi para Dora que, metaforicamente falando, viu um tsunami varrer a Baixada Santista do planeta. Todos nós fomos mortos!
  Ninguém venceu, todos perderam! Nada mais adianta agora. Não tenho mais esperança, pois não espero mais nada, não em relação a esse processo ou em consertar o que foi feito. Ver Dora monitorada como uma mãe criminosa? Não! Isso é retrocesso, é quase voltar ao Visitário Público, maior desejo de Jonas Golfeto, que na única audiência realizada até então, bateu os pezinhos que queria e só permitia visita em Visitário. Dane-se a filha! O que importa é humilhar e fazer sofrer a mãe da filha! Dizer o quê quando encontrá-la? Qual explicação? Dizer a verdade? Mostrar todas as provas de tudo o que o pai dela faz para nos separar para sempre, tentando inclusive a Destituição do Poder Familiar? Sim, isso ela vai saber, mas se souber agora, como irá dormir sabendo que o pai é um psicopata que não dá a mínima para os sentimentos dela? 
  Pensei até em procurar ajuda de um especialista para saber como agir diante disso: Miranda diz que a irmã morreu, Dora não sei nem o que diz. Mas sendo o próprio avô José Hércules Golfeto, um psiquiatra infantil, a avó Ed Melo Golfeto, uma psicóloga e a tia Raquel Golfeto, outra psicóloga... duvido dessa categoria, que estraga a mente da minha filha. E tem o pai... Jonas Golfeto, talvez uma vítima, um experimento também disso tudo, a cria psicótica.
 Por quanto tempo mais eu vou conseguir viver quebrando e me colando todos os dias? Isso não vai acabar em tragédia. Já é uma tragédia pessoal, não só para mim, mas para Dora, para Miranda. Dora já foi maculada e nada mais que seja feito reparará essa injustiça.
Processo 0012197-41.2011.8.26.0506 (730/2011) - Regulamentação de Visitas - Regulamentação de Visitas - J. M. G. - A. de C. M. - Vistos etc. 1. Tendo a ré manifestação concordância com a indicação da psicóloga pelo autor, o acordo o acordo provisório que as partes fizeram em audiência de conciliação (fls. 1.441) está em condições de ser implementado. Sendo assim, estabeleço que as visitas em sábados alternados tenham início na clínica da referida psicóloga, pelo período de três horas, devendo o próprio autor comunicar essa profissional que indicou e informar diretamente à advogada da ré sobre o dia de início (o quanto antes) e horário das visitas, para que a ré possa então comparecer. 2. Cobre-se ao Setor Técnico a remessa da relatório psicossocial que deve ser feito com o autor e com a menina Dora. 3. Desde logo, independentemente do futuro saneamento do proce ss o, depreque-se a comarca de Santos a realização de estudo psiquiátrico com a ré, como foi postulado pelo representante do Ministério Público. 4. Dê-se ciência às partes da vinda dos estudos social e psicológicos já feitos com a ré (fls. 1.619/1.621 e 1.645/1.647). 5. Publique-se o despacho anterior (fls. 1.661), com o qual foi deferida a reabertura de prazo para o autor se manifestar sobre a contestação. 6. Depois dessa manifestação do autor (ou decorrido o prazo para tanto), abra a Serventia (por ato ordinatório) vista à advogada da ré, para que também possa se manifestar sobre os escritos eletrônicos anexos à petição do autor (fls. 1.629/1.636). 7. Intimem-se. Ciência ao Ministério Público. - ADV: MÁRCIA DE ANDRADE BATISTA (OAB 215050/ SP), CLAUDIA PENTIOCINAS (OAB 216724/SP), CRISTINA GEREMIAS DE OLIVEIRA (OAB 191728/SP), DANILO MURARI GILBERT FINESTRES (OAB 231367/SP)

terça-feira, 12 de junho de 2012

Romântico era Lamarca

   Já fui muito romântica. Acreditava no verdadeiro amor. Acreditava na democracia, direitos iguais, liberdade de expressão e que poderia melhorar o mundo. Liderar um grupo para mudar a sociedade é tão idealista quanto utópico. Não há nada mais romântico do que a imagem do capitão Carlos Lamarca, que ao perceber a hipocrisia do sistema em que entrou, ao discordar da Didatura Militar, desertou do Exército Brasileiro em 1969 e partiu para a luta armada, comandando a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), grupo de extrema esquerda. A primeira vez que ouvi falar de Lamarca foi por meu pai, que sempre tinha histórias de pessoas incríveis e estava sempre em lugares de acontecimentos fantásticos. Então caminhoneiro, o jovem Abel estava na mesma cidade do sertão da Bahia quando Lamarca foi encontrado e assassinado! Só se falava no nome daquele "terrorista" e como iriam encontrá-lo, atirador certeiro, inteligente e líder nato, Lamarca era o inimigo número 1 do Estado. Infelizmente meu pai não o encontrou primeiro para escondê-lo em seu caminhão...
   Minha visão de romantismo era mais na linha do herói, da resistência e redenção do que do casal feliz e perfeito, como nas propagandas de margarina. Sempre dizia que não iria casar ou ter filhos, que este mundo está cheio demais da espécie humana. Segui solteira, mas ainda bem tive duas filhas. A maternidade é muito romântica, é mesmo o amor incondicional. Não sei como será o futuro de minhas filhas, nem mesmo o meu. Até onde pude acompanhar, eram duas meninas inteligentes, carinhosas e generosas. O tipo de pessoas que podem fazer um mundo mais amoroso e justo. Mas tudo pode mudar sempre, alguns traumas transformam as pessoas. Eu mesma não sou mais como era. Por mais resistente chega uma hora que a tortura psicológica nos definha. Mas se eu fosse uma guerrilheira certamente morreria torturada, mas não entregaria meus companheiros e amigos. Porque continuaria sendo romântica e fiel nos ideais.
   Posso dizer que tive três amores na minha vida. Não vou denominá-los porque não quero decepcionar ninguém. Um deles já foi amplamente exposto por aqui. O que é um grande amor para mim? Alguém para conversar até o amanhecer dos dias, quando os assuntos se sucedem infinitamente, quando as ideias se complementam, as músicas são as mesmas, quando as vidas seguem paralelas mesmo separadas. Se um dia eu chegar a ser velhinha e o desejo não for mais intenso, nem a beleza explendorosa ou as ideias tão claras, quero alguém para conversar por infinito de horas.
   A única vez que morei com alguém foi com o pai da minha primeira filha. Minha placenta prévia me impedia de tudo, inclusive sexo. Foram sete meses e meio de repouso absoluto. O cara que parecia tão intelectual e culto afastou-se de mim. Chegava quando eu já dormia e dormia até de tarde. Então eu soube que foi o meu pior engano, porque sempre achei que meu maior tesouro fosse meu cérebro e não meu corpo, embora um corpo são seja um tesouro também. Não queria alguém que só me desejasse, sem amizade ou companheirismo. A vida é mesmo cruel, pois com tantos namorados que são meus amigos até hoje, justamente com alguém desprendido de amizade fui ter minha primogênita.
   Com isso aprendi a não ser tão romântica e passei a acreditar  menos. A verdade é que nunca fui apaixonada pelo pai de Dora. Quando contei para o amigo e jornalista Luis Fernando Ramos que estava grávida, o comentário foi o seguinte: "Mas estão há tão pouco tempo juntos, você nem é apaixonada por ele". Eu sabia e considerava isso um trunfo. A paixão pode destruir. Pensava que seríamos sempre amigos, pois, ingênua que era, considerava que gostar dos mesmos filmes e músicas, bastasse. O abismo apareceu durante a gestação. Separar foi fácil, nem doeu. Mas nem nos meus pesadelos mais terríveis havia espaço para tanta dor que viria depois.
    A resistência um dia acaba. A maioria dos heróis morre cedo. Lamarca morreu antes de completar 34 anos e resistindo, da forma mais romântica que um guerrilheiro poderia morrer.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Prestem Muita Atenção No Que Seus Filhos Ouvem

   Dia desses elucubrei em como a música pode definir uma pessoa. Mesmo toda uma geração. Até a falta de gosto musical ou a falta de música na vida é uma definição. Se meus pais tivessem prestado mais atenção nas músicas que eu ouvia quando adolescente, nem precisariam de sermões sem fim sobre comportamento ou perguntar: "O que você tem hoje?". Para eles Ramones e Sex Pistols eram só barulho. Tudo bem que minha mãe não sabe inglês, mas deveria entender que aquelas roupas velhas e rasgadas eram um modo de contestação, de mostrar insatisfação com a sociedade e o status quo. Que havia um imenso grupo de jovens ouvindo U2, uma banda irlandesa muito politizada e pacifista. Que não queríamos viver de aparências.
  Quando tive minha primeira dor de amor, aos dezesseis anos, esse era é meu som preferido http://youtu.be/P2e7dpVDX54, alguém que ouve The Smiths mais que duas vezes por dia não pode mesmo ser muito feliz. Aliás, as bandas dos anos 80 que eu gostava eram de letras existencialistas ou de protesto, não só as bandas inglesas, mas as nacionais também: IRA!, Legião Urbana,  Plebe Rude e tantas outras. Essa chamada Geração X iniciou a era da informação e tecnologia. Mas não sabia muito no que ia dar.
  Já no mundo adulto, quanta desilusão! Trabalhava para pagar contas, comprar CDs e ir em todos os shows possíveis, como dos Smashing Pumpkins http://youtu.be/4aeETEoNfOg. Sentia saudade de um passado bem próximo, da faculdade, quando acreditava num jornalismo ético, na luta por uma sociedade justa, em desmascarar político corrupto e que esses fossem punidos. Que iria trabalhar por ideologia e não por dinheiro. A música é a visão mais sincera e profunda de uma geração. O que foram os anos 90? Ouça Nirvana e saberá. A maioria estava bem preocupada com o capitalismo selvagem e destruição da natureza. Mas ninguém fez nada. O trágico fim de Kut Cobain (líder do Nirvana) é o ápice da desilusão.
   A entrada do milênio me trouxe a descoberta da maternidade. Dora nasceu em 2002. Quando pensei que pouca coisa nova apareceria pós  Nirvana ou Pixies, surgiu Strokes. Que tem lá muitas influências dessas duas bandas, como também do Velvet Underground. Mas que ótimas influências, afinal. Os garotos continuavam cantando sobre existência, conflitos e amor. Vejo o estilo retrô como uma visão pessimista do futuro, de quem prefere se prender ao passado http://youtu.be/YfFrp4Mdqdc, sinto isso nas melodias e canções (as boas canções) feitas na última década. Geralmente o comportamento autodestrutivo é uma fuga. Julian Casablancas, vocalista dos Strokes, invariavelmente está alcoolizado em seus shows. É uma fuga e pode destruí-lo. Tem gente que o considera um filhinho de papai rebelde, afinal é filho de John Casablancas, dono da Elite Model. Que seja! Que todos os filhos de pais ricos e famosos formem uma ótima banda e saiam em turnê mundial. O pai dele pode ter ajudado no início da carreira? Claro! Mesmo pais menos poderosos ajudam quando acreditam no talento dos filhos. Ou não? Imagino, inclusive, que John devia prestar muita atenção no que Julian gostava de ouvir.
  

A música que me leva até você


  A última vez que vi Dora ela tinha acabado de completar 9 anos, há 16 meses. Já definia sua personalidade pela preferência musical. Ouvia Paramore, Pitty e Lady Gaga. Bem feministinha minha Dora, que aliás não entendia como algumas amigas gostavam de Restart e Justin Bieber. Será que agora gosta? Não, não é possível, assim como não acredito em deus, também não creio no diabo. Talvez até ouça óperas ou sertaneja, por influência ambiental. Mesmo assim, gostaria que um dia pudessemos de novo brincar de "essa música é pra você". Nossa forma de dizer como nos sentimos e o que desejamos que aconteça. "Dora, essa música é para você http://youtu.be/e-H0IvzyyXE . Porque no dia que eu te encontrar eu não vou conseguir falar, nem explicar, nem resumir. Mas se você ouvir essa música, sei que vai entender". 
  Isso torna a música tão universal para mim, liga definitivamente as pessoas. A música é a matemática do coração. Dá razão para tudo. Porque existem caras como Chris Martin, que fazem os cálculos e traduzem os sentimentos e anseios inerentes a qualquer ser humano. Reconheço que não me arrebatei assim de cara por Coldplay. Na verdade nunca havia sentido tanto amor e paixão na vida antes de ser mãe. Agora entendo muito mais suas músicas e letras. Sei o que é saudade, estar longe de quem se ama. Porque sinto esse amor e paixão por Dora. Como posso ouvir isso http://youtu.be/Zo6cE6W8JjI e não me emocionar? Como não me encontrar nessas palavras? A música é um estado de espírito? Então as músicas que as pessoas gostam são como seus espíritos. Por isso desejo que Dora seja guiada sempre pelo bom senso musical, não se renda a tchus nem tchas, nem dancinhas sinistras. Que tenha boas amigas em Ribeirão Preto e que seus pais prestem muita atenção no que nossas filhas ouvem.


terça-feira, 29 de maio de 2012

Declínio de Maio


    Esse título não é original, é uma música da banda Violeta de Outono, nascida nos anos 80 e que tocou na quinta-feira passada no Sesc Santos http://youtu.be/UGZttjdbftY
  Quando conheci esse som lembro que parei de escrever minhas poesias com metáforas, cheias de melancolia e descrença. O que eu ouvia já dizia tudo e ainda havia o Baixo que falava sem palavras. O show que fui em 1987 estava repleto de adolescentes e jovens com espírito inquieto, que sabiam o significado de todas as letras. Concordo que a escolha da data deste último show não foi feliz, tinha Santos F.C. pela Libertadores, em jogo decisivo para seguir na semifinal. Mesmo assim, as poucas pessoas presentes estavam sentadas e muitos nem sabiam quais músicas eram hits dessa banda cult. Também tocaram som novo, muito bom, de qualidade técnica indiscutível, tendendo para o progressivo. Disputar com um jogo de Libertadores do Santos, na Vila Belmiro, é missão difícil. Quando meu amigo Marcelo Santos comprou nossos ingressos, também não sabia do tal jogo, se soubesse, talvez nem tivesse comprado.
   Então comecei uma reflexão sobre todas as coisas ruins e missões difíceis que sucederam-se neste mês de maio. Um mês que seria lindo por excelência, com o frio e luzes do outono, com o Dia das Mães, aniversários de tantos amigos queridos. Mas esse Dia das Mães nem ousei escrever aqui, porque não foi dos mais alegres. Nada de Dora, nem ligação ou mensagem. Ainda assim a minha era a melhor situação no tradicional almoço, pois estava com Miranda me dando beijos e dizendo a cada 10 minutos: Feliz Dia das Mães. Também tinha minha mãe e tia Cida, que adotei como segunda mãe. 
   Essa querida tia perdeu sua primogênita e única filha mulher num dia 1 de maio e seu aniversário é no dia 2, há 18 anos passou a data no enterro da filha. Mesmo tendo 3 filhos queridos e 4 netos, nunca mais conseguiu passar o seu aniversário ou dia das mães completamente feliz. Sei como é. Datas comemorativas e aniversários de nascimento e morte são os mais dolorosos. Tia Cida tem duas noras, minhas amigas que estavam lá. Uma perdeu a mãe muito jovem, deixando 5 meninas órfãs. A outra está numa gestação complicada, com a certeza de que seu bebezinho, se chegar ao nono mês, não viverá mais que horas. E o bebê mexeu no Dia das Mães...
    Pessoalmente é muita tristeza, mas na coletividade a desolação não é diferente. Junte-se a tudo isso a indignação que sinto com todas as orgias feitas pelo Governo que nós sustentamos; imprensa desacreditada; o Judiciário que culpa o sistema por sua lentidão (e que também é sustentado por nós); e pior: a esperança do veto da presidente Dilma ao Novo Código Florestal que acabou em nada. Ah, sim, ela vetou 12, eram 84 e, claro, os vetados poderão voltar, afinal, quem são mesmo os responsáveis por aprovar ou desaprovar Leis? Minha esperança em Dilma era  porque ela é mulher, tem filha e neta, mas não pensou nem no futuro dos seus, afinal, os interesses políticos são mais importantes do que a humanidade.
   Só mesmo quem vive na base de antidepressivos para acordar sorrindo e achar que está tudo bem porque o Sol brilha. Inclusive, acho que o Sol está brilhando demais para o mês de maio, isso não é normal... e para os que ainda acham que sou uma pessoa iluminada, sinto muito, vejo muito mais escuridão do que luz. O declínio de maio é apenas um presságio dos anos de trevas que estão por vir.