quarta-feira, 1 de junho de 2011

Profissão Repórter: Novela ou Jornalismo?


  Quem viu a matéria veiculada ontem (31 de maio) no programa Profissão Repórter, da Rede Globo, teve a chance de aprender a como não fazer jornalismo. Mais uma vez histórias que não dizem nada e não levam a lugar nenhum. A edição mostra os repórteres na busca desenfreada pela notícia, mas quando está frente a frente com o fato, foge, não mostra, se esquiva.
  Gabriela Lian, que foi chamada pelo ator Jonas Melo Golfeto para acompanhar a busca e apreensão de minha filha Dora, nem quis acompanhar minha trajetória. Não se sentiu “a vontade” para falar comigo. Medo de que? Acreditou no monstro pintado por Jonas e não quis averiguar a verdade. Jornalista precisa ter coragem! Dar a cara a tapa de vez em quanto. Envolvida até os tímpanos com a outra parte, preferiu jogar a bola para outra foquinha, Eliane Scardovelli.
   Mostrei para Eliane emails em que Jonas diz que jamais faria busca e apreensão da filha, para não traumatizá-la ainda mais. Não bastasse a busca que não faria, chama a Rede Globo para gravar tudo, que segue feliz em busca da “notícia”. Mostrei esses emails para Eliane, que preferiu a imagem da mãe mostrando o quarto cheio de brinquedos, porém mergulhado no vazio, sem a filha. Não propriamente Eliane, mas a edição do programa.
  O que dizer da triste cena em que o pai leva Dora chorando, dizendo que não quer ir. Ainda pergunta: “Você vai deixar eu falar com minha mãe?”. “Hoje não”, é a resposta fria, autoritária e rancorosa da outra parte. Rindo por dentro deve ter pensado, “nem hoje nem nunca, já que entrei com uma ação para destituir a maternidade de sua mãe”. Em seu ego infinito, pensava que conseguiria vitória nessa ação patética. Contei, mostrei tudo isso para a equipe. Cadê? Mostrei todas as trocas de emails em que ele sabe que estamos em Santos, exige nossa mudança para São Paulo. Cadê?
   Dora chora! O pai amoroso diz: “Eu sei que você está sofrendo, fofucha, o papai também sofreu bastante”. Tão infantil querer comparar seu sofrimento com o da filha de 9 anos, que não vê há quase 5, que leva uma vida feliz e, de novo, é arrancada da sua vida para ficar presa sob os domínios da família Golfeto. Ele sofreu, então quer que eu sofra, não importa se a filha está sofrendo, Dora significa apenas uma forma de conseguir a audiência que nunca teve e atingir meus sentimentos. E a Globo é conivente com isso! Até agora não entendo onde está a notícia nessa história.
  Ok, essa é a mãe dizendo. Então Eliane e equipe seguem para a casa da melhor amiga de Dora, fazem imagens e sonoras incríveis, que mostram como Dora era inserida naquela sociedade. Cadê essas imagens? Essas declarações? O bom jornalismo não ouve apenas as partes, ouve as partes das partes.  Do meu lado tenho uma legião de jornalistas sérios, educadores e amigos que comprovam como Dora era feliz com a mãe. Da outra parte talvez os avós, que hoje cuidam da neta. E a Justiça que deu a guarda para o genitor e suas mentiras.
  Para minha surpresa ouço no programa que “brigamos” pela guarda da Dora desde que esta tem 1 ano. Ora, eu entrei com ação quando ela tinha 2 anos e 11 meses. Quem deve ter dito isso foi a outra parte. Gabriela Lian nem checou essa informação. Seu chefe, Caco Barcellos, é tão ocupado que não responde emails nem ensina sua equipe a verdadeira apuração jornalística.
  A equipe segue com Jonas e Dora (que deve ter chorado muito ou ficado em estado de choque) para Ribeirão Preto, para onde o pai mudou-se. Ora, eu provei para Eliane Scardovelli que o ator continuava em cartaz com sua peça em São Paulo, é contratado pela Prefeitura para dar oficinas (coitados dos que aprendem a arte da canastrice com ele). Mas ela não averiguou nada, pois isso é função da outra repórter, que faz a parte dele. Afirmei, constatei que Dora mora com os avós, o ilustre psiquiatra infantil, José Hércules Golfeto, e a não menos renomada psicóloga Ed Melo Golfeto. Cadê a reportagem para ir lá mostrar essa farsa? Mas o ator disse que mudou e acreditaram. Ponto.
  Sem cabimento essa divisão de reportagem. Só mostra a parcialidade de cada um. A outra equipe, que seguiu para Bolívia e Florianópolis foi a mesma. Por que comigo foi diferente?
   Depois uma fala do pai dizendo que “Dora está adaptada”. Como bem pontuou Maria Lúcia Rodrigues, a querida Malu, tia de Flavia Vieira, portanto minha tia, nessa linda família em que tive o privilégio de ser agregada, “é a mesma coisa que responde minha amiga, cujo o filho está preso, quando lhe pergunto como foi a visita no fim-de-semana: está adaptado”.
   Sim, o ser humano se adapta até com a prisão. Dora está presa, sem liberdade de movimentos e expressão. Não pode falar com amigos. Todas as tentativas são inúteis. Claudia, a mãe da melhor amiga de Dora, afirmou isso. O jornalista Sérgio Duran também. Inclusive quis provar, na frente das câmeras, a verdade. Eliane Scardovelli dispensou as provas, porque não estava no roteiro do programa. Ei, jovens repórteres, a notícia é orgânica, muda o tempo todo, em novela é que se segue roteiro!


Minha infinita rede de amigos 

 Curiosamente, a parte do programa sobre a história da juíza, foi completa. Já pensou distorcer a história de uma juíza? Até a Vênus Platinada treme diante de ameaças de processos. Agora outro fato inusitado nessa minha vida que parece ficção. Quando vi a juíza gente boa pensei que aquela cara não me era estranha.
  Há algumas semanas procurei por uma amiga, Renata Pernambuco, no Facebook. Amiga dos tempos de natação, que nadava no clube Luso de Bauru. Ela só viu a mensagem ontem, me escreveu na hora, cheia de alegria e saudade.
    Quando acaba a matéria, Renata me manda uma mensagem: “que coincidência, você e minha irmã no mesmo programa”. A juíza gente boa é irmã de Renata Pernambuco! Imediatamente compartilhou meu blog com toda sua rede de amigos, inclusive a irmã. Agora tenho certeza que algum juiz vai saber a verdade.
    Outro fato curioso é que uma amiga baiana, que mora em Portugal, viu a matéria pela internet e postou no site. Nada ofensivo, apenas mostrou sua opinião. Não aceitaram. Hoje pela manhã, minha grande amiga, Simone Raia, me ligou porque foi postar e não estão aceitando comentários. Muito estranho, estranho mesmo.
   O que falta para esses repórteres é uma conversa afiada com Paulo Henrique Amorim. Desculpe, mas não dá para o jornalista ser isento, se for acontece o que aconteceu com Eliane e Gabriela, ficam parecendo fantoches, pessoas inseguras, sem opinião, não conseguem tomar uma atitude sem ligar para a chefia. O que dizer de Eliane ligando para Caco sobre meu desespero em saber o paradeiro de minha filha, que a equipe sabia. Resposta do chefe: “De jeito nenhum!” Depois dessa, minha dúvida sobre os possíveis comentários negativos de Caco Barcellos a meu respeito, se dissiparam. Como já disse no post anterior, pode ter ocorrido ruído de comunicação, mas algo tão pesado não seria inventado. Como ele conseguiu essa informação? Alguém falou e tomou como verdade absoluta, já que de tão ocupado, Caco Barcellos não tem tempo para apuração.
   Me dói como mãe, mulher e profissional, que uma pessoa tão conceituada, com tanta credibilidade, na verdade haja assim. Muitos jornalistas, como Celina Lerner e Cláudio Cunha, acharam que deve haver algum problema grave nessa comunicação, porque não costuma ser essa a atitude de Caco Barcellos. Ambos sugeriram que procurasse falar direto com ele. Tentei, mas como já disse e vou ser repetitiva, ele é muito ocupado e não respondeu emails nem ligações.
   Que saudade de Paulo Francis, considerado genial por uns, reacionário por outros. Assim faz o jornalista: cria polêmica. O jornalismo é para fazer pensar. Também para denunciar. Qual foi mesmo a proposta desse programa? Mostrar gente sofrendo? Não seria mais instrutivo os porquês desse sofrimento, como a morosidade da Justiça e fazer entrevistas com peritos forenses? No fim foi mais um programa que não disse nada e não levou a lugar nenhum.  Bom, não sou eu quem vai ensinar o bom jornalismo aqui. Nem tenho essa pretensão. Apesar dos meus quase 20 anos de carreira, tenho humildade para continuar sempre aprendendo e não tomo nenhuma verdade como absoluta.

terça-feira, 31 de maio de 2011

A Mentira Anunciada

     Hesitei em dar entrevista para a Globo, mas dei e me arrependi imediatamente, ao perceber o teor da matéria. Queriam dar um desfecho para o pobre pai que não sabia o paradeiro da filha. Na primeira matéria veiculada no Profissão Repórter, em 22 de junho de 2010, a repórter Gabriela Lian ignorou totalmente meus emails mostrando a troca de mensagens entre mim e o ator Jonas Melo Golfeto, em que a outra parte deixava clara sua raiva e desejo de vingança, nunca perguntando sobre Dora, apenas me agredindo verbalmente. Tenho tudo isso guardado, claro, como prova. O que mostrou na matéria foi uma pessoa que não queria saber de entrevistas e a única linha em que "ofendo" a outra parte, pedindo para não dar audiência, chamando-o de "mimado que quer de novo aparecer as custas da filha"  é a linha que foi ao ar.
   Meu texto conciso, cheio de informações e detalhes foi simplesmente ignorado. Depois soube da amizade entre Jonas e Gabriela, amizade crescente, pois foram vistos juntos durante jantar em restaurante paulistano, há cerca de 3 semanas. Tenho duas fontes que viram e comprovam em juízo, se preciso for. Em outra ocasião, soube a opinião distorcida do jornalista Caco Barcellos sobre a minha pessoa. Tudo bem, foi um amigo do meu amigo que trouxe a informação, pode ter havido algum ruído de comunicação, mas não invenção.
  Por essas e outras a minha hesitação. Saber que a Globo acompanhou a outra parte na busca e apreensão de Dora, que há mais de 4 anos não via o pai, me causou náuseas. Ficou tão óbvio e cristalino que o ator só queria mais atenção da mídia com um caso que seria pessoal. O que importa Dora nesse momento? Dane-se o trauma que isso causará na filha, por dentro o coração desse hipócrita saltitava de emoção por aparecer de novo na Rede Globo!
  Dei entrevista e me arrependi. Mandei emails pedindo para não divulgar a imagem da minha filha e para não veicular essa matéria. Fiz ligações para a repórter Eliane Scardovelli, que me entrevistou. Gabriela Lian seguia seu rumo com a outra parte. Nada feito, a matéria sairia quer eu quisesse ou não, sobre a imagem de Dora ainda não sei, espero que não mostrem, espero muito por isso.
  Mas, na semana passada, um dia antes do fechamento do jornal semanal que estou editando, me liga Eliane, para saber se tenho alguma novidade, pois a matéria sairia na próxima terça (hoje meus caros leitores). Primeiro contei que Dora estava morando com os avós, o psiquiatra infantil José Hércules Golfeto, e a psicóloga Ed Melo Golfeto, não pareceu novidade, vai ver pensam até que o pai também resolveu voltar, após mais de 15 anos de Capital, para o interior paulista. Esclareci que continuava em São Paulo e, desde que Dora foi levada, nenhum telefonema, contei, inclusive que passei o dia das mães naquela cidade, Dora lá, sem pai, nem mãe. Sugeri que fôssemos até lá. "Mas você tem o que fazer lá?", foi a pergunta da foquinha. Claro, tenho a minha filha lá, sugeri que poderíamos ir na casa do ilustre casal de avós. Ah, mas Eliane Scardovelli não quis, preferiu não se meter na história da outra parte, a responsável por aquele lado era Gabriela Lian. No meu entendimento de jornalista com quase 20 anos de profissão, a verdade, a constatação dos fatos é a força matriz da matéria. Esse negócio de cada equipe acompanhar um caso detona a parcialidade.
  Fiz fórum com amigos jornalistas que acompanham essa saga entre Davi e Golias. A missão maior ficou a cargo do grande Sérgio Duran, pois já tínhamos combinado almoço na quarta-feira, em São Paulo. No almoço falamos sobre a entrevista que se seguiria. Levei documentos  para mostrar as brechas da Justiça que me impossibilitam, até o momento, de desmascarar a farsa da outra parte.
  Chegam repórter e cinegrafista, já com câmera nas costas e microfone na mão. A pergunta é como me sinto, o que sinto pela outra parte, se penso que um dia seremos amigos. Há um esforço evidente para me arrancar lágrimas. Não, minhas lágrimas deixo em meu travesseiro, na hora em que durmo. Deixo para as horas em que escuto Chico Buarque. Agora, 4 meses depois, aprendi a segurar o pranto. Não vou deixar que mostrem uma mãe em desespero. Quero que mostrem a mulher lúcida, munida de documentos, provas e testemunhas com total credibilidade. E sim, também sou a mãe amorosa, preocupada em saber como está a filha.
  Digo do empenho da outra parte em manter o litígio, cheio de mágoa e rancor. Sérgio Duran se dispõe a fazer uma ligação para Jonas Melo Golfeto, provando diante das câmeras qual a sua atitude em relação a qualquer amigo meu. Ele simplesmente diz que não fala sobre o assunto (Dora) e desliga na cara. Para nossa total estupefação, a repórter diz que não precisa! Insistimos, ela  não quer mesmo mostrar a imagem do pai empedrado, raivoso, rancoroso, litigioso! Lembrei-me de quando tinha 20 e poucos anos, quando patinava na difícil profissão de jornalista. Mesmo iniciante, teria visto ali a oportunidade de mostrar a verdade, exposta facilmente. Não sei como Caco Barcellos ensina jornalismo, mas esse não foi o jornalismo que aprendi. Como disse, sabiamente, Sérgio Duran, "esses jovens repórteres não querem matéria, querem novela". O cinegrafista Welligton Almeida ainda disse que Dora é linda, "é tudo isso que você disse, vocês precisam superar isso pela Dora". Senti verdade e compaixão no que ele disse, compaixão por Dora, imparcialidade estava ali, nessa declaração. Sempre admirei cinegrafistas, tive passagem em reportagem de TV também. Pergunto: "então você conheceu Dora?". Ele se esquivou, mas depois da sexta vez, acabou confessando que acompanhou a busca de Dora e que ela estava ótima em Ribeirão Preto. Sim, pode ser que naquele momento, em choque, estivesse. Mas e agora? Quase 4 meses depois, como está? Não houve resposta.  Acredito também que ela ter ido "de boa" é o sinal de que eu nunca coloquei sentimentos de raiva ou repúdio em seu coraçãozinho tão puro.
   Eis que começam as chamadas do Profissão Repórter dessa semana. Muitos amigos viram antes de mim e tive que desconectar para conseguir escrever minhas matérias, tantas eram as mensagens, chamadas de bate-papo e telefonemas. Estava teclando com Danglares Silva, um querido que não vejo pessoalmente há 25 anos, sobre esse assunto e já eram quase 1h da manhã. Muita solidariedade de todos os lados. Praticamente um fórum no Facebook. E então entendi porque a relutância de Eliane Scardovelli em fazer a imagem de Sérgio Duran ligando para a outra parte: isso colocaria por água abaixo o teor da matéria. Na chamada do site está assim: "Pai reencontra filha. Mãe decidiu fugir por 4 anos". Piada! Quiseram dar um desfecho para  a matéria sem nexo veiculada no ano passado. Colocaram uma mãe em fuga, que estava aqui mesmo, em Santos, com a filha devidamente matriculada, fazendo ballet no Corpo de Baile da Cidade de Santos, uma referência na dança nacional. Quiseram mostrar o emocionado encontro entre pai e filha. Não mostraram que ele já sabia da filha há mais de um ano, não mostraram emails em que ele "exige" nossa mudança para São Paulo para ficar mais perto da filha, sendo que mandou a filha para Ribeirão Preto, 500 km mais longe! Mostrar a inflexibilidade do pobre pai sofredor derrubaria a matéria! Mostrar que ele esperou a Rede Globo para encontrar a filha mostraria sua frieza e calculismo. Preferiram mostrar a interpretação medíocre.
  Pior a chamada da TV, com erro grotesco de tempo e espaço. Diz lá que Jonas e Adriana "brigam" pela guarda de Dora desde que ela tem 1 ano. Mentira, mentira, mentira. Entrei com pedido de guarda e regularização de visitas quando Dorinha tinha 2 anos e 11 meses. Pedi regularização de visitas porque queria que minha filha visse o pai ausente. Foram duas festas de aniversário de 1 ano de Dora. Na de São Paulo, o pai chegou atrasado, depois dos parabéns e ainda pediu para algum amigo meu ir buscá-lo! Não tem nem fotos dele no evento. A segunda festa foi patrocinada pela minha família, na casa da minha prima Kátia, uma casa construída para dar festas. Foi muita gente, menos o pai ou a ilustre família Golfeto. O Guarujá era muito longe para ele. Tenho testemunhas disso tudo, viu equipe do Profissão Repórter?
  Temo pelo que sairá veiculado hoje. Mas a força da web ainda será maior que da Globo, por favor, repassem para todos essa história.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Paranóia da Outra Parte

  Depois de sofrer uma depressão profunda, ser internada por 1 mês em um sanatório psiquiátrico, pedir para o pai da minha filha, o ator Jonas Melo Golfeto, ficar com ela, ao sair da internação percebo que fui vítima de uma grande armação: sumiram com minha filha. Em menos de uma semana, em que pensei que descansaria e retomaria aos poucos, meu trabalho e minha vida, tive que correr atrás do paradeiro de Dora. Estava em Ribeirão Preto (oh, que novidade!), sob os cuidados dos avós, a psicóloga Ed Melo Golfeto, e o avô, o psiquiatra infantil, José Hércules Golfeto. O avô ainda me deixou entrar, a avó ficava nos seguindo, monitorando tudo o que dizíamos. Eu queria levar minha filha embora e Dora, com 2 anos e 11 meses, queria ir comigo e chorava muito. Perguntava: "mamãe, com quem eu vou morar?", com quem você quer morar, filhinha? "Com você mamãe". Ainda argumentei que era um absurdo a menina ali, sem pai, nem mãe. A avó, ríspida e autoritária, disse que estava com ela, que o pai viria no dia seguinte. Ok, essa parte eu sei, ela continua aqui, com os avós, sem pai, nem mãe. Fui dispensada enquanto minha filha ficava lá, aos prantos, gritando: "Eu quero a minha mãe!".
    Enfim, nunca entendi o empenho desses avós em tirar a neta da mãe, nem por que não entraram os próprios com pedido de guarda da neta, já que é com eles que ela fica, quando o filhinho mimado e caprichoso "consegue" a guarda. Tenho pra  mim que eles sabem que erraram, e muito, na educação do filho, que mente até sobre sua formação universitária, que nunca houve. Ele mente no próprio currículo que é formado em Letras pela USP-SP. Afinal, já aprendeu que ninguém vai lá apurar os fatos. Nem juízes, nem promotores, nem repórteres foquinhas. Mas, ei, outra parte, estou aqui! Não sou foquinha e sei bem da sua história...
   Mas, enfim, 4 dias depois, voltei para Ribeirão Preto, para uma audiência, com 3 testemunhas e um juiz muito justo, que mandou oficial de Justiça buscar Dora e entregá-la para a mãe! Ele entendeu que mesmo tendo passado por uma grave depressão, eu era a pessoa certa para ficar com ela. Ao buscá-la, o avô atendeu a porta e disse que ela não estava, a oficial nem entrou para averiguar... só consegui pegá-la 2 dias depois, na casa de um amigo do pai dela, em São Paulo... depois ele ainda tem coragem de dar entrevista para a Globo dizendo que eu fujo com minha filha. Ei, outra parte, lembre-se bem como tudo começou e pare de agir assim, com tanto ódio e sede de vingança. Eu amo minha filha e ela me ama. Ela está sofrendo aí,  longe de todos os amigos, da vida dela, da irmã, da mãe e até de você. Por que deixá-la com os avós e atestar que não é capaz de cuidar dela? Por que usar brechas da Justiça para impedir nosso convívio?

A tranquilidade enfim

  Consegui  minha filha de volta, depois de 3 meses, em que nunca impedi visitas ou telefonemas, o pai de Dora finalmente vai em sua escolinha buscá-la com oficial de Justiça, com a mãe psicóloga, com a irmã, a também psicóloga Raquel Melo Golfeto, o advogado e um policial! Tudo isso para exercer seu direito de visita nos finais de semana, sem deixar de fazer cena, claro, como bom ator frustrado. Era só dar um telefonema, mas ele preferiu essa celeuma. Preferiu ficar 3 meses sem ver a filha extra-oficialmente, porque é um burocrata. Artista burocrata!
  Depois disso tudo, pensei que enfim,  teria tranquilidade. Isso era junho de 2005. Decidi mudar para o Guarujá, para ficar mais perto do genitor, facilitar a vida dele para ficar mais com Dora e parar com essas brigas ridículas. Não sabia que ele passara o semestre inteiro indo atrás de falsos testemunhos, convencendo um porteiro mal instruído a depor contra mim, uma costureira de mais de 70 anos e até aos meus colegas de trabalho do Sebrae-SP. Lá passou por momentos de total constrangimento, chorando e tremendo, pedindo depoimentos contra mim. Quando a situação estava para lá de constrangedora, meu grande amigo Ali Hassan, puxou o sujeito pelo braço e disse que, se quisesse qualquer depoimento negativo sobre mim, que tentasse no RH.
  Eu nem imaginava, na minha visão cor-de-rosa do mundo, que o pai da minha filha fosse tão cruel e meticuloso em sua vingança contra mim. E vingar-se não sei do que também. Sempre o ajudei, por muito tempo o sustentei, dei a ele o único sucesso de sua vida: Dora Mendes Golfeto, a menina doce, meiga, carinhosa e inteligente que está no meio desse litígio criado pela outra parte. Que é sistematicamente arrancada da mãe.
  Falei para esse ser desumano que iria me mudar para o Guarujá, que então, falsamente, demonstrou querer trégua. Cheguei a fazer um trabalho para o Governo do Maranhão, em maio de 2005 e deixei Dora com minha mãe, a vó Laura que ela tanto ama, a típica vovozinha que faz bolos e conta histórias para a netinha. Porque, embora quisesse que tudo ficasse bem, tinha medo de deixá-la com o genitor e ele de novo sumir com Dora. Também sabia que meu sucesso profissional, de alguma forma atingia negativamente essa pessoa tão mesquinha. E porque meus 10 dias no Maranhão, não coincidiam com a visita dele. E Dora estaria mais segura e feliz com a vovó Laura.
  Chegamos a ir juntos numa festa junina, da escola Raízes, onde Dora estudava, em São Sebastião, antes da minha mudança para o Guarujá. Pensei que, enfim, minha vida voltaria ao rumo certo, que teria mais estrutura perto da minha mãe, aumentaria os cuidados com meu pai, que apresentava os primeiros sintomas do Mal de Alzheimer, e tentaria manter uma relação de cordialidade com o pai da minha filha.
  A maior tempestade ainda estava prestes a desaguar.

sábado, 28 de maio de 2011

Sobre um Chileno

O Amor Dentro de Mim

    Estava na sala de aula da Metodista, em São Bernardo, onde estudei jornalismo. Ele abriu a porta atrasado, tirou os cabelos negros, espessos e lisos dos olhos e sorriu meio sem graça. Sentou-se ao meu lado e perguntou o que tinha perdido. Nada, eu que perdi de não ter te conhecido ainda, pensei. Seus óculos de aro preto e lentes grossas, deixavam seus olhos ainda mais rasgados. Parecia um índio, de pele morena e sorriso largo.
  Logo nos tornamos amigos inseparáveis, éramos do mesmo grupo, depois das aulas íamos ao mesmo barzinho tomar cerveja, falar de jornalismo, política, música e poesia. Francisco Cabezas, meu querido Chico, era chileno, portanto, poeta de nascença. Sua família mudou-se para o Brasil quando ele tinha 6 anos, em 1977, para fugir do Governo do ditador Pinochet. Nessa época, por aqui já se vislumbravam dias de esperança com a chegada da Anistia política. Então Chico teve toda a sua formação no Brasil, educacional, social e cultural. Mas nunca esqueceu as raízes, todos os anos passava férias no Chile e voltava confuso, falando "mais grande" e "mais pequeno". Dizia que quando se formasse voltaria ao seu País.
  Não lembro exatamente quando me apaixonei por ele, se foi nesse primeiro dia, em 1991. Se foi por alguma das inúmeras poesias que escrevia em meu caderno e que guardo até hoje ou se foi numa festa em que, embriagados, paramos de falar e começamos a nos beijar.
  Quando mais nova eu era ainda mais racional. Não queria trocar o certo pelo duvidoso. Nossa amizade era certa, a paixão é sempre duvidosa. Sempre preferi o bom amigo ao mal amante. Não que Chico fosse mal amante (nem cheguei a fazer o teste, na época), mas relacionamentos amorosos, geralmente alteram a amizade. Me arrependo muito até hoje de ter pensado assim. Além do mais eu tinha um namorado, com quem terminei só por começar a pensar no Chico com outras intenções. No fim, voltei com o namorado, que não era duvidoso, e com quem fiquei por 5 anos. Um ano após a conclusão do curso, Chico foi  mesmo para o Chile, trocávamos cartas (não tinha internet), declaramos nosso amor tardiamente. Por fim, as cartas foram cessando e perdemos o contato.
  Em março de 2003 recebo uma mensagem de um tal Javier Cabezas, meu coração disparou! O assunto era: Desde el Chile. Timidamente se apresentou e se eu fosse a Adriana Mendes que estudou na Metodista, perguntou se me lembrava dele. Pergunta descabida! Ele sim parecia ter esquecido da pessoa que mais se lembrava de tudo. Procurou por mim na internet e apareceram 3 Adrianas Mendes, uma atriz pornô (essa ele descartou), uma poeta portuguesa (poderia ser eu exercendo minha dupla cidadania e assumindo minha personalidade póetica) e um comentário escrito na revista Trip, sobre a eleição do Lula - essa era eu, Chico não teve dúvidas. Começaram as trocas de emails, logo nos telefonamos. E tudo conspirou a favor e em junho ele estava vindo para o Brasil para fazer um trabalho sobre vinhos.
   Quando fui buscá-lo no aeroporto era como se o tempo não tivesse passado. Não faltava assunto e quando faltavam palavras começavam os beijos... e que beijos! Foram 15 dias incríveis, reuni em casa os amigos da faculdade e que tanta saudade sentiam do Chico. Fomos em eventos de degustação de vinhos, passamos um final de semana em Boiçucanga e Dora adorando tudo isso. Ela tinha 1 ano e 4 meses e Chico era uma figura masculinha fantástica. Levava de cavalinho, brincava na cama, dava beijinhos e ainda preparava a mamadeira. Era pai presente de uma menina, Amanda, de 3 anos. Entendia bem do assunto. Nesse período ele foi uma noite para Santos (morávamos em São Paulo), para visitar um velho amigo e voltou no dia seguinte. Passei a noite rolando na cama, angustiada e me bateu um desespero. Ele iria embora e minhas noites seriam assim, até superar, como tudo na vida.
  Senti também que aquela era a vida que eu deveria estar vivendo. Era com ele que eu deveria estar e ter filhos e compartilhar amigos, trabalho, momentos. Foi muito triste a partida. Foi como um poema do Neruda: "Antes de amar-te, amor, nada era meu. Vacilei pelas ruas e as coisas".
  Depois que ele se foi, mergulhei num imenso vazio. Para piorar fui demitida. Houve a tal briga com o pai de Dora, em que ele fez Boletim de Ocorrência contra mim (já postei sobre isso). Só não caí imediatamente em depressão porque tinha o sorriso, o amor e alegria de Dora. Me segurava por causa dela. Estava em São Paulo, sozinha com minha filha, sem apoio nenhum da outra parte, nem emocional ou financeiro. O ator Jonas Melo Golfeto, quando avisado de que fui demitida e que ele precisaria me ajudar de alguma forma, fosse com dinheiro ou ficando com Dora para que eu pudesse viajar a trabalho, ainda disse que eu quis ter a filha, então que cuidasse dela sozinha. Tanto egoísmo e nenhuma consideração por Dora.
  Quando eu contei sobre isso para meu amado Chico (mesmo no Chile era tão próximo), disse que deveria ser um modo de me machucar porque viu que fui feliz com ele. "Mas você foi embora e estou muito triste". Não bastava me ver sofrendo de amor, desempregada e cuidando sozinha de uma criança de 1 ano e meio. A outra parte queria ver meu fim e tenho que admitir, nunca conheci alguém tão determinado em atingir seu objetivo do mal. O que me alenta é que todos os ditadores acabam sendo derrotados por movimentos populares. Cedo ou tarde a verdade vem. Mesmo que Dora esteja sendo alienada nesse momento, quando crescer irá ler tudo o que escrevo e tirar suas sábias conclusões.
 
 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sentimental Assim

  Tenho estado nostálgica nesses dias, talvez para lembrar quem sou e como cheguei aqui, nessa situação tão triste. Mas ainda não consegui entender. Não entendo como uma pessoa bacana, amorosa, inteligente, popular e independente (essa pode não ser eu, mas é como lembro de mim) tenha caído em tantas armadilhas jurídicas. É que também sou impulsiva e imediatista. E imediata é uma coisa que a Justiça não é. Outra verdade é que nunca conhecemos totalmente uma pessoa. Quando eu ia imaginar que o genitor da Dora iria fazer tanta questão de ter a guarda dela e ficaria por meses atrás de falsos testemunhos, achando brechas na Justiça para tirar a guarda da minha filha? Tirar de mim para dar aos avós... não sei o que é pior, pelo o que os avós fizeram com ele, temo pelo que façam com Dora. Será que vão criar uma garota mimada, cheia de vontade ou irão podar sua liberdade, não deixando que fale com mãe, amigos, irmã... nenhum dos dois panoramas me parece favorável. Me sinto um pouco como Harry Potter em A Ordem da Fênix: "Sinto tanta raiva o tempo todo".
  Tento não pensar negativamente, mas estou sempre duas jogadas atrás. Já me disseram que a outra parte foi inteligente, soube esperar para pegar a Dora na hora certa. Não vejo assim. Não julgo ser inteligente ficar tanto tempo sem ver a filha, ficar fazendo um promotor perder tempo em acordo que jamais existiria. Acho tudo muito frio e calculista. Não vejo amor em nenhum momento. Dora estuda na escola Albert Sabin, em Ribeirão Preto, segundo seu genitor, num dos muitos emails destinados a me humilhar, "agora ela sabe o que é uma boa escola". Bom, então o Colégio Sion, onde ele a matriculou quando morou com ele em São Paulo, também não era uma boa escola. Eu não sei, me proibiam de entrar lá... fui num Dia das Mães porque Dora pediu muito. Ela só tinha 4 anos!
  E ainda penso no dia das mães, em que Dora ficou sem mãe e sem pai, pois esse estava em São Paulo. Quem quiser prestigiá-lo, a peça está no Centro Cultural Vergueiro, o horário precisa confirmar. Aproveitem e digam Merda para ele e mandem quebrar a perna! É o jeito que os atores desejam sucesso e boa sorte, fique claro, antes que venha mais um processo por injúria ou difamação... tanto processo parece coisa de quem tem muito tempo livre. O que eu queria mesmo é que esse homem trabalhasse muito, ficasse muito ocupado, encontrasse uma mulher incrível que lhe desse muitos filhos lindos e saudáveis! E que deixasse seu coração empedrado ser invadido de amor e compaixão.
  Mas o mundo perfeito não existe. Enquanto isso não acontece escrevo o que parece ficção. Tenho acompanhado outro blog, de Elaine César, sobre Gravidez, Câncer e Alienação Parental. Como eu, ela também sofre por erros judiciais, no meu caso cometidos por advogados contratados por mim, lá no começo de tudo. No caso dela, como no meu, uma Lei absurda que diante de qualquer denúncia infundada, para proteger o menor,  passa imediatamente a guarda para a outra parte. Todos sofremos muito. O que torna a história de Elaine César mais singular é que está grávida enquanto luta por ter seu filho de volta e tem câncer. São muitas batalhas para uma única mulher. Mas ela tem tantos amigos e pessoas que nem a conhecem - como eu - mas que estão solidárias e abraçam sua causa, que tenho certeza, sairá vencedora. Ela também tem um companheiro leal, que a apóia, uma rede de pessoas do bem. Tomara que tudo isso ajude.

Voltando a Nadar

  Enquanto não posso fazer nada, a não ser esperar, penso que voltar a nadar seria o melhor nesse momento. Quando escrevi sobre Zé Ricardo, meu primeiro amor e nadador que muito me inspirou, uma onda de saudade invandiu meus pensamentos. Coincidência o não, esteve em minha casa, outro nadador, Marco Sapucaia. Então fizemos um pouco de alongamento e, mesmo sendo quase uma mulher elástico, me senti travada. Preciso voltar a nadar. Ficar contando azulejos, ouvir o barulho das braçadas, sentir o cheiro de cloro. Nadar é um grande exercício de paciência. Preciso encontrar minha paciência perdida.
  Também lembrei porque gostava tanto de natação. É muito bom ver nadadores de ombros largos e corpos alongados. Nadadores são todos lindos, por mais feios que sejam! Não há quem não fique lindo após uns quilometros na água. A sensação de torpor e a fisionomia relaxada embelezam! Preciso voltar a ver beleza em tudo.

domingo, 22 de maio de 2011

100 Dias Sem Dora

  Cem dias é uma data significativa demais. Tem nome de livro, de filme, de tanta coisa... mas hoje significa uma dor de 100 dias e sem fim. Significa uma sensação de angústia por não ser ouvida e por não saber como Dora está...
  Nesses 100 dias houve o pior terremoto da história do Japão, um Tsunami sem precedentes, um acidente nuclear ainda nebuloso, a morte de Osama Bin Laden, assassinatos cruéis, atirador em escola do Rio de Janeiro, mãe que deixou bebê no lixo do hospital, mãe que deixou bebê na caçamba do lixo, escândalos políticos que nem escandalizam mais. Mas também bons acontecimentos. Nasceram Fátima e Antônia, duas priminhas de Dora, filhas de minhas primas. Um dia Dora as conhecerá.
  Nos 3 primeiros dias desses 100 dias, Dora me mandou 2 emails quase taquigrafados, deu até pena, tipo esqueceram o computador ligado e ela correu para se comunicar. Me deu um telefonema 2 dias depois de ser levada, mas no final chorou muito... desligaram e nunca mais me ligou. Nesses 100 dias, Dora me mandou novo email, criado agora, na sua nova vida. Escrevi muito para esse endereço, sem resposta. Ou foi o genitor que criou e apenas ele lê, ou tem sempre alguém atrás dela para ver o que escreve e assim ela não escreve. Eu sei, ela vivia comigo!
  Nesses 100 dias procurei uma advogada, tentei descobrir o novo endereço do genitor de Dora, pois no endereço de São Paulo não era encontrado. Liguei para o avô dela, o renomado psiquiatra infantil José Hércules Golfeto. Me disse que Dora estava ótima, não sentia falta de nada, era inteligente, educada, espirituosa e muito discreta. Sim, eu sei, fui eu que a criei assim! Disse ainda que o filho dele estava entrando com os meios legais cabíveis para que eu e Dora pudéssemos nos encontrar. Sim, estava, com um pedido de suspensão de visitas, já que a ação pedindo a destituição da minha maternidade não deu em nada.
  Liguei de novo para esse avô, que não sabia o endereço do filho, " você sabe, eu e Jonas somos só meias palavras, não há muito diálogo entre nós". Sei bem, com esse seu filho nunca há diálogo, por isso deu no que deu. Por isso me separei dele tão rápido! Esse psiquiatra renomado ainda insistiu para que eu fizesse tratamento. Ora, primeiro, não sou paciente dele, jamais fiz consulta com ele, e pelo filho que tem e pela maneira que age, acho que jamais me consultaria com médico desse tipo. Acho que é outra pessoa que precisa de tratamento, mas enfim...
  Nesse tempo, a outra parte me mandou email sobre um órgão de conciliação em São Paulo (só pra juiz ver), liguei, marquei, passei para ele por email (porque ele jamais atende minhas ligações) e nada. Nesse tempo, a outra parte marcou de nos encontrarmos no Fórum João Mendes, em São Paulo, depois desmarcou, depois marcou de novo, depois desmarcou de novo. Depois marcou no Fórum de Santos, desmarcou por email 3 horas antes, porque o advogado dele não poderia ir... sempre o advogado dele, tão ocupado.
  Nesse tempo comecei a escrever esse blog e num dos textos mais inspirados - Síndrome do Amor - falei dessa associação, que fica em Ribeirão Preto. Foi quando a outra parte leu e desesperou-se porque achou que eu havia descoberto que Dora estava morando em Ribeirão Preto! Então ligou em pânico para o advogado dele, que ligou para minha advogada, que entendeu que eu estava na porta da casa dos avós, dando escândalo! Quanto medo de mim... sou apenas uma mãe sem filha, partida ao meio, com um buraco no peito, triste, cansada, sozinha,  por que tanto medo de alguém como eu? O único poder que tenho é o da palavra. Mas ainda não pude usá-la.
  No dia seguinte desse texto fui para São Paulo, 8 de abril, para uma audiência. Me preparei física e, principalmente, psicologicamente para essa audiência. Não houve audiência, minha advogada desistiu da mesma ao saber que o endereço de Dora era em outra comarca, a de Ribeirão Preto. Nesse tempo fiquei sabendo que o cara bonzinho e conciliador (aquele que me enviou mensagem sobre um órgão de conciliação), havia entrado com liminar pedindo suspensão das minhas visitas. E o juiz aceitou, vai saber o que está escrito na nova ação, afinal, a outra parte nunca inicia uma ação com menos de 1.500 páginas... acho que a vida dele é tão vazia, que precisa ser preenchida com papéis e assinaturas. Quanta falta de amor!
   Então liguei de novo para o avô psiquiatra infantil da Dora, afinal, o cara me enganou muito, dizendo não saber onde a neta estava, estando o tempo todo na casa dele. O maior ator dessa história é José Hércules Golfeto, é a mente superior disso tudo! A secretária do consultório anotou meu recado. Como no fim do dia não houve retorno, tornei a ligar. Dessa vez a secretária disse que ele não ria falar comigo, era recomendação do advogado do filho dele e que haveria uma audiência 9 de maio e eu que esperasse! Ah, esses advogados e suas recomendações para perpetuar o litígio... na verdade não sei se foi o advogado ou mais uma mentira desse médico psiquiatra, que no auge de sua interpretação fantástica disse que mãe e filha precisavam estar juntas! Que era injusto separar irmãs!
  Nesses 100 dias outra audiência foi marcada, mas desmarcada um dia antes de acontecer. Nesses 100 dias, Dora passou o dia das mães sem mãe e sem pai, porque o pai amoroso,  presente e cuidadoso pegou a filha e levou para morar com os avós e leva sua vidinha tranquila em São Paulo! Mas ele diz, por meio do advogado dele, claro, que mora em Ribeirão Preto e trabalha em São Paulo. Será que tem jatinho e eu não sei? Enfim., esse genitor ator trabalha nos finais de semana em São Paulo, logo não estava com Dora nem no dia das mães... isso ao menos mostra que ele  tem noção de sua incapacidade de cuidar da Dora, sabe que vai vacilar, que não vai conseguir acordar para levá-la onde tem que levar, enfim, ele deu seu atestado de incapaz mandando a filha morar com os avós.
  E minha Dorinha está lá com o casal septuagenário. O lado bom é que está levando alegria e um pouco de sentido para a vida daquela gente... espero que não suguem toda a sua energia e vivacidade, que não coloquem tristeza naqueles olhos de Capitu.
  Nesses 100 dias Dora perdeu o desenrolar da língua de Miranda. Agora Miranda fala tudo e nunca esquece a irmã, todos os dias fala de Doinha... e agora já aceitou que "Doinha foi emboia", antes achava que fosse voltar... tive que tirar todas as fotos visíveis de Dora, pois Miranda se punha a chorar... agora pega as Barbies da Dora e fala que é "da minha Doinha". Sim, é sua irmã e sempre será, pena perderem a infância juntas. Nesses 100 dias talvez Dora não tenha visto nenhum jogo do Santos, sua camiseta do time também ficou aqui, com certeza não vão dar-lhe outra, pois Dora não terá nada que remeta à sua antiga vida. Nesses 100 dias deve ter feito novos amigos na escola, mas seus melhores amigos estão aqui. Espero que ela sinta toda a vibração de amor e amizade que todos sentem por ela. Espero que isso lhe dê esperança e alegria para voltar. Que ela acredite que vai voltar! E que mantenha-se resignada e calma, como sempre foi.

Sobre Sapatilhas de Ponta

  Dora não via a hora de chegar o quarto ano do Balé no Municipal de Santos, pois só no quarto ano usaria sapatilhas de ponta. Fizemos a matrícula para o segundo ano no fatídico 10 de fevereiro, quando foi levada pelo pai, oficial de Justiça, advogado e Rede Globo. Gosto de lembrar isso, pois o genitor fez questão de levar a Globo para registrar a retirada de Dora de sua doce vida.
  Enfim, sobre as sapatilhas de ponta, a diretora do CBI (Corpo de Baile Infantil), do qual Dora fazia  parte, alertou que não se deve usar antes dos 10 anos, se quiser seguir carreira, porque usá-las antes acaba com as articulações da criança. Como a vida de bailarina não é muito longa, o correto é tentar prolongá-la ao máximo.
  Mas Dora está fazendo balé em Ribeirão Preto e com sapatilhas de ponta! Ou não são bem informados por lá ou querem suprir as dores de saudades de Dora com prazeres imediatos, como a utilização de sapatilhas de ponta, afinal, era um grande desejo dela. Já que não pode ter mãe, irmã, amigos, praia, balé no Municipal de Santos, que seja feita a vontade das sapatilhas de ponta. Para que preocupar-se com suas articulações? Ora, se ninguém lá se preocupa nem com seus sentimentos... mas há alguém aqui que sabe o que Dora sente e precisa. Um dia Dora vai crescer e ler tudo que sua mãe escreve. Irá ver as ações que seu genitor entrou contra mim, irá ver que ele queria me tirar da certidão de nascimento dela. Irá constatar que seu genitor não queria ficar com ela, apenas separá-la de mim. E o que acontecerá então? O tempo, sempre o sábio tempo, dirá.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

De Quando nos Tornamos Personagens

   Estava na redação da assessoria de imprensa do Sebrae-SP quando me liga a repórter do livro Crianças a Bordo - Guia Quatro Rodas. "Eu precisava de uma mãe que viaja direto com seu bebê, para dar dicas. A Bia Reis me passou seu contato, disse que você e Dora viajam sozinhas quase todos os finais de semana". Lá vem a Bia me fazer virar entrevistada. Foi minha segunda vez nessa situação. Na primeira contei minhas aventuras como repórter de moda para uma estudante de jornalismo. Mas a história não é essa.
  No fim acabei mudando um pouco a direção da entrevista, que seria mais sobre segurança em viagens com crianças. Falamos de papinhas adequadas para a trip e de como distrair os pequenos durante o percurso. Minha tática era levar muita música, bem variada. Ouvíamos juntas as lúdicas canções do Palavra Cantada, do Sítio do Pica-Pau Amarelo, Ilha Rá-Tim-Bum, mas também mantive minha fidelidade ao Pixies, me abri ao novo Strokes (na época, 2003, quando Dora tinha 1 ano e 3 meses, era novo) e essa era nossa básica trilha sonora para descer a Serra do Mar, em praticamente todos os finais de semana. Como éramos felizes!
  Uns meses depois foi uma repórter da TV Cultura que me ligou. "Vamos fazer uma matéria sobre o lançamento do Bebê a Bordo e pedi uma personagem legal, me passaram seu contato". E lá estava eu marcando sábado de manhã, às 11 horas, para acompanharem nossos preparativos.
  Chegaram pontualmente uma hora antes. De propósito, para eu não fazer armação, achei até engraçado. Dorinha foi correndo para a porta assim que tocou a campainha. Aparece um cara com uma câmera daquelas bem grandes e uma moça com microfone. "Enta, é polaqui", chama Dorinha, toda anfitriã, levando-os para o quarto dela. A mochila já estava aberta e Dorinha guardou duas fraldinhas. Separou algumas roupas e me deu para dobrar. A equipe ficou impressionada. Ainda tomamos café e fui me trrocar enquanto Dora distraía as visitas. Ninguém acreditava que aquela criança tivesse 1 ano e meio. Nem eu!
  Fomos para o carro, coloquei Dora da forma correta na poltroninha, falei sobre cinto de segurança e então saímos rumo ao parque do Ibirapuera. É que ia dar um passeio por lá, só desceria depois do almoço. Tudo seguiu tranquilo, Dora fez gracinha para as câmeras e a matéria encerrou com ela dando tchauzinho.
  Essas foram as primeiras vezes em que nos tornamos personagens da vida real. Lindas imagens de mãe e filha em momentos íntimos de cumplicidade, dedicação e carinho. A mãe que dá dicas de bem cuidar, a criança com inteligência precoce, comunicação expressiva, brilho nos olhos!. Mas essas imagens não são mostradas...