terça-feira, 10 de setembro de 2013

A Decisão de Champignon

    É muito difícil escrever quando o acontecimento é tão recente, mas é isso que os jornalistas fazem o tempo todo. Esse espaço não é jornalístico, mas, de certa forma, escrevo também sobre atualidades. O suicídio do Champignon me chocou muito mais do que a morte por overdose do Chorão. Fiquei sabendo de uma forma bizarra, não tinha visto TV, acessado internet, nada... e ontem, às 19h, vejo o recado de uma amiga: "morre o Chorão, morre o Champignon, só não morre...". Achei que era uma brincadeira de humor negro, custei a acreditar, tive que ler a notícia no  computador. É triste demais a  banda Charlie Brown Jr ter agora esse estigma de tragédia. Pior é ler os inúmeros comentários imbecis acerca da morte do Champs. 
    Quando vi esse garoto tocando pela primeira vez, ele não tinha mais do que 15 anos, já era um baixista virtuose. Parecia uma criança! Eu sempre presto muita atenção nos baixistas, talvez porque tenha um desejo enrustido de tocar baixo. Nessa época o Charlie Brown ainda tinha outro nome e cantava em inglês. Foi no emblemático Bar do Torto. Já escrevi aqui o que essa banda significa para a cidade de Santos e não faz muito tempo. Ao contrário dos dias ensolarados da morte e enterro do Chorão, aqui hoje está muito cinza e frio.
      Tem gente chamando o Champs de covarde, de drogado, de louco... não importa. Para  mim será sempre o garoto simpático e tímido, que me surpreendeu ao assumir os vocais na Banca (talvez a banda de carreira mais meteórica de que se tem notícia). Por que ele se matou? Talvez excesso de filosofia, porque o suicídio é a morte filosófica, é decidir não querer ficar mais aqui. Por ter esse perfil tímido, talvez ninguém tenha percebido que suas recentes perdas também o deixaram perdido, só talvez...
        Homenagens  póstumas, programas de TV, críticas, tudo isso vai acontecer no próximo mês, mas o que a decisão de Champignon traz a tona é o sentido da vida, o existencialismo. Quantos adolescentes estão sofrendo pela primeira vez por um suicida? Por que as religiões, que provocam guerras desde que o mundo é mundo por discordarem em seus dogmas, só não discordam na condenação do suicida? Será por que se todos começarem a se matar não haverá mais fiéis, crentes ou religiosos praticantes? Será o suicida um fraco ou um forte? Será que queria mesmo morrer ou apenas pedir socorro? Imagino quantas pessoas estão questionando-se sobre isso a partir de ontem. Muitos que  nunca pensaram nisso.
      Também talvez eu consiga escrever porque o Champignon era um conhecido distante. Tive muitas perdas de pessoas muito próximas esse ano e não consegui escrever sobre elas. Talvez nunca consiga ou daqui uns 10 anos, quem sabe. É triste ver os urubus buscando imagens mórbidas do Champs. Criticando uma atitude pessoal e intransferível. Tudo isso é triste demais.

       Na semana passada, uma amiga virtual (que quero muito conhecer pessoalmente), Giovana Lizana*, fez uma provocação sobre Morrissey (The Smiths) e Robert Smith (The Cure), que se eles realmente fossem verdadeiros no que cantavam, já teriam se matado. Brincou como se eles fossem posers*. Entrei na defesa dos meus ídolos da adolescência, dizendo que eles não terem se matado é um alento para quem tem depressão e que poser então era o Chorão, que cantava positividade e cometeu um suicídio inconsciente. Claro que era tudo provocação e jamais poderia imaginar que uma tragédia ainda maior na banda estava por vir. E hoje, conversando com Marcia Abad sobre o Champs e essas provocações, ela disse que mais do que cantar os desgostos da existência, o que Morrissey e Robert Smiths faziam "era uma catarse, um jeito de mostrar o sofrimento para mundo e assim, continuar vivendo". 
       


*Giovana é uma garota linda e inteligente que acaba de completar 19 anos, escreve brilhante e verdadeiramente em seu blog Little Wild One, tem muitas crises de depressão e eu desejo imensamente que ela não se entregue e não morra!

*Pra quem não sabe, poser é uma gíria usada para tudo que finge ser o que não é.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Aprendendo com Criminal Minds

    Quem me conhece sabe o quanto gosto de séries e filmes sobre investigações criminais. Até quem não me conhece, mas lê o que escrevo, pode perceber isso. Mas Criminal Minds, em especial, me inspira muito. Devo confessar: a primeira vez em que parei no canal AXN foi porque vi um homem lindo, de corpo esculpido em mármore negro, trajando roupas de praia. Era o ex-modelo e ator Shemar Moore (Derek Morgan*), no último episódio da primeira temporada. A visão desse deus do Olimpo me fez parar no canal... nos idos de 2007. Mas a trama me prendeu de um jeito, que passei a assistir sempre que lembrava, até me tornar fã da série e não querer perder nenhum episódio e rever sempre que possível. Até porque sempre há uma citação literária em cada episódio, afinal, todos os personagens gostam muito de literatura e estão sempre lendo algum livro.

    Trata-se de uma equipe de agentes do FBI, especializada em traçar perfis de criminosos psicopatas e seriais. Isso porque os psicopatas enganam muito bem, parecem pessoas "normais", geralmente trabalham e tem família, por isso policiais e agentes federais comuns não conseguem identificá-los. Nem todos os psicopatas tornam-se assassinos seriais, mas todos conseguem destruir vidas, sentimentos e muitos vivem normalmente em sociedade. Criminal  Minds utiliza casos que realmente acontecem nos EUA e que assustam, justamente por serem baseados em assassinos reais. Os monstros existem e podem ser seus vizinhos, amigos, pais, filhos.
      Além de ser didático, mostra uma equipe altamente especializada, profissional e que forma uma família, talvez esse seja o ingrediente de sucesso da série, a humanização desses agentes. Derek Morgan é macho alpha, mas sofreu abuso sexual de um treinador, quando era adolescente e vivia no gueto. Não acredita em Deus e foge de igrejas. Isso torna sua massa muscular invejável em um ser humano frágil e carente. Como sou um pouco obsessiva com informações sobre o que me interessa  (ou nem tanto), fiquei sabendo que Shemar Moore é a combinação genética de mãe holandesa e pai africano. Também foi ciclista e quando sua mãe foi diagnosticada com esclerose múltipla, convenceu todo o elenco do CM a fazer um passeio ciclístico pelo País, conscientizando a população sobre a doença e a importância do seu diagnóstico precoce. A liderança do personagem também está no ator.
     Poderia escrever um tratado sobre a série, comentando sobre cada personagem, fazendo sempre uma analogia com minha vida ou de pessoas que conheço. Mas prefiro me concentrar em Derek e o dr Spencer Reid (Mathew Gray Gubler). Reid é um jovem gênio (do jeito que eu gosto), médico psiquiatra, também filósofo, atormentado pelo medo que a esquizofrenia da mãe (também uma médica genial) tenha peso em seu DNA. Um personagem tão apaixonante quanto o ator. Nem precisei fazer pesquisa sobre ele, minha amiga/irmã/camarada Marcia Abad*, fez isso por mim. Mathew Gray Gubler tem uma das vozes mais deliciosas de se ouvir (Paulo Miklos/Titãs é outro) e tem um site onde mostra seus desenhos e vídeos, enquanto lê contos de Edgard Alan Poe. Também é ex-modelo. Fico sempre feliz quando descubro que os atores são maravilhosos como os personagens. Penso que o verdadeiro artista, além do talento, precisa ser sensível e generoso, porque assim é arte!
      Gubler também dirigiu um episódio que me fez chorar (será grave chorar assistindo Criminal Minds?). Era sobre uma mãe que teve o filho desaparecido há 9 anos e sempre que sabia de um desaparecimento de criança nas mesmas circunstâncias, procurava a equipe para dizer que poderia ser o mesmo serial killer. Essa mulher acabou com seu casamento e perdeu a guarda da filha menor, por viver nessa "paranoia" de querer encontrar o filho, que todos já davam como morto. Também começou a beber, mas nunca desistiu de procurar o filho, nem que fosse a procura por seus restos mortais. 
      Eis que 9 anos depois, realmente o filho estava vivo, nas  mãos de um casal de psicopatas, que sequestrava e torturava criancinhas. O menino agora era um adolescente, que ajudou a sequestrar algumas dessas crianças, como meio de sobrevivência. Foi o único que viveu tanto tempo, os outros já estavam mortos. Apenas 2 crianças são encontradas com vida. A mãe que era tirada de louca abraça o filho loucamente, após 9 anos. O pai que desistiu, que ficou com a guarda da filha, também chora. A mãe pergunta ao dr Reid o que fazer para recuperar o filho. "Com a mãe que ele tem, que nunca desistiu e sempre acreditou, ele vai superar tudo isso". Daí eu também chorei.


* Derek é o macho alpha, líder nato, que toma a iniciativa imediata quando não há tempo a perder.
* Marcia Abad é uma amiga que gosta dos mesmo filmes, livros, músicas e seriados que eu, além de ser uma engenheira, especializada na área de saúde (!). Muitas vezes vou contar algo como novidade absoluta e ela me apresenta mais "n" novidades sobre o mesmo assunto. Agradeço muito por sua amizade e conhecimento.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Mais um Dia dos Pais Superado

    Como bem lembrou meu amigo Clayton Martin, é só uma data comercial, feita para vender, assim como Dia das Mães e das Crianças (agora também tia dia da Avó, afinal a expectativa de vida aumentou muito na última década). Também não gosto de homenagens póstumas... Mas foram tantas declarações que precisei escrever. Fiz uma postagem no tal facebook, que rendeu muitos comentárias e que me deixou muito feliz, porque meu pai não era só bom para mim, mas para muita gente. Chorei quando li minha amiga/irmã Rosane Mendes "por muitos anos, seu pai também foi meu pai".  
    Dia dos Pais para mim, há muito tempo, é uma data triste. Não tenho mais meu pai, o pai de minha filha a levou embora e há 3 anos não sei nem o que é Dia das Mães com ela. E Miranda não tem pai, o genitor primeiro negou, depois não compareceu em audiência, nem em teste de DNA, depois não foi encontrado e nunca procurou por ela. Mas Miranda é tão impetuosa e destemida que talvez nem precise da figura forte de um homem para protegê-la. Tem a mamãe aqui, que também é muito forte e destemida. Mesmo assim é triste, pois ela vê propagandas, fotos e preparativos na escola. O mundo consumista não pensa nos bilhões sem pai ou mãe. Enfim... 

     "Não perdi meu pai no dia de sua morte. Comecei a perdê-lo 10 anos antes, quando seu cérebro brilhante foi atacado pelo Alzheimer... E eu demorei para perceber e passei noites chorando por tudo que viria acontecer. Me sinto incompetente porque os genitores de minhas filhas não chegam aos calos dos pés de meu pai. Não dá para imaginar o Abel arrancando a filha da mãe, ao contrário, sempre apaziguava nossos desentendimentos constantes. Sapateava para driblar o conservadorismo materno com a independência e liberdade da filha. Não imagino meu pai tendo uma filha e não reconhecê-la ou ampará-la, por mais que tenha sido o encontro de uma noite. Meu pai amparava os filhos dos outros!
    Sou a mãe que posso ser, mas tento ser para Miranda o pai que eu tive. O que leva na escola, faz lição de casa, torce, viaja para lugares distantes e selvagens, briga, grita, xinga e pede desculpas e diz sempre que ama. Dele herdei duas paixões que me definem: natação e literatura. Queria ter dito muito mais vezes o quanto eu o amava. E se dele tiver também a herança genética do Alzheimer será esperado e até merecido. Assim poderei esquecer as pessoas ruins que arruinaram minha vida (e que tiveram a sorte de eu já ter um pai doente), poderei me perder aos poucos e dar valor ao que realmente é necessário... Ah! Ele também era lindo e nem precisava!"

    Foi esse o texto que escrevi e despertou citações e muitas saudades. Repito o mesmo texto aqui, porque muitos leitores não fazem parte dos meus amigos de redes sociais (até porque tem leitores em todos os continentes e me orgulho muito por isso). Me emociona tanto saber que meu pai é lembrado sempre como a pessoa que eu acredito que ele foi. Muitas vezes fantasiamos um herói ou vemos um antagonista na figura paterna. Eu via um companheiro, um feminista, liberal. Agora eu sei que o valor que via nele era real. Com todo seu jeito explosivo, porém conciliador, com seu sorriso e olhar maroto/santista, como comentou meu querido Sérgio Duran (uma pai maravilhoso, diga-se de passagem). E quando eu escrevi que certas pessoas deram sorte por meu pai estar doente, quis dizer que, se estivesse são mentalmente, jamais deixaria um litígio acabar com minha vida, me afastar de minha filha. Primeiro que ele pagaria todos os advogados necessários, se não conseguisse antes convencer as partes com sua lábia fenomenal, pois Abel Correia Mendes, se não vencesse pelo argumento, ia mesmo pelo cansaço.
    Mas só fiquei sabendo após sua morte sobre uma atitude linda, encantadora. Quando eu tinha 16 anos namorava Danglares Silva, um jogador de vôlei de 19 anos, lindo, inteligente, fazia faculdade de Educação Física, gostava das mesmas músicas e filmes que eu, adorava esportes, enfim, um daqueles príncipes que sempre aparecem na adolescência. Certa vez voltávamos dos nossos respectivos treinos pela orla da praia da Enseada, no Guarujá, o ano era 1986, tudo muito deserto. Paramos num banco para conversar, namorar e ver o mar. Como nunca nos faltou assunto, nem percebemos que já passava das 21 horas e eu nunca chegava do treino depois das 19h30 (e sempre ligava para não deixar ninguém preocupado). Então vejo o carro de meu pai se aproximando. Ele parou com cara de contrariado, falou que era um perigo nós ali sozinhos, com o tanto de bandido que tem nas ruas. Me levou para casa primeiro, depois levou o Dan até a "república" que ele dividia com outros atletas.
   
    Só 25 anos depois o Dan me contou a conversa que teve com meu pai. Não cabe aqui todo o diálogo, mas o pedido de meu pai; "Eu só te peço uma coisa, Dan, faça a minha filha feliz". Quando soube disso, chorei como a menina que vai mal na prova. Meu pai era ainda maior do que eu imaginava.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O Masoquismo que Me Deu Resistência

    Na última segunda-feira, perto da meia-noite, enquanto esperava o ônibus na rodoviária de Ribeirão Preto para voltar para Santos, recebi uma mensagem do escritor/filósofo Paulo Ghiraldelli para ler uma matéria, antes de ver o filme. Curioso, pois não nos conhecemos, apenas somos adicionados numa tal rede social chamada facebook. Não sei o que ele sabe de mim, dos meus interesses filosóficos ou da minha humilhação constante. Mas li, claro! Era sobre o filme que está para ser lançado, a história da filósofa alemã, de origem judaica, Hannah Arendt. Essa mulher filosofou sobre a humilhação. Na matéria tinha um trecho assim:

"O que é realmente humilhante? Morrer como um inseto, mas se sabendo um inseto. Isso é humilhante. Mas morrer como um inseto, reconhecendo-se inseto e sob as botas de um idiota que o derrotou, isso sim é humilhante para valer. O que Hannah Arendt fez com os judeus logo após o julgamento de Eichmann foi humilhar os judeus ainda mais que isso. O que ela fez foi contar ao mundo que eles haviam sido mortos como insetos nas botas de um vencedor que não era um monstro ou um demônio, mas simplesmente um simplório, um medíocre qualquer, um idiota.
Isso quase a transformou em uma partidária do antissemitismo aos olhos da comunidade judaica de Nova York. Até seus amigos mais queridos, lá em Israel, lhe viraram o rosto. Como já havia acontecido em Atenas e, depois, em tantos outros lugares, o filósofo não foi entendido e teve de pagar um preço alto pela burrice alheia e pela sua necessária ingenuidade. Afinal, um filósofo não ingênuo não seria filósofo."

    Então me senti o inseto massacrado por um medíocre qualquer, um idiota, que assim como Hitler, conseguiu apoio de poderosos. São 7 horas de viagem de Santos para Ribeirão Preto, depois de Ribeirão Preto para Santos, para ficar durante 2h30 com minha filha, na sala cinza e fria de um Fórum, monitorada por uma psicóloga. É muito humilhante, mas é o que eu tenho para manter viva a minha lembrança para minha filha, para que eu possa levar fotos em que ela reconheça seus amigos e a vida que lhe foi arrancada. É humilhante para nós duas, mas ainda mais para mim, julgada o tempo todo, sinto os olhares curiosos e críticos de todas as mulheres que passam por nós naquela sala. Isso é ainda pior. São mulheres, todas mulheres. Sinto o machismo em muitas mulheres, em amigas traídas que culpam a outra mulher pela traição. Ora, a outra mulher não a conhece, seu marido que traiu, sim. Vejo o machismo feminino quando toleram o pai que não reconheceu a paternidade e zombam de mães solteiras. Sinto o machismo quando escuto :"se perdeu a guarda, não é flor que se cheire". Não, já fui flor que se cheire, hoje sou a que espeta! Já espalhei pétalas, hoje junto os cacos.
    Vencida pelas lágrimas, pelo incômodo nas costas de ficar duas noites seguidas sentada em um ônibus, procurei ler algo que me alegrasse, fui no blog Epichurus, do nadador Renato Cordani. Talvez ele não lembre, mas nos conhecemos em 1985, no aeroporto de Miami, onde ficamos por 8 horas esperando passar o Furacão Helena, sentamos juntos no avião e ele parecia um dos caras dos Beastie Boys, aliás, sempre acho os nadadores adolescentes parecidos com os caras do Beastie Boys. Esse blog é muito específico para nadadores, anárquico e democrático, abre espaço para que outros escrevam textos nele também. São textos divertidos, explicativos, deliciosos de se ler.
     Li o post de outro nadador, muito querido, Rodrigo Munhoz, sobre o masoquismo de nadar 400 medley, a prova mais dolorosa da natação. Acho mesmo que atletas são masoquistas, porque é muito bom sentir a dor pós-treino. Mas a natação, principalmente aquela dos tempos em que nem todas as piscinas eram aquecidas, é o mais masoquista dos esportes. Daí fui fazendo uma viagem no tempo, além da literal, que doía as costas. Por que nadei tanto? Tantas viagens, por horas dentro de ônibus lotado de atletas cantando, perturbando, não deixando dormir... talvez, só talvez, isso tenha sido um preparo para tantas horas semanais dentro de um ônibus, talvez aqueles treinos inesquecíveis, como os 15x50m para 45", pagando no final os "tiros" em que eu passava de "45, ouvindo meus melhores amigos tirando sarro, enquanto eu tirava as lágrimas dos oclinhos, tenham sido uma preparação para tudo o que estava por vir: dor, humilhação e muita resistência.
   Lembro dos treinos quase desumanos do Ênio Faria, como os 100x100m, para 1´40"! Isso mesmo, 10 km nadados de forma completamente tediosa, cansativa... quantas vezes eu pensava em sair da piscina e ir para o chuveiro quente? Mas nunca ia, eu continuava e não sabia porque continuava, mas para mim, missão dada é sempre missão cumprida. De alguma forma era um preparo. Por algum motivo fui cair nesse blog de nadadores para me lembrar de tudo isso e também lembrar que demorei para conhecer o machismo, porque mesmo sendo um lugar dominado por homens nunca fui criticada por estar peluda, porque não dá para estar sempre depilada e nós deixávamos isso para os finais de semana, assim como os garotos se raspavam inteiros e ninguém tinha nada a ver com isso. Jogávamos futebol, vôlei e basquete nas horas vagas e nunca ouvi "isso é coisa de homem", as meninas mais "namoradeiras" eram até admiradas, porque encontravam tempo para isso, não criticadas, meus namorados nadadores nunca reclamaram por eu ter a maioria de amigos homens, nem se importavam se eu dormia em casa de amigos ou viajava com amigos.
    Tem que haver um sentido para tudo isso e talvez eu não estivesse aguentando tudo se não tivesse sido tão masoquista quando nadava. Obrigada técnicos carrascos! Obrigada amigos nadadores feministas, obrigada pai por ter me obrigado a fazer natação!
    Outra curiosidade é que a natação sempre está ligada com o rock, a maioria coloca uma música na cabeça para dar ritmo e não enlouquecer com o barulho repetitivo da água nos ouvidos, então tenho muitas amigas de infância totalmente rockeiras e nunca sofremos preconceito por isso. Rock sempre foi coisa de gente, nunca coisa de homem. Hoje vejo como muitas músicas de amor cabem perfeitamente no meu amor maternal, o maior amor do mundo.

Obrigada Julian Casablancas por dar melodia e voz para o que sinto! 


  

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Só os Melhores do Mundo

    Na última segunda-feira, dia 22 de julho, fui dormir decidida a nunca mais chorar de tristeza, nem de raiva. Na manhã seguinte liguei a TV para ver a prova de 10 km feminino do Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos, que estão acontecendo em Barcelona. 
    Então assisti a prova mais emocionante de 10km jamais vista (por mim). Poliana Okimoto e Ana Marcela Cunha estavam determinadas a mostrar para o mundo quem manda nesses oceanos todos! Lindo demais ver as duas disputando a cada braçada, tentando ser mais rápidas a cada hidratação. Poliana venceu por 3 décimos, quase nada para uma prova tão longa, mas que lhe garantiu o lugar mais alto no pódium. Quando vi a premiação e ouvi o hino nacional, não consegui conter minhas lágrimas. Estava eu de novo chorando, mas de alegria e emoção. Sei como é difícil ser atleta e ser mulher neste País. Ainda mais nadadora. Apesar de tantas vitórias nas águas e nas quadras ainda é tortuoso o caminho do patrocínio, dos treinos, do incentivo e da conquista neste Brasil que faz jogadores de futebol milionários e nadadores de ponta, quase pedintes por passagens aéreas.
    Já vi essas duas "garotas" treinando no Santa Cecília, em Santos, faça chuva ou faça sol. As duas são fortes, determinadas e sempre com sorriso no rosto, mesmo com lágrimas no olhos. A vitória de Poliana foi particularmente festejada por mim, porque após seu desempenho na última Olimpíada ouvi e li comentários sobre sua carreira... que estaria no fim! Ah, como são levianos esses comentaristas, como seria fácil tê-la feito desistir, não fosse ela quem é! 
    Passou da hora do Brasil ser o País de todos os esportes. Olha só quanto  mar nós temos!

O melhor dos melhores se foi

    Comecei a receber ligações e mensagens eram 21h30, do mesmo dia vitorioso de Poliana e Ana Marcela. Djalma Santos morreu! Então no mesmo dia em que chorei de emoção e alegria, chorei de tristeza e frustração. Um dia antes havia trocado emails com Norian Segatto, meu querido amigo e editor da biografia do Djalma. Como iria para Ribeirão Preto no final de semana, daria uma esticada até Uberaba, onde Djalma morava, para fazer uma visita e levar a prova do livro para ele ir lendo no hospital... mas a morte não espera a visita. A morte não espera o lançamento de um livro que teve superprodução, que está pronto e por não sei que cargas d´água não foi lançado em maio.
    Várias pessoas me escreveram, até quem eu não conheço pessoalmente, lamentando a morte de Djalma e perguntando sobre o livro. O que posso responder? Que não sei a data e agora pouco importa, poderá parecer oportunista lançar após sua morte. Até porque o dinheiro das vendas iria para o biografado, que vivia com dignidade, mas com dinheiro contado da aposentadoria. Os 100 mil que o Lula prometeu para os veteranos das Copas de 58 e 62? Nunca chegou, tomara que chegue para Laura, filha única e adorada de Djalma.
     Já escrevi por aqui como começou essa história de livro, mas vale a pena relembrar. Norian me ligou perguntando se eu conhecia o Djalma. "Claro, o bi campeão mundial!". Daí me convidou para escrever sua biografia, pois o jornalista Flavio Prado foi chamado, mas como é um profissional dos textos curtos (rádio e TV), escreve seus livros com tempo indeterminado e esse tinha prazo para acabar. Então Flavio procurou Norian, que me procurou. Foi assim que tudo começou.
     A primeira vez que entrei na casa de Djalma foi mágico e isso eu escrevi neste blog. Fomos em comitiva. Para produzir o livro também fiz entrevistas em Curitiba, onde ele encerrou a carreira no Atlético, entrevistei o grande goleiro Waldir, do Palmeiras, fomos juntos ao flat onde ele morava. Estivemos juntos também  numa homenagem no  Memorial da América Latina. Acompanhei Djalma numa consulta médica em Uberaba. Jantamos juntos, almoçamos, tomamos vinho. No começo achava tudo meio surreal, depois é como se ele fosse meu amigo mais íntimo. Quando eu ligava para dar parabéns pelo seu aniversário (em 2012 e 2013), me agradecia com tanta humildade pela lembrança. "Como assim Djalma?? Nunca mais vou te esquecer, sei todas as datas da sua vida! Sei seus segredos, suas alegrias, tragédias, amores".
    A última vez que vi Djalma foi em janeiro. Estive em Uberaba para fazer as legendas das fotos, como eram mais de 2 mil fotos, algumas eu não conseguia identificar. Ficamos mais de 3 horas vendo fotos, conversando sobre tudo. Com sua ironia fina que o protegia das desgraças da vida, comentou que tudo começou com uma comitiva, depois eu, Norian e Camila Tostes (a fotógrafa que também se apaixonou por ele), depois eu e Camila, no final só eu. "É Adriana, a final é só para os fortes". Depois de umas duas horas no computador ouvindo suas histórias, comentando cada foto, sua esposa, a simpática e divertida Esmeralda, nos trouxe água e café. "Gente, vocês não param pra nada, não?" . Não sentimos o tempo passar, é assim quando a gente faz o que ama. Esmeralda ainda disse que eu sabia mais da vida dele do que ela mesma e me convidaram para voltar com Miranda e ficar na casa deles, pois eu era tão de casa que já usava até o banheiro do quarto do casal...
     Eu sabia tudo da vida dele, de mim Djalma só sabia que era jornalista e nadadora, que era filha única como a sua e que meu pai falecera em decorrência do Mal de Alzheimer. Ele tinha fascínio por natação, justamente por não saber nadar e ter quase morrido afogado 3  vezes. Tinha problemas nos pulmões, resquícios de sua infância, quando ficou órfão e morava com a irmã em um porão. No inverno frio de São Paulo, se aqueciam com carvão, isso durou anos e seus pulmões sentiram as brasas do carvão por toda sua vida. Eram seus pontos fracos...
     O mais triste é que esse livro seria uma homenagem em vida. Nunca fui de homenagem póstuma.  Djalma e sua jovialidade estariam presentes nos lançamentos, que seriam três: Uberaba, Curitiba e São Paulo. Nós ficamos imaginando e planejando tudo, ele dando autógrafos, seus amigos comparecendo em massa, seus fãs... o mais triste é pensar o que poderia ter sido e não foi. E cá estou eu, novamente chorando, de tristeza e de saudade. Djalma passou por tanta coisa boa e ruim na vida. Só chorou nas vezes que falava de sua mãe, Laura Nogueira, que perdeu aos 11 anos de idade, que foi enterrada como indigente, que ele tanto amava e que não tinha nem uma foto para mostrar. Em um dos nosso encontros eu disse para ele ficar tranquilo, podia não existir fotos, mas todos iriam saber a mulher maravilhosa que foi a mãe dele, que criou sozinha esse menino e duas filhas, com tanta disciplina e amor.
    Esse livro também me apresentou Gustavo Costa, um apaixonado por futebol e esportes em geral, que vive parte da semana em Uberaba e era grande fã de Djalma (quem não era?). Gustavo chegou a comentar comigo que daria um livro só o período em que o livro foi feito. Sim, daria. Penso muito em fazer isso, tenho tudo aqui no meu cérebro com memória privilegiada (enquanto o Alzheimer não vem). Porque enquanto desvendava os 84 anos de vida de Djalma, estava sem ver minha filha Dora. Ele, sem saber, me ajudou tanto com sua história de vida. Quanto  mais a vida lhe tirava, mais forte ele ficava, mais determinado e mais irônico.  Só da última vez que nos encontramos ele perguntou o que tanto eu ia fazer em Ribeirão Preto, então lhe contei minha saga na Vara de Família, minha dor de ter minha filha arrancada de mim sistematicamente, sobre nosso afastamento... ele ficou perplexo: "Mas os juízes, promotores te conhecem? Já viram sua filha? Como podem mantê-las afastadas assim? Vou morrer e não vou ter visto tudo". Não, nem o livro sobre sua vida ele não viu. Mas leu a introdução e o primeiro capítulo. Até chorou. Gostou do que leu, achou que estava absolutamente fiel ao que ele disse, além das nossas impressões pessoais sobre ele. Não pude dar meu último abraço, mas pude lhe dizer como esse trabalho me ajudou a ter forças para seguir no ano de 2012. Esperava que esse fosse nosso grande ano... mas não foi. 
     Resta-me a honra de ter participado tão profundamente de sua vida e mesmo sendo a pior em tantas coisas, mesmo sendo fracassada em tantas tentativas, mesmo quando tudo desmorona, ainda tenho as lembranças de conhecer os melhores do mundo. A final é só para os fortes.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A Vida Até Parece Uma Festa

    Há pouco mais de duas semanas, voltando feliz da vida pela avenida Ana Costa (Santos), com minha nova tatuagem ainda ardendo, presente de aniversário do meu super brother Koruja, vejo uma figura vindo na minha direção, na mesma calçada. "Nossa, esse cara parece o Pedro". E era! Lindo, cheio de vontade e ânimo. Esse amigo que eu amo faz parte de uma família que tenho como minha no coração. Incentivada por ele, que não mora mais em Santos e estava de passagem na casa da mãe, fui ver a irmã Mari e o filho Rafa. Daí Rafinha, que vi nascer e crescer, estava ouvindo Cabeça Dinossauro. Não estranhei, afinal, desde pequeno Rafa sempre gostou do velho e bom rock'n'roll.  A mãe, Mariana Vieira, ama MBP, o pai, Juliano Aviz, toca muito e é puro rock. Ambos são pessoas de caráter tão bom e tão cheios de amor, que o Rafa não poderia ser muito diferente. 
    O que me surpreendeu foi ele me convidar para o show que teria no dia seguinte, em Santos. Eu nem sabia que tinha show dos Titãs, ainda com o Cabeça Dinossauro. Como agora a minha moeda é sempre pesada no valor da passagem para Ribeirão Preto, disse que o ingresso era muito caro. "Tô convidando, eu pago, Dri". Sinal dos tempos...

   Tinha dormido poucas horas, acordado 6h30, no sábado iria para Ribeirão Preto, mas coloquei o uniforme jeans, tênis e camiseta do Hulk, iria dar muito certo na hora de cantar: "Tô cansado de trabalhar, tô cansado de me ferrar, tô cansado de me cansar". A fauna humana do público era ótima, cheia de gente que viu o Cabeça Dinossauro em 1986 (tipo eu) acompanhados de adolescentes (tipo Rafa). Na primeira música já não dava para saber quem tinha 15 ou 50. Nada como um "show de rock pra se libertar", como dizia Renato Russo. Primeiro que os Titãs continuam  mandando muito bem, cheios de energia, atitude e paixão pelo que fazem. Eles não envelhecem! 
   Perdi as contas de quantos shows eu fui dos Titãs. Lembrei do Cabeça Dinossauro original, com o sempre saudoso Marcelo Fromer e com a presença ainda de Arnaldo Antunes, Nando Reis e Charles Gavin. Fizeram falta, claro, mas como sempre eram tantos no palco, os resistentes Paulo Miklos, Tony Belloto, Branco Mello e Sérgio Brito (sempre colocando as vísceras no vocal) se uniram tanto que por alguns instantes parecia que os outros estavam no palco também.
    Esse show foi particularmente emocionante. Pelas pessoas que estavam lá, por estar junto com o Rafa, pelas músicas que cantei até ficar rouca, pelos pulos que dei, pela energia que resgatei. Por 2 horas minha vida foi diversão e alegria, sem nada que não fosse barulho nos meus ouvidos, luzes nos meus olhos e pulsação forte. Por 2 horas não pensei em nada que não fosse música e festa. Então acabei com uma dúvida antiga: Cabeça Dinossauro é o melhor dos Titãs. É o marco do rock brasileiro.

Bellíssimos
 
    No dia seguinte fui para Ribeirão Preto com Miranda. Ônibus para São Paulo, depois metrô até o terminal rodoviário Tietê, depois mais 4h30 para Ribeirão. Eu exausta, Miranda cheia de energia. Fábio Diegues e um amigo foram nos buscar para seguir diretamente para a festa de aniversário dos Bellíssimos, que havia começado às 13h. Eram 18h30. Os irmãos Bellíssimos não são belos só no sobrenome. São todos assim por dentro, por fora, dos lados. É tanta beleza naquela família que transborda. Os queridos gêmeos e mais velhos do clã,  Dido e Ricardo aniversariam no mesmo dia da caçula e linda Marina. Também aproveitam o aniversário do Fernando dia 4 de julho e então fazem sempre uma grande festa na chácara que conheço desde 1989, quando tive a alegria de fazer parte desse grupo tão especial. Tem ainda o Beto, que só comemora em setembro, mês em que chegará seu primeiro filho. Reencontrei também o primo Marcello Bellíssimo. Continua lindo e divertido igual e parecia que havíamos nos visto ontem.
    Como minha vida anda meio caótica nos últimos anos, ainda não tinha apresentado Miranda para a família Bellíssimo. Dora já era da casa antes de completar um ano. Assim que chegamos uma menina linda e educada fez às vezes de anfitriã para Miranda, levando-a para o pula pula, onde mais de uma dezena de crianças estava. Então começa a tocar a Banda Ed, de Franca. Puro rock'n'roll. Marina importou a banda de Franca, disse que em Ribeirão Preto ainda impera sertaneja e pop. Ainda bem que trouxeram o pessoal do Ed. Tocaram tudo que eu gostava. Miranda ficou vidrada no guitarrista cabeludo. O vocal poderoso era de uma garota estilosa. De repente meu cansaço passou e tudo era festa, estávamos todos dançando abraçados. Miranda de mãos dadas com a filhinha de Fernando. Descubro que a menina anfitriã era filha de outro primo que eu ainda não conhecia, Maurício.
     Certa hora Ricardo escorregou e  estatelou-se no chão. Os irmãos não o ajudaram a levantar, foram se jogando um por cima do outro numa das cenas mais divertidas da noite. Por cima de todos ficaram Miranda e outras crianças. Que festa linda! Que pessoas especiais!
      Passei alguns dias ainda sob o efeito do rock e do reencontro. Alguns dias sem lágrimas nos olhos e aperto no peito. O bom da vida é poder escolher o que lembrar, os momentos bons ou ruins. Por mais que minha vida não esteja mais no meu comando, por mais que eu sofra todas os dias e fique exaurida todas as semanas, são esses momentos que mais recordo. Isso faz valer a pena continuar. 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Brigar pra Quê?

    As manifestações não param e acontecem não só nos grandes centros urbanos e capitais, mas também em pequenas cidades do Brasil. São tantas as reinvindicações que se perdem no meio dos manifestantes. É certo também que muita gente vai no oba-oba, sem saber muito bem a quem ou o que reinvindicar. É muita indignação para pouco cartaz. Penso que pedir uma reforma política seria o ideal, porque muita coisa precisa mudar. Penso que grupos mais organizados, como o GLBTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais) deveriam fazer seu manifesto diretamente aos seus opositores, como a turma que defende o projeto de Lei sobre a Cura Gay. Os médicos e categorias contrários às contratações de profissionais cubanos, idem. Meu maior protesto é contra a lentidão do Judiciário e suas brechas que deixam processos serem procrastinados por anos. Não estou sozinha. Já temos um grupo que precisa se organizar mais. A dificuldade da nossa organização é a imensidão territorial do Brasil.
    Já disse aqui que sou apartidária e anarquista. Não sou antipartidária, não odeio partidos. Acho até muito perigoso um jornalista ser petista, psdbista ou qualquer ista, porque isso tira totalmente sua credibilidade e imparcialidade. Se o jornalista tem partido, vai tomar partido, vai fechar os olhos para o Mensalão com a resposta vazia firmada em outra pergunta: "E a privatização tucana, esqueceu?" Chamo isso de explicar um erro com outro. Não concordo. O mesmo são os jornalistas psdbistas que parecem ter esquecido a privatização tucana e o golpe da reeleição do FHC. Eu estava lá, trabalhando na assessoria de imprensa no governador do Estado de São Paulo, Mario Covas, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso aprovou a reeleição e se reelegeu. Ora, só deveria valer a partir da próxima eleição. Foi golpe. O governador Mario Covas ficou muito bravo e só não rompeu porque isso partiria o PSDB no meio. Como disse, não sou partidária, mas admiro alguns políticos, tanto do PSDB, como do PT. Mario Covas era um desses admiráveis. Sei porque trabalhei com ele. Também admiro Eduardo Suplicy e alguns deputados estaduais e federais do PT. 
    O que não estou gostando de ver é a guerra por ideais políticos. Estou vendo amigos de infância rompendo por cegueira política. Claro, não devemos manter uma amizade só porque ela é longa, se percebermos que alguém virou um nazista, fascista, racista ou algo tão contrário aos nossos princípios de caráter e formação. Mas estou vendo amigos leais, de bom coração, trabalhadores, honestos, brigando. Não são hipócritas, nem ignorantes. São brasileiros que querem ver um País melhor, igualitário e justo, assim como eu, assim como muitos de vocês que estão lendo isso agora.
    Nas redes sociais parece que tem gente que só quer ser do contra, criar desavença. Não brigo. Já passei dessa fase juvenil, de ficar de mal, de não sou mais seu amigo. Tento esclarecer, tento entender o pensamento do outro. Tento relevar e me colocar no lugar. Tento me colocar no lugar de um médico brasileiro... mas isso é assunto para um outro post.
     Meus amigos de natação, por mais que tenham seguido outros caminhos, estão sempre nas minhas lembranças como pessoas que lutavam pelo mesmo ideal: treinar, competir, vencer seus limites. Torcíamos juntos, chorávamos e  ríamos juntos. Homens, mulheres, pequenos, grandes, brancos, negros, orientais, altos, baixos. Por genética alguns eram acima da média, outros abaixo, mas todos estavam sempre juntos. Assim que deveria ser quando queremos melhor educação, saúde, esporte, lazer, moradia, transporte. Juntos somos fortes. É o chavão mais verdadeiro que existe.