segunda-feira, 27 de junho de 2016

Nenhuma Crise Levará Embora

    Andei parada de escrever por motivos exteriores. Me acidentei novamente. Desta vez atravessando uma faixa de pedestre, tombei do nada. Não era bem do nada, havia uma espécie de lombada que já fez muita gente cair no mesmo lugar. Inclusive eu mesma ajudei um senhor a levantar-se, no local. Fui socorrida por várias pessoas. Trinquei um osso da mão direita. Desde então (isso ocorreu no dia 17 de junho), passei a usar o outro lado do cérebro, fazendo da mão esquerda minha principal aliada.
   É bem difícil fazer tudo ao contrário, me sentir limitada, não conseguir lavar os cabelos, não poder escrever com os 10 dedos. Por isso tenho pensado muito no Stephen Hawking* (físico teórico e cosmólogo britânico). Totalmente imóvel, está há mais de 30 anos sem nem poder usar a fala. E continua com aquele cérebro brilhante, fervilhando de ideias. 
   Apenas perdi por um tempo a mobilidade da mão direita, posso falar e gravar, tenho uma porcentagem bem menor de brilhantismo no cérebro e sinto-me parada no tempo. Então peguei Uma Breve História do Tempo** para ler novamente e me pareceu bem mais simples do que há quase 30 anos. Meu corpo já dobrou a curva da metade da vida, mas meu cérebro não parou de evoluir. Deve ser assim com todo mundo.
   Esse tempo parada me fez ter mais vontade de fazer tudo. Comemorei meu aniversário na Casa do Ernesto, com amigos queridos, com muito frio, música e vinho. O tempo é breve, passa tão rápido, temos tanto para fazer, tanto para aprender.
     

    Nesse mês e meio que não escrevo por aqui, conheci um grupo de psicanalistas que faz um lindo programa social em comunidade. Conheci ativistas que estão indo para o Mato Grosso do Sul, para tentar evitar o massacre dos guarani-kaiowá, mesmo correndo o risco de também serem massacrados. Estou cada vez mais envolvida com a cultura oriental (medicina chinesa, kung fu, budismo). Mais algumas mães que perderam a guarda de filhos entraram em contato comigo. Mal posso responder os emails com pedidos desesperados de apoio. Conheci uma dessas mães pessoalmente. Perdeu a guarda há pouco tempo e é sempre o mesmo. Ficam emocionadas ao saberem que não são as únicas, querem que outras mães e filhos não passem por isso, ficam reféns do sistema judiciário, gastam tudo que tem, vendem seus bens, pagam gordos honorários para advogados que "fazem o que podem".
      
    E com tantos problemas do mundo para resolver começo a achar os meus meramente circunstanciais. Com a União Europeia se desunindo, com circo de passagem de tocha olímpica matando onça pintada (em extinção) em Manaus, com a proximidade dos Jogos Olímpicos e o estado de calamidade pública do Rio de Janeiro, com moradores de rua morrendo de frio em São Paulo, com o governo ilegítimo no Brasil, com o desemprego crescendo, a aposentadoria chegando mais tarde, economia parada por essa bandalheira política, com o crescente fascismo no Brasil e no mundo, fica cada vez mais difícil ter esperança. Porém, historicamente, sempre nos momentos de crise surgem as melhores ideias e soluções. 
   Estou farta desse nacionalismo barato, dessas bancadas religiosas que colocam bíblia acima de leis. E, principalmente, desse atual desgoverno que veio com a velha máxima de "não fale em crise, trabalhe". Muito bem, senhor presidente interino, então nos dê emprego para trabalhar, nos dê trabalho remunerado. É tanto tema para escrever que me sinto perdida. É tanta crítica para fazer que me sinto inútil. 
   Não dá mais para acreditar em mídia nenhuma no Brasil. Para grandes emissoras de TV e jornais já ficou feio defender o golpe. Pessoal que saiu às ruas pedindo impeachment da presidente Dilma, agora percebe o papel de marionette. Serviram como patos, a la Fiesp. Então o que faço é falar com pessoas nas ruas, ver como estão os movimentos sociais. "Não fale em crise, estude", foi o que me disse um desses psicanalistas que conheci. Estude, leia, entenda o momento histórico que vive o mundo. E quando, e se a crise acabar, você saberá muito mais do que sabia. E o saber, o conhecimento, é o único bem que crise nenhuma levará embora.


* Hawking é portador de esclerose lateral amiotrófica, uma rara doença degenerativa que paralisa os músculos do corpo sem atingir as funções cerebrais. Ainda não possui cura. A doença foi detectada quando tinha 21 anos. Em 1985 Hawking teve que submeter-se a uma traqueostomia e, desde então, utiliza um sintetizador de voz para se comunicar. Gradualmente, foi perdendo o movimento dos seus braços e pernas, assim como do resto da musculatura voluntária, incluindo a força para manter a cabeça erguida, de modo que sua mobilidade é praticamente nula. Em 2005 Hawking usava os músculos da bochecha para controlar o sintetizador, e em 2009 já não podia mais controlar a cadeira de rodas elétrica. Desde então outros grupos de cientistas estudam formas de evitar que Hawking sofra de síndrome do encarceramento, cogitando traduzir os pensamentos ou expressões de Hawking em fala. A versão mais recente, desenvolvida pela Intel e cedida a Hawking em 2013, rastreia o movimento dos olhos do cientista para gerar palavras.

** Uma Breve História do Tempo: do Big Bang aos Buracos Negros (título original, em inglês "A Brief History of Time:From the Big Bang to Black Holes", 1988), é um livro de divulgação científica, publicado pela primeira vez em 1988, inclui a Teoria do Big Bang, Buracos Negros, Cones de Luz e a Teoria das Supercordas ao leitor não especialista no tema. 

quinta-feira, 24 de março de 2016

Juízes Mandam, Globo Edita, Fascistas Ganham

   Fazer análise política no Brasil não é tarefa fácil. A coisa é tão rápida que cientista político e jornalistas ficam tontos por aqui. Tinha escrito sobre a indicação de Lula como chefe da Casa Civil. Sobre como essa decisão iria inflamar mais os ânimos dos Fora Dilma e que não havia problema nenhum querer escapar do juiz salvador da pátria, Sérgio Moro. Eu mesma, que não sou tão esperta e apenas uma mãe que perdeu a guarda da filha e ficou anos sem vê-la pela morosidade da inJustiça brasileira, discuti com o juiz e ele saiu do processo. Coincidência ou não, o processo andou mais rápido sem Ricardo Braga Monte Serrat, um juiz que não fazia nada, não decidia nada e quando decidia era algo bem duvidoso. O que dizer sobre Moro? Que é implacável contra petistas e todo rabo preso com psdebistas? É tão óbvio que só o PT é investigado. Faria o mesmo para sair da parcialidade brutal desse Moro.
    Não ia escrever mais nada sobre política nenhuma. Mas lendo um artigo do colega Alceu Castilho, sobre o fascismo crescente no País, me identifiquei com o que ele chama de "esquerda blasé". Isso mexeu com minha dignidade, com meu instinto mais esquerdista. Sim, sou blasé em várias coisas. Falo baixo, não gosto de brigas, sou pelo diálogo, até faço o que não quero fazer por não saber dizer não, não querer decepcionar e ainda gosto de filme iraniano e dinamarquês. Mas contra o fascismo não dá para ser blasé! Não dá mais para tolerar gente que odeia pelo ódio, que é "contra tudo isso que está aí", que detesta pobre (e não pobreza, que eu também detesto), que detesta negro, detesta gay, detesta petista, mas não sabe nem quem sucederá Dilma, caso ela saia da presidência, por renúncia ou impeachment.
     Quando ela foi reeleita eu estava em Ribeirão Preto. O que ouvimos (eu e Miranda, minha filha de 7 anos, que gosta muito da Dilma e acha o máximo uma mulher presidente) foi xingamentos dos prédios, de todos os tipos. Miranda perguntou porque xingavam a presidente. Respondi que essas pessoas, apesar do acesso à educação e informação, não souberam aproveitar sua sorte. Não voto desde 2002, mas sempre torço para que o eleito democraticamente pela maioria, dê conta do recado. Torço por Alckmin também! Torço para que ele perceba que a truculência que usa hoje contra manifestantes e estudantes pode se voltar contra ele um dia, seria extermínio na certa.

    Mas quando pensei em reler sobre a posse de Lula para publicar o texto, eis que uma liminar, assinada em tempo recorde (28 segundos!) pelo juiz Catta Preta, proíbe Lula de assumir. Puxa vida, fiquei impressionada com os dois pesos e duas medidas da Justiça brasileira. Uma vez pedi uma liminar para ver minha filha, já estava acordado e tudo. O pai não deixou ver. Fui até o Fórum e achei que bastava o juiz assinar e mandar um Oficial de Justiça cumprir a Lei. Mas não, ele pediu vistas para o Ministério Público, porque era difícil um juiz decidir sozinho se uma filha tem o direito ou não de ver a mãe. E lá se foram mais 5 meses sem ver ou falar com minha filha. Agora quando é com Lula, tudo é tão rápido, porque Lula vale mais do que eu? Porque não dei a sorte de pegar um juiz tão ágil? Claro que isso é ironia, caros leitores, claro que vocês já devem saber que esse juiz é um dos Fora Dilma. Todos nós temos opiniões formadas, mas levá-las a público tendo um cargo público tão elevado é, no mínimo, leviano.

    Então o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, está sendo investigado por milhões desviados e depositados em contas no exterior. E ele continua presidindo a Câmara! Ele já é réu! Pior, ele faz parte da Comissão de Impeachment!! Mas qual o problema do seu desvio? Vamos concentrar nossos esforços nos pedalinhos de Lula e no sítio em Atibaia. É muito mais amador, mais tupiniquim do que dinheiro em contas na Suíça. É a cara do Brasil. E o Paulo Maluf também está na Comissão! Aquele mesmo que eu pensei estar, finalmente, no ostracismo. As investigações contra Cunha estão paradas há mais de 5 meses. E o que dizer do senador Aécio Neves, que aparece mais no Lava Jato do que no Senado? O que dizer da meia tonelada de cocaína encontrada em sua propriedade? E o helicóptero que transportava a droga era da empresa de Zezé Parrela, amigo de Aécio, que fez três contratos sem licitação para o brother, mas isso é matéria do passado. Para que investigar? Afinal, as pessoas que querem depor Dilma são todas de bem e contra a corrupção, não é verdade?

  
    Quando a extrema direita e a Rede Globo perceberam que Lula poderia assumir a Casa Civil, o justiceiro Sérgio Moro não hesitou em passar todas as gravações sigilosas para a Rede Globo, que em edição profissional, fez de Lula um arrogante, grosseiro e que desdenha do povo. Ele pode ser tudo isso, mas ele não é só isso. A gravação inteira mostra muito mais. Alguns dos odiadores poderiam parar para ouvir na íntegra. Mas o ódio cega e ensurdece. Sei bem disso. Daí mais uma vez penso nos pesos e medidas da Justiça brasileira. Em 2011, a juíza carioca, Patrícia Accioli, foi executada com mais de 20 tiros, por policias que estavam sendo julgados por ela. Ninguém foi preso. Num País onde juiz é assassinado por ter coragem em enfrentar o tráfico, considerei, no mínimo estranho, um juiz vazar todas as gravações de Lula, inclusive, conversas com a presidente. Ele não tem medo? Claro que não! Todos os políticos corruptos de todos os partidos estão ao seu lado. Dilma caindo, Moro ganha um cargo daqueles, acima do bem e do mal, querem apostar?

    Mas os "rebosteios" midiáticos e políticos no Brasil não param por aí. Saiu enfim uma lista da Odebrecht, com mais de 300 políticos envolvidos no Lava Jato. William Bonner, o apresentador do Jornal Nacional, explicou com sua cara lavada de bom moço e voz linda, que a lista não seria divulgada. O mesmo juiz Moro decretou sigilo nessa lista. Por que? Porque o nome da Dilma não está. Nem o meu. Acho que nem o de Lula. Mas todos os outros estão e não é conveniente dar os nomes de políticos que chamaram às ruas para manifestação contra  a corrupção. Sendo que TODOS são corruptos. Inclusive você que compra DVD pirata, que passa ponto para a carteira de habilitação do amigo, que sonega...
   
   Você que está lendo esse texto em outro País e não entendeu nada, não fique constrangido. Estou aqui há 45 anos e não consigo entender até hoje. Você que está aqui e é contra "tudo isso que está aí", reflita um pouco e pense quem você quer no lugar de Dilma. Não concordo com muita coisa desse atual desgoverno. Na minha análise parca, Dilma quis ser legal com banqueiros e empresários, mas não conseguiu. E foi péssima com as classes que a elegeram. Há genocídio indígena, MST (Movimento Sem Terra) sendo desrespeitado, desmatamento recorde na Amazônia. Mas pensem que nunca antes houve tanta investigação de políticos nesse País.
   Corrupção existia, e muita, na Ditadura Militar, mas ninguém podia falar sobre isso. Os fascistas estão mostrando sua cara. E é muito feia. Na manifestação nacionalista dos verde e amarelo, dia 13 de março, estava em Ribeirão Preto, de vestido vermelho (coincidência e não provocação). Gritaram para mim, de um carro: Fora Dilma. Cheguei a fazer piada sobre o acontecido. Mas agora vejo que não tem graça. Tem mãe com bebê de colo sendo agredida por usar vermelho. Ciclista com bicicleta vermelha tomando pedrada. Sei o quanto é pequeno burguês pensar na cor da roupa por medo de represálias. Penso nos negros que acordam todos os dias e temem represálias pela cor da pele. Os valores desse mundo estão muito errados, mas ainda acho que vale tentar acertar os erros.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Descaso com Dengue deu em Zika

  Começar o primeiro post do ano falando de epidemia não era minha intenção. Pessoas que não conheço me escrevem para saber se está tudo bem, que sentem falta desses textos aqui, aparece gente nova lendo tudo. Digo que muitas coisas boas aconteceram nesses quase dois meses de ausência. As férias com minhas meninas foram simples e ótimas, muitas mudanças - inclusive geográficas e físicas - aconteceram na minha vida. Leitores me escrevendo por empatia, mais mães querendo desabafar, ouvir conselhos. Mas minha cidadania e essa mania de ter e passar informação me obrigam a falar do zika vírus. Não dá para falar apenas do meu cotidiano às vezes normal, outras surreal. Ainda mais porque este blog é lido em todos os Continentes (humildemente me orgulho muito sobre esse fato) e com tanta tecnologia e informação, é difícil crer que um mosquito possa causar tanto estrago, mas causa. 
   Segundo informações do Ministério da Saúde foram registrados 40 mil casos de dengue em 1990. Os números foram crescendo até atingir 1,5 milhões de pessoas em 2015. E sabemos que muitas pessoas passam pela dengue sem registro. Tenho um caso na minha casa. Há uns 4 anos minha mãe, que não gosta de ir ao médico, que mal fica doente, teve o que chamou de "uma gripe muito forte", passou uma semana "derrubada", por insistência minha foi fazer exame e, bingo, era dengue. Então podemos dizer que esse número pode ser maior que o dobro.
   O zika vírus foi isolado pela primeira vez em 1947, em Uganda, na África. É sempre assim, enquanto a doença mata nossos irmãos africanos, sem poder de consumo, que já "nascem para morrer de fome", ninguém liga muito. Mas depois o vírus se espalhou para Ásia e Oceania. Pior quando chega na Europa e América do Norte! 
   Como o maior transmissor do zika vírus é o mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue, não causa estranhamento a proliferação no Brasil. Mais de 4 mil casos de bebês nascidos com microcefalia nos últimos meses é assustador. Já soube de mulheres grávidas abortando sem nem ao menos ter contraído o vírus, apenas por medo. Mas é para ter medo mesmo. Já não é fácil criar uma criança saudável, imaginemos como seria saber da possibilidade de ter um filho com problemas neurológicos irreversíveis, num País onde a saúde vive em coma.
   Para piorar o quadro, os cientistas ainda não tem tanto conhecimento quanto ao vírus, nem se uma pessoa uma vez infectada estará imune. É assim com a gripe, que precisa de nova vacina a cada ano. Como o Brasil é um País tropical (sei lá se abençoado por Deus), a proliferação é maior. Até acho que o nosso Governo está informando a população e contabilizando os casos de forma eficiente. Mas teremos Olimpíadas em breve e sim, será uma situação de risco, que poderá levar o vírus para lugares onde ainda não existe.

    O que podemos fazer? Mulheres, não engravidem! Pessoas, passem repelente o tempo todo! Mas, por favor, nada disso será eficaz se continuarmos deixando a água parada acumular... estamos em guerra e não podemos perder várias batalhas para um mosquito.

sábado, 14 de novembro de 2015

O Mar de Lama


    Desde o rompimento das barragens em Mariana (MG), no último dia 5, tento escrever sobre essa catástrofe ambiental, a maior da história do País. Mas eu esperava mais notícias e meu instinto curioso e investigativo não cansou de procurar fora das grandes mídias nacionais. Porque se fosse depender de Rede Globo ou Folha de São Paulo para manter-me bem informada, só saberia como o brasileiro é solidário, como foi o resgate da cadelinha após 3 dias soterrada. O sofrível apelo ao sentimentalismo, sempre. Não que os desabrigados de Mariana não mereçam receber doações de todos os cantos do Brasil. Mas se a barragem rompida pertence à Samarco/Vale do Rio Doce, essas deveriam enviar todos os donativos, providenciar hospedagem às vítimas, tratar dos funerais.
   O que eu previa, no meu não acadêmico conhecimento ambiental, é que a contaminação seria grande e inevitável e o curso do rio Doce seguiria levando a tabela periódica inteira até desaguar no mar. Alguns dias depois, lendo mídias locais, soube que Governador Valadares estava sem água e a previsão é que esse cenário caótico se estenderia por um mês. Um mês sem água! O que acontece em uma cidade sem água nos hospitais, escolas, casas e ruas? Vi imagens de pessoas recolhendo água de esgoto.
    No dia 12 de novembro, enfim, saiu o resultado de análises laboratoriais de amostras da água do rio Doce, encomendadas pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), de Baixo Guandu. Foi detectada a presença de metais pesados como chumbo, alumínio, ferro, bário, cobre, boro e mercúrio. O Rio Doce está morto! É aterrador, não serve mais para nada (irrigação, animais e pessoas). Fora o tanto de animais e plantas mortos pelo caminho. O mar de lama foi devastando todo o ecossistema que encontrava pela frente. Só no dia 12 de novembro o Governo Estadual solicitou ao Federal o apoio do Ministério da Integração Nacional e do Exército Brasileiro para “amenizar” os problemas que serão enfrentados pela passagem da lama pelo território do Espírito Santo. A principal preocupação é com o abastecimento de água. Alguém sabe o que acontecerá quando essa lama chegar ao mar? Já estão sendo tomadas providencias quanto a isso?
   E tem mais: o rompimento dessas barragens não foi acidente! Não é possível tratar como tal. Há mais de dois anos foi feita uma perícia e o resultado é que as barragens estavam condenadas. Foi uma tragédia anunciada, como tantas no Brasil. Não foi abalo sísmico! E a imprensa não cobre como deve cobrir um acontecimento desses. Seria porque a Vale do Rio Doce é grande anunciante? Será porque esqueceram de fiscalizar tudo o que foi privatizado nesse País desde os anos 90 e as grandes corporações de comunicação se negam a denunciar mazelas do PSDB?
   E onde estava esse Governo desgovernado que nem para sobrevoar de helicóptero o local? Onde estavam presidente Dilma, ministros do Meio Ambiente e Minas e Energia? Estavam tentado limpar e encobrir a própria sujeira? Reunião de cúpula para decidir qual a melhor desculpa a ser dada?
   Esse mar de lama dá menção a várias metáforas. Eu mesma tenho vivido num mar de lama, tenho me sentido um lixo físico, mental e moral. E não é possível nadar na lama, nem enxergar nada. É uma cegueira absurda, que faz com que eu conheça o pior de mim, porque não vejo horizontes, porque fecho meus olhos e sinto o que há no meu coração. Há indignação e dores da alma. E a dor é bem maior do que as dores do corpo. Porque Justiça aqui tarda e falha. Porque a Direita quer nos ver de novo nas trevas. Perde tempo em retrocessos como criminalizar o aborto para estuprada! Isso na mesma semana em que considera família apenas um lar com homem, mulher e uma criança. Então o que dizer para o filho do estupro? Porque há pouco tempo queria a Cura Gay. Isso nada mais é que desviar a atenção do que realmente importa. Porque não temos mais esquerda.
   Sei que ainda há muito para investigar sobre a tragédia que começou em Mariana e segue até o mar. Quanto mais procuro, mais acho. E quando começava a escrever esse texto aconteceu o atentado em Paris. Prato cheio para a grande mídia brasileira, que jogou os holofotes para lá, desviando a atenção como se desviam nossos milhões para bancos suíços. Tenho amigos em Paris. Falei com um por longo tempo ontem mesmo, Jamiro Oliveira. Ele está bem e contou um pouco do caos de lá. Mas isso eu escreverei em outro post. Porque o mar de lama aqui é grande, é um reflexo do nosso desgoverno. Como bem escreveu meu colega jornalista e poeta, André Argolo:

Toda barragem tenta conter
o que não se quer contido
e quando vaza, é enlouquecidamente

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Precisamos Falar Sobre Suicídio

    O que tem de gente se matando não pode mais ser ignorado. No último mês soube de cinco suicídios cometidos na Baixada Santista, mais precisamente em Santos e Guarujá, três deles na última semana, de pessoas entre 20 e 50 anos. Duas mulheres, um garoto lindo. Amigos de amigos meus. Penso que não exista uma pessoa que não conheça alguém que se matou. Se for falar em conhecer quem já tentou se matar, esse número quadriplica.
  Acontece que esse assunto é um dos maiores tabus que persiste na humanidade. Talvez o maior. As famílias não falam sobre isso, evitam dizer a verdade sobre a morte do ente querido. A mídia não divulga, pois há uma "estatística" de que quando alguém "famoso" se mata ou quando se publica, aumenta o número de suicídio. Quando trabalhei no Governo do Estado de São Paulo fiquei estarrecida com o número de suicídios cometidos nos metrôs paulistanos. Não era divulgado.
   Dói falar nisso? Sim, dói bastante, é triste saber que alguém com saúde física, com família, amigos, se mata. Li em algum lugar que o desespero é o amor desgovernado. Então penso que as pessoas que cometem suicídio estão desesperadas, sem esperança de nada. Elas tem amor dentro delas, tem o amor dos outros, mas não sabem governá-lo. 
   A depressão é algo que se instala aos poucos e as pessoas próximas precisam estar atentas, muito atentas. Pode começar com falta de apetite, falta ou excesso de sono, desleixo com tudo. A depressão é uma falta que não tem explicação. Há culpa, medo de pedir ajuda e não ser ajudado, paúra de se tornar um estorvo para os outros. Quem tem depressão pensa que ninguém o quer por perto, pois realmente é muito difícil ficar perto de quem está longe de si mesmo. Como disse Gustavo Liedtke, um amado amigo meu: "quando você fala em suicídio, eu morro um pouco também". Acredito nisso e penso que todos os deprimidos também, por isso não falam.
   Muitas vezes o deprimido não quer morrer, quer mudar de vida. Muitas vezes acredita que há algo melhor depois da morte. Muitas vezes é só um ato alucinado, onde não há real intenção de morrer, mas de chamar a atenção para sua dor. 
   Quando alguém que parece ter tudo (amor, família, dinheiro, profissão, carreira) se mata, fica uma indignação em volta, uma certa frustração dos que ficaram, não tem nada disso, mas seguem alegres. Mas é preciso pensar que pode haver um buraco tão grande dentro dessa pessoa que a mesma se perde dentro dele e não consegue sair. Não consegue olhar em volta e ver todas as coisas lindas que existem nesse mundo. Também há guerra, ganância, capitalismo selvagem, destruição. Para haver o bem é preciso haver o mal, senão, como saberíamos diferenciá-los? 
    Sempre fui do tipo que sofre pelos outros, que sente a dor do outro, sou de uma compaixão exagerada. Na maioria das vezes em que me machucaram, guardei para mim a dor, evitando sempre a briga, o conflito. Guardar tanto machuca ainda mais. Então fico parecendo aquela pessoa tão boa e abnegada que aceita tudo. Mas não sou assim e decidi mudar. Não quero partir para brigas inúteis, mas não quero mais deixar parecer que está tudo bem. Porque não está bem. Resolvi mudar e apagar tudo do passado que possa me deixar triste. Quando lembranças ruins chegam, eu parto. Quando lembranças boas chegam para lembrar que são só lembranças, mudo a estação. Quando fico sabendo que alguém jovem, com uma vida inteira pela frente, matou-se, sinto compaixão. Sei que tentou até onde conseguiu. Sei que será julgado. 
    Os que tentam se matar e não conseguem são, da mesma forma, muito julgados. Como se as pessoas próximas não o deixassem esquecer de tal desatino. Isso machuca demais. Deixem que a pessoa fale quando quiser falar. Digam que estarão sempre quando ela precisar, mesmo que não consigam estar. Talvez por ter essa compaixão com suicidas, me chegam sempre pensamentos autodestrutivos um dia antes de alguém próximo se matar. Parece que os pensamentos das pessoas chegam até mim. Sinto como se os pensamentos não fossem meus. É um dom de presságio que eu não gostaria de ter. Preferiria que viesse a imagem da pessoa, para que eu pudesse ligar para ela, correr até ela e abraçá-la. 
     Aconteceu isso no ano passado. Eu estava com uns pensamentos mórbidos, pensei que era pelo período de mudança, de tentativa de mudança que eu passava. Tive insônia. E no dia seguinte veio uma trágica notícia. Nesta semana também me senti muito mal, sem dormir, sem comer. Dias depois, trágica notícia. Seguida de julgamentos, apontamentos, injúrias. E a pobre moça, linda, cantante e cheia de vida pela frente, não poderá nem se explicar. Há explicação?
     As religiões abominam o suicídio. Pregam o inferno para quem os comete. Há culpa o tempo todo, arrependimento. É uma decisão tão pessoal, como julgar o que o outro sentia para fazer isso? Não pensou nos filhos? Não pensou nos pais? Nos amigos? Óbvio que não! A pessoa não pensa nem nela mesma, como pensar nos outros?
    A pessoa está em desespero, que é o tal do amor desgovernado. Só não entendo porque esse medo em falar sobre suicídio. Admiro quem conta suas experiências, as torna públicas. Admiro quem tem coragem de falar a verdade, a sua verdade, pois sabemos que a verdade tem dois lados.
     Se você, que lê essas linhas confusas agora, conhece alguém com os sintomas acima citados (falta de fome, de sono, desleixo, apatia), não pense que é preguiça, falta de vontade, desânimo. Quando é passageiro, pode ser apenas uma melancolia sobre coisas da vida, mas quando o estado de paralisação não passa, ajude quem você ama. Talvez só precise colocar o seu amor nos trilhos.
   

domingo, 25 de outubro de 2015

Dora e a Dança

  Quando minha filha aprendeu a andar, aos 11 meses, foi na ponta dos pés. Na hora pensei: “Vai ser bailarina!”. Não foi uma viagem de mãe que adora dança, que escrevia sobre dança em caderno de cultura, viu vários espetáculos dos melhores grupos do Brasil e do mundo (como eu gostava desse trabalho e ainda ser paga por isso!), que foi jurada por duas vezes no Prêmio Imprensa de Dança. Não era delírio, era apenas a identificação de uma vocação do espírito.
   Durante a gestação eu ouvia muito Mozart, para me acalmar quando sentia medo de perdê-la (tive uma gravidez de risco, com repouso absoluto), mas também porque li sobre inteligência intrauterina, que música clássica desenvolve o aprendizado do feto. Verdade ou não, Dora tem uma inteligência acima da média. E ouvir música clássica, certamente, não faz mal algum.
    Quando morávamos em Boiçucanga (litoral norte de SP), Dora começou a educação infantil na Escola Raízes. Pouco antes de fazer 3 anos, a bailarina Juliana Andrade, que acabara de sair do Ballet Stagium (de São Paulo) para viver uma vida simples na praia, me chamou pedindo para que colocasse Dora no ballet. “Ela corre na ponta dos pés. É uma bailarina nata!”. Concordei, mas disse que assim como eu também iria nadar, porque assim como meu pai, considero saber nadar uma questão de sobrevivência, ainda mais para quem vive na praia. “Isso é ótimo, futuramente poderá fazer nado sincronizado”, profetizou Juliana, já que Dora, posteriormente, fez nado sincronizado na Unimes, em Santos, e mandava muito bem!
     No período em que moramos em Paraty, coloquei numa aula de dança, mas era uma professora tão ruim, que mais brincava com as meninas do que ensinava. Então a tirei de lá, pois dança é como esporte, precisa de disciplina, treino e muito suor. Foi quando Dorinha aprendeu a nadar. Gostava muito das aulas, não faltava e pegou o jeito fácil, mas via nela a suavidade da bailarina clássica, não a força aliada à técnica e a competitividade de uma nadadora.
    Em Santos me pediu para fazer ballet novamente, queria dançar no Municipal, mas já havia passado o processo seletivo. Fomos tentar uma bolsa na Rosely Ballet. No dia do teste, Miranda tinha apenas 15 dias! Enquanto Dora ficava na sala com outras várias meninas fazendo a aula, eu amamentava minha pequena gigante. Então as mães foram chamadas ao tablado, todas no canto e as meninas ao centro. Rosely, a dona da escola de dança, perguntou: “Quem é a mãe dessa menina?”, apontando para Dora. Levantei a mão. “Parabéns! Ela será uma grande bailarina!”. Precisei soltar o ar para não flutuar de orgulho. E então Dora e Raquel, sua melhor amiga da classe, ingressaram juntas na mesma escola de dança. A junção dessa dupla fez crescer uma grande amizade entre as mães também, eu e Cláudia.
    Passaram um ano bailando com muita dedicação, a apresentação do final do ano foi linda. E então inscrevi Dora para o teste no Ballet Municipal de Santos. Passou! Ficou radiante, mas não tanto quanto eu. Eram mais de 400 meninas para 40 vagas! Aos 7 anos, Dora não tinha dimensão do que isso significava. Em menos de 2 meses no Municipal, recebo a ligação da coreografa, me pedindo para deixar Dora fazer parte do Corpo de Baile Infantil. Das 40 novatas, apenas duas foram  chamadas para o CBI. A maioria termina os 9 anos de Ballet sem nunca integrar o Corpo de Baile.
    No dia 10 de fevereiro de 2011, fomos ao Municipal, fazer a inscrição para o segundo ano. E ver que sua melhor amiga Raquel também tinha passado de primeira no teste. Foi tanta alegria. Mas nesse mesmo dia Dora foi levada para Ribeirão Preto (narro essa história no primeiro texto desse blog).
      O que me alivia é que em Ribeirão Preto, Dora continuou dando vazão à sua grande paixão. No ano passado ficou meio desmotivada, pois não participava de todos os festivais que desejava, já que muitas vezes não havia elenco. Mas no início deste ano, Dora, além de fazer clássico, sapateado e jazz, entrou para a dança contemporânea. Então formaram um quinteto lindo. Numa seletiva de um Festival em Ribeirão Preto, classificaram-se para o de Salto, ficaram em décimo oitavo lugar, entre 40 coreografias. Em julho fez um curso intensivo de dança em São Paulo. Isso mudou seu conceito e a fez querer dançar mais e mais.
   Quando estávamos de férias em julho, em Boiçucanga, chegou a chorar porque pensava que não dançariam bem em Salto. Disse para não pensar negativo, que era para dedicarem-se mais, limpar a coreografia, melhorar. “Nossa mãe, como você está otimista!”. “Não, minha filha, o otimista diria: imagina, vai dar tudo certo. O pessimista diria: não vamos conseguir. O realista analisa o que foi dito e faz o que tem de fazer”. Daí ela se acalmou. E as cinco meninas ensaiaram e melhoraram muito. No Festival de Salto eram quase 500 coreografias, as três primeiras coreografias classificadas estariam automaticamente selecionadas para o Festival de Los Angeles, no ano que vem. Dora também dançou o sapateado, uma coreografia linda, chamada Chaplin. Teve pouco mais de um mês para ensaiar. Resumindo a ópera, minha talentosa filha está no quinteto de contemporânea, no clássico e no sapateado. Estará no palco de Los Angeles por três vezes, dançando, que é sua grande vocação desde sempre! Como é lindo saber do que mais gosta tão nova.
    No dia do resultado me ligou exultante, radiante. Talvez eu não tenha conseguido expressar o tamanho da minha satisfação. Agora, essas meninas lindas e dedicadas, além de aulas e ensaios seis vezes por semana, também estão atrás de dinheiro para a viagem, inscrição e estadia. Sei que irão conseguir, porque a motivação é grande. Do meu lado, ajudarei no que puder e até no que não puder. Felizmente, as coisas estão melhorando para mim no lado financeiro. Dizem que o dinheiro não compra felicidade, mas acho que manda trazer. Como me disse Miranda dia desses: “Mãe, nada é impossível”. Começo a acreditar que nada mesmo é. Somos nós que criamos no pensamento o nosso destino. E tenho certeza que daqui para frente o meu destino e das minhas filhas será de muita união, realização e felicidade.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O Outubro das Minhas Rosas

    O mês de outubro sempre foi de festa para mim. Duas pessoas maravilhosas nasceram nesse mês: minha eterna amiga Claudia Figueiredo e minha maravilhosa prima e amiga Keila Gonçalves. Ambas se foram também no mesmo ano: 2013. E posso garantir que não há um dia que não lembre dessas queridas. Também foram levadas pela mesma doença. Coincidência ou não, nasceram no mês do Outubro Rosa.
   Sim, mulheres, temos de nos prevenir, nos cuidar, temos de lutar sempre para continuar seguindo saudáveis. E se acontecer um câncer na vida da gente, seja no nosso corpo ou no corpo de quem amamos, devemos continuar lutando, continuar amando. Não é fácil para quem está do lado, mas é muito mais difícil para quem passa pelo tratamento. Não é fácil viver com quem está morrendo, mas é mais difícil para quem sabe que tem pouco tempo. 
   A verdade é que estamos todos morrendo um pouco a cada dia, mas vivemos como se a morte nunca fosse chegar. Muitos passam a vida correndo atrás de dinheiro, estabilidade, fortunas e perdem momentos de amor, de comunhão, do que realmente vale na curta vida. Sim, a vida é absurdamente curta, mesmo que fiquemos nesse planeta por 100 anos, ainda é muito pouco.
    E como ouvi esses dias, "já que a minha vida é curta, não quero que seja banal, nem pequena". Quero uma vida de amor, de amigos, de sensações profundas, de aprendizado. Quero ser importante para quem importa para mim. E olha que me importo com pessoas que nem conheço. Quero ser importada para o coração das pessoas, assim como levo no meu coração todas as pessoas que amo (e são tantas).
     Tem muita conta para pagar? Todos tem, inclusive os mais ricos, quanto mais dinheiro, mais conta, sei bem disso porque já estive dos dois lados (dos endinheirados e dos sem dinheiro). Seu grande amor não lhe quer mais? Não era tão grande assim e tem tanta pessoa linda no mundo para conhecer. O amor é maravilhoso, quanto mais você tem, mais você recebe. Não consegue realizar seu grande sonho? Perceba quantas pequenas dádivas acontecem enquanto você tenta alcançar seu objetivo. A vitória pode estar no caminho e não na conquista. E se a angústia da dúvida apertar seu coração, olha o mar. E se você não mora na praia, olha a montanha. E se os prédios não te deixam ver a paisagem, olha para o céu, mesmo com poluição e nuvens, imagine que o Sol está sempre lá brilhando. Os grandes amigos reconhecemos no sorriso. Os grandes amores sentimos no abraço. A grande paz que procuramos está em nós mesmos. 
    Queria ter braços maiores, ser mais forte. Queria ter um sorriso mais largo que convidasse sempre à felicidade. Queria ter um olhar mais profundo para atingir sem palavras. Mais não sou perfeita, estou muito longe disso, com meus temores e angústias e passionalidade. Mas sigo tentando fazer o melhor, mesmo que da pior forma. Queria ter dito mais o quanto amava Claudia e Keila. Queria tê-las abraçado mais, queria ter feito muito mais por elas. Porque sempre fizeram tanto por mim. E mesmo não estando mais aqui, continuam fazendo. Porque o amor que tive ainda tenho e estará sempre em mim. A vida é o que acontece ao redor, enquanto as pessoas ficam olhando para os celulares. Em comum, essas duas tinham um certo repúdio à tecnologia. Keila mal usava o celular. Claudia nem entrava em facebook. Viveram intensamente e amaram muito. E deixaram filhos e amores. Deixaram sementes em vários corações. O meu vive germinando por elas. 
    Cada um lida de um jeito com a saudade. O meu jeito é chorar... e quando nem as lágrimas me aliviam, meu jeito é escrever. Que todas as mulheres que se amam, se toquem. E vivam plenamente o amor.
    E outubro continua sendo um mês de festa para mim. Minhas rosas nunca irão murchar.