É como uma data mórbida, o dia 10. No último completou 10 meses que não vejo ou falo com Dora. Continuo ligando compulsiva e insistentemente no telefone da casa dos avós dela. Cai na secretária eletrônica ou desligam, minha esperança é que um dia Dora atenda. Só pra eu dizer "eu te amo, eu e toda a torcida do Santos. E por aqui estamos todos com saudades e nunca ninguém vai te esquecer".
Eu poderia ter ficado em casa chorando e lamentando o destino que me fez cruzar um dia com um crápula, psico, com tempo de sobra para acabar com a minha vida. Lamentar todas as merdas que fiz por deixar de ser racional. Logo eu! O raciocínio em pessoa! Mas eu não sabia que o amor incondicional muda até o que a gente sempre foi. Eu poderia ter ficado chorando ouvindo minhas músicas tristes. Mas preferi ir ao Ouro Verde F.C. ouvir samba de roda com a velha guarda, três quadras da minha casa. A Miranda, para variar, atraiu todas as atenções, sambou e já estava quase tocando maraca. Musical total essa menina. Inteligente e carismática. Sei lá que dom é esse de ter filhas assim...impressionantes!
Daí uma amiga, Glaucia Dieguez, disse para eu escrever no meu blog igual à personagem de uma novela, que escreveu por anos para a irmã em coma... não sou de ver novelas, mas fui ver do que se tratava. Sim, se eu ficar anos sem ver Dora ela vai ler o que tem aqui. Por mais que por lá falem sobre sua mãe doente, louca. Dora sempre saberá que tem uma mãe louca sim, louca de amor por ela, que esse amor passa por cima de tudo e é maior que o tempo e a distância que nos separa, por mais brega que isso possa soar...
Se Dora esquecer das músicas que a gente ouvia, quando ela chegar vou colocar Heroes e Absolute Beginners, do David Bowie, bem alto e vamos dançar e cantar muito. E todos os beijos e abraços que não foram dados nesses quase 365 dias serão tão mais intensos e desejados que vão arder no meu peito. Ela pode até pensar que eu não estou ligando, não sei o que os guardiões dela dizem. Mas ela saberá que fui até lá e chamaram guardinhas do bairro, saberá que na escola dela, Albert Sabin, não me deixaram participar de reuniões, saberá tanta coisa, se é que já não sabe ou imagina...
Dora pode até esquecer o que é conviver com os animais, já que seus guardiões nunca tiveram bichos e não suportam muito a presença de cães e gatos, mas saberá que Sofia morreu e que tenho novos habitantes em casa (assunto para outro post). Mudaram a vida de Dora, que não tem nem uma foto da irmã, que não sabe o quanto Miranda conversa, fala e é tão esperta quanto ela. Tiraram tudo o que era sólido na vida de Dora: sua mãe, sua irmã, seus amigos, seus brinquedos, seu quarto, suas roupas, sua cidade.
Mas o que está dentro da cabeça e do coração de Dora não vão poder mudar. O tempo passa tão rápido... quando ela foi, faltavam 9 anos para ela fazer 18. Agora falta menos de 8 anos e 2 meses... e então seremos todas livres! Tão triste Dora ter ido parar nas mãos de tiranos, de pessoas que não suportam independência e liberdade.
Tirar a liberdade é como tirar a vida. Matam a mãe de Dora diariamente, matando assim Dora também...
Histórias reais do meu cotidiano, das pessoas ao meu redor, longe de mim e comigo sempre.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
7 Anos Depois
Gosto sempre de ouvir música quando escrevo. Gosto de ouvir música sempre, quase o tempo todo. Dia desses queria ouvir Chico Buarque e procurei uma canção dele menos conhecida (por mim). Então fui no youtube e coloquei Você Você, que fez para o neto, que era grudado na mãe e tudo falava "você, você". Daí depois de um ano foi para a creche e o avô perguntou: "O que você faz na creche?". "Espero a mamãe".
Então chorei muito ao lembrar de quando comecei a visitar a Dora no Visitário Público. Ela morava com o pai, no apartamento da namorada dele, Luciana Viacava. Nos víamos aos sábado e perguntei o que ela fazia lá. "Espero o dia de te ver, mamãe". Depois, quando comecei a levá-la aos finais de semana para nossa casa, fiz a mesma pergunta. "Espero você ir me buscar, mamãe". Então perguntei o que ela gostava de fazer lá. "Gosto quando a Lu conta histórias para eu dormir". "E o papai?" perguntei. "Ele nunca está lá quando vou dormir". O que Dora teve de melhor quando morou com o pai, foi a madrasta! Agora nem imagino o que ela faz, sei que não me espera mais...
Imagino mesmo que, se em algum momento ela pergunta sobre quando nos verá de novo, a resposta deve ser "quando o juiz deixar". Ah, esse juiz que decide a vida da criança que nunca viu...imagino também que devem dizer que a mãe de Dora é doente, por isso não pode vê-la. Se sou assim tão terrível, como posso ter criado uma filha tão inteligente, disciplinada, afetuosa, amorosa e carinhosa? Nas palavras do próprio avô (tenho o email), "Dora é uma criatura fantástica!". Quem criou essa criatura fantástica?
E vai chegando o Natal, que aprendi a gostar por causa da Dora. Depois de passar o Natal de 2004 internada numa clínica psiquiátrica e o de 2005 em um Visitário Público, realmente, essa data é só mais uma data para mim. Mas agora tenho a Miranda, que ama o Papai Noel, esse velho batuta, na versão light dos Garotos Podres. E cada vez que olho para Miranda vejo que a vida me deu uma segunda chance. Há exatos 7 anos eu tinha uma criança adorável de 2 anos e 10 meses, morava numa linda casa no litoral paulista, que construí da forma que quis, tinha estabilidade financeira e nenhum processo. Mesmo assim tive uma depressão que, olhando de longe, agora entendo: era minha crise existencial da meia idade! Sempre fui muito precoce... e, aos 34 anos, me vi repensando tudo que havia feito na vida, se estava no caminho certo, me via sozinha com Dora, sem apoio da outra parte, meu pai me esquecendo (era o alzheimer, mas eu não sabia), desilusão com a minha profissão, com as pessoas... e agora? Tenho 7 anos mais, não tenho mais a linda casa no litoral (vendida para comprar um apartamento menor e pagar "o processo"), aquela criança adorável tornou-se uma menina incrível, lá longe, quase um ano sem falar comigo, meu pai que ainda falava, andava e até nadava, agora só olha o vazio. Tenho outra filha sozinha. De 2 anos e 10 meses.
E mesmo com tudo isso, estou de pé! Vejo Dora em Miranda o tempo todo. Miranda já mostra que adora dança, é inteligentíssima, bem humorada... e ama tanto essa mamãe aqui. E posso ter a certeza que sempre terei Miranda, ninguém vai tirá-la de mim, ninguém! Desta vez acertei. Por mais que não permitam que Miranda fale ao telefone com Dora, sei que uma não esquecerá da outra. Não peço mais por mim o contato telefônico, peço por Miranda... mas não adianta. Ninguém lá vai se importar com a irmã da Dora. Acredito mesmo que o maior desejo daquelas pessoas nefastas seja a nossa morte. Se Dora perder de fato a mãe e a irmã, não precisarão mais mentir ou fazer BOs contra mim ou gastar com advogados. Seria tão bom se não existíssemos, não é família Golfeto?
Hoje falei com minha amiga Zan Moraes, sobre sua ideia de aproveitar o fim do ano e doar tudo que não usamos mais. Tenho 5 gavetas repletas de roupas da Dora, que com certeza não servem mais. Um armário com sapatos. Os brinquedos estão sendo usados por Miranda, mas as roupas... então tentei separar para dar. Não consigo, eu choro, choro e choro. Eu queria que Dora escolhesse as roupas para doar, como sempre fez. Dora sempre foi tão generosa. Chegou a doar seu brinquedo favorito para o dia das crianças, aos 2 anos, presente do meu querido amigo Marcelo Santos (Mônico), a "Batatinha". Perguntei porque iria dar seu brinquedo favorito. "Porque toda criança vai adorar ter a Batatinha". E deu, e nunca se arrependeu.
Sei que não deveria escrever o quanto estou triste e sofrendo. Fiquei sabendo que quando escrevo o quão mal me sinto, Jonas Golfeto, o guardião de Dora, fica feliz. Fica visivelmente mais feliz. Como pode alguém ter o poder de destruir tudo o que toca? Esse suposto homem das artes ajudou a montar a peça A Hora da Estrela, texto de Clarice Lispector, em Adamantina. Será que em nenhum momento Jonas fez um paralelo entre a inocência e a pureza da Macabeia com Dora? Será que nem mergulhado nesse projeto teve seu coração de pedra tocado? Isso é muito grave. Como um artista não se emociona, não sente a dor do outro, nem da própria filha? Macabeia reza porque a mãe manda, nem sabe o que é Deus. Assim como Dora, que um dia me disse que não podia me adorar, porque a babá Maria disse que só devemos adorar Deus. Tanta inocência nesse coração tão puro. Por favor, Jonas Golfeto, não destrua isso.
E eu fui ter uma filha com isso...fiquei totalmente estragada... não tenho a metade da metade da metade do brilho e entusiasmo que sempre me marcaram. Sempre superei tudo com facilidade ímpar. Sofrer de amor? Não mais que uma semana. Demitida? Um emprego melhor sempre esteve me esperando. Mas é muito difícil, quase impossível, superar 10 meses sem contato algum com uma filha. Não sei se um dia vou superar esses 7 anos de processo. Acho que não.
Então chorei muito ao lembrar de quando comecei a visitar a Dora no Visitário Público. Ela morava com o pai, no apartamento da namorada dele, Luciana Viacava. Nos víamos aos sábado e perguntei o que ela fazia lá. "Espero o dia de te ver, mamãe". Depois, quando comecei a levá-la aos finais de semana para nossa casa, fiz a mesma pergunta. "Espero você ir me buscar, mamãe". Então perguntei o que ela gostava de fazer lá. "Gosto quando a Lu conta histórias para eu dormir". "E o papai?" perguntei. "Ele nunca está lá quando vou dormir". O que Dora teve de melhor quando morou com o pai, foi a madrasta! Agora nem imagino o que ela faz, sei que não me espera mais...
Imagino mesmo que, se em algum momento ela pergunta sobre quando nos verá de novo, a resposta deve ser "quando o juiz deixar". Ah, esse juiz que decide a vida da criança que nunca viu...imagino também que devem dizer que a mãe de Dora é doente, por isso não pode vê-la. Se sou assim tão terrível, como posso ter criado uma filha tão inteligente, disciplinada, afetuosa, amorosa e carinhosa? Nas palavras do próprio avô (tenho o email), "Dora é uma criatura fantástica!". Quem criou essa criatura fantástica?
E vai chegando o Natal, que aprendi a gostar por causa da Dora. Depois de passar o Natal de 2004 internada numa clínica psiquiátrica e o de 2005 em um Visitário Público, realmente, essa data é só mais uma data para mim. Mas agora tenho a Miranda, que ama o Papai Noel, esse velho batuta, na versão light dos Garotos Podres. E cada vez que olho para Miranda vejo que a vida me deu uma segunda chance. Há exatos 7 anos eu tinha uma criança adorável de 2 anos e 10 meses, morava numa linda casa no litoral paulista, que construí da forma que quis, tinha estabilidade financeira e nenhum processo. Mesmo assim tive uma depressão que, olhando de longe, agora entendo: era minha crise existencial da meia idade! Sempre fui muito precoce... e, aos 34 anos, me vi repensando tudo que havia feito na vida, se estava no caminho certo, me via sozinha com Dora, sem apoio da outra parte, meu pai me esquecendo (era o alzheimer, mas eu não sabia), desilusão com a minha profissão, com as pessoas... e agora? Tenho 7 anos mais, não tenho mais a linda casa no litoral (vendida para comprar um apartamento menor e pagar "o processo"), aquela criança adorável tornou-se uma menina incrível, lá longe, quase um ano sem falar comigo, meu pai que ainda falava, andava e até nadava, agora só olha o vazio. Tenho outra filha sozinha. De 2 anos e 10 meses.
E mesmo com tudo isso, estou de pé! Vejo Dora em Miranda o tempo todo. Miranda já mostra que adora dança, é inteligentíssima, bem humorada... e ama tanto essa mamãe aqui. E posso ter a certeza que sempre terei Miranda, ninguém vai tirá-la de mim, ninguém! Desta vez acertei. Por mais que não permitam que Miranda fale ao telefone com Dora, sei que uma não esquecerá da outra. Não peço mais por mim o contato telefônico, peço por Miranda... mas não adianta. Ninguém lá vai se importar com a irmã da Dora. Acredito mesmo que o maior desejo daquelas pessoas nefastas seja a nossa morte. Se Dora perder de fato a mãe e a irmã, não precisarão mais mentir ou fazer BOs contra mim ou gastar com advogados. Seria tão bom se não existíssemos, não é família Golfeto?
Hoje falei com minha amiga Zan Moraes, sobre sua ideia de aproveitar o fim do ano e doar tudo que não usamos mais. Tenho 5 gavetas repletas de roupas da Dora, que com certeza não servem mais. Um armário com sapatos. Os brinquedos estão sendo usados por Miranda, mas as roupas... então tentei separar para dar. Não consigo, eu choro, choro e choro. Eu queria que Dora escolhesse as roupas para doar, como sempre fez. Dora sempre foi tão generosa. Chegou a doar seu brinquedo favorito para o dia das crianças, aos 2 anos, presente do meu querido amigo Marcelo Santos (Mônico), a "Batatinha". Perguntei porque iria dar seu brinquedo favorito. "Porque toda criança vai adorar ter a Batatinha". E deu, e nunca se arrependeu.
Sei que não deveria escrever o quanto estou triste e sofrendo. Fiquei sabendo que quando escrevo o quão mal me sinto, Jonas Golfeto, o guardião de Dora, fica feliz. Fica visivelmente mais feliz. Como pode alguém ter o poder de destruir tudo o que toca? Esse suposto homem das artes ajudou a montar a peça A Hora da Estrela, texto de Clarice Lispector, em Adamantina. Será que em nenhum momento Jonas fez um paralelo entre a inocência e a pureza da Macabeia com Dora? Será que nem mergulhado nesse projeto teve seu coração de pedra tocado? Isso é muito grave. Como um artista não se emociona, não sente a dor do outro, nem da própria filha? Macabeia reza porque a mãe manda, nem sabe o que é Deus. Assim como Dora, que um dia me disse que não podia me adorar, porque a babá Maria disse que só devemos adorar Deus. Tanta inocência nesse coração tão puro. Por favor, Jonas Golfeto, não destrua isso.
E eu fui ter uma filha com isso...fiquei totalmente estragada... não tenho a metade da metade da metade do brilho e entusiasmo que sempre me marcaram. Sempre superei tudo com facilidade ímpar. Sofrer de amor? Não mais que uma semana. Demitida? Um emprego melhor sempre esteve me esperando. Mas é muito difícil, quase impossível, superar 10 meses sem contato algum com uma filha. Não sei se um dia vou superar esses 7 anos de processo. Acho que não.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
A Irmã Imaginária
Final do ano é sempre igual: todo mundo na correria dizendo como passou tão rápido tudo. Sim, esse ano passou dolorosamente rápido. Não posso crer que há quase 10 meses Dora não falou com qualquer pessoa do seu convívio social, que há quase 10 meses sofreu a maior ruptura com marcas, após o corte do cordão umbilical. O que isso vai provocar na cabeça da minha filha? Será que sua alma sobrevive intacta a esse trauma? Não posso ver, sequer falar com Dora, para tentar desvendar na profundidade do seu olhar de Capitu, se seu coração continua aberto e puro. E se o medo é o que guia seus passos. Eu posso sentir, mas não posso ver...que lembranças Dora terá de sua infância? Essa que deveria ser a melhor e mais divertida fase da sua vida.
Não sei por Dora, mas sei por mim e por Miranda. As minhas cicatrizes eu cubro com tatuagens. É uma forma de esconder o quanto a vida foi dura com você. Ou como ela - a vida - poderia ser maravilhosa, mas muitas vezes torna-se apenas suportável. Essa dor não dá pra disfarçar nem com sarcasmo...
Não imagino como serão essas lembranças da Dora, não faço parte de nada disso. Eu não sei nada dela. Não posso opinar, concordar, discordar, exemplificar, dividir, multiplicar. Não posso sequer abraçar minha filha. Que lembrança eu terei disso?
E Miranda lembra que tem uma irmã, mas não pode vê-la. Agora deu para brincar com a irmã imaginária. Pega a mochila de rodinha da Dora e faz como se Dora estivesse chegando da escola. Corre para abraçar o vento e me diz: "Fica feliz mamãe, a Doinha voltou". E eu tenho que sorrir e abraçar o vento e abraçar a Miranda junto com o vento. E ficar feliz. Então "as duas" brincam de Barbie. Miranda conta pra Dora que eu comprei uma princesa linda pra ela. Entrega. "Mamãe, olha como a Doinha gostou?". Isso chega a ser mórbido! É mais que triste. É sombrio uma criança de 2 anos e 9 meses ter que imaginar a irmã, que não pode ver...
E o que mais me surpreende em Miranda é que ela lembra hábitos de Dora, como colocar a espuma do cabelo no box do banheiro, fazer coque, usar gel. Ela não vê a irmã há quase um ano. Isso é quase metade da vida dela. Mesmo assim, não esquece Dora, porque por 2 anos era sua referência, era o que a Miranda queria fazer. Isso me alenta, mas ao mesmo tempo me dá uma dor profunda...
Queria muito poder não escrever o quanto estou triste e quanto a saudade dói. Queria parar de escrever como a Justiça é lenta, com as pessoas da outra parte são ruins, que essas crianças não mereciam nada disso. Mas nada, nada pode me confortar. A tortura destrói a sanidade e a alma.
Não sei por Dora, mas sei por mim e por Miranda. As minhas cicatrizes eu cubro com tatuagens. É uma forma de esconder o quanto a vida foi dura com você. Ou como ela - a vida - poderia ser maravilhosa, mas muitas vezes torna-se apenas suportável. Essa dor não dá pra disfarçar nem com sarcasmo...
Não imagino como serão essas lembranças da Dora, não faço parte de nada disso. Eu não sei nada dela. Não posso opinar, concordar, discordar, exemplificar, dividir, multiplicar. Não posso sequer abraçar minha filha. Que lembrança eu terei disso?
E Miranda lembra que tem uma irmã, mas não pode vê-la. Agora deu para brincar com a irmã imaginária. Pega a mochila de rodinha da Dora e faz como se Dora estivesse chegando da escola. Corre para abraçar o vento e me diz: "Fica feliz mamãe, a Doinha voltou". E eu tenho que sorrir e abraçar o vento e abraçar a Miranda junto com o vento. E ficar feliz. Então "as duas" brincam de Barbie. Miranda conta pra Dora que eu comprei uma princesa linda pra ela. Entrega. "Mamãe, olha como a Doinha gostou?". Isso chega a ser mórbido! É mais que triste. É sombrio uma criança de 2 anos e 9 meses ter que imaginar a irmã, que não pode ver...
E o que mais me surpreende em Miranda é que ela lembra hábitos de Dora, como colocar a espuma do cabelo no box do banheiro, fazer coque, usar gel. Ela não vê a irmã há quase um ano. Isso é quase metade da vida dela. Mesmo assim, não esquece Dora, porque por 2 anos era sua referência, era o que a Miranda queria fazer. Isso me alenta, mas ao mesmo tempo me dá uma dor profunda...
Queria muito poder não escrever o quanto estou triste e quanto a saudade dói. Queria parar de escrever como a Justiça é lenta, com as pessoas da outra parte são ruins, que essas crianças não mereciam nada disso. Mas nada, nada pode me confortar. A tortura destrói a sanidade e a alma.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Filhas Únicas
Quando pequena causava estranhamento o fato de ser filha única. Realmente não era comum e as pessoas diziam que eu não parecia ser filha única, seja lá o que isso quisesse dizer. Mas sempre me senti cobrada, com todas as expectativas e atenções em cima de mim. Na entrevista do dia 11/11/11, com a filha única de Djalma, Laura Santos, perguntei sobre isso. É diferente e ela sentia uma diferença ainda maior por ser filha dele, demorou a entender que era filha de um mito do futebol. Talvez por estar no hospital, emocionou-se ao lembrar da infância. Eu já estava com os olhos inchados, meio pela alergia e o antialérgico, meio por ter chorado enquanto subia a Serra, de saudade. Então, servi água, para que Laura continuasse contando sua história, enquanto tantas lágrimas escorriam por seu rosto. Como todo filho único, sei que gostaria muito de ser mimada.
Certa vez fiz uma matéria sobre filhos únicos. Era para o Diário do Grande ABC, caderno Dia-a-Dia, queria um personagem conhecido e telefonei para uma agência, para pegar uma fala. Logo me retornaram com o telefone da Giulia Gam, para que eu ligasse. Conversamos longamente sobre o tema, um sentimento de solidão compartilhado. Acabei lembrando disso, e que agora é mais comum encontrar filho único. Quando Dora tinha uns 2 anos eu comecei a pensar no segundo filho. Já estava sozinha com ela e não queria que fosse filha única como eu. Um peso muito grande, por mais distante, ausente ou indisponível que o filho único seja.
E voltei para casa. Era sexta-feira, véspera de um feriado e eu esqueci completamente. Ainda fui encontrar um querido para almoçar. Só percebi meu equívoco ao sair da rodoviária. A Imigrantes estava parada. Folgada como o quê, sentei ao lado da janela ( meu lugar era o corredor). Mas logo apareceu uma moça muito bonita e elegante e não se importou em trocar a poltrona. Fiz uma meia dúzia de ligações e para minha sorte, o que seria uma enfadonha descida de 4 horas (em que eu até dormiria, talvez), tornou-se uma deliciosa troca de experiências, comentários e coincidências. Aline, uma santista simpática (redundância) e inteligente, que até já morou em Ribeirão Preto, também é filha única. Nada mesmo acontece por acaso.
Evito falar de Dora para quem acabo de conhecer. Vou acabar me referindo a ela só no passado, pois há quase um ano não falo com Dora, não sei dela, como se sente, quem são seus amigos, o que faz, para onde vai. Pode parecer mórbido. Daí tenho que contar sobre o processo, que minha filha está com o guardião, que não me deixa falar com ela, que tudo demora... e muito mais do mesmo. E daí a pessoa pode não acreditar em nada ou pensar por dentro "nunca vi mãe perder guarda de filho, o que ela fez?". Julgamentos o tempo todo...
Mas depois de tanta sincronicidade, já tinha até mostrado foto da Miranda no celular, acabei contando. E pareceu que falei algo comum ou banal. Não me senti julgada. Ao contrário, o comentário imediato que veio de Aline foi: "Viu, ainda bem que você teve a Miranda, que Dora não é filha única!". Simples assim.
Ao mesmo tempo é como se eu tivesse duas filhas únicas. Agora estou só com Miranda. Por 7 anos tive só a Dora. E essa distância... tenho medo que diminua a irmandade. Esse sentimento tão profundo, incondicional que nunca tive. Esse te amo e te odeio, empurra e abraça. Perdoa e esquece. Não queria criar Miranda como filha única, nem Dora. Queria irmãs, com brincadeiras, casa cheia e alegria. Queria aulas de pintura, chás de bonecas...
Dia desses a Miranda disse que quando "a Doinha vier, vamos brincar de Babí". As irmãs já estariam brincando de boneca juntas. Será que Dora ainda brinca com bonecas?
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Dor Visível e Materializada
Me perguntaram porquê parei de escrever. O motivo exato não sei. Uma série de acontecimentos: não estar me sentindo bem fisicamente. Falta de inspiração. Mais do mesmo. Fatos que preciso censurar. Dor latejante de uma saudade eterna. Tudo isso e mais um pouco.
De repente me apareceram umas bolinhas vermelhas abaixo do peito. Não dei muita importância, eram poucas e pequenas. Uma semana depois já haviam se espalhado para a barriga, não demorou muito foram parar nas costas. Não houve sintoma como coceira insistente, febre, nada. Por isso demorei uns 20 dias para ir ao Pronto Socorro. E fui porque minha tia Cida me levou, não estava me sentindo mal. Embora, claro, a visão do meu corpo coberto de manchas vermelhas, em alto relevo, não estivesse me agradando.
Fui no PS Municipal de Santos, na avenida Afonso Pena. Não tinha fila para fazer a ficha e como sou cadastrada, em 2 minutos já estava na sala de espera, com ar condicionado e revistas. Enquanto esperava aproveitei para ligar mais uma vez para Laura, filha de Djalma Santos, que precisava entrevistar para enriquecer informações para o livro sobre seu pai. Ela esteve internada e ficou de me retornar para marcar o melhor dia. Consigo falar com Laura, que precisou ser novamente hospitalizada. Apesar da situação (ela no hospital, eu no Pronto Socorro), conversamos animadamente e a entrevista ficou marcada para sexta-feira, 11/11/11, às 9h30 (naquele momento eu nem tinha me ligado nessa data tão comentada). Depois ainda liguei para Norian Segatto, confirmando dia e local, pois queríamos ir juntos e acertar nossas agendas já não é tarefa fácil. E liguei também para o diagramador do jornal, liberando-o , porque só iria passar alguma matéria depois das 16h. E quando completava a terceira ligação já fui chamada para a enfermaria. Tudo muito rápido. Mesmo assim, algumas pessoas ainda reclamavam da espera. Talvez não saibam que, muitas vezes, o atendimento médico particular, com hora marcada, nos faz esperar até por mais de uma hora, em salas cheias.
A enfermeira me faz perguntas de praxe. Há mais de um ano não tomo nem aspirina, porque meus olhos chegam a fechar. Isso aconteceu duas vezes e então nunca mais tomei qualquer remédio, nem para dor de cabeça. Em seguida sou chamada pela médica, que me indica uma injeção de fernegan e soro. Até a injeção, tudo bem. Na hora de colocar a agulha na minha veia, expliquei meu pânico. Nunca ninguém acredita até acontecer.
Primeiro comecei a me contrair e tremer, suar frio, tudo tornou-se esverdeado e cinza e fui apagando, até desmaiar. Uma enfermeira dizia: “saiu a agulha”. Eu estava já na cama, deitada e ouvia ao longe alguém perguntando se me tirava do soro. A veterana não hesitou em colocar outra agulha numa veia da mão e ainda disse “essas veias são ótimas!”. Tipo da frase que me causa náuseas. Fiquei lá, deitada no soro e até dormir. Quando acordei, vi que já tinha ido todo o líquido. Como me sentia bem e tinha pressa, levantei e carreguei o soro pendurado comigo. Quando olhei minhas mãos, vi sangue. Foi o suficiente para sentir tudo de novo, me arrastei ainda até uma cadeira e fui imediatamente socorrida . Tiram tudo. Melhoro. “Você veio com acompanhante?”. Não, sozinha, eu não sabia que estava tão mal. Na verdade, passei mal pelo pânico da agulha na veia, não pela alergia, ou conjunto de tudo, não sei.
O resultado é que tenho que fazer vários exames para saber o que me provoca alergia. Pode ser peixe e frutos do mar (que tristeza), produtos de limpeza (desculpa perfeita), sol (não, isso nunca!) ou até mesmo emocional (ah, tá). Acabei perdendo uma tarde no soro, desmaiando, consultando, o que acarretou uma reação em cadeia de atrasos e coisas ruins.
Eu não sei como isso vai acabar, mas me sinto cada dia pior e agora é físico. Minha dor é tão grande e eu sei a causa. Não adianta tomar ansiolíticos ou anfetaminas para amenizá-la, não é existencial a minha dor, é pura matéria, posso vê-la e tocá-la. A forma de diminuí-la é ver minha filha. Não dá para viver essa tortura de sofrer podendo aplacar o sofrimento, sabendo que é tudo tão mesquinho, burro e vão. Saber que o outro também sofre. E tanto sofrimento causando tanta dor. A vida é tão frágil, acaba tão rápido. E vivê-la com tanta dor é jogar tudo fora. É viver com desapego da vida.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Minha Primeira Impressão Sobre Djalma Santos
Passei dois dias em Uberaba (MG) tendo a honra e privilégio de entrevistar o lendário Djalma Santos ou “o melhor lateral direita que esse País já teve”. Para quem não acompanha esportes ou futebol, Djalma jogou 4 Copas e venceu duas: a de 1958 e 1962. A série de entrevistas, que ainda não terminou, é para um livro biográfico, que será lançado em março. Eu e os jornalistas Norian Segatto e Flavio Prado estamos nesse projeto.
Quando entrei na sala de troféus e títulos tive uma dupla emoção: de atleta e jornalista. Como atleta, cada troféu ou medalha significa o reconhecimento do seu talento e empenho. E lá tinha uma sala inteira de glórias, isso já me tocou de forma singular. Como jornalista, senti que estava fazendo parte da história. Tantas fotos, tantas matérias guardadas. Mais do que a história do futebol, estava ali parte da história recente do Brasil e do mundo. Esse senhor de 82 anos tem uma vida extraordinária.
Se pudesse resumir sua presença em uma palavra seria elegância. Um homem muito elegante. Um príncipe negro. Jogou profissionalmente dos 17 aos 41 anos e nunca foi expulso de campo. Numa posição que é tipo um “zagueirão”, não agredia ninguém e ainda apaziguava as brigas. Como Flavio Prado é uma enciclopédia ambulante do futebol, tentei tirar histórias pessoais, li muito sobre ele antes de entrevistá-lo e não achei muita coisa íntima.
Então ficamos sabendo que na sua infância pobre, quando o pai abandonou a mãe, ele e suas duas irmãs, muita coisa aconteceu. Não posso escrever tudo aqui porque precisa sobrar no livro, mas uma passagem me deixou abalada, me afetou de uma maneira intensa, ao ponto de me fazer chorar até dormir quando cheguei ao hotel. Sobre o amor desse homem por sua mãe, que morreu quando ele tinha 11 anos.
No trecho em que ele fala que não foi no hospital visitá-la porque estava na fábrica de sapatos (aos 11 já trabalhava numa fábrica) e dois dias depois, na outra visita, só deu tempo de vê-la morta, meu coração apertou. Amassa meu coração de vez completando que foi enterrada como indigente, nem sabe onde. As três crianças não sabiam o que fazer. Seus olhos marejaram e tive de conter meu aguaceiro, porque estava numa entrevista. Soltei a represa no quarto, por isso chorei até dormir.
No dia seguinte voltei em sua casa, só eu e a fotógrafa Camila Tostes. Nosso papo foi mais intimista, me contou passagens incríveis de suas inúmeras viagens com a seleção... mas voltamos na sua mãe, que não deixou uma foto ou documento, como se não tivesse existido. Na despedida disse para ele que não importa onde a mãe esteja enterrada. O importante é que após 70 anos de sua morte, continua viva em suas lembranças e agora todos vão saber quem foi Laura Nogueira Santos, nesse livro.
Juro que não queria fazê-lo chorar, queria dar um sentido para o único vazio que parece persistir em sua trajetória incrível. Me abraçou muito emocionado e agradeceu. Não, não... eu que tenho que agradecer a oportunidade de contar sua história fantástica.
Vamos falar de uma mãe que criou os filhos sozinha, até onde pôde, com muita dignidade. Que mesmo na pobreza e abandono deu amor, carinho e nunca usou violência, maltratou ou bateu nos filhos. Segundo Djalma, quando aprontavam, mandava lavar louça, fazer trabalho artesanal ou coisa parecida, era esse o castigo. Talvez venha dessa educação parte de sua postura elegante e tolerante.
Muito pesar partir tão cedo, tivesse vivido mais 10 anos veria o talentoso filho que criou, cheio de ética e caráter. Talvez acabasse morrendo jovem, mas não de doença, poderia ser de orgulho...
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Pela Última Vez
Prometi para mim mesma que não escreveria mais nesse blog sobre processo, ação ou família Golfeto, até porque não quero mais viver isso, não quero mais isso na minha vida, que é muito, mas muito maior do que essa disputa de guarda insana.
Nesta semana estou particularmente mais cansada, porque fui a trabalho para Uberaba e voltei e fiz bate e volta para Ribeirão Preto e fechei um jornal em tempo recorde no meio disso tudo. Liguei, como sempre fazia (não farei mais) para a casa da ilustre família, eram 7h20, talvez por ser tão cedo, José Hércules Golfeto (o psiquiatra, avô da Dora), me atendeu. Disse entre outras que Dora sente minha falta, não me esqueceu, mas que eu tenho que ter paciência, que Jonas foi mais inteligente! Que Dora precisa conviver com a mãe e com a irmã e blá, blá, blá. Daí perguntei porquê não me deixam nem falar com ela ao telefone e ele disse para eu parar de escrever “aquelas coisas horríveis”.
Ora, se pararem de fazer coisas horríveis, paro de escrevê-las. Adoraria fazer um post sobre o dia em que levaram Dora para Santos, permitindo que ela visse a irmã, a mãe, os amigos, seus brinquedos, sua casa. Adoraria postar que nos encontramos, que fui buscá-la e me receberam. Mas quando fui até a casa desta família, chamaram os guardinhas e ainda fizeram BO contra mim. E tem mais: o avô, tão bonzinho e que deseja paz e harmonia entre as partes também fez um BO contra mim! Esse monstro fez um BO dizendo que liguei para seu consultório e disse para sua secretária que iria matá-lo e botar fogo na casa deles!!! Pobre coitada dessa secretária, submeter-se a isso para manter o emprego... mas a declaração nem é dela, é do avô mentiroso. Como disse, foi daí que começou tudo. Jonas Golfeto tem bem a quem puxar. Tomara que Dorinha escape disso, nunca se torne uma mentirosa, dissimulada. Não, ela estará livre disso, ela é esperta e sabe o que é verdadeiro ou falso.
E me impressiona muito como esse singelo blog incomoda tanto! No próprio processo estão vários posts, os que mais me denunciam, nem tive a curiosidade de relê-los (ainda) porque agora estou dentro de um ônibus, nesse meu calvário de viagens sem fim onde acaba em nada. Agora, além dos meus queridos leitores, também vão ler o blog juízes, promotores, advogados... que bom! Quando isso aqui virar livro, a divulgação já estará feita. Estão no processo os seguintes textos: Heroína, A Subversiva, Thiaguera, Meu Lamento, Seis Meses Sem Mãe e Eu Queria Ser Kim Deal. Eu até imagino o porquê de alguns desses textos estarem lá. Heroína fala do meu desprezo por uma certa ONG machista. Seis Meses Sem Mãe conto como foram esses meses e em Meu Lamento... o título já diz tudo. Em A Subversiva me sinto até lisonjeada por tal acusação, já que são os subversivos que conseguem mudar alguma coisa nesse sistema. Thiaguera só pode ser para mostrar que tive um amigo alcoólatra, que morreu precocemente por causa do vício. Sim, tenho amigos alcoólatras e viciados. Inclusive tenho um amigo-irmão, que já foi meu namorado, que está numa clínica. Não me envergonha isso. São pessoas doentes e que precisam de tratamento. Mil vezes essas pessoas, do que um careta cruel, sádico, venenoso e mentiroso. Tenho também muitos amigos atletas, profissionais de sucesso nas mais diversas áreas. Enfim, meus amigos escolho por caráter e empatia, não por cor, credo, tipo físico. Se alguns de grandes amigos, tornaram-se dependentes por fraqueza física e até por isso façam coisas que prejudicam seu caráter, não deixarei de ser amiga. Abandonar um amigo quando mais precisa é não ser amigo, é não ter caráter.
Agora, realmente, colocar no processo Eu Queria Ser Kim Deal só pode ser piada! Nem falo de Dora, de ação, de nada. Escrevo sobre minha paixão por rock, Pixies e sua genial baixista. Falo da minha adolescência em Santos... será que ter uma alma rock é crime? Eu também adoro Mozart sabia? Amo Cartola, samba do bom e muita MPB. Ou será que Jonas teve um vislumbre de generosidade e resolveu mostrar aos juízes, promotores e afins como escrevo bem e como sou sensível? Não sei, pode-se esperar qualquer coisa vinda do lado de lá.
Confesso que estou um pouco arrependida do meu último post, em que falo do juiz do processo, mas agora já foi e foi bastante lido. E sobre o que escrevi, não inventei nada, saiu no jornal Folha de Ribeirão. Minha opinião sobre a lentidão é minha opinião mesmo, não vou mudá-la. Então é isso, não escrevo mais sobre esse processo. Mas há outro, o criminal. Ah, e sobre esse ainda vou escrever. De resto, não quero mais ir até Ribeirão Preto, cada vez que vou pra lá, sabendo que minha filha está lá e não posso vê-la, me dá uma dor tão grande que mal consigo respirar... e vou chorando o caminho inteiro. E volto chorando... e minha cabeça dói, já que acabo com o líquido do meu cérebro. Chega de tudo isso, chega. Essa prova eu não nado mais, vou mudar de estilo.
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