sábado, 10 de maio de 2014

Que Nossos Filhos Continuem Nos Amando

    Dizem que é apenas uma data comercial e que dia das mães é todo dia. Não, não é. Para uma mãe proibida pela Justiça de exercer a maternidade, nenhum dia é dia de ser mãe.  E essa data comercial passa a ser de uma dor incomensurável. Imagino que o mesmo aconteça para crianças sem a presença da mãe viva. O que pensam? Nem sei mais qual o valor desse dia (e dos outros dias) para minha filha.  Esse será o quarto ano consecutivo que ela passará sem mãe.
    Espero (só o que tenho feito é esperar) que no próximo ano esse quadro mais surreal que uma obra do Salvador Dalí, mude. Será que o juiz conseguirá decidir alguma coisa nos próximos 12 meses? Nem que seja uma negativa, para que eu possa recorrer?  Será que algum dia das mães terei minhas duas filhas juntas, comigo?
   Tento imaginar o que a família da minha filha tem falado para ela nesses anos. Não a vejo desde dezembro, numa visita pedida pela minha advogada, pela proximidade do Natal. Deixei de ir nas visitas em outubro, por um mês, e perdi o direito. Agora se quiser ver de novo, tenho que fazer novo pedido. E isso pode atrasar ainda mais o processo. Como em novembro fizemos vários pedidos, minha advogada concordou que seria melhor esperar e ter 10 dias de férias. Passaram as férias. Esperei o aniversário dela. Esperei o Carnaval, depois a Páscoa. Logo chegarão novas férias e se continuar assim, não a verei o ano inteiro. Ou então vou ter que pedir de novo visitas monitoradas no Fórum. 
   Quando eu tento explicar para ela, por mensagem, os trâmites legais, numa linguagem menos burocrata, diz que não quer saber desse papo. Resta deixar que falem o que quiserem falar.Espero que não falem que a esqueci, como sempre, só espero. Como explicar que visitas de 2h, numa segunda-feira, a 500km de distância, é algo muito complicado? Talvez eu deva mudar para lá. Miranda já me sugeriu isso. Miranda diz muitas coisas que me impressionam. Dia desses falou do nada: “Tenho certeza que quando a Dorinha fizer 18 anos vem morar com a gente”. Me deu vontade de chorar, mas não choro mais na frente dela. Apenas a abracei. Se Dorinha seguir meus passos estará morando em república e fazendo faculdade com essa idade. Morar de novo com a gente é um sonho que eu deixo Miranda continuar sonhando. Derrotista eu? Não, é só usar a lógica: se em 3 anos 4 meses não consegui nem um fim-de-semana... 
    Sei que todas as mães proibidas pela Justiça de estarem com seus filhos estão sofrendo mais neste mês. Falo com todas. Mais duas me procuraram na última semana. Uma delas tem o perfil tão parecido com o meu, respondi o primeiro email, mas nessa semana não consegui responder nada sobre o assunto. Não quero que percam antes de lutar. A outra tem um bebê de meses. Como dizer para ela que já vi uma mãe amamentando um bebê de meses em um visitário público? 
    Minhas amigas Adriana Botelho e Luciana Mendonça já escreveram sobre o dia das mães. Sei que outras irão escrever. Sei o quanto sofrem e o quanto sentem. Sei que pensam em desistir e muitas vezes tentam esquecer. Sei que não conseguem. Sei que as mães que tem outro filho tentam preencher o vazio e a falta daquele que foi levado. Sei que também não conseguem. Mas tenho uma certeza intuitiva que, de alguma forma, esses irmãos serão capazes de juntar os cacos e montar um mosaico muito lindo. Sinto que serão capazes de retomar o vínculo e contar as histórias que foram proibidos de viver juntos. 
    Nas minhas noites de insônia imagino minhas filhas encontrando-se com os filhos dessas mães minhas amigas, formando um grupo de apoio, contando suas experiências pessoais, fazendo um trabalho de reforma judiciária, mudando Leis. Porque nós, as mães, vivemos um lado da história. Tem a outra parte que conta o que quiser. Só eles, nossos filhos, quando crescerem, serão capazes de avaliar o estrago que seus pais e o sistema judiciário fizeram em suas vidas. O buraco que deixaram. Espero que superem tudo isso e façam muita diferença nesse mundo caótico. E que continuem amando muito suas mães. Cazuza, meu querido poeta, errou ao afirmar que “só as mães são felizes”, mas nós merecemos sim “todo o amor que houver nessa vida”. 

terça-feira, 6 de maio de 2014

Jornalismo de Internet: Linchamento e Idolatria

    Ontem assisti ao telejornal local e fiquei chocada com o linchamento de uma mulher aqui onde estou morando. No meu último post fiz um parágrafo inteiro de críticas ao Guarujá – descaso com saúde, educação, segurança pública - mas tirei porque poderiam me confundir com uma bairrista. Estou farta de confusões causadas na internet. E essa mulher sofreu um assassinato coletivo, causado por um boato. Não vou falar como o boato se propagou, pois posso ser leviana ao propagar mais erro e discórdia. Porém, mesmo que ela fosse uma sequestradora de crianças, para usá-las em magia negra, teria direito de defesa. 
    Há algum tempo uma corja de “jornalistas” dissemina discursos de ódio e intolerância. Só fico observando o tanto de “amigos” e parentes reacionários concordando com tudo isso, postando textos simpatizantes de Datenas e Sherazades da vida. Já me questionaram sobre liberdade de expressão, se proibir a tal Sherazade de incitar linchamento não seria coibir seu direito de expressão. Penso que nossa liberdade termina quando atinge a dos outros. E o outro tem o direito de defesa, sempre. Penso que toda história tem duas versões e é preciso sempre analisar profundamente as duas. 
    O mais assustador é que várias pessoas, vendo a selvageria, preferiram gravar no celular do que ligar para a polícia. Talvez a culpa, além do estado de barbárie e escuridão que a maioria da humanidade se encontra, seja também desse jornalismo de internet. Talvez porque essas pessoas sentem-se abandonadas a própria sorte, desacreditem do sistema judiciário e achem normal fazer justiça do olho por olho, dente por dente. 
   Acho ótima essa era digital. Quem me conhece sabe do meu interesse por todo tipo de inovação tecnológica, desde sempre. Lá nos anos 90 eu procurava em sites de revistas científicas, notas para colocar no jornal Diário do Grande ABC. As publicações eram em inglês, de mídias muito bem conceituadas, mesmo assim eu temia fazer tradução errada ou que a informação estivesse errada. Pedia para mais duas jornalistas conferirem o texto de, no máximo 10 linhas. Sempre tive horror de passar informação errada. Sempre tive total consciência do poder das palavras, ainda mais vindas de um jornalista. As pessoas tendem a acreditar nos jornalistas e achá-los muito inteligentes e bem informados. Por isso, os jornalistas de verdade fazem o impossível para manter a credibilidade. Quando um jornalista perde isso, perde tudo. E me causa náuseas ver o tipo de jornalismo que está sendo praticado. 
   Teve um tempo que trabalhei com uma equipe bem mais nova do que eu. Via jornalista esperando releases, mudando apenas palavras, não checando nada, buscando notícias na internet. Cadê o sangue nos olhos do repórter? Cadê a apuração dos fatos? Ainda tem gente que defende não ser necessário o diploma de jornalismo... se nem com diploma a galera está fazendo direito, imagina essa turminha que acredita em tudo o que se posta em facebook fazendo matéria de denúncia? 
    Há pouco tempo circulou uma falácia sobre um suposto jornalista dinamarquês que cobriria a Copa, mas decidiu ir embora por conta dos horrores que viu no Brasil. Alguns amigos meus compartilharam, li tudo e só consegui pensar: “que cara burro, fosse eu faria um monte de matérias além-Copa e virava correspondente do fim do mundo”. Não me dei ao trabalho (voluntário) de checar o perfil do tal dinamarquês, mas li comentários absurdos, de gente concordando com tudo, metendo o pau no Governo do Ceará. No fim era um perfil fake, um jornalista de verdade checou. 
    Assim como a maioria dos relacionamentos amorosos e sociais, o jornalismo também perdeu os olhos nos olhos.  E quem tem menos de 25 anos acredita que isso seja jornalismo. A notícia de que essa pobre mulher havia sido linchada já circulava há uns dias, mas não vi muito TV porque só se falava dos 20 anos de morte de Ayrton Senna e acho essa idolatria um porre. O melhor que li sobre o tema foi um texto do *epichurus.com (Santo Senna) http://epichurus.com/2013/11/25/santo-senna/, sobre a “tragédia” que foi isso para o Brasil vista por quem estava fora do País. A partir deste texto tentei formar um pensamento filosófico sobre como e porque Ayrton tornou-se esse herói nacional. Bem simplória e resumidamente acho que a grande maioria identificava-se com ele porque era um cara tímido, de poucas palavras, mas era só colocar as mãos no volante e transformava-se num audacioso que ultrapassa em curvas perigosas, um imprudente que corre mais em dia de chuva. Brasileiros se espelham em Ayrton, talvez por isso o Brasil seja campeão em acidentes de trânsito. 
    Piloto morrer em pista de corrida não é tragédia, é acidente de trabalho, todos sabem do risco. Tragédia mesmo é o que aconteceu com essa mulher, linchada **erroneamente por sanguinolentos. Ela não foi a primeira e, infelizmente, creio que não será a última a morrer por “engano”. Se Jesus voltasse hoje, como acreditam alguns fiéis, seria novamente apedrejado. Sem dó ou piedade.

*é um blog escrito por nadadores, bem específico, mas também fala de outros esportes e eu fico orgulhosa em perceber como nadadores sao coerentes. Talvez ficar várias horas por dia, durante anos, ouvindo o som de bolhas de água, faça pensar melhor, só acho...

** o linchamento, por si só, já é um grande erro

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Ventos Fortes, Novos Ares, Amores Antigos

   Acordei com barulho de ventania. Depois de dois dias sem sair de casa fui andar ao sabor do vento. Um vento morno, que deixava meu cabelo do jeito que gosto: bagunçado. Depois vi que esse vendaval causou muita destruição e até incêndio na Baixada Santista. Impressionante como é envolvente e devastador o poder da natureza, mas mesmo trágico, parece que o vento levou o que havia de ruim embora.
   Mas a literatura, sempre ela e a música, ajudou também a clarear o horizonte. Nesses dias, sofríveis, li 1808, de Laurentino Gomes, e entendi um pouco mais sobre como sou e porque sou e de onde venho. Pensei na minha família portuguesa, atravessando o oceano para um lugar novo e desconhecido. Pensei na dualidade dos portugueses, tão desbravadores dos sete mares e, o mesmo tempo, o primo pobre da Europa. Destemidos e com baixa estima. Inovadores nas conquistas e sempre presos no passado de glórias, tipo eu (que nem tive lá tantas glórias assim).
   Uma coisa que meu pai sempre lembrava era o obscurantismo em que Portugal se meteu por ser um País completamente católico, portanto conservador e assassino (Santa Inquisição). Lembro bem da minha vozinha, Maria do Carmo Brites, do baixo de seus 1m45cm, devota de Nossa Senhora de Fátima, balançando a cabeça com seus lindos olhos azuis e cabelos platinados, no estilo Chanel, cada vez que meu pai maldizia a Igreja. Tipo “perdoe esse homem, senhor, ele não sabe o que diz”. Mas ele sabia, sim. Pensei muito nele no dia da canonização dos dois Papas, se vivo estivesse (e sem Alzheimer), faria comentários cheios de ironia sobre a nova regra de não precisar nem mais de dois milagres para virar santo.
   Talvez esteja no meu DNA essa vontade de sair viajando, conhecendo gente nova e seus costumes, assim como um pensamento melancólico e fúnebre, que vem de repente, como se eu não fosse capaz de nada, nem de ser amada. Em alguma parte do livro (1808) li que Portugal era como um marisco, entre o rochedo e o mar (quando pairava a dúvida entre render-se`a França ou resistir, junto da aliada Inglaterra). Muitas vezes me sinto como um marisco, apanhando das ondas, mas agarrada nas pedras, resistindo sempre. Além do que achei linda essa história de estar entre o rochedo e o mar. Pura poesia.
   Por falar em poesia, minha querida Raquel foi selecionada para o livro Novos Poetas, fiquei orgulhosa que só. Daí há algumas semanas fui com Miranda fazer visita para essa família que tanto amo. Raquel criou um blog para uma aula de empreendedorismo e começou a me dar dicas. Ela e também seu irmão gêmeo, Pedro, o príncipe. Os dois se revezavam entre brincar com Miranda e tentar dar um up no meu blog. Primeiro me fizeram colocar o número de leituras, porque “quanto mais lido, mais as pessoas irão ler”. Depois colocar os textos mais lidos, porque “serão mais lidos ainda”. E querem colocar anúncio e tem um outro lance que ganha sei lá quantos centavos por cada texto lido. Puxa, deixei de ganhar uns 100 mil reais nessa brincadeira... mas nunca é tarde para começar. 
   De repente eu ali, com os gêmeos de 12 anos me dando dicas de empreendedorismo. Sempre adorei a adolescência. É a fase de maiores mudanças na vida. Não posso acompanhar a adolescência da minha filha, mas posso acompanhar dos filhos da minha amiga, que já não pode. Que vida, né?
   
   Comecei receber uns chamados ruralistas há uma semana. Eu, que pensava agora mais seriamente do que nunca, exercer minha cidadania portuguesa e abusar do meu passaporte europeu, me vejo sendo sugada para o meio do mato. Para dentro da natureza selvagem, que tanto admiro e respeito. Com pessoas que acreditam nas mudanças pela educação e cidadania. Talvez meu tempo de ter “escritório na praia e estar sempre na área” esteja acabando. Santos ainda é a melhor cidade que já morei (e morei em várias) e sei que sempre irei voltar, como o filho pródigo.
   Como escreveu meu querido amigo Angel, algumas pessoas são como navios que passam, para me salvar do naufrágio. Tenho contado com alguns grandes amigos nesses tempos de tempestade: Angel Rodriguez e família; com o amor que, mesmo de longe, acalma minha alma perturbada. Geórgia Corrêa, que ressurgiu para ocupar o espaço que sempre foi seu em minha vida. Os sempre presentes Gustavo Liedtke e Fábio Diegues, meus companheiros desde a faculdade, do tipo que nunca preciso contar como me sinto. Eles já sabem só no olhar. São muitos navios que passam para socorrer essa náufraga. Muitas vezes fico cega pelas lágrimas e nem vejo quando me acenam.
   Estou assim meio poética porque hoje a menina Giovana, que nem imagina o quanto inspira a mim e tantos outros (ou talvez tenha certeza disso), escreveu “Se uma escritora se apaixonar por você, você pode nunca morrer”. Achei tão lindo. De certa forma tornei alguns dos meus amores imortais. Ao nomeá-los torno possível que sejam lembrados daqui umas décadas. Por outras pessoas, porque por mim jamais são esquecidos (a não ser que tenha Alzheimer).
   Juro que tento ter um novo amor. Mas dá uma preguiça alcançar aquele nível máximo de intimidade. De ter que lidar com insegurança, confusões mentais masculinas e sentir aquela queda infinita da paixão. Gosto muito de ser eu e minha(s) filha(s). Nunca apresento como namorado antes dos 3 meses, como nos empregos, período de experiência. Muitas vezes não chega nem nesse tempo.
   Queria esquecer meus amores do passado. Mas é um torpedo que chega do namorado de adolescência. Uma mensagem daquele que está em outro País... e tudo isso para ter a certeza de que tive namorados incríveis. Todos antes dos 30 anos. Depois disso ou fiquei muito exigente ou perdi a capacidade de amar e ser amada. Ou fico agarrada no rochedo, tipo o marisco...

  

terça-feira, 22 de abril de 2014

Os Algozes em Casa

     Nem iria escrever sobre o assassinato do menino Bernardo, de 11 anos, pela madrasta enfermeira, com a ajuda da amiga assistente social e conivência do pai médico, porque minha gastrite nervosa dói demais. Porém, é tanta gente me escrevendo e falando sobre esse crime anunciado, que sinto necessidade de me manifestar, talvez porque eu seja uma referência de indignação judiciária. 
    O que mais me revolta é a desculpa esfarrapada do juiz. Mesmo o menino implorando para morar com outras pessoas, o juiz convenceu a criança a dar outra chance ao pai e agora diz que o “menino decidiu dar outra chance”. Abominável a falta de hombridade, a arrogância e o desmazelo do judiciário com nossas crianças. Fico abestalhada em ver como a maioria dessa gente de toga, que se acha tão acima do bem e do mal, se deixa impressionar pelo título de “doutor”, afinal o pai do garoto era médico, né? Coincidência ou não, o avô da minha filha, mentor financeiro, intelectual e emocional da nossa separação, José Hércules Golfeto, é psiquiatra infantil. Daí imagino os quatro juízes do meu processo supondo que minha filha estará segura nas mãos de um médico. Lembrando sempre que de médico e monstro, todos tem um pouco.  O pai de Bernardo é muito mais monstro do que médico. 
    O juiz do caso de Bernardo tira o seu da reta ao afirmar que haviam indícios, não provas. Ora, ora, já os juízes do meu caso e de várias mães que conheço (hoje conheci mais uma) tinham apenas indícios, mas mesmo sem provas, tiraram a guarda e proibiram visitas, “até que nós, mães, provemos o contrário”. Eu já provei, mas nenhum juiz deve ter lido nada. Repito: a advogada da outra parte, Ana Maria Murari, escreveu que minha filha não tinha cama para dormir, passava fome e que eu morava de favor em casa de estranhos. Haviam indícios (ligações anônimas, segundo a brilhante advogada), provei o contrário, mas ninguém leu. O que se passa na cabeça desses juízes? E o que dizer de uma advogada como essa, que faz tudo por dinheiro? Pior é que o filho dessa advogada, Danilo Murari, é seu sócio...  é a falta de ética passando de mãe para filho. Pobre Danilo, mentiroso e obeso como a mãe, cheio de maus exemplos na própria casa. Esse tipo de advogados é o que defende assassinos de filhos. 
   Agora os algozes de Bernardo podem até ficar presos, mas em celas especiais, já que tem educação “nível superior”, logo estarão em liberdade e, tal qual Suzanne Von Richtofen , que planejou o assassinato dos próprios pais, podem encontrar Jesus, converterem-se e trabalhar na Seguridade Social. Ou pode acontecer como os assassinos da atriz e bailarina Daniela Perez, que em seis anos estavam livres por bom comportamento. O monstro, convertido, hoje é pastor, a “monstra” até fez faculdade de Direito e hoje advoga por aí. 
    Isso porque Daniela é filha da autora de novelas globais, Glória Perez, que conseguiu mais de um milhão de assinaturas (a minha estava lá) para aumentar a pena por crimes hediondos.  Nem com sua fama e credibilidade a admirável Glória conseguiu. Segue a vida com seu buraco no peito e com a sensação de que não existe justiça nesse País. 
   A mãe de Bernardo morreu há quatro anos. Segundo a perícia, cometeu suicídio no consultório do marido, três dias antes de assinar o divórcio e ficar com mais de um milhão de reais. Uma amiga minha do Rio Grande do Sul contou que, na época, houve rumores de que o marido era o assassino, mas haviam apenas indícios, não provas. Repercutiu no Estado, mas não em território nacional. Vai ver que o juiz também ficou impressionado com o título de “doutor”, afinal médicos existem para salvar vidas, não para matar mulher e filho. A Justiça errou duas vezes, tivesse o monstro sido preso, Bernardo estaria a salvo com a avó materna, que ficou mais de quatro anos sem ver o neto por proibição do pai. 
   Bernardo foi brutal e covardemente assassinado e não teve quem o defendesse. Muito inteligente e igualmente desesperado, procurou a Justiça, mas essa virou-lhe as costas. Cada dia que passa confio e acredito menos. Meu único desejo é o de vingança. Eu desisto da Justiça no Brasil, eu desisto de tentar em vão ter uma migalha da minha filha e só conseguir gastrite e úlcera. Eu desisto dessa imprensa parcial e manipuladora. Eu desisto deste País. E só não desisto da minha vida porque ainda tenho uma filha de 5 anos, que depende única e exclusivamente de mim. Ela ainda tem quem a defenda.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Cronologia de Um Crime

   Há três anos e dois meses minha filha foi levada da escola, em Santos, para o interior de SP, dentro da Lei, com Rede Globo gravando e tudo. Só soube onde ela estava dois meses depois, quando foi cancelada a audiência marcada em São Paulo, já que "a menor" encontrava-se em outra cidade. O pai foi ligeiro em despachá-la para a casa dos avós. Um promotor, que nunca viu minha cara, leu lá o que a advogada Ana Maria Murari escreveu, entre outras que eu morava de favor em casa de estranhos e minha filha passava fome. Nenhuma prova, mas esse eficiente promotor acatou tudo e, vendo que foi brilhante em ludibriar promotor e juiz, a formidável advogada colocou lá no processo que “depois” mostraria as provas. Nunca mostrou. 
   Foram seis meses para a tal audiência de conciliação acontecer, com o juiz de paz, vulgo “juiz inútil”, já que é pura perda de tempo tentar conciliar as partes em litígio. Dessa audiência inútil ficou um acordo de que eu falaria diariamente com minha filha por skype e a outra parte, Jonas Golfeto, teria um mês para encontrar uma psicóloga para, finalmente, monitorar nossos encontros quando, onde e como Ele, o todo-poderoso Jonas, quisesse.  Aceitei tudo, estava há mais de seis meses sem ver, falar, tocar minha filha.
  Ele, o pai que tudo pode e nada permite, concedeu um dia de skype, mas minha filha ficou tão emocionada e chorou tanto e eu falei coisas que Ele não queria, então, não deixou mais. Viajei 7 horas para ir ao Fórum daquela cidade, falei com o juiz inútil, que me respondeu: “era um acordo amigável, podendo voltar atrás a qualquer tempo”. “Mas para que perder tempo com isso? “, perguntei. “Ah, mas será pior para ele”, respondeu sorrindo o juiz conciliador, como se fosse tudo uma grande brincadeira. Pior? Só se for para mim, pois a outra parte também demorou um ano e um mês para encontrar a tal psicóloga, Fabíola Januário, que por uma coincidência incrível, trabalhava no mesmo consultório da avó paterna da minha filha, Ed Melo Golfeto. 
    O primeiro juiz, Ricardo Braga Monte Serrat, saiu do processo após 8 meses sem fazer nada e está me processando. O que foi bom, pois entre suas centenas de sentenças duvidosas, está a guarda de uma criança concedida aos avós paternos. Afinal o filho deles tinha morrido e a criança era um alento para o casal de idosos. Dane-se a mãe que perdeu o marido, que lhe tirem a filha também. Coincidência ou não, era um casal afortunado, a mãe não tinha posses, o juiz Ricardo Braga Monte Serrat considerou que a criança ficaria melhor com os avós e sua casa grande, seu cofre cheio.  Após 4 anos, essa mãe desistiu de tentar reverter a guarda. Está conformada em vê-la de 15 em 15 dias e nas férias. 
   Coincidência ou não conheci uma mãe, na beira de uma piscina, que cuidava dos filhos dos outros e conversamos sobre filhos. Ela perdeu a guarda de dois, que moram, vejam só, na mesma cidade da minha filha. Está há seis anos sem ver os filhos. Os juízes? São os mesmos... 
    Após 8 meses sem fazer nada, Ricardo Braga Monte Serrat sai e entra José Duarte Neto. Esse ficou 4 meses, não fez nada e saiu segundo Artigo 35, parágrafo único: motivos pessoais. Já que é pessoal, não precisa dizer o motivo. Entrou outro, ficou um mês e saiu, nem deu o motivo. Finalmente chegou o último juiz, Márcio Peliciotti. Entrou no processo em março de 2012. Em 8 janeiro de 2013 fui para a cidade quente, sufocante e provinciana para encontrar minha filha, segundo acordo entre advogadas. O todo-poderoso Jonas Golfeto não permitiu, fiquei 4 dias naquele calor infernal, tentando, ligando para a casa dos avós. Entramos com liminar para eu poder vê-la, o senhor juiz, ao invés de decidir alguma coisa e mandar um oficial de Justiça para eu encontrá-la, mandou vistas para o Ministério Público decidir. De boa, para que uma pessoa quer ser juiz se não é capaz de decidir algo tão simples? O que esse juiz conseguiu foi me deixar mais 4 meses sem ver ou falar com minha filha. Daí tenho que escutar de advogada “vai ser pior para o Jonas”, não, o tempo está contra e só é pior para nós duas. Aquela família vibra com tudo isso. 
    A única coisa que esse juiz Márcio decidiu até agora foi dar, em maio de 2013, mas com a ajuda do Ministério Público, a visita monitorada que eu pedi em 2011. Pedi 10 dias de férias para julho de 2013, ele nem leu. Em novembro minha advogada entrou com uma série de pedidos, entre eles férias de janeiro. Ele leu tudo desta vez, mas só concedeu uma visita monitorada no Fórum, no dia 19 de dezembro. E foi a última vez que ouvi a voz dela, agora diferente, com forte sotaque do interior. 
   Minha advogada garantiu que o resultado sairia antes do fim das férias. Agora “acredita” que até o fim de abril. Ah, mas tem feriado, vai ter Copa, depois eleição. Eu não acredito, nem espero mais nada. Esse juiz está há 2 anos e 1 mês no processo e a única coisa que decidiu foi conceder visita monitorada, pedida em 2011, justamente para não perder o vínculo, já perdido. O primeiro promotor, o que me chamou de mãe nociva, inclusive, baseado no que Ana Maria Murari, a advogada casca grossa, escreveu, indicou para o juiz que eu ficasse 3 meses sem ver minha filha, para que a família paterna retomasse o vínculo. Agora quem perdeu o vínculo fui eu e minha filha caçula. Quero três anos para retomar o convívio. Claro que é piada, claro que eu sei que isso nunca vai acontecer. Esse atual juiz tem prazo? Tem. Ele cumpre? Não. Eu posso ir na Corregedoria reclamar? Poder, posso, mas Ele vai ficar com raiva de mim e demorar mais, segundo minha própria advogada. 
    São três anos e dois meses. Mataram minha filha, mataram a mãe da minha filha. Mataram para ela todas as pessoas que faziam parte da vida dela. Três anos e dois meses. Meu pai morreu, minha grande amiga, segunda mãe de Dora, morreu, minha prima que era muito mais que prima (uma grande amiga) morreu, escrevi até a biografia do Djalma Santos, livro que será lançado segunda-feira, mas o biografado, por quem me enchi de afeto e amizade, também morreu.  Será que esses juízes não sabem que a vida é breve e que a infância passa rápido?
   Ontem falei com minha filha, rapidamente, pelo facebook, ela me pediu para contar alguma história engraçada de quando era pequena, pois não lembrava nenhuma. Falei algumas, mas também lembrava de poucas. Pedi que perguntasse ao pai, mas Ele não estava, nunca está. Perguntei se pediu para o avô levá-la ao lançamento do livro, mas ela nem pede, disse que ele anda muito cansado. Ela sabe que a resposta é negativa. Foram mais de três anos e nem sei quantos mais serão. O crime já foi feito. A Justiça apagou nossas melhores lembranças. Mas é melhor nem lembrar para não sentir saudade. Melhor deixar tudo guardado no passado, como se fosse alguém que passou em minha vida brevemente e partiu. 
    Isso me faz lembrar minha melhor amiga, que morreu na adolescência, eu tinha 19 anos e ela 18. No início a dor era insuportável, eu acordava no meio da noite com falta de ar. Eu pensava nela todos os dias e chorava. Como eu faria sozinha tudo o que tínhamos planejado juntas? Entre nossos planos estava morar em Londres (ela queria trabalhar na BBC). Nunca fui para Londres, talvez porque a falta dela fosse dolorosa demais. Dia 29 de abril completará 24 anos que a presença de Ana Paula Rodrigues Assumpção se foi da minha vida para sempre. Claro que me acostumei com a ausência e a dor diminui, mas ainda lembro muito dela e de nossos planos. Lembrei tanto dela no show do New Order e quando escuto várias bandas de rock que me apresentou. Quando vejo esse jornalismo superficial, parcial, penso na jornalista fantástica que Ana Paula teria sido, com toda sua inteligência, beleza, sendo crítico e simpatia. Sinto saudade mais do que não vivemos, porque o passado é só uma lembrança, a mesma coisa acontece com Dora. 
    Mas com Dora posso ainda ter algum plano...  não sei se é melhor aceitar o fim ou ter esperança de um recomeço.  A Justiça matou nossas lembranças. Afastou mãe e filha, alienou completamente uma criança. Quem paga por esses crimes? Eu penso em processar o Estado, porque a outra parte só faz procrastinar tudo que a Justiça permite. A culpa é da morosidade, da falta de compromisso desses profissionais de toga, a falta de psicólogos e assistentes sociais nas Varas de Família. Sim, quero muito processar o Estado, mas preciso de um advogado que não pense em retorno financeiro imediato. É que quando falo isso para minha própria advogada, ela diz que daria uma boa briga, mas só meus netos (se é que irei tê-los) verão a cor deste dinheiro. Eu não me importo, só quero desobstruir meu fígado e não morrer de câncer. Qual advogado pegaria uma causa para vencer daqui 30 anos? Talvez um que pense em seus netos. Ou uma baiana arretada que também teve sua filha arrancada pela Justiça.

terça-feira, 1 de abril de 2014

O Futuro Estarrecedor

      O relatório divulgado ontem pela ONU mostra um futuro sombrio e, praticamente, insuportável. Foram mais de 700 cientistas de 100 países para reafirmar o que já foi avisado na Eco 92, no Rio de Janeiro: o homem e sua ganância, o “progresso” que acaba com florestas, água potável, oceanos e oxigênio, vai tornar a vida no planeta maravilhoso, cada vez mais difícil. O pior que esses danos são irreversíveis e não imagino a humanidade, milagrosamente, tomando consciência disso. Nem vislumbro os governos, principalmente dos EUA, usando alta tecnologia para criar soluções sustentáveis, pois ainda preferem investir em armamento bélico, assim destrói tudo mais rápido.
    Em 2050, segundo os cientistas, a África estará sem água, a China sem ar e plantações, a Europa sofrendo enchentes e o Brasil com clima seco e temperaturas muito elevadas (nós temos o triste posto de campeões de desmatamento no mundo). De que adianta eu me cuidar, fazer esporte, ter expectativa de vida aumentada se quando chegar aos 80 anos (se não “morrer de susto, bala ou vício”  – como cantou Caetano Veloso) mal poderei respirar e tomar água?
     Não era por rebeldia ou feminismo radical que eu dizia, na adolescência, que não queria ter filhos. É que desde muito cedo tomei consciência da destruição humana. Até 1982 era possível ver tartaruguinhas saindo das cascas e correndo para o mar no Costão das Tartarugas, o Tortuga, na praia da Enseada, Guarujá. Mas então a Prefeitura da época liberou a construção de três prédios de 30 andares bem ali na frente da praia, onde até hoje não é permitido prédios de mais de quatro andares. E as tartarugas sumiram. Vieram ambientalistas de toda a parte fazer manifesto, me juntei a eles, conheci o Greenpeace e outros radicais. Não houve alemão que fizesse mudar o quadro ou fazer cumprir a “Lei”. 
    O grande golpe, a apunhalada final foi saber que meu pai vendeu material para a construção dos malditos prédios horríveis que enfeiam a paisagem até hoje. Minha vontade era implodir tudo aquilo. Foi nossa primeira briga feia. O chamei de capitalista selvagem, exterminador de animais. Ele tentava me explicar que se não fosse ele, outra distribuidora de cimento venderia, não tinha jeito. Graças àquela construção sinistra, meu pai comprou a primeira casa própria. Ele dizia que queria me dar o melhor. Eu respondia que o melhor para mim era continuar vendo as tartaruguinhas correndo para o mar. Tinha 12 anos e uma utopia juvenil meio doentia. Depois entendi que lutar contra o sistema só sendo muito radical mesmo, extremista, tipo luta armada.
   Continuei não querendo colocar mais gente nesse mundo com excesso de população, mas aos 30 anos, quando engravidei sem planejar, pensei que seria maravilhoso poder passar meus ensinamentos e consciência ambiental para alguém. No tempo de convívio que tive com Dora, minha filha mais velha, sei que passei os melhores valores de preservação, respeito e proteção animal e ambiental. Tanto que, aos 8 anos, ela já falava que queria fazer Biologia Marinha. Adorava os oceanos e a vida no mar. Miranda, minha filha mais nova, de 5 anos, diz que quer ser veterinária. 
   De certa forma elas são bem mais práticas e efetivas do que eu. Depois de me envolver na causa ambiental, fui me interessando por várias outras: proteção animal, legalização do aborto, eutanásia, inclusão social, acessibilidade universal, feminismo... é muita causa para uma pessoa só. Daí me iludi pensando que fazendo jornalismo poderia denunciar, divulgar, esclarecer e conscientizar sobre tudo isso. Talvez fosse inocente ou uma arrogante. Ou os dois. Só sei que fracassei. Minhas filhas serão mais práticas, tenho certeza. Assim como tenho certeza de que acertei tendo essas duas filhas, que poderão fazer diferença nesse futuro macabro que nos espera.
   O ser humano se adapta fácil. Penso que esse período em que Dora é obrigada a morar na cidade de clima mais quente e seco que já conheci é uma espécie de preparo para sua vida adulta num mundo de tantas mudanças climáticas.  Pensar no futuro é estarrecedor, por isso vou aproveitar e tomar muita água, mergulhar nas ondas enquanto as temperaturas permitem e tratar de procurar um terreninho na montanha, com cachoeira no quintal. Igual ao lugar lindo que eu morava com Dora em Paraty (RJ).

quinta-feira, 27 de março de 2014

Menina Branca Recém-Nascida

    O tema “adoção” sempre me interessou, desde criança, quando houve uma oportunidade de meus pais adotarem  um menino.  Não lembro ao certo porque isso não aconteceu, sinto falta desse irmão que nunca tive. Por conta desse meu interesse acabei levantando muitas pautas sobre adoção e fazendo várias matérias sobre o assunto. Uma delas foi na Folha da Tarde, não queria fazer mais do mesmo no Dia das Mães, então sugeri uma entrevista com um grande amigo meu, adotado na tenra infância. A mãe dele ficou muito emocionada com a homenagem e ele feliz por de alguma forma retribuir o ato de amor. 
   Outra que me marcou muito sobre um casal de advogados, no Grande ABC Paulista.  Os dois entraram em um processo de adoção para um casal de clientes, ficaram anos para conseguir a criança do jeito que o casal queria, enfim chegou a criança, um pouco mais velha do que o desejado, mas um mês depois, no período de adaptação, o casal “devolveu” a mesma. Os advogados, pais de uma única filha, pré-adolescente, já tão envolvidos na história, encantados com a criança órfã e decepcionados com a atitude desumana de seus clientes, não pensaram duas vezes e adotaram a criança, abandonada pela segunda vez. Quando eu os entrevistei tinham 6 filhos adotivos! Quanto mais amor eles davam, mais tinham. 
   O grande problema é que a maioria esmagadora dos casais brasileiros procura uma menina branca recém-nascida. Primeiro porque acham que meninos são mais difíceis e podem virar bandidos, segundo porque a criança negra pode ser confundida como filha da empregada. Naquela época (anos 90) os meninos negros acima de três anos atingiam a maioridade nos abrigos. Atualmente há mais de 5.400 crianças esperando uma família e mais de 30 mil casais na fila de adoção. Essa matemática está muito errada!
   Vi uma matéria na TV Cultura em que uma menina branca, de 3 meses, acabava de ser adotada. A mãe biológica a abandonou na maternidade. Os pais adotivos ficaram imensamente felizes, após 6 anos de espera, porque enfim  chegou uma menina branca, saudável, do jeito que tanto queriam.
   Com a nova resolução do Conselho Nacional de Justiça, integrando casais estrangeiros e brasileiros que moram no exterior no Cadastro Único de Adoção, espero que esse quadro mude. Os europeus loiros de olhos azuis não se importam de ter meninos negros com mais de 7 anos. O desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Antônio Carlos Malheiros, na mesma matéria, contou a história de um casal de noruegueses, brancos como a neve, de cabelos cor de palha, que adotou 3 irmãos negros, de 10, 8 e 6 anos. Quando foi levá-los até o aeroporto, fez uma pergunta: “Como vocês vão fazer para lidar com a diferença?”. “Qual diferença?”, foi a resposta interrogativa. Mas todos nós sabemos que o Brasil não é racista... 
   O mesmo desembargador concorda que é preciso uma reforma nas Varas de Família, que faltam psicólogos e assistentes sociais, fundamentais para agilizar os processos. Concorda também que a infância passa rápido, que o tempo das crianças é diferente e que essa fase da vida é um referencial para todo o resto. Mas o que eu mais queria perguntar para esse desembargador é que, sabendo de tudo isso, por que esse sistema não muda? Por que com tantas crianças órfãs de fato, a Justiça mantém outras crianças órfãs (do pai ou da mãe) em litígios de disputas de guarda que demoram 10 anos? O meu processo já encerrou, a guarda definitiva é do pai (embora todos falem que a guarda pode ser mudada a qualquer tempo). Mas não ter a guarda não é o mesmo de não ter direito de convívio. 
    A infância passa rápido, minha filha nem é mais criança. O afastamento é um fato. A ruptura foi constatada até pela psicóloga forense, mas nem isso faz com que a Justiça acelere. “Ah, agora está adaptada aqui, não vamos mudar mais nada. De repente se for passar férias com a mãe vai ficar confusa”, deve pensar essa gente (juiz e promotor) que nunca viu a cara da minha filha. 
    Na minha singela opinião de quem vive há 9 anos em fóruns, perícias e delegacias fazendo boletins de ocorrência, os cargos de promotores e juízes não deveriam ser concursados. Uma vez concursados ficam lá para sempre o na pior das possibilidades recebem aposentadoria compulsória. Não importa o quanto demorem ou errem, seus gordos salários nunca deixam de cair em suas contas. Se fossem eleitos de 4 em 4 anos, a situação seria totalmente outra. Imaginem um juiz (no meu caso 4!) que demora mais de 3 anos apenas para conceder o direito de visita para uma mãe? Com certeza esse senhor de toga teria seu nome na Corregedoria, haveria campanha contra e não se reelegeria. Com certeza seria mais rápido, exigiria mais assistentes sociais e psicólogos, exigiria agilidade de todos ao seu redor. 
   Mesmo sendo funcionários públicos, uma vez lá, não importa o público, importam seus interesses privados, seus conhecimentos e trocas de favores. A criança na Vara de Família é o que menos importa, afinal o tempo passa rápido e ela cresce e deixa de ser criança. 
    Ainda quero muito realizar meu sonho de ser mãe adotiva e como minha situação judicial e financeira não ajuda, talvez só realize esse sonho depois dos 50. Não terei nenhuma exigência, de cor, de sexo, de idade, aliás, se tiver mais idade, melhor. Só quero olhar nos olhos de uma criança que nunca teve mãe e sentir aquele amor que bate e volta. O amor pelo ser que é humano. A hora da adoção é uma das poucas em que mulheres levam vantagem sobre os homens, mas tem que ser branca e recém-nascida.