terça-feira, 25 de março de 2014

A Desigualdade Social que Começa em Casa

    Sempre evitei dar minha opinião sobre o programa Bolsa Família, do Governo Federal, mas tenho lido tantos comentários reacionários e fora da realidade de quem vive ou viveu em outras esferas da sociedade, que tenho vontade de por fim em algumas amizades. É muito fácil para quem sempre estudou em escola particular, ganhou carro aos 18 anos, teve faculdade paga ou então passou na pública (já que estudou na melhor escola privada) falar que “é preciso ensinar a pescar e não dar o peixe”.
      Eu vivi as duas realidades, estudei em escola pública até o primeiro colegial, mas meu pai percebeu que o ensino público estava lastimável e preferiu me colocar no Colégio Objetivo, uma máquina de passar no vestibular. Eu até poderia ter pleiteado uma bolsa como atleta, mas meu pai, sempre ele, tão sensato, tinha condições de pagar e achava melhor que outros nadadores, menos favorecidos naquele momento,  ficassem com a bolsa.
     Ganhei meu primeiro carro aos 18 anos, um Fusca, para eu "aprender a dirigir e poder dar pequenas batidas sem maiores prejuízos". Ganhei um carro 0km aos 22, quando estava no último ano da faculdade e já trabalhando na área. Não pedi nada e nem acreditei quando vi o carro na garagem: “Agora você pode subir e descer a Serra com segurança”, declarou meu pai e completou: “O IPVA e o seguro anual estão pagos, a partir de agora é só com você”. Eu ganhei o peixe, mas já tinha aprendido a pescar. Além do que sou filha única, talvez, se tivesse mais irmãos, as condições teriam sido outras.
    Então escuto mulheres falando que “essas mulheres” ficam se enchendo de filhos por causa do Bolsa Família, que é só fazer controle de natalidade. Sim, claro, eu mesma, tão bem informada e instruída, não planejei nenhuma gravidez, afinal, camisinha nunca estoura, pílula nunca falha e nós nunca ficamos enlouquecidos de paixão. Escuto isso de mulheres que fizeram vários abortos, uma hipocrisia abominável! Se fossem pobres teriam sido mães na adolescência, porque menina pobre não tem outra saída a não ser ter o filho ou arriscar morrer abortando de qualquer jeito. As meninas com dinheiro abortam em clínicas elegantes e caras, depois se acham no direito de criticar outras mulheres que aos 30 anos já estão no quinto, sexto filho. O pior machismo é o feminino, sempre achei isso, desde quando nem sabia o que era machismo. 
     Vejo a desigualdade social na minha própria casa. Quando Dora nasceu eu tinha um plano de saúde top 5, arcava com todas as despesas dela, da casa e até do folgado do pai dela, Jonas Golfeto. Dora só estudou em escola pública por 2 anos, mas era na Escola Modelo Dino Bueno, em Santos, que trouxe para nossas vidas a família Figueiredo Schiarri e isso já valeu por uma eternidade de coisas boas, mesmo que a escola fosse ruim (o que não era).
   Mas Dora queria mais e então conseguiu por mérito 50% de bolsa no colégio Ateneu Santista, comprei todo o material e uniforme, com certo esforço, já que tinha Miranda, com menos de 2 anos, totalmente por minha conta e risco. Porém, aos 15 dias de aula, minha Dora foi levada pelo pai, oficial de Justiça e Rede Globo, até Ribeirão Preto. Lá estuda numa ótima escola, Albert Sabin (nunca me permitiram conhecer, já que a outra parte levou o processo – mesmo em segredo de Justiça – para proibir que eu entrasse), continua com excelentes notas, as mesmas que sempre teve, em escola pública ou privada. Faz ballet pago também. Não conheço a casa dos avós, José Hércules Golfeto e Ed Melo Golfeto, onde mora, mas sei que é bem grande, pois já estive lá no portão, para tentar abraçar minha filha após um ano sem nem ouvir sua voz, mas a outra parte chamou a polícia para me levar embora.
    Por que há desigualdade social na minha casa? Porque Miranda nasceu em um hospital particular, mas eu não tinha mais plano de saúde e precisei pagar tudo (sozinha), sempre frequentou creche pública e agora está numa escola municipal, no Guarujá, muito linda e toda lúdica, mas Miranda, que também tem tanta sede de saber, já me disse: “Mamãe, quero aprender a ler, escrever, na escola só dão brincadeira, brincar eu brinco no prédio”.
    Fui conversar com a professora, me explicou que é uma norma e que é contra (uma professora rebelde), “nessa idade só brincadeiras”, apenas Miranda e mais dois da sua sala sabem escrever o nome e reconhecem letras. Cabe a mim brincar de escolinha em casa e lhe alfabetizar.
    Gastei até o que não tinha com um processo, para ter acesso à minha filha. Há mais de três anos vivo essa saga e nem eu me aguento mais. Se tivesse muito dinheiro, já teria a guarda da Dora. O advogado mais fodão de Ribeirão Preto me garantiu que em um ano ela estaria comigo... mas seus honorários eram 40 mil reais, fora as custas judiciais. Na Vara de Família sempre vence quem tem mais dinheiro ou conhecimento, em Ribeirão Preto só conheço amigos de adolescência e jornalistas, o que já me ajuda muito. A família Golfeto conhece muita gente e é muito conhecida lá (apenas lá).
   Miranda nunca será disputada judicialmente, ela não tem pai, nem em seu registro de nascimento. Até tentei fazer com que o cara a registrasse, com medidas legais cabíveis, mas o sistema judicial brasileiro é paradoxal: não posso passar mais que 2h30 junto de Dora, dentro de uma sala, no Fórum, monitorada por uma psicóloga por quem não sinto a menor empatia, mas sou capaz de criar Miranda absolutamente sozinha. Tenho muita curiosidade em saber como serão minhas filhas adultas, no que dará essa desigualdade social das duas.     Aqui no Brasil a Justiça falha e tarda, sempre. Estou até pensando em me cadastrar no Bolsa Família, já que minha filha frequenta escola pública, já que o Estado nunca me deu nada e ainda me tirou uma filha.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Qual o Sentido Disso?

    Estava dando uma geral em caixas de papeladas, me preparando para mais uma mudança física (as afetivas, psíquicas e emocionais acontecem ainda com mais frequência) e me deparei comigo aos 12 anos. Textos sobre ateísmo, eutanásia, amizade, amores juvenis e música. Penso que esse ceticismo precoce pode ser o responsável por me tornar uma pessoa infeliz. Os crentes tem esperança e acreditam que outra vida virá, com alegria, paz e justiça. Eu acredito nessa vida e cada vez vejo menos sentido nela, menos alegria, paz e justiça. 
   O único sentido é a música. Talvez por isso eu admire tanto os músicos, por mais utópicos, por mais abstratos ou “viajandões” que sejam, tocam sua fúria, tristeza e alegria. Ou simplesmente se divertem. E me divertem também. Os momentos mais felizes da minha vida são acompanhados de trilhas sonoras. As pessoas que mais amo, vivas ou mortas, estão banhadas em música. Posso até ver as partituras evaporando de seus poros. 
  Fui lendo tudo o que escrevi lá na pré-adolescência, minha preocupação com o meio ambiente, com miséria, desigualdade e o mundo que me esperava quando fosse adulta. Eu aproveitava todas as chances para ter uma vida melhor. Não era uma nadadora excelente, mas o suficiente para viajar para vários campeonatos, conhecer lugares e pessoas de outras regiões e culturas. Me deram alguns peixes, mas também me ensinaram a pescar. 
   Não culpo mais os outros por tudo dar errado. Eu escolhi me envolver com esses “outros”, eu escolhi trazer mais gente para esse mundo com excesso de pessoas e tantos desperdícios. Eu escolhi fazer faculdade de jornalismo, que é sinônimo de instabilidade.
    Penso que o Brasil piorou nas últimas décadas, mas olho para o resto do mundo e também não vejo muita evolução, só os países de sempre continuam indo bem: Dinamarca, Suíça, Suécia. Os senhores da guerra continuam guerreando nos lugares de sempre (Oriente Médio), mas não deixam de encontrar novos horizontes para despejar seus armamentos bélicos, o Leste Europeu que o diga. É tanta guerra nova que quase ninguém lembra dos três anos de horrores que seguem na Síria. Por que eu devo me preocupar com os ucranianos morrendo nas ruas enquanto se manifestam contra o seu Governo, com os venezuelanos baleados pelo mesmo motivo? Por que eu continuo me importando com quem não conheço? Já não tenho problemas suficientes? Porque somos todos terráqueos e eu me sentia parte disso, agora nem sei se me sinto mais.
     Daí eu não queria mais falar de processo, mas foi por isso que esse blog começou e é bom saber como a Justiça não funciona no Brasil. No início de tudo, a outra parte pediu que minha filha ficasse três meses sem contato comigo, para poder restabelecer os laços com a família paterna. Talvez o judiciário tenha lido errado, no lugar de meses entendeu anos. Afinal já se passaram 3 anos e 1 mês. Agora o laço afetivo foi restabelecido com a família paterna, mas não há mais vínculo com a materna. A própria psicóloga forense de Ribeirão Preto escreveu em seu laudo que as irmãs perderam o vínculo. Era de se esperar após tantos anos sem contato, sem passar uma noite juntas, um final de semana de diversão, uma festa de aniversário, um almoço, um sorvete, assistir um filme. O que o juiz vai fazer agora? É preciso retomar esse vínculo... ou não, porque depois de tanto tempo nada mais que se faça fará sentido, nem será justo, nem comigo, nem com ela.
   Nos meus escritos antigos encontrei também as 5 músicas que gostaria que tocassem no meu funeral (sempre gostei de Top 5). Escrevi isso aos 23 anos, eu nem estava triste, era um texto divertido até, talvez eu acrescentasse outras músicas agora, mas sou uma pessoa fiel na arte, quando me apaixono, vou até o fim: 
Where Is My Mind? – Pixies;
Under Pressure (Queen and David Bowie); 
Needles&Pins (Ramones); 
Patética (Bethoveen) 
Bolero de Ravel
   
   A música é a única coisa que faz sentido, na vida ou na morte. 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Os 40 Anos de Fernanda Robles

   Enfim aconteceu: quebrou a barreira dos 40 a última moradora do épico apartamento 51 A. Quem viveu leva a marca deste lugar, um apartamento grande na rua da Consolação, onde moravam amigas santistas. Não, não era bairrismo, era uma grande coincidência, quando alguma moradora saía por motivos de mudança de trabalho ou casamento, entrava outra e sempre era alguma amiga de infância ou adolescência, no caso, de Santos. 
  Para comemorar a entrada nos “enta”, Fernanda Robles fez uma festa. Mais do que comemorar o aniversário da amiga maravilhosa, todos estavam lá para celebrar o reencontro. Então fui relembrando a importância da Fernanda em minha vida e todas as coisas e pessoas boas que ela me trouxe. Nos conhecemos na adolescência, era prima das minhas melhores amigas, Flavia e Ana Paula. Sempre aparentou menos idade: aos 16 parecia ter 12, hoje aos 40, se disser que tem 30 ainda acharão que é muito. Mas o que sua aparência tem de jovem, sua cabeça tem de madura e responsável. Não consigo enumerar todas as vezes que passamos férias e feriados em Paúba, nem todas as risadas e insigths e músicas e livros divididos. Houveram lágrimas também, mas que ficavam suaves ao lado dela. 
  Quando eu estava com problemas de convivência no apartamento que dividia em São Paulo, lembrei do 51 A. Liguei para Fernanda e disse que assim que vagasse um quarto (eram 4), que me chamasse. Alguns dias depois ele me retornou: Iamara Araújo e Glaucia Diegues estavam saindo (minhas amigas desde sempre). Meu único porém era a gata Nana. As outras moradoras e também minhas grandes amigas, Zan Moraes e Maria Paula Alves, aceitaram a bichana e mudei para lá. 
  Zan e Maria Paula saíam cedo para trabalhar, eu e Fer tínhamos horários mais flexíveis e passávamos mais de uma hora no café da manhã caprichado, com muita conversa e projetos de vida. Na época não havia coleta seletiva de lixo e por iniciativa desta bióloga, começamos a reciclar em casa e levar até a Cooperativa da João Moura. Numa semana levava ela, na outra eu. Foi então que percebi que nosso lixo reciclável era 5 vezes maior do que o orgânico. Foi quando acompanhei o trabalho dos catadores, dos recicladores, que ganharam um espaço da Prefeitura (a grande Erundina era a prefeita de São Paulo), muitos deixaram de morar na rua após a reciclagem. Claro que fiz matéria sobre isso, mas é outra história. 
  Fernanda também trouxe para minha vida Sérgio Galvani. Começaram a namorar nos anos 90, estão juntos e com três filhos. Fernanda é ligada nos 220, já Galvas é um ser de fala mansa, tranquilo, mas igualmente inteligente, lindo e gente boa. Uma vez eles terminaram o namoro, acho até que foi ela quem terminou. Lembro de ter dito que, se eles não voltassem, nunca mais eu acreditaria no amor. A separação durou menos de uma semana e nós (eu, Zan, Maria Paula) festejamos o retorno como se fosse um relacionamento nosso. Afinal, Galvas era nosso quinto elemento, sempre presente no 51 A, um cara que dava liberdade de falar e fazer qualquer coisa, entende muito as mulheres esse cara e já me deu conselhos que sigo para a vida. 
  Quando a médica me disse que deveria marcar o parto de Dora entre 6 e 12 de fevereiro, não tive dúvidas: seria dia 9. Não foi coincidência, escolhi o mesmo dia de Fernanda, que também é bailarina. Faço aniversário no mesmo dia da mãe da Fer, a querida Luzia, então acredito que ela jamais esqueça meu aniversário, assim como jamais esqueço o dela. Dora também é inteligente, bailarina e muito madura. Acho que acertei na data – algum acerto a gente tem que ter na vida. 

A Festa – O evento foi em Campinas, onde moram Fer e Galvas. Estou numa fase muito ruim há alguns anos e, de janeiro para cá, estou a beira do abismo, que acena para mim convidativo todas as noites, às vezes de manhã também. Festas e bares há algum tempo não me atraem. Mas eu sabia que não seria uma festa qualquer, que encontraria as meninas do 51 A. 
   Alguns dias antes Fer ainda me pressionou: “- Você vem, né Dri?” É muito importante para mim saber que as pessoa que amo também se importam comigo. Apesar de que continuo amando de qualquer jeito. Mas fico feliz quando a recíproca é verdadeira. 
   Fui com Maria Paula, que também amo tanto. A ida foi uma saga, irritante em alguns momentos, mas divertida no final. Até entrega de carro em São Paulo para uma amiga aconteceu, quando passamos para o carro de Laerte, namorado da Maria. Paradas, atrasos, chuva. Enfim chegamos na casa de Mônica Gobitta e seguimos para a festa. Da rua já se ouvia o som da banda Os Intocáveis. Quanta alegria encontrar Ana Cristina Basravi (my Soul), Iamara, Carmen Santana, Zan. Que bom ver que essas mulheres continuam incríveis, lindas, superando crises, gerenciando as vidas com leveza e amor. 
   A banda só tocava anos 80, Fernanda escolheu tudo, até a playlist nas paradas da banda, música por música. Uma centena de pessoas dançava, pulava e cantava todos os hits dos 80. A maioria esteve lá nos shows da Plebe Rude, Ira!, Titãs, Camisa de Vênus e todas essas bandas responsáveis pelo boom que o rock nacional viveu. A banda que tocava era ótima, alguns tinham filhos também guitarristas, baixistas, que também tocaram. Percebemos a importância de ter vivido juntos tudo isso. Éramos sim mais politizados, o rock era muito divertido, mas cheio de atitude, mesmo quando falava de banalidades.  Éramos felizes e tínhamos plena consciência disso. 
   Num certo momento o vocalista da banda clamou por alguém que soubesse cantar a saga de Arlindo Orlando (A dois passos do paraíso, da Blitz). Um empurrava o outro para ir, todos já bem embriagados, de repente o nome de Galvani foi chamado, ele não se intimidou, pegou o microfone como se fosse seu melhor amigo e arrasou. Além de tudo, ele também canta! Um momento inesquecível. Senti orgulho de ser amiga dele. A música terminou com um beijo apaixonado, de um casal lindo e iluminado (sério, tinha luz saindo deles). Nem diretor de comédia romântica seria capaz de imaginar tal cena, nada foi planejado, tudo com tanta espontaneidade. O único plano era a diversão. Fernanda faz aniversário e o presente é nosso. Só alguém como ela poderia reunir tanta gente especial em um único espaço. Obrigada, Fer, por me fazer sempre lembrar de como é o amor e a amizade.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Morte Súbita

    Ano passado, não lembro quando, minha filha mais velha me perguntou qual livro eu estava lendo. “Nenhum”. Daí perguntou qual foi o último que eu tinha lido. “Não lembro”. Devo ter lido tanto na vida que chegou a hora em que só queria escrever. Ela me disse que lia cinco livros por mês. Só nas férias leu todos do Harry Potter. Lembrei de mim com a mesma idade, era também uma devoradora de livros, sócia da biblioteca municipal, pegava dois por semana, fora as trocas de livros entre os vários amigos que também adoravam ler.
    Mas tomei uma “bronca” virtual da minha filha (o único contato que temos é virtual), porque deveria ler mais, porque literatura é vida.* Assim como eu, na minha infância e adolescência, Dora cresce filha única, numa casa de adultos, sem crianças e busca na literatura uma forma de libertação e conhecimento da vida. Voltei a ler mais livros e menos matérias jornalísticas a partir daí. 
   Comprei Morte Súbita, da J.K. Howling, para dar de presente de aniversário para Dora. Não sei quando poderei entregar, não há data nenhuma para encontro nenhum. Não quero mandar pelo correio. Isso é tão parente distante! E li o livro, já que é para adulto e queria saber se poderia ser lido ou não por uma garota de 12 anos. São mais de 500 páginas e só não li em dois dias porque tenho muito a fazer em 24 horas, mas cheguei a dormir menos de 4 horas por noite graças à narrativa envolvente, aos personagens consistentes e a essa escritora tão, mas tão inteligente e sensível que não posso ser nada menos que sua fã.
  Morte Súbita é daquelas obras que te faz pensar no dia seguinte e no outro. É uma ficção cheia de realidade. Todos aqueles personagens são tão verdadeiros que é possível identificar-se nos pensamentos de cada um, todo mundo tem seu lado obscuro e sombrio, alguns mais ressaltados, outros conseguem esconder melhor. Minha parte sombria eu não posso esconder nem se quisesse (mas não quero), já foi exposta de todas as formas. Perder a guarda da minha filha foi resultado de um processo judicial, iniciado pela outra parte, após eu ter passado por uma depressão profunda (culpa minha, sempre). Essa depressão, melancolia ou tristeza nunca poderão ser esquecidas. O vazio deixado por essa ausência dilacerante da filha me faz lembrar todos os dias da depressão que eu tive. E que, por conta desse vazio, sempre me ronda. 
   Como eu queria poder ajudar todos os deprimidos do mundo, que além do sofrimento latente e inexplicável, ainda suportam os preconceitos alheios, “é falta de um tanque de roupa suja para lavar”, “falta de problemas na vida”. Ouvi muito isso, de pessoas muito próximas, algumas mais autênticas me diziam na cara, outras falavam pelas costas, mas nunca odiei essas pessoas. Ignorância não deve causar ódio e sim compaixão. 
    E esse livro mostra o quanto a humanidade pode ser cruel e hipócrita. Como é difícil passar incólume pela adolescência e como os traumas da infância permanecem por toda a vida. Como é fácil destruir a autoestima de alguém vulnerável e jovem. Eu nem sou tão vulnerável e muito menos uma jovem, mesmo assim sinto-me uma pessoa abaixo da linha do mérito. 
  Esses dias são particularmente difíceis. Minhas filhas nasceram 9 e 16 de fevereiro e esse será o quarto aniversário que não passam juntas. Como disse a psicóloga forense, “perderam o vínculo de irmãs”. Data de aniversário de filhos deveria ser especial e feliz. Para mim não. 
   Em Morte Súbita há mãe viciada em heroína e mesmo assim ela tem a guarda dos filhos, passa por aquela via sacra de assistentes sociais, psicólogas... mas é uma viciada em heroína, que esquece de alimentar e banhar o filho de 3 anos. Tem também o esporte resgatando a cidadania, devolvendo a autoestima de garotas que sofrem bullying, que tem mãe viciada em heroína e cuida do irmão pequeno.  Tem muita história pesada no livro e agora não sei se devo dar para Dora ler. Não por mim, que li Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída aos 12, mas pelo o que a família Golfeto (os guardiões da minha filha) pode pensar. Podem até levar o livro e colocar no processo, para mostrar ao juiz a pessoa inadequada que sou. 
   Agora o mais louco é que estou escrevendo um romance policial, nele um juiz é assassinado no primeiro parágrafo. Sua morte muda o rumo de várias histórias e por meio dos vivos fica-se sabendo sobre o morto. Em Morte Súbita acontece a mesma coisa! Obviamente J.K. Howling é mais brilhante e infinitamente mais talentosa do que eu. E, por sorte, já mostrei os dois primeiros capítulos para três pessoas de extrema confiança, críticas e sagazes. Só para saber se estava no caminho certo... 
   Morte Súbita me fez pensar muito na morte e na vida besta de tanta gente. Minha vida mesmo anda muito besta. Fiquei com tanto medo de ter uma arma apontada novamente para minha filha* que nem quero mais sair de casa. Ainda bem que o incrível mundo da internet permite mandar os textos de qualquer lugar. Mas ainda gosto de me reunir com pessoas para discutir projetos. De todas as mortes, a súbita é a menos trágica.

* Escrevi sobre esse assalto num dos últimos posts

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Mais Um Ano Sem Você


    Em novembro minha advogada fez uma série de pedidos para o juiz Do Processo*. O único aprovado foi que eu pudesse ver minha filha antes do Natal. Como ateia não ligo para Natal, a primeira árvore montei depois que me tornei mãe, já que as crianças gostam de árvores, enfeites, festas e são muito novas para entender o consumismo frenético da data. Mas acho lindo as pessoas se tornarem mais generosas e simpáticas nessa época do ano. Algumas só nessa época. Talvez esse juiz seja cristão e ficou com pena da criança. Mas também pedi 10 dias de férias. Talvez a advogada não tenha especificado que era para 2014. As férias acabaram. Se ao menos o pedido fosse negado, eu poderia recorrer, mas o juiz, a pessoa que deve decidir, não decidiu! E ficamos a mercê desse magistrado tosco, lento e corrompido. 
   Passei 10 dias em Búzios (RJ), com amigos queridos, com Alice e Raiz, amigas da minha filha. Búzios é sempre lindo, sol todos os dias, mar gelado, vento, lugar perfeito para passar o verão. O restante do mês fiquei no Guarujá, porque moro onde as pessoas pagam para passar férias. Minha filha? Passou seus dois meses férias em Ribeirão Preto, no calor infernal, como ela mesma diz. Sem viagem, sem praia, sem mãe
   Hoje Dora completa 12 anos. Amanhã completará 3 anos que minha filha foi levada para a casa dos avós e nunca mais dei um boa noite, nunca mais almoçamos, jantamos, tomamos sorvete, passeamos juntas. Isso torna esses dias tão tristes, queria que não existissem calendários, nem datas.  Continuo não sabendo nada sobre suas alergias que a obrigam tomar vacinas semanais “para sempre”, sobre sua escola, seu ballet, não conheço nenhum de seus novos amigos, nada de seu cotidiano. Uma data que seria para comemorar, mas só me dá tristeza. Muito triste lembrar do seu nascimento, dos planos, da sua infância roubada e como a “justiça” nos separou. 
   Já passou tempo demais para ficar esperando decisão de juiz que não decide. O judiciário é uma fábrica de desesperança. As dezenas de mães na mesma situação dizem que agora só esperam a justiça divina. Como prefiro não acreditar em deus (se acreditasse o detestaria), só espero o tempo passar, assim minha filha completa logo 18 anos e deixamos de ser apenas números de processos e voltamos a ser gente. Talvez a infância desses juízes tenha sido muito ruim ou tão distante que não lembram como as férias de verão eram esperadas, desejadas, queridas. 
   Nesse último mês mais três mães me escreveram porque estão com medo de perder a guarda, uma delas “já” está nas perícias e me perguntou como agir. Sinceramente, acho que devem fazer o oposto do que eu fiz, porque nada do que eu faço funciona. Outro dia dei dicas para uma mãe de como procrastinar o processo e manter seu filho em sua casa. Dei todos os passos e estratégias de Jonas Golfeto, a outra parte, aquele que, se tinha alguma razão, já perdeu faz tempo. Expliquei como usar a morosidade da Justiça a seu favor. Daí um desses pais machistas e “sofredores” desses grupos de Alienação Parental, com 99% de homens, que acham todas as mães um monstro, me detonou, disse que tirou prints das minhas dicas de alienação e iria mandar para o avô José Hércules Golfeto, o psiquiatra infantil que não permite que a neta veja e conviva com a mãe, mas insiste em dizer que não manda nada, o filho que manda e toda aquela ladainha para acabar com a paciência e sanidade das pessoas comuns. 
   Enquanto José Hércules Golfeto não conseguir judicialmente tirar meu blog do ar, quero muito escrever aqui o nome dele, para que os pais de seus pequenos pacientes fiquem alertas sobre em que mãos confiam a saúde mental de seus filhos. Minha intenção nunca foi levá-los à falência, afinal são os avós os responsáveis financeiros por minha filha, pagam escola, balé, alimentação e vestuário. Mas também pagam os advogados.     Infelizmente são pessoas que preferem perder tempo e dinheiro com o judiciário do que aproveitar a vida, tão curta e tão frágil, com algo útil e produtivo. Será o quarto ano distante da minha filha. No começo era uma dor de morte, de luto. Agora, como todo luto, existe uma saudade do passado que era bom, mas aprendemos a seguir vivendo sem a pessoa que amamos. 
   Queria falar aqui de outra mãe, Nina Guedes, que também participava desses grupos virtuais de pais (homens) que querem a guarda ou o direito de ver seus filhos. Nina contestou um comentário machista, que dizia ser ela uma exceção. Logo Nina revidou dizendo que em seus 4 anos de fóruns conheceu muitas mães na mesma situação. Também dei lá o meu comentário porque tenho essa mania de me manifestar. Disse que eu também sofria do mesmo mal e conhecia mais umas dezenas de mães. A verdade é que todos, absolutamente todos os homens que pegam a guarda de filhos os deixam aos cuidados de terceiras (avós, tias, madrastas, babás). O pai que pede guarda na Justiça é mal intencionado. 
    Um exemplo é Jonas Golfeto, que sempre morou em São Paulo, mas pegou a filha e levou para morar com os avós. Sua intenção era que eu nunca mais visse Dora, já que entrou com uma ação de “destituição do pátrio poder”, pedindo para tirar meu nome e dos meus pais da certidão de nascimento e o meu sobrenome do nome dela. Não conseguiu isso, mas conseguiu nos afastar. 
    Por que será que ele mudou de São Paulo já que vivia lá há mais de 15 anos? Porque jamais daria conta de cuidar de uma menina sozinho, tão simples. Tem quase 40 anos e não consegue cuidar nem de si. O pai que consegue guarda judicialmente é sempre por vingança e age de má fé, com mentiras, já que pode dizer qualquer coisa, já que a outra parte que deve provar o contrário, nisso leva-se anos. O pai que fica com a guarda porque a mãe surtou, é drogada ou está impossibilitada, faz de tudo para a mãe melhorar e poder cuidar dos filhos. Eu sei, eu conheço homens assim. 
   O judiciário que alimenta o sentimento de vingança e ódio, só faz crescer o tamanho da amargura. Na próxima semana Miranda completará 5 anos. Só no primeiro aniversário teve a irmã do lado. E eu, aquela garota que nunca quis ter filhos, quando decidi ter a primeira, porque senti um amor incontrolável dentro de mim, sabia que teria a segunda, porque não gosto de ser filha única e não queria isso para Dorinha. Agora me pego com outra filha única, que exige muito mais atenção, que não tem outra criança para brincar em casa ou assistir desenhos. Envelheço de uma forma triste e solitária. Novamente sigo no meu looping infinito...

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Perto da Perfeição

   Quando criança era tão sapeca, que logo Paula virou Pauleca. Não lembro exatamente como nos conhecemos, mas certamente foi em alguma arquibancada de piscina, lá no início dos 80. Provavelmente a menina linda, de sorriso encantador, olhos verdes e cabelos loiros (também muito esverdeados), que nadava no Internacional de Regatas, deve ter se aproximado da nadadora menor (um ano em idade, uma dezena em centímetros), para fazer um novo amigo. Eu tinha 11 anos e começava a treinar no Vasco e achava a Pauleca o máximo da simpatia e beleza. 
    Na época do colegial, ela estudava no terceiro ano do Colégio Objetivo de Santos e eu no segundo. Um grande amigo meu, ator, da classe dela, “descobriu” que era nadadora e me conhecia, veio dizer, com suspiros, que estava apaixonado. “Você e a torcida do Santos, meu querido!”. Acho que não existia um garoto que recusasse um pedido seu. Embora ela não fosse de pedir, era de oferecer aos outros: ajuda física, mental, emocional, com palavras, presença, simpatia. E não havia amiga que não a admirasse e tivesse orgulho por tê-la ao lado. 
    Mas quem conquistou seu coração e mente irremediavelmente, foi o belo Cristiano, de sorriso largo e jeito tranquilo. Pauleca seguiu estudando Jornalismo e perdemos contato por alguns anos. Nos reencontramos na TV Tribuna, eu repórter, ela apresentadora. Paula Quagliato tornara-se uma profissional admirável! Casada com Cris, era mãe de Fred, 7 meses. Nunca se atrasava, chegava com pauta, ficava muito ligada em tudo e ainda participava da produção. Sempre bem-humorada e com cara de quem acabou de sair do banho, mesmo com olheiras típicas das mães de bebês. Se pouco dormia, ninguém percebia ou a maquiagem escondia. 
    No jornalismo é como sempre foi na vida: perspicaz, inteligente e cheia de credibilidade. Uma vez o Cris apareceu na emissora, para dar um oi, estava com saudade da esposa. Achei lindo! * Depois de mais uns anos sem contato, o mundo da internet me trouxe Pauleca de volta, mesmo que virtualmente. Numa tarde quente, eu na estrada, voltando de Ribeirão Preto, com muitas lágrimas nos olhos, vi uma mensagem dela. Então conversamos por duas horas. Eu estava arrasada, mas ela, com sua sensibilidade que só aumenta, com sua escrita de escritora, me falou de amor, de resistência e redenção. De como as poucas horas com Dora, mesmo fechada e monitorada, eram nossa redenção. Minhas lágrimas foram secando e em pouco tempo já sorria com seu senso de humor, meio parecido com o meu. 
   Ano passado também me ajudou, com sua peculiar popularidade, a arrebanhar doadores de sangue para minha prima. Fez mais do que “compartilhar” o pedido, fez um texto pessoal, me ajudou a escolher a foto. Afinal, agora pratica seu novo talento, o da fotografia. Capta sutilezas da cidade de Santos, mas poderiam ser fotos de qualquer lugar. Ela encontra vida nas rachaduras de prédios decadentes, suas flores tem as cores da primavera o ano inteiro, flagra momentos cotidianos cheios de poesia. Impressionante como essa mulher é tão multitarefas e ainda se concentra em achar beleza nos detalhes dos outros. 
  Há alguns meses esse ser brilhante passou pela maior dor e perda de sua vida. Cris se foi de forma inesperada. Quando eu soube estava em Ribeirão Preto. Não pude ir dar um abraço apertado na amiga querida, mãe de dois adolescentes lindos**. O mesmo aconteceu na missa de sétimo dia, estava eu lá em Ribeirão. E de um mês. E há uma semana fui na missa de um ano da minha amiga inesquecível, Claudia Albuquerque Figueiredo Schiari. Quem me avisou sobre a missa foi Raquel, a filha de 12 anos. Miranda fez questão de ir comigo. 
   Lá, enquanto tentava explicar para Miranda que não podia explicar nada sobre vida após a morte, pensava no último ano, sem Cláudia. A dor da saudade física diminui, a mente acostuma com a nova realidade. O cérebro é mesmo fantástico, guarda só as lembranças boas. Maravilhoso que foram tantas (mas sempre poderiam ser mais). E no final, o abraço em Fernando, o pai que segue com quatro filhos adolescentes e lindos, não foi cheio de lágrimas, como há um ano, mas com um sorriso. Ele não lamentou, agradeceu: “Que bom que você veio!” 
   E pela semelhança dos laços, mais uma vez pensei em Pauleca, nessas separações impostas pelo destino e em como é possível conseguir superar. Não é apenas superação, é mais do que isso, é aceitação. Mas penso no primeiro ano de tudo, em como é difícil: primeiro Natal, Ano Novo, férias de verão... como é doído não poder mais abraçar quem amamos. 
   Não consegui explicar para Miranda o que acontece com os que se vão. Mas os que ficam seguem com todas as impressões dos que foram, é permanente a marca, segue sempre dentro, num estado puro de amor. Expliquei que não é a missa ou o padre que faz lembrar quem amamos e nos separamos. Mas é muito bom abraçar os amigos, o marido, os filhos, como um conforto. A missa é para o abraço. 
   Esse abraço de conforto ainda não dei em  Pauleca. Mas sei o quanto ela se sente abraçada. A perfeição não existe, mas algumas pessoas chegam bem perto. 

* Paula trabalhava tanto e ainda tinha compromissos na faculdade e um bebê em casa, então o marido realmente a via pouco. Achei lindo o gesto de carinho e porque foi um toque sutil para trabalhar menos.

** O pequeno Fred hoje é um rapaz muito parecido com o ator James Franco (que adoro e acho lindo). A semelhança é tanta que Pauleca não conseguiu ver 127 Dias inteiro.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Monastério: Ballet da Cidade de Santos


   Mudei a programação do dia e fui parar na Bolsa do Café, para ver Monastério, montagem do Ballet da Cidade de Santos. A Bolsa, um dos meus lugares preferidos, pela beleza, pela história e pelo café, foi o cenário perfeito para a apresentação. As bailarinas foram entrando silenciosamente no espaço central, abaixo dos vitrais seculares. Vi Sabrina, que era professora de Dora em seu primeiro ano no Bailado. Bateu uma saudade cortante. Vi Marília, uma das mais belas bailarinas que já conheci, ainda mais expressiva. E então começou a tocar Madredeus. 
   Ouvir o fado com aquela acústica na cidade dos imigrantes portugueses e a modernidade daquela dança no lugar histórico era a sincronia perfeita. Ao mesmo tempo em que eu estava ali, recebendo toda a energia da entrega das bailarinas, não saía do passado, no ano de 2010, quando Dora fazia parte do elenco do Ballet da Cidade. Lembrei das professoras falando de seu potencial e talento, da facilidade em decorar coreografias. Pensei nas vezes em que estive no Teatro Municipal, levando, buscando, esperando minha filha em suas aulas e ensaios. Um tempo em que vivi a dança, outra vez*, tão intensamente. 
   Volto a me concentrar nos movimentos perfeitos das bailarinas. Como conseguem exigir tanto do corpo e manter no rosto o semblante tranquilo? Que mágica fazem para continuar superando-se em cada apresentação? E segue a música, crescendo junto com a coreografia. Minha garganta dá um nó. Impossível não me emocionar dentro daquela atmosfera de saudade, melancolia e beleza. Nos aplausos eu estava com o rosto molhado de lágrimas, que desciam pelo meu peito, que se enchiam de ar, tão profunda era minha respiração. Eu queria me alimentar de dança e música. Ficar para sempre com a sensação do sublime.
    Estava ao lado de Renata Pacheco, a diretora artística do Ballet da Cidade. Ainda com os olhos e o rosto molhados a abracei, parabenizei e agradeci. Esses momentos só são possíveis graças a essas pessoas que fazem da dança a vida. Que passam horas repetindo o mesmo exercício, esticam-se à exaustão, que tem a mente aberta e criativa, que inventam passos, pesquisam figurinos, testam luzes. 
   Fiquei anestesiada no êxtase. Minha vontade era sair saltitando e bailando pela Bolsa de Café. Assim sentiram-se também Marcelo e Daniel, que integram a Casa Laboratório de Dança. Era um fim de tarde lindo no centro da cidade e caminhamos pelas ruas tranquilas, falando de arte, dos encontros, do cotidiano, da graça de tudo. Imaginei um futuro em que a dança volte definitivamente na minha vida. Imaginei Dora voltando a bailar nesse grupo tão seleto, já grande, criando seus movimentos, seguindo seus próprios passos. 
   As cores do céu iam do azul profundo ao cinza escuro. Saí do carro tão alegre por outros acontecimentos que não cabem aqui, que até esqueci meu celular carregando a bateria no carro de Marcelo. Só percebi quando fui fotografar o cais no pôr do sol, nem me importei. Foi um domingo feliz e nada mudaria essa situação e meu estado de espírito. 

   *Durante um bom tempo cobri dança no Diário do Grande ABC, tive o privilégio de assistir aos mais lindos espetáculos das mais variadas companhias, entrevistar coreógrafos, bailarinos, diretores, cenógrafos e ser jurada do Prêmio Imprensa de Dança dois anos consecutivos. Mas essa já é outra história.