sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ela Nunca Mais Viu o Mar

    Assim que soube estar grávida fui ver qual hospital fazia parto na água. Apesar de desejar o parto em Santos, já estava até me conformando em ter uma filha paulistana, quando tive a placenta prévia, com 37 dias de gestação. Minha obstetra, Rosa Maria Neme, como toda boa médica, estava otimista, porém pragmática. "Esqueça parto na água, esqueça parto normal. Se você conseguir chegar ao sexto mês sem perder o bebê, será cesárea." E Dora, com todos os cuidados médicos, de amigos, de minha prima Keila, que ficou comigo nos últimos 3 meses, nasceu linda e saudável, aos 9 meses.
    Dora foi conhecer o mar com 4 meses. Amou e demonstrou com o entusiasmo que sempre teve pelo novo. Não consigo dimensionar a importância do mar em minha vida. Não preciso vê-lo, mas é sempre bom saber que estou a poucos quilometros dele. Como é bom ouvir o barulho do mar. Acho que isso só sente quem nasceu e cresceu na praia, caiçara mesmo. A praia é meu quintal, nunca foi lugar de férias.
    Antes de completar 2 anos, Dora mudou-se comigo para a casa que eu tinha em Boiçucanga (litoral norte de São Paulo). Uma casa bonita, em um terreno de mil metros quadrados. Construí essa casa enquanto estava grávida, pensando como Dora iria aproveitar na adolescência, com os amigos (foi vendida e a maior parte gasta no processo de guarda). Lá Dora passava as manhãs de Sol na areia e depois da escolinha íamos ver o pôr-do-sol.
     O mar de Boiçucanga fez muito bem para Dorinha, para mim, nem tanto. Lá tive depressão, depois de muitos percalços fui para meu apartamento no Guarujá, pequeno, de um quarto, mas falei com o pai de Dora e ele também achou melhor, pois ficaria mais perto de São Paulo. Daí cometi meu maior erro: confiei na pessoa que me tirou a filha na minha depressão! Mas como a guarda provisória era minha e ele ficava com ela nos finais de semana, queria dar um basta em tudo, não sabia que Jonas Golfeto estava saindo em busca de falsos testemunhos e brechas da Justiça para conseguir arrancar Dora de mim... e do mar.
    Quando foi levada pelo pai em agosto de 2005, para o final de semana do Dia dos Pais, ainda queria ficar comigo. Dora estava amando o novo apartamento, tinha condomínio com piscina, parquinho e era perto da praia da Enseada. Mas insisti para que fosse com seu pai, comprei até presente para ela entregar ao próprio carrasco. E seu pai não a devolveu. Havia conseguido a guarda, dizendo que fui para o Chile "planejar" uma fuga! (isso tem em outros posts). Depois de meses de Visitário Público, depois de fugir com Dora desse lugar medonho e bizarro e passar um mês em Búzios (sou fugitiva chique, tá?). Voltei, pois fomos escancaradas no Fantástico (o próprio, da Rede Globo). Mas o erro deu certo, Dora teve férias na praia e logo consegui ficar com ela nos finais de semana alternados, o que ainda era tão pouco para nós.
     Na primeira vez que desci a Serra do Mar com Dora, então com pouco mais de 4 anos, há  mais de 8 meses sem ver a Baixada, pediu para descer por Santos, para passar em frente ao mar, estava com saudade da praia. Durante o tempo em que morou na casa da namorada do pai, Luciana Viacava, nunca mais tinha visto o mar. Olhando pela janela me disse com brilho nos olhos que adorava ser santista. Lamentavelmente tive de informá-la que nasceu em São Paulo, mas ainda restava-lhe torcer para o Santos e morar na praia. Dora sempre foi uma abnegada. Conformou-se. Dora sempre foi generosa, obediente e puro amor. Por muito tempo achei que não merecia alguém tão especial. Mas era porque tinha depressão e essa doença nos cega, nos faz pensar que não merecemos nada, depois percebi que ela era assim porque, além de ser um espírito nobre, é minha filha, porque também fui criada dentro da verdade, do amor, da justiça e da generosidade.
     Moramos também em Paraty, uma das cidades mais lindas que já conheci. Lá fomos muito felizes, conhecemos bons amigos, alguns que levo para a vida toda, como Kátia Chigres, Andréa Doalmo e Yara Marques. Dora teve amigos maravilhosos também, fez natação, passeava de barco, morávamos numa casa linda, com cachoeira no terreno. Eu agradecia todos os dias nossa paz, nossa vida, nossos amigos. Como a maioria era "forasteira", havia muita solidariedade. Dora amava Paraty, concordava em mudar de lá só se fosse para Santos. E assim foi. E em Santos nasceu Miranda. Dora fazia ballet no Municipal de Santos, conheceu Raquel, sua melhor amiga, o que me fez conhecer Claudia, mãe de Raquel, a mulher mais guerreira que já conheci em toda a minha vida. Claudia luta bravamente contra o câncer há mais de 5 anos, tem 4 filhos incrivelmente educados, inteligentes e espirituosos. E tem o marido Fernando, que Dora também adorava. No fim de tarde santista eu levava Dora e Raquel para a praia, elas ficavam brincando na areia, enquanto eu ficava com Miranda no carrinho, com meus amigos. A praia em Santos é melhor à noite do que de dia. Santos tem vida na praia de dia e de noite. Dora adorava o mar.
   E agora Dora vive há mais de 500 quilometros do mar. Nem nas férias vai para a praia, porque isso a faria lembrar demasiadamente da mãe e de seu passado, que a família tenta apagar. Dora sente saudade não só de mim, da irmã, dos amigos, Dora sente saudade do mar. Sua dor um dia vai acabar, as marcas talvez nunca se apagem, mas sua alma é nobre e nada vai mudar o que está gravado em seu coração, nada.
http://youtu.be/MYTt3oKoOMA

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Com Miranda, na Mirada

  Neste sábado estava com Miranda no Sesc de Santos, no último dia do Mirada - Festival Íbero-Americano de Artes Cênicas. O Mirada é um post a parte, ainda mais para quem gosta de teatro como eu. Foram vários espetáculos em teatros, praças públicas e centro histórico, não só em Santos, mas em várias cidades da Baixada Santista. Na quarta-feira ainda fui assistir ao clássico SantosxFlamengo, na Vila Belmiro, com meu amigo de infância e natação, Marcelo Santos, mais um grupo de atores, técnicos, diretores espanhóis e mexicanos. E tudo foi muito divertido.
  Mas eu estava sábado no Sesc, após ter perdido a última peça infantil. Miranda brincava com uma menininha vestida de princesa (com coroa e tudo). Eu de longe percebia que Miranda era maior e mais forte e fiquei meio apreensiva, já que a menina parecia uma princesa Disney e Miranda está mais para a Fiona. A mãe da princessa tinha lindos cabelos cacheados e sempre um sorriso no rosto. Confiei. Depois me aproximei e após 10 minutos de conversa, trocamos o telefone. Jornalista e também cantora, perdemos as contas dos amigos em comum. Sua filhinha tem alguns meses menos que Miranda. Quando perguntou sobre o nome diferente, contei que foi sugestão da minha filha mais velha, Dora, que estava com o pai e que eu tinha problemas com a guarda. Não quis me aprofundar.
  Como seguimos o papo e a programação intensa que continuaria até o show de encerramento de Karina Buhr, ela acabou perguntando da guarda, já que o pai de sua filha mais velha, também com 10 anos, tinha entrado com ação para conseguir a guarda. As coincidências não pararam mais. A mãe da princesa me disse que seus amigos dizem que para mãe perder guarda de filho só se for drogada, violenta e que "nem puta perde a guarda de filho". Não tive como não fazer referência ao título de um post. Antes do Novo Código Civil, a guarda era da mãe na separação, para o pai conseguir a reversão tinha que provar que a mãe era péssima. Agora é de quem pede primeiro, de quem mente mais. Além da minha, contei umas três histórias de mães que perderam a guarda e ainda ficaram sem ver os filhos por anos. Pior não é perder a guarda, pior é ficar 20 meses sem ter notícias da filha. 
  E mesmo existindo uma Lei (a de Alienação Parental) que pune o alienador e que pode reverter a guarda imediatamente, nada é feito. Aliás, acho que  o sistema judiciário ajuda a manter o crime de alienação parental, então fica muito difícil fazer vigorar uma Lei que nem o judiciário cumpre. Entrei com a ação há mais de um ano, porque não sabia de Dora há 6 meses. Agora são mais de 20. As únicas mudanças foram o número de meses, o tamanho da minha indignação, da minha angústia e da minha raiva. E Miranda que agora só fala da irmã no passado: "Eu tive uma irmã". Está certa, afinal ela não tem mais uma irmã. Miranda vive um luto em vida. Para ela a irmã está com o vovô Abel, no passado, na memória, em fotos, em lembranças. Dora, nem foto da irmã tem. Para Dora todos os seus amigos a esqueceram, afinal ela não sabe que o papai bloqueou seus amigos.
  Não vejo sentido para mais nada disso. Eu até procurei uma terapeuta, para tentar lidar com essa morte em vida, apesar de todos os meus "senões" com essa categoria, já que os avós de Dora, José Hércules Golfeto e Ed Melo Golfeto são, respectivamente, psiquiatra infantil e psicóloga. A tia Raquel Golfeto também é psicóloga. O pai eu nem sei mais o que é, já que era ator e abandonou a carreira para ficar em Ribeirão Preto, na casa dos pais, afastando Dora da vida que ela teve. Minha filha está cercada de profissionais da saúde mental e olha só o que essas pessoas fazem. Não conseguem nem esclarecer o genitor de Dora sobre o mal que está fazendo com a filha e com ele mesmo, afinal, não consigo imaginar que Jonas Golfeto (o pai) seja feliz vivendo em processos - além dos meus, também tem processado algumas empresas (vai ver é para pagar advogado, uma suposição), ficar longe da metrópole São Paulo (será que está?), morar numa espécie de província. Mesmo assim estive com uma terapeuta. Mas é muito difícil, porque meu problema não é comigo. Meu problema é com a lentidão do judiciário, com a crueldade da outra parte, com a falta de senso dos pais da outra parte, com a distância física da minha filha, que conseguiram tirar da minha vida, com aval da Justiça!
   E mesmo assim a outra parte insiste na minha "loucura, a depressão". Ora, qualquer um no meu lugar já teria entregado o chapéu há tempos. Nem antidepressivo eu tomo, porque mesmo se quisesse não poderia, por conta das minhas alergias. 
   Se houver algum sentido nisso tudo é o de alertar mães de que não precisa ser drogada, nem violenta, nem puta para perder a guarda de filho. Só precisa ter dado o azar de se envolver com um psicopata*, desocupado, vingativo, com tempo de sobra e com pais que apoiam seus devaneios megalomaníacos. E tem muito mais desse tipo do que se pode imaginar. 
  Não estou fazendo um manifesto feminista, embora seja muito feminista. Sei que existem mulheres vingativas, que não superam a separação e tentam vingar-se afastando os filhos dos ex. Porém, o número de homens com esse perfil é muito maior do que se pode supor. Ouço muito que quem mais sofre com isso é a criança. Eu não sei se minha filha está sofrendo, há mais de 20 meses não me deixam falar com ela. Da outra vez que o pai a afastou de mim, mas que eu a via no Visitário Público (lugar horrível já mencionado aqui e que o pai amoroso faz questão de manter a filha - só não conseguiu de novo porque tal cárcere não existe em Ribeirão Preto), sei que sofria e muito. Sei que as mães sofrem muito, pela dor do afastamento e pela dor da injustiça, do julgamento.
   Miranda e sua mais nova amiga de infância, a princesa, ficaram alheias aos nossos assuntos de adulto. Ficamos na frente do palco. Para minha mais agradável surpresa, Edgard Scandurra, meu guitarrista preferido, meu ídolo da adolescência, tocou com Karina. Ele olhava enternecido para as duas garotinhas que dançavam como bailarinas e prestavam muita atenção no show. Karina arrastou-se como cobra até as meninas, em sua performática apresentação, deitada, cantando, foi acariciada pelas duas no rosto e cabelo. Foi lindo! Muitas fotos, muitas gravações e algumas pessoas vieram me parabenizar pela minha Miranda, dizendo que ela nasceu para brilhar, para os palcos. Não sei, vejo em Miranda uma atleta, mas acho que Miranda nasceu, principalmente, para ser feliz e para me manter mãe.

* Antes que a outra parte tenha um "siricotico" e saia em busca do fórum mais próximo para me processar por injúria e difamação, deixo claro que essa é uma opinião minha, construída após muita leitura e análise. O psicopata não é, necessariamente, um serial killer, mas ele destrói vidas. Em busca de seu objetivo passa por cima de pessoas e sentimentos, não sente a dor alheia, é tão frio que planeja por anos sua vingança, com inteligência acima da média, convence muitos com suas mentiras, é capaz de transformar-se para enganar, para conseguir a confiança de alguém. Acha que nunca será desmascarado ou vencido.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Alienação Parental não é crime?



   No último dia 26 de agosto completaram 2 anos da Lei de Alienação Parental. Há mais de uma no eu entrei com uma ação sobre o tema, em Ribeirão Preto, pois na data acabava de completar 6 meses que não me deixavam sequer falar ao telefone com minha filha. Com muito custo e mais de duas horas de audiência realizada no dia 8 de agosto de 2011, ou seja, há mais de um ano, houve um acordo "amigável" para que eu e  minha filha Dora, hoje com 10 anos e meio, nos falássemos por skype.
   O contato só foi feito uma vez, já que era um acordo amigável e poderia o genitor e guardião legal, o ator Jonas Golfeto, voltar atrás a qualquer tempo. Pois a situação agora é ainda pior, pois já há quase 3 meses o atual juiz do caso (é o quarto desde que esse processo começou!) deferiu visitas "o quanto antes". Ora, essa Lei de Alienação parental vigora, porém  não funciona. O genitor, que há mais de 15 anos morava em São Paulo, mudou-se para a casa dos pais, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, para mais de 500 km de distância, sem motivo aparente, pois nem emprego tem naquela cidade. É mais do que óbvio que sua intenção é tão somente afastar Dora de mim, da irmã, da avó e de toda a sua história.
    Segue na íntegra a Lei, creio que o genitor comete todas as infrações citadas. Não só o genitor, como também os avós Ed Melo Golfeto, psicóloga; e o avô José Hércules Golfeto, psquiatra infantil (!) também são alienadores, portanto, criminosos! E não adianta virem me processar por difamação ou injúria, pois não há como ir contra os fatos supracitados. O que essas pessoas pretendem fazer com minha filha, não imagino. Não tenho acesso ao seu rendimento escolar, fichas médicas, seus novos amigos ou sua nova vida. Quando tentei contato amigável, chamaram a polícia. Sobre a visita "o quanto antes", o advogado da outra parte, Danilo Murari, nunca é encontrado para "negociar" com minha advogada.
   Assim como Dora, várias crianças sofrem esse abuso psicológico e a Justiça continua cega e até hoje não soube de nenhum caso em que essa Lei de Alienação Parental tenha sido respeitada. O que  mais me impressiona nos avós alienadores de Dora é que ambos são profissionais da saúde mental! Que vergonha destas pessoas...


 

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
Mensagem de veto
Dispõe sobre a alienação parental e altera o art. 236 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 

Art. 1o  Esta Lei dispõe sobre a alienação parental. 
Art. 2o  Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este. 
Parágrafo único.  São formas exemplificativas de alienação parental, além dos atos assim declarados pelo juiz ou constatados por perícia, praticados diretamente ou com auxílio de terceiros:  
I - realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade; 
II - dificultar o exercício da autoridade parental; 
III - dificultar contato de criança ou adolescente com genitor; 
IV - dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar; 
V - omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço; 
VI - apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente; 
VII - mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós. 
Art. 3o  A prática de ato de alienação parental fere direito fundamental da criança ou do adolescente de convivência familiar saudável, prejudica a realização de afeto nas relações com genitor e com o grupo familiar, constitui abuso moral contra a criança ou o adolescente e descumprimento dos deveres inerentes à autoridade parental ou decorrentes de tutela ou guarda. 
Art. 4o  Declarado indício de ato de alienação parental, a requerimento ou de ofício, em qualquer momento processual, em ação autônoma ou incidentalmente, o processo terá tramitação prioritária, e o juiz determinará, com urgência, ouvido o Ministério Público, as medidas provisórias necessárias para preservação da integridade psicológica da criança ou do adolescente, inclusive para assegurar sua convivência com genitor ou viabilizar a efetiva reaproximação entre ambos, se for o caso. 
Parágrafo único.  Assegurar-se-á à criança ou adolescente e ao genitor garantia mínima de visitação assistida, ressalvados os casos em que há iminente risco de prejuízo à integridade física ou psicológica da criança ou do adolescente, atestado por profissional eventualmente designado pelo juiz para acompanhamento das visitas. 
Art. 5o  Havendo indício da prática de ato de alienação parental, em ação autônoma ou incidental, o juiz, se necessário, determinará perícia psicológica ou biopsicossocial. 
§ 1o  O laudo pericial terá base em ampla avaliação psicológica ou biopsicossocial, conforme o caso, compreendendo, inclusive, entrevista pessoal com as partes, exame de documentos dos autos, histórico do relacionamento do casal e da separação, cronologia de incidentes, avaliação da personalidade dos envolvidos e exame da forma como a criança ou adolescente se manifesta acerca de eventual acusação contra genitor. 
§ 2o  A perícia será realizada por profissional ou equipe multidisciplinar habilitados, exigido, em qualquer caso, aptidão comprovada por histórico profissional ou acadêmico para diagnosticar atos de alienação parental.  
§ 3o  O perito ou equipe multidisciplinar designada para verificar a ocorrência de alienação parental terá prazo de 90 (noventa) dias para apresentação do laudo, prorrogável exclusivamente por autorização judicial baseada em justificativa circunstanciada. 
Art. 6o  Caracterizados atos típicos de alienação parental ou qualquer conduta que dificulte a convivência de criança ou adolescente com genitor, em ação autônoma ou incidental, o juiz poderá, cumulativamente ou não, sem prejuízo da decorrente responsabilidade civil ou criminal e da ampla utilização de instrumentos processuais aptos a inibir ou atenuar seus efeitos, segundo a gravidade do caso: 
I - declarar a ocorrência de alienação parental e advertir o alienador; 
II - ampliar o regime de convivência familiar em favor do genitor alienado; 
III - estipular multa ao alienador; 
IV - determinar acompanhamento psicológico e/ou biopsicossocial; 
V - determinar a alteração da guarda para guarda compartilhada ou sua inversão; 
VI - determinar a fixação cautelar do domicílio da criança ou adolescente; 
VII - declarar a suspensão da autoridade parental. 
Parágrafo único.  Caracterizado mudança abusiva de endereço, inviabilização ou obstrução à convivência familiar, o juiz também poderá inverter a obrigação de levar para ou retirar a criança ou adolescente da residência do genitor, por ocasião das alternâncias dos períodos de convivência familiar. 
Art. 7o  A atribuição ou alteração da guarda dar-se-á por preferência ao genitor que viabiliza a efetiva convivência da criança ou adolescente com o outro genitor nas hipóteses em que seja inviável a guarda compartilhada. 
Art. 8o  A alteração de domicílio da criança ou adolescente é irrelevante para a determinação da competência relacionada às ações fundadas em direito de convivência familiar, salvo se decorrente de consenso entre os genitores ou de decisão judicial. 
          Art. 9o  (VETADO) 
Art. 10.  (VETADO) 
Art. 11.  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
Brasília,  26  de  agosto  de 2010; 189o da Independência e 122o da República. 
LUIZ INÁCIO LULA DASILVA
Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto
Paulo de Tarso Vannuchi
José Gomes Temporão
Este texto não substitui o publicado no DOU de 27.8.2010 e retificado no DOU de 31.8.2010

sábado, 25 de agosto de 2012

Dora, Miranda, Harry Potter e Eu

   É como uma viagem fantástica ao passado recente. Me vejo sentada com Miranda, me abraçando nas cenas mais tensas, do mesmo jeito, com o mesmo rosto expressivo, as mesmas tiradas inteligentes e perguntas contundentes, além da mesma imensa sensibilidade de Dora quando víamos ao mesmo Harry Potter e a Pedra Filosofal.  Ambas também o assistiram pela primeira vez aos 3 anos, um pouco precoce eu acho, já que a saga do meu amado Harry começa quando ele completa 11. 
  A primeira vez que vi esse filme foi em 2005, em Boiçucanga, litoral norte de São Paulo, na TV. Antes não havia dado importância nem para o filme, menos ainda para os livros. Mas o mundo criado pela escritora inglesa J.K. Rowling me fascinou de um tanto que fui atrás de informações. Ao saber que a ideia original veio por acaso e foi escrita em guardanapos, em 1990, quando JK, mãe solteira de dois filhos, estava desempregada, achei mais fascinante! Sete anos depois o primeiro livro foi publicado, dando início aos outros seis que contam a história desse pequeno bruxo. 
   Em 2001 foi lançado o primeiro longa, mas eu achei que era filme infantil e, como não tinha filhos, nem dei muita atenção. Ainda bem que tive Dora para me introduzir neste mundo mágico! Fui comprando todos os DVDs e assistindo aos lançamentos no cinema com Dora. Não fui ao cinema para a segunda parte de Relíquias da Morte porque além da tristeza em saber que a história acaba, não teria Dora ao lado para comentar tudo depois...
   Daí há umas três semanas, Miranda viu a capa do DVD e pediu para colocar o filme. Viu inteiro e pediu para ver de novo. E passamos sábados e domingos com Pedra Filosofal e Câmara Secreta, ainda não apresentei os outros, ela ainda está fascinada pelos primeiros. E também vai ficando tudo muito forte e cada vez mais cruel, assim como a vida. Mas, mais que tudo, da eterna luta entre o bem e o mal, Harry Potter fala de amizade, confiança e coragem. E agora vejo um enorme paralelo entre Harry, Dora, Miranda e eu. Até completar 11 anos, a vida do menino era restrita a uma cama embaixo da escada. Fica órfão ainda bebê e foi criado por tios abomináveis, que escondiam dele sua verdadeira história. Ele só começa a descobrir quem é a partir desta idade.
   As pessoas nem sempre são o que parecem ser. Miranda já percebeu que Severo Snape, apesar da aparência sinistra e atitudes duvidosas, faz o bem. Tem um passado de sofrimento e desprezo, envolveu-se com os Comensais da Morte, mas teve a sua redenção. E que o bonzinho, na verdade é o mal encarnado. Assim é na vida, as aparências enganam muito. A parte preferida de Miranda é quando Harry fica em frente ao espelho que mostra o que mais deseja ter ou ser. O que o menino vê é a imagem dos pais...
   Harry descobre que é muito poderoso e admirado e que seus pais não morreram num acidente de carro, mas foram assassinados! Harry sofreu alienação em toda a sua infância! Ainda tentam fazê-lo acreditar que seus amigos o esqueceram, escondendo todas as cartas que lhe eram enviadas. Assim é com Dora, que teve seus amigos bloqueados, para nem poder conversar por msn e pensar que ninguém mais lembra dela.
  Sirius Black*, o Prisioneiro de Azkaban, preso e condenado como um louco, é na verdade um herói! E a cada filme as peças vão se encaixando, cada detalhe, como o ratinho Perebas de Rony que na verdade é o espião do mal, Peter Pettigrew, um fraco que a princípio segue o grupo do bem que forma A Ordem da Fênix, mas que, vulnerável, cede para o mal, e transforma-se num Comensal da Morte. Afinal é muito mais fácil fazer o mal do que o bem e, como os ratos, é o primeiro a abandonar o navio quando este afunda, vendo mais vantagens no lado do mal... e existem muitos ratos por aí.
    Assim como Harry Potter, todos tem o bem e o mal dentro de si, todos são tentados a praticar maldades. É uma escolha pessoal e Harry escolhe ser bom. Como ele, em A Ordem da Fênix, eu também sinto tanta raiva o tempo todo porque estou ligada ao mal e não posso escapar disso, tenho que enfrentá-lo. No Cálice de Fogo até o seu melhor amigo duvida quando seu nome aparece para uma disputa que só pode ter participação de alunos com 17 anos. Ele precisa provar para a escola inteira (a sociedade em que vive) que não está mentindo e participar de uma disputa para a qual pensava não estar preparado. Assim é comigo nessa disputa de guarda insana.
   Os personagens fictícios criados por essa escritora brilhante são como as pessoas da vida real, alguns seguem o lado mais fácil, outros são fiéis aos seus princípios. Há Neville, um garoto que parece inseguro e meio bobo, mas que nas horas decisivas se enche de coragem e glória. E quem nunca conheceu uma Hermione? Que estuda e sabe tanto que chega a parecer arrogante. Que levanta a mão quando o professor faz uma pergunta, parecendo exibicionista. Que tem tanta sede de saber que faz uma magia para poder estar em várias aulas ao mesmo tempo. Altruista, luta pela liberdade dos elfos, líder, idealiza e ajuda a fundar a Armada de Dumbledore, nos mesmos moldes do grupo antecessor, que funda a Ordem da Fênix. Dora era fã de Hermione, sua personagem favorita. Por enquanto o favorito de Miranda é Harry, diz que quer abracá-lo (ela sempre abraça quem ama). Mas Miranda prefere o Homem Aranha à Mulher Maravilha...
   Quando assisti a primeira parte de Relíquias da Morte, com Dora, me surpreendi por ela considerar o melhor de todos os filmes. Achei muito intimista, com os três personagens centrais fugindo o tempo todo, com diálogos mais profundos... ainda não sei de qual eu gosto mais, mas uma menina de 8 anos ( a idade dela na época) preferir este filme, achei muito perturbador... vai ver é mais parecida com a Hermione do que eu imaginava!
  A cada ano a vida dos personagens vai ficando mais difícil e alguns amigos vão morrendo pelo caminho. Assim é a vida, com muitas perdas. E sim, muitos morrem tragicamente jovens.Daria para fazer uma tese sobre a saga de Harry, minha vida e de minhas filhas. Mas a história de Harry, para minha tristeza, já teve fim. Espero que a de Dora e Miranda continue por muito tempo e que o desfecho seja menos trágico, com menos mortos e feridos.
   
* Sirius Black foi interpretado magistralmente por Gary Oldman, um dos meus atores favoritos. Em O Prisioneiro de Azkaban Dora virou fã dele e sua morte foi muito sentida por nós duas. Quando engravidei de Miranda, um dos nomes cogitados, caso fosse menino era Sirius. Ideia de Dora, que queria mesmo Sirius Black. Mas realmente pensei em batizar de Sirius.
 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Há uma luz que nunca se apaga (Smiths)

   No dia 9 de julho recebi uma ligação inesperada. Não, não foi de minha filha Dora, porque essa ligação eu espero há mais de um ano e meio. Foi de um amigo, namorado que tive aos 17 anos e que não via há 24! Sempre fiquei amiga dos meus namorados (com exceção do genitor de Dora, óbvio), mas não consegui manter a amizade com esse garoto. Nosso namoro começou de forma confusa, meio destrambelhada. Íamos juntos para o colégio e eu estava sempre muito triste por causa da minha primeira decepção amorosa e só usava roupas pretas, ouvia basicamente Smiths, Echo, Cure, Joy Division e U2. Esse garoto sempre tentava me alegrar, só ouvia Raul Seixas e Beatles (confesso que passei a amar Beatles por causa dele). Um dia me disse para parar de usar preto, porque parecia que eu estava sempre com a mesma roupa. Reclamava do meu cabelo sempre meio duro e esverdeado. Nos divertíamos muito, mas brigávamos muito também. Ele era extremamente ciumento e hoje entendo que não devia ser fácil me ver sempre rodeada de garotos bonitos, bronzeados e de ombros largos, afinal a natação era (e ainda é) um reduto mais masculino e os nadadores, mesmo feios, são todos lindos! Mas eu gostava dele e só dele. 
    A separação foi definitiva, nem podia encontrá-lo em Santos, pois mesmo separados, havia um clima pesado e ruim. Ele não queria me ouvir e eu tinha tanto pra falar. Acabei mudando de cidade e hoje admito que foi para fugir dele! Nunca mais nos vimos, mesmo com esse mundo digital, mesmo sendo ele conhecido, não procurei mais saber dele. E quando lembrava era sempre com saudade e carinho. Por mais que minhas amigas, meu pai, quase o mundo todo o achasse arrogante, metido e que me fazia sofrer, eu via muito valor nele. Achava um garoto inteligente e divertido, qualidades fundamentais para querer estar com alguém. Além de ter aquela química inexplicável que desperta um tipo de paixão incontrolável. Racionalmente queria evitar, mas quando o via, queria abraçar.
   Quando eu atendi, sem reconhecer o número, ele se identificou e disse em seguida. "Queria que você soubesse que nunca foi insignificante pra mim". As palavras me soaram como um bálsamo! Porque eu pensei que ele me odiasse, porque até  hoje  pensa que quando sofri um acidente de carro, no dia 15 de novembro de 1987, com meu amigo Roberto Capela, era porque o estava traindo! Capela era namorado de Flavia, uma das minhas melhores amigas até hoje, aliás, minha irmã. Jamais trairia uma irmã! Eu quebrei o nariz, fui internada... e ele nunca acreditou em mim... Para alguém tão orgulhoso não deve ter sido fácil passar mais de duas décadas pensando ter sido traído.
  Conversamos por mais de duas horas. Como nascemos no mesmo dia, mês e ano, com 20 minutos de diferença, não estranhei ter tanto assunto e, mesmo com destinos diferentes, termos passado por momentos muito semelhantes, nos mesmos locais. Sabia muito da minha vida, quis saber mais de Dora, quis saber mais de tudo. Acabei chorando. Por contar tudo de novo, por pensar que ele me odiasse e descobrir que ele gosta tanto de mim... disse também que iria casar no fim do mês, pela primeira vez! Não tem filhos, mas é filho e não conseguia imaginar a dor de ser separado assim da mãe. Me contou coisas tão íntimas que só podem ser contadas para alguém em que se confia muito. Uma contradição, eu sei, mas ele também sabe que sei preservar minhas fontes. Quando eu usava termos como "discorra mais sobre isso", ria, dizendo que tinha certeza de me tornaria uma jornalista. "Claro, eu prestei vestibular para jornalismo!", respondi irritadinha. "Não, não por isso, nem porque você escrevia e falava muito bem, mas por essa sua mania de defender os fracos e oprimidos, por querer justiça num mundo tão injusto". É, eu não mudei e não sei se isso é bom ou ruim. Também não sei se é bom escutar das pessoas que me conhecem há mais de duas décadas: "Não acredito que isso está acontecendo com você".
   Por quê? Seria porque eu sempre gostei de dialogar, de resolver tudo na conversa, de apaziguar? Ainda sou assim, mas é difícil querer justiça quando você vê como funciona o sistema judiciário. Por mais que um dia eu veja Dora, o que foram feitos desses mais de 18 meses de nossas vidas? Minha sorte é conhecer tanta gente boa. E não paro de me surpreender com iniciativas fantásticas de cidadãos comuns. Acho que ainda me restou o amor.

http://youtu.be/INgXzChwipY e essa é a música que mais me lembra o período da minha vida nesse relacionamento juvenil, instável e arrebatador.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Sem Perdão


   Quando conheço alguém novo, penso três vezes antes de falar que sou mãe de Dora. Muitas vezes falo que só tenho Miranda. É difícil explicar como uma mãe fica 18 meses sem saber da filha. Pior é explicar a perda da guarda, já que, como bem escrevi aqui, a maioria pensa que "nem puta perde a guarda de filho". Mas quando percebo que o conhecido pode virar amigo, não tem como escapar.
  E foi o que aconteceu com Gustavo Costa, numa daquelas coincidências incríveis que para mim já tornaram-se corriqueiras. Estava eu com Djalma Santos, Valdir Moraes, Norian Segatto, Flavio Prado e Camila Tostes, no café de um flat em São Paulo, na fase final das entrevistas para o livro Djalma Santos: Do Porão ao Palácio de Buckinghan, quando um simpático mineiro, fanático por futebol exclama para Djalma: "Mestre, não o encontro em Uberaba e te vejo aqui!". Então o boleiro participou do papo e trocamos contatos, já que Gustavo mora metade da semana em São Paulo, metada em Uberaba (MG). Na semana seguinte eu e Camila, a fotógrafa, viajaríamos para Uberaba e poderíamos nos encontrar. E foi o que aconteceu. Gustavo foi tipo um assessor de imprensa para nós, passou contatos, nomes, endereços e ainda fomos os três (eu, ele e Camila), mais Djalma e sua esposa Esmeralda, jantar num charmoso restaurante de Uberaba. Para completar, quando falei que nadava e era de Santos, o cara me pergunta se conheço Rodrigo Salles, que nadava no Internacional de Regatas. "Claro! Irmão da minha querida amiga Luca!". A Terra é um planeta pequeno. Gustavo foi casado com Luciana Salles, é pai de seu filho! Na hora ligou para Luca, que ainda falou para eu aproveitar bem dele, pois sabia tudo de futebol. Luca também é uma boleira, uma mulher que, como eu, adora ver e falar de futebol.

   O  mundo é mesmo bem pequeno para quem viaja muito, conhece muitas pessoas e faz muitos amigos. Não demorou muito ele soube de Dora e não consegue entender como tudo aconteceu. Sugeri que lesse o blog, embora esse blog não seja cronológico, seja demasiadamente visceral e profundamente triste... embora eu tente escrever sobre outros temas, mais amplos, mais amenos, menos dolorosos... mas que não fogem da ideia inicial, que é mostrar para Dora o que acontece, quem sou, quem fui, o que faço...

  Não dá para escrever aqui tudo que acontece desde 2004, quando perdi o controle da minha própria vida... por isso comecei ler emails antigos. Infelizmente não tenho todos, porque eu guardava mensagens em que Jonas Golfeto escrevia que eu era "muito mais velha" (5 anos!), eu que quis ter a filha e que cuidasse e sustentasse sozinha. Eu guardava essas mensagens, em que também me chamava de escrota. Mas certa vez, minha querida amiga Flavia Vieira, vinda de uma Universidade de Yoga, nos EUA, disse para apagar essa mágoa, que não valia guardar nada... e eu caí nesse papinho de amor universal...
  Pois o ser nefasto guardou e colocou no processo apenas minhas respostas iradas, tamanha a falta de respeito. Eu escrevia pedindo para ele ficar com Dora, porque eu ficava com ela todos os finais de semana, nunca tinha tempo para mim... Jonas não queria saber de ficar com a filha. Infelizmente, como disse outro amigo Gustavo, o Liedtke, Dora virou um objeto de disputa de poder. Eu nunca quis acreditar nisso, mesmo com os fortes indícios no dia de seu nascimento. Jonas chorava emocionado cada vez que alguém entrava no quarto da maternidade Pro Mater, em São Paulo, para parabenizá-lo, Nesse dia, o avô, o psiquiatra infantil José Hércules Golfeto, disse de forma debochada e cínica: "Quero ver quanto tempo vai demorar para enjoar do brinquedinho". O próprio avô chamou Dora de brinquedinho! Essa frase chocou várias pessoas que estavam presentes. E se algum de vocês presentes lerem esse post, por favor, ratifiquem a informação. Eu cheguei a dizer isso para o Dr Golfeto, mas ele, com sua memória conveniente, disse não lembrar de ter proferido tais palavras.
  Então comecei a ler emails que guardei após ter feito a loucura de ter eliminado minhas provas, pois nunca imaginei que teria minha vida devassada em rede nacional, em jornais... por muito tempo fiquei calada para não expor Dora, mas depois que o próprio pai, guardião legal, em quem a Justiça confia total poder sobre a filha,  chamou Rede Globo para gravar busca e apreensão, nada pode ser mais constrangedor. Dora lembrará para sempre seu momento mais traumático! Jonas Golfeto fez questão de eternizar isso! Talvez tenham sido os seus 15 minutos de fama.
   Muita gente também fala para eu tentar conversar com ele, de boa. Gente, amigos queridos, eu tento, eu tentei por anos! Eu escrevi, eu ligo há quase 18 meses na casa daquela gente, nos consultórios dos avós. Não falam comigo, desligam o telefone todos os dias na minha cara ou deixam na secretária eletrônica. O email abaixo é uma prova do tanto que eu tento e das respostas frias e calculistas de quem não sente nada.
   Tudo isso para dizer que nunca imaginei me envolver com um psicopata, que age friamente e não sente a dor alheia. O psicopata planeja tudo, nem que leve anos para concretizar seu objetivo. Jonas Golfeto está nessa missão há muito tempo e eu, tola e emotiva, sempre tentei emocionar aquele cérebro doente e perverso. O email abaixo foi enviado para Jonas após ele ter revertido a guarda, inventando que eu fugiria para o Chile, porque tinha "um namorado" lá. Ele sumiu com Dora por 15 dias, sumiu nada, levou para Ribeirão Preto, como sempre, pois é incapaz de cuidar dela sozinho. Nem agora que ela já tem 10 anos e é (ou era) muito esperta para a idade. Jonas sumiu com Dora e mudou de endereço em São Paulo, mudou-se para a casa da então namorada Luciana Viacava, uma atriz de teatro infantil. Isso tudo aconteceu em 2005! Nesse email eu peço perdão por tudo que eu nem sabia que tinha feito, eu imploro, eu me humilho, aliás, só tenho me humilhado desde então. A resposta dele é fria, iguala o sofrimento de Dora ao seu, assim como fez no famigerado programa do Profissão Repórter: "Eu sei que você está sofrendo, Dora, mas o papai também sofreu bastante!". Segue a mensagem e espero que você, meu novo amigo Gustavo Costa, consiga entender melhor e por favor, seja solidário, mas não precisa sofrer por mim, já tem gente demais sofrendo nessa história.
 
De: Jonas Golfeto <jonasgolfeto@terra.com.br>
Para: Adriana Mendes <mendes_jornalista@yahoo.com.br>
Enviadas: Sexta-feira, 19 de Agosto de 2005 11:36
Assunto: Re: pensa


Olá,

Não tenho raiva, nem ódio de você. Não estou fazendo nada por vingança. O processo de atribuição de guarda é penoso para nós 3. Vamos nos acalmar e nos entender judicialmente, por favor.

 Jonas


On 8/19/05 5:02 AM, "Adriana Mendes" <mendes_jornalista@yahoo.com.br> 
wrote:

Jonas

Por favor, me diz onde vc está com a Dora, eu preciso saber. Esquece por um instante o ódio que vc sente por mim, a vontade que vc tem que eu morra, todos esses sentimentos negativos que vc alimenta por mim (e que, sinceramente, eu não entendo pq), pensa só numa mãe que teve uma gravidez muuuuuuuuito difícil, que fez de tudo para ter uma filha no nono mês, que segurou a onda, que amamentou bravamente, que ficou sozinha com a filha quando essa tinha 8 meses e cuidou dela desde então e muito bem. Pensa que essa mãe teve problemas pq ficou desamparada, foi demitida e pediu ajuda ao pai da filha e esse disse que sua vida não interessava, mostrou-se ausente, não deu apoio. Pensa que essa mãe teve depressão, que enviou um e-mail ao pai da filha pedindo ajuda e esse pai guardou esse e-mail para usar contra ela depois. Pensa que essa mãe ficou internada e durante a internação a única coisa que a fez persistir foi a lembrança da filha e a vontade de vê-la e ao sair da internação essa mesma mãe foi privada de vê-la, por esse mesmo pai, que se escondeu com a filha.

Esse mesmo pai que disse às amigas dessa mãe que nunca iria querer a guarda da filha, que só queria o bem da mãe. Pensa que essa mãe se recuperou e que entrou num acordo de visitas com esse pai, acordo esse que ela já havia pedido em 28/02, mas que o pai preferiu entrar com outro pedido em 13 de maio, tempo esse que a mãe pedia para o pai ver a filha, mas ele recusava-se, e a filha ficou 3 meses sem ver o pai, pq o pai preferiu assim. Pensa que essa mãe confiou nesse pai e decidiu morar mais perto para facilitar a vida de todos. E pensa que essa mãe foi enganada outra vez. E pensa que tem uma criança no meio disso tudo que ama a mãe e precisa da mãe e que ama o pai também, mas com todas essas ações e com o passar do tempo, essa criança vai entender mais e mais e saber a verdade e ter discernimento e mudar o sentimento tão puro de amor dela. Pensa nesse ódio insensato que vc sente por mim, reflita por algum tempo em tudo o que aconteceu desde que eu engravidei e analisa quem tem motivos para odiar quem.

Vc não consegue se comunicar comigo, há uma barreira intransponível entre nós? Tudo bem, não precisamos nos ver ou falar, mas a Dora não tem nada a ver com esse ódio mortal que vc sente por mim. Eu sei que vc deseja minha morte, mas pensa que com a minha morte, sua filha ficaria órfã e, por mais que vc me odeie, não é legal ter uma filha órfã. Eu não quero minha filha órfã, nem de pai, nem de mãe.

O que passou, passou, vamos fazer diferente.Como já dizia Borges: "Não existe perdão, não existe vingança. O esquecimento é o único perdão e a única vingança". Quer se vingar de mim pelo não sei o que que eu fiz? Esqueça. Essa é a melhor vingança. Vc estará vingado. Não use uma criança para se vingar, isso é muito mesquinho. Não invente histórias para se vingar, isso é muito mau caratismo. Somente esqueça.Só não esqueça de me passar o endereço e telefone da minha filha. Vc não pode fazer o que está fazendo e cansei de ficar levantando provas para levar para juiz. Aliás, vc também deveria estar cansado disso tudo. Não te cansa ficar armando? Enganando? Fugindo? Mentindo?

Por favor, pensa na Dora. Se continuar desse jeito sabe o que pode acontecer? O juiz achar que nenhum dos dois tem capacidade para ficar com a criança. Vc deseja isso para a Dora?





quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Dia que Nunca Chega

   Há mais de um mês, o novo juiz (quarto desde que essa ação teve início em Ribeirão Preto, interior de SP, em março de 2011) sentenciou que o início de minhas visitas a Dora se deem o "quanto antes". Claro que o quanto antes para mim seria  no sábado seguinte, mas para a outra parte, lenta como a Justiça, pode levar aí mais uns 18 meses. Sim, no próximo dia 10 de agosto completará 18  meses que minha filha foi sequestrada dentro da Lei, diante das câmeras da Rede Globo, para o anti jornalismo do Profissão Repórter. Digo completará 18 meses, porque já estou preparada para ficar mais uns anos sem saber de Dora. Se é que ela ainda é Dora.
  Acontece que o pedido, deferido agora por esse novo juiz "tão rapidamente" em um mês, foi feito em agosto do ano passado! Quando eu ainda não havia passado por perícia psicossocial. Só que eu passei por isso em setembro! A psicóloga diz que posso trazer minha filha para visitas em casa. Mas nenhum juiz ainda leu isso! Agora é um retrocesso ver Dora de 15 em 15 dias, por 3 horas e monitorada por Edna Costa, uma psicoterapeuta escolhida a dedo pela outra parte. Mais parcial, impossível! E essa medida só faria sentido assim que ela foi levada, em fevereiro de 2011! Aliás, o promotor de São Paulo, onde Jonas Golfeto, o pai de Dora e autor dessa ação, morava, há mais de 15 anos, já tinha indicado essas visitas há um ano e meio, pois tanto promotor, quanto juiza paulistanos, acharam absurdo tirar a filha da mãe daquela forma e manter Dora longe de todos por um mês! Mas a outra parte preferiu mudar-se para a casa dos pais, em Ribeirão Preto, para fazer perdurar essa situação até o limite da morosidade jurídica. E tem conseguido, com astúcia, coragem e determinação. Quanto orgulho deve ter de si  mesmo! É um gênio do mal!
 Também para minha surpresa, esse juiz manda fazer uma perícia lá na casa da família Golfeto! Um ano e meio depois vão verificar como Dora está. Claro que agora está adaptada, nem que seja a base de remédios psquiátricos, afinal, nada sei daquela que por nove anos foi minha filha. Só sei que ela não parece mais com ela. Foi meu aniversário dia 20 de junho, Dora mandou um email, em que deseja que eu "seja muito feliz com  Miranda, vovó e seus amigos", excluindo-se totalmente de minha vida. Também pergunta se "vovó está melhor agora que meu avô morreu? Lembro que ele era muito doente e dava muito trabalho para ela", mostrando uma maturidade ímpar. Falta de respeito aquela gente dar a notícia da morte do avô para ela. Eu quero dizer quem morreu nesse tempo, quem casou, quem nasceu, quem adoeceu. Não me dão nem esse direito. No email também diz que só tira notas ótimas e tem novas melhores amigas. Diz que tem saudades da amiga Raquel, de mim, de vovó e de Mimi.
 Um dia antes do meu aniversário recebi um grande presente:  a intimação judicial para pagar R$ 26 mil para o advogado da outra parte. Agora é oficial, minha filha foi sequestrada dentro da lei e eu intimada a pagar o resgate! 
  Será que digo para Dora que no feriado de junho seu grande amigo de Paraty, Lucas Chigres, veio para Santos com sua mãe, minha grande amiga Kátia Chigres e que ambos ficaram em casa e ela fez muita falta? Digo que Miranda falou para Lucas que "sua irmã morreu"? Afinal mataram Dora para mim e todos que a conheceram. Pior foi para Dora que, metaforicamente falando, viu um tsunami varrer a Baixada Santista do planeta. Todos nós fomos mortos!
  Ninguém venceu, todos perderam! Nada mais adianta agora. Não tenho mais esperança, pois não espero mais nada, não em relação a esse processo ou em consertar o que foi feito. Ver Dora monitorada como uma mãe criminosa? Não! Isso é retrocesso, é quase voltar ao Visitário Público, maior desejo de Jonas Golfeto, que na única audiência realizada até então, bateu os pezinhos que queria e só permitia visita em Visitário. Dane-se a filha! O que importa é humilhar e fazer sofrer a mãe da filha! Dizer o quê quando encontrá-la? Qual explicação? Dizer a verdade? Mostrar todas as provas de tudo o que o pai dela faz para nos separar para sempre, tentando inclusive a Destituição do Poder Familiar? Sim, isso ela vai saber, mas se souber agora, como irá dormir sabendo que o pai é um psicopata que não dá a mínima para os sentimentos dela? 
  Pensei até em procurar ajuda de um especialista para saber como agir diante disso: Miranda diz que a irmã morreu, Dora não sei nem o que diz. Mas sendo o próprio avô José Hércules Golfeto, um psiquiatra infantil, a avó Ed Melo Golfeto, uma psicóloga e a tia Raquel Golfeto, outra psicóloga... duvido dessa categoria, que estraga a mente da minha filha. E tem o pai... Jonas Golfeto, talvez uma vítima, um experimento também disso tudo, a cria psicótica.
 Por quanto tempo mais eu vou conseguir viver quebrando e me colando todos os dias? Isso não vai acabar em tragédia. Já é uma tragédia pessoal, não só para mim, mas para Dora, para Miranda. Dora já foi maculada e nada mais que seja feito reparará essa injustiça.
Processo 0012197-41.2011.8.26.0506 (730/2011) - Regulamentação de Visitas - Regulamentação de Visitas - J. M. G. - A. de C. M. - Vistos etc. 1. Tendo a ré manifestação concordância com a indicação da psicóloga pelo autor, o acordo o acordo provisório que as partes fizeram em audiência de conciliação (fls. 1.441) está em condições de ser implementado. Sendo assim, estabeleço que as visitas em sábados alternados tenham início na clínica da referida psicóloga, pelo período de três horas, devendo o próprio autor comunicar essa profissional que indicou e informar diretamente à advogada da ré sobre o dia de início (o quanto antes) e horário das visitas, para que a ré possa então comparecer. 2. Cobre-se ao Setor Técnico a remessa da relatório psicossocial que deve ser feito com o autor e com a menina Dora. 3. Desde logo, independentemente do futuro saneamento do proce ss o, depreque-se a comarca de Santos a realização de estudo psiquiátrico com a ré, como foi postulado pelo representante do Ministério Público. 4. Dê-se ciência às partes da vinda dos estudos social e psicológicos já feitos com a ré (fls. 1.619/1.621 e 1.645/1.647). 5. Publique-se o despacho anterior (fls. 1.661), com o qual foi deferida a reabertura de prazo para o autor se manifestar sobre a contestação. 6. Depois dessa manifestação do autor (ou decorrido o prazo para tanto), abra a Serventia (por ato ordinatório) vista à advogada da ré, para que também possa se manifestar sobre os escritos eletrônicos anexos à petição do autor (fls. 1.629/1.636). 7. Intimem-se. Ciência ao Ministério Público. - ADV: MÁRCIA DE ANDRADE BATISTA (OAB 215050/ SP), CLAUDIA PENTIOCINAS (OAB 216724/SP), CRISTINA GEREMIAS DE OLIVEIRA (OAB 191728/SP), DANILO MURARI GILBERT FINESTRES (OAB 231367/SP)